Sonhos Roubados
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Sonhos... os meus foram roubados, jogados no abismo sem dó nem piedade. O que eu mais sonhei era viajar no mundo, conhecer lugares e pessoas novas e quem sabe morrer e ser lembrada na história. E aqui estava eu, ha três dias para me casar, provando novamente o meu vestido de casamento, não podia negar que era lindo, porém não me sentia confortável usando-o.
– Filha, você não sabe o quanto está linda nesse vestido. – mamãe falou deixando cair algumas lágrimas – Minha menininha está crescendo. Oh! – ela estava feliz, e eu infeliz. Fiz o maior esforço que pude para sorrir.
– Mãe... a senhora sabe que eu não gosto nenhum pouco de estar casando. Por que me obriga?
– Porque não vou deixar minha filha mais velha virar uma mulher da vida! – explicou. Mulher da vida... meus pais costumam usar esse termo para as mulheres que não tem marido e nem filhos. Eu sinceramente não me importaria de virar uma mulher assim, elas devem ser livres e fazer suas próprias escolhas.
– Por que Natalie não se casa também? É tão injusto. – falei, e me virei para a moça desabotoar o vestido.
– Sua irmã vai se casar, mas não agora. – disse afagando as costas da minha mão. – Vamos Annabel, se anime! Logo estará casada com um homem rico, viverá do bom e do melhor e terá filhos lindos e saudáveis. – a imagem nada agradável se formou em minha mente como um pesadelo.
– Eca! – grunhi exasperada – Não quero me casar com um velho rabugento.
– Não seja grosseira. – me repreendeu – Agora termine de se arrumar que vou pedir a costureira para guardar com cuidado seu vestido. Aquele tecido é caríssimo! – e saiu me deixando sozinha. Termine de me vestir, passei as mãos em meu cabelo tentando arruma-lo e me olhei no enorme espelho.
A garota que estava refletida era triste e infeliz, seus grandes olhos verdes antes animados, eram agora profundos e com enormes olheiras em volta. Seu cabelo totalmente preto liso e ondulado nas pontas com brilho, sua pele era claro com um leve bronzeado, mas o problema era seu sorriso que não existia mais ali.
– Vamos querida! Ainda temos muito a fazer! – parei de me analisar e fui atrás de minha mãe. Os próximos dias seriam longos e torturantes...
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