Sonhos Quebrados.

56 56- Mistura louca!


Notas iniciais
Aleluia! Finalmente desisti de segurar o último capítulo dessa fanfic, então aí vai!

O sol estava se pondo por detrás do monumento Hokage, e espalhava seus raios alaranjados pelos campos da vila, trazendo um misto de satisfação e conforto para os cidadãos cansados que voltavam das suas obrigações diárias.

Em frente ao portão da academia, um jovem esperava pacientemente.

Ele trajava calças compridas e camisa social branca com listras azuis verticais. Precariamente abotoada no topo, ela caía por cima da calça dando a ele o mesmo ar despojado que o seu cabelo liso levemente bagunçado. As mãos dentro do bolso delatavam que provavelmente estava ali a alguns minutos, e seus olhos perolados fitavam curiosamente o portão.

O primeiro sinal tocou e minutos depois a primeira leva de estudantes deixou a escola, agarrados aos materiais, chutando pedras ou conversando animadamente com os colegas ao lado. Não levou muito tempo para que o rapaz loiro fosse notado, e uma pequena multidão de vozes femininas se amontoasse ao seu redor.

_KOJI-KUN!- todas pareciam gritar ao mesmo tempo.

Era uma rotina que, apesar de estafante às vezes, Koji não achava nem um pouco entediante. Sorriu de esguelha e de maneira encantadora como gostava de fazer e um silvo alto de suspiros foi ouvido ao mesmo tempo.

_ Vamos sair?

_Casa comigo?

_Eu quero um beijo!

_Eu primeiro!

_Nenhuma das duas mocréias, eu primeiro!

Como de costume, junto com os mais variados pedidos, vieram também as pequenas discussões. Enquanto algumas garotas se pegavam no tapa para descobrir quem seria a primeira a roubar um beijo do garoto mais cobiçado da vila, outras aproveitavam a deixa e se lançavam ao braços dele, tentando, em meio a briga, tirar uma casquinha que fosse, ou quem sabe ser a escolhida entre muitas para compartilhar uma noite romântica.

Porém a disputa nunca ia muito longe.

Após cerca de dois minutos Akemi chegou. Assim como o irmão, ela também era muito cobiçada pelos garotos, o que fazia Naruto entrar em desespero toda vez que ouvia que alguém do sexo oposto poderia estar atrás de sua princesa com segundas intenções, ou correr como um louco em disparada, segurando alguma arma perigosa atrás de um engraçadinho que se atreveu a jogar pedrinhas em sua janela.

_ Saiam de cima do meu irmão, suas oferecidas!- ela gritou abrindo espaço entre a pequena multidão.

_ Chegou a “poderosa”. – uma das meninas debochou.

_ Vai descobrir que sou poderosa, na hora que eu encher essa sua cara porca de porrada! – gritou irada.

_ Calma Kiki, não precisa ficar nervosa.

Diferente de Koji, que mesmo se vestindo de maneira informal e descolada, era bastante calmo e compreensivo, Akemi era nervosa e falava o que pensava sem se preocupar com broncas.

_ Como não ficar nervosa? Todo dia é a mesma coisa. Eu saio da sala e encontro esse monte de garotas desocupadas em volta de você, como baratas em cima de comida estragada!

Koji fez uma careta.

_ Sabe, de todas as comparações que você já fez, e não foram poucas, essa foi a pior.

_ Desculpa, ni-chan!- falou meio emburrada enquanto dava seu clássico olhar mortal para uma menina loira que soltou o braço de Koji.- Eu queria chamá-las de algo ruim e acabei falando sem pensar!

_ Tudo bem, não se preocupe. – deu um lindo sorriso. – Que tal irmos agora? Está ficando tarde e sabe como o papai fica nervoso quando atrasamos.

_ Ele é um chato!- Akemi bufou cruzando os braços. – Não deixa nem a gente passear um pouco. É sair da escola direto para casa.

Koji se abaixou, segurou as mãos dela entre as suas e olhou fundo em seus olhos.

_Isso não verdade, Akemi. Ele apenas se preocupa conosco, afinal, somos os únicos filhos que ele tem. – falou compreensivo.

_ Mas eu queria passear um pouco, antes de voltar. – fez biquinho

Koji deu um beijo na bochecha dela e levantou.

_ Prometo que amanhã eu te levo para passear o quanto quiser.

_ Jura?

Ele balançou a cabeça confirmado enquanto sorria. Segurou a mão dela e a colocou em suas costas, como se estivessem brincando de cavalinho.

_ É melhor se segurar, porque eu não estou a fim de chegar em casa e descobrir que o papai comeu todo o ramén sozinho de novo.

_ Ramén?Eca!- fez uma careta desgostosa. – Só você e o papai mesmo para empurrar aquela gororoba goela abaixo.

_ Não seja assim, Akemi. Você ainda não despertou para o sabor incomparável dessa iguaria. — disse sonhador.

_ E nem quero despertar.

Koji riu enquanto pulava pelos telhados com a irmã nas costas.

*-*-*-*-*

_ Daito-kun.- Hinata disse de maneira doce para o pequeno ruivo que olhava sério. – Será que poderia parar de jogar coisas na janela da Akemi?

Ele deslizou os dedos pela madeira da mesa de jantar tentando disfarçar o máximo possível o bico que se formava em seu rosto.

_ Mas não sou eu quem está fazendo isso, tia Hina. – falou com voz angelical.

_ Mesmo? Então, poderia me explicar a quantidade imensurável de areia que eu encontro no chão do quarto dela toda vez que você passa alguns dias com os seus avós, aqui em Konoha?!

Ele revirou os olhinhos nas orbitas procurando uma explicação plausível.

_ Pode ser qualquer um.

_ Eu só conheço dois manipuladores de areia no mundo, e um deles já é casado.

_ Alguém pode estar jogando junto com as pedras, pode acontecer. -Deu uma resposta evasiva.

_ No terceiro andar? Só se for mágico!

Daito ficou olhando para os próprios pés em silêncio.

_ Olha meu querido. Eu sei que gosta da Akemi, mas tem que ser mais cuidadoso da próxima vez. O tio Naruto não vai ficar feliz de saber que está jogando pedrinhas na janela da princesa dele.

*-*-*-*-*

Naruto passeava pelo escritório em busca de um documento importante. Desde que assumiu como Hokage pode passar mais tempo com a família e agradecia por isso, mas, quando perdia um documento, era obrigado a fazer cerão para reescrevê-lo, e não estava nem um pouco afim de dormir no sofá do escritório novamente.

_ Cadê esse papel, Datebayo!- perguntava aflito.

Engatinhava pelo chão a procura do documento quando o avistou no canto da sala próximo a porta. Arrastou-se para perto, quase babando de alegria, quando a porta da sala foi aberta e dois pés se puseram em cima da sua última esperança.

_ NÃOOOOOOO!- Berrou tão alto que as pombas que estavam no parapeito da janela se precipitaram em arrolhos esganiçados, enquanto batiam asas para longe do perigo eminente.

Desesperado, se deixou cair dramaticamente no chão, enquanto lamentava a sua perda. Teria que refazer o documento e chegaria tarde para o jantar.

_ Tio Hokage. – uma mãozinha pequena o balançou. –Tio Hokage!

Ele fez um gemido inaudível.

_ Papai, ele está morto?- a vozinha perguntou.

_Esse aí? Desde o dia em que nasceu.

Naruto fez força para poder responder.

_ Morta está a sua dignidade, teme!

_ Acho que está me confundindo, Baka. Você não me vê rastejando pelo escritório com cara de funeral, vê?

_ Eu só não te respondo por que o seu filho está aqui.

_Vá em frente. Não tenha medo de algo tão simples. – desafiou.

_ Não estou nem um pouco afim de levar outro soco da Sakura chan, por ensinar coisas indevidas ao filho dela. Afinal de contas porque veio?Não vá me dizer que foi só para pentelhar.

_ Não, isso sempre acontece uma hora ou outra, mas a questão não é essa.

_ Daisuke kun, você gosta do papai?- perguntou ignorando o moreno.

_Sim, tio Hokage!

_ Ficaria triste se algum sapo, malvado gigante, o levasse para passar alguns dias de férias em uma terra abandonada, esquecida por Deus?

_ E quem traria o sapo? – perguntou.

_ Quer mesmo saber?

_ Dobe, pára de assustar o menino. Sabe que ele não é idiota como você.

_ Um dia você ainda vai engasgar com essa sua língua.

Ele retirou o papel debaixo do pé de Sasuke e caminhou para a mesa onde se deixou cair cansadamente.

_ Diga logo porque veio me perturbar, teme!

_ A Sakura pediu para que lhe avisasse sobre o jantar.

_ O que tem ele?- disse distraído enquanto tentava apagar em vão as manchas do papel com uma enorme borracha branca. Daisuke sentou em seu colo pegou outra borracha e começou a ajudá-lo.

_ Ela disse que não vai ter como fazê-lo lá em casa.

_ Porque não? A mansão Uchiha é enorme. – um mínimo sorriso de alegria surgiu ao ver que uma parte quase imperceptível voltava a cor original.

_ Ontem tivemos alguns problemas com movimentos e acabamos quebrando alguns cômodos. Tivemos que chamar pedreiros para arrumar, está uma bagunça só.

_ O papai a mamãe andam tramando um aumento de família?- sorria divertido e pervertido para o garoto.

_ Acho que eles querem é quebrar o segundo andar, tio Hokage!- disse inocente lambendo a ponta da borracha para apagar melhor. Os cabelinhos negros cheios de restos brancos. – Todo dia fazem o maior barulho no quarto deles a noite. Eu não consigo entender porque eles pulam tanto no colchão se não me deixam fazer o mesmo.

_ É mesmo?!- o loiro olhou divertido para o moreno, que estava passado pela confissão do filho. – Acho que você precisa forrar a parede com abafadores, Teme. Nem todo mundo gosta de ouvir “rock hardcore” de madrugada.

_ Isso não te interessa, Dobe!- disse irritado.

_ Claro que interessa!O meu sobrinho/afilhado não consegue dormir com essa barulheira. Agora, eu nunca imaginei que fossem tão animais na...

Antes que pudesse terminar viu Sasuke assoprar um fio de katon que se alojou na folha que começou a pegar fogo.

_ TEME!- resmungava impropérios enquanto tentava salvar a folha do fim eminente. Estava dando pequenas voltas em torno da sala enquanto batia o papel na esperança de que ele apagasse. Os olhos azuis brilhavam irritadiços e temerosos. Daisuke pegou um copo de água que estava em cima da mesa e lançou no fogo que apagou na hora, deixando apenas um Hokage com algumas gotas escorrendo pelo nariz e o objeto pingando água.

_ Sa- su-ke, Te-me. – o nervosismo era evidente. – Eu vou te matar!

Sem perder tempo, Sasuke pegou o menino, que se afastava da aura assassina do Hokage com passos lentos para trás, e pulou a janela mais próxima.

_ As sete na sua casa dobe!- disse longe.

_ VOLTE AQUI, TEME!EU VOU ARRANCAR ESSE SORRISO IDIOTA DO SEU ROSTO QUANDO TE REBAIXAR A GENIN DE NOVO!

E saiu em disparada pelos telhados com um Sasuke risonho na frente.

*-*-*-*-*

_ Ni-san! Eu quero um sorvete!- Akemi resmungou pela milésima vez nas costas do irmão. – Só um!- pedia com a voz melosa.

_ Tudo bem, você venceu. — disse derrotado. – Mas só um, entendeu?! Não podemos nos atrasar ou o papai vai ficar uma fera conosco.

_ Não seja tão certinho, ni-san. Um atraso de vez em quando não mata ninguém.

Ele olhou divertido para ela. Seus olhos perolados transmitindo calma.

_ Mata sim. Não se lembra da última vez que o papai quase estrangulou os ANBUS, que ficam de plantão no portão da vila, quando alguém disse que nós passamos por ele?

_ A culpa é dele, por acreditar em qualquer pessoa.

_ E aquela vez em que ele disse que estava enfartando?

_ Aquilo era drama, dava para notar pela cara de choro falso que ele fazia. E você é muito bobo, ni-san, por acreditar naquelas lágrimas de crocodilo.

Koji ajeitou um pouco a camisa que estava levemente amarrotada por carregar a irmã de cavalinho. Gostava de se arrumar assim, dava-lhe liberdade de movimentação, apesar de não saber o porquê das garotas insistirem em dizer que é estiloso. Nem se esforçava para ser assim e um monte de garotos tentavam fazer a mesma coisa.

_ Talvez eu seja um tolo mesmo, afinal acredito nos seus dramas também.

_ Eu não sou dramática!- disse meio nervosa.

_ Ah, é sim. E muito.

_ Não sou. E mesmo que seja, eu posso porque ainda sou criança.

_Que seja, mas não pode negar que vocês dois são iguaizinhos.

_ Mentira! Eu sou igual a mamãe!- protestou.

_ Correção. Eu sou igual a mamãe porque sou calmo. Você é igual ao papai, por causa dessa personalidade explosiva que te faz brigar por qualquer coisa.

_ Eu não brigo por qualquer coisa!

_E as meninas do colégio?

_ Elas merecem por ficar agarradas em cima de você!

_ E qual o problema? Está com ciúmes de mim?

_ Sempre. Você é o meu ni-san e tem que ficar comigo!

_ Ciumentos iguais. – Koji sussurrou.

_ O que você disse?

_Nada.

_Não tente disfarçar. Eu ouvi muito bem o que...

_Qual o sabor que você queria mesmo?

_Eu não estou falando disso, estou...você disse o que?

_Perguntei sobre o sabor do sorvete. Qual você vai querer?

*-*-*-*-*

Naruto andava pela casa afobadamente enquanto Hinata acabava os últimos preparativos para o jantar de última hora. Os empregados estavam em polvorosa tentando seguir as ordens dadas aos montes pelo sexto Hokage, quase tão aflitos quanto ele.

_Naruto. – Hinata chamou-o depois que ele conseguiu quebrar pela milésima vez os vasos, enquanto corria de um lado para o outro. – Calma, amor! Não precisa de tanta afobação, vai dar tudo certo para o jantar!

_ Não é com isso que eu estou preocupado Hina, por mim que o Teme coma a grama do jardim se estiver com fome. São as crianças que ainda não voltaram!

Hinata bufou cansada. Todo dia era a mesma coisa.

_ Tente se acalmar, eles devem estar chegando. Além do mais o Koji é um ótimo ninja e saberá lidar com imprevistos.

_ Eu sei. – disse roendo as unhas. – Mas eles estão atrasados!

_ Ah não estão, não. Ainda faltam dez minutos para as cinco horas.

_ Nove minutos e quarenta e cinco segundos. – ele corrigiu fazendo contagem regressiva nos dedos.

_ Que seja. – virou os olhos. – Essa preocupação exagerada vai acabar te matando. Tente respirar.

_ Ai, Hina. – olhava temeroso para a porta. – E se eles não voltarem? E se caíram no rio, ou foram comidos por tigres dente de sabre?Acho melhor mandar uns bunshins atrás deles, quem sabe uns mil? Ou é melhor chamar o gama oyabun?

Hinata começou a gargalhar da afobação do marido. Ele sempre foi muito preocupado com a segurança dos filhos, depois que virou Hokage então, acabou ficando paranóico. Chegou mais perto e o abraçou pelas costas carinhosamente sentindo os chiliques que percorriam seu corpo passar para o próprio.

_ Eles vão ficar bem. Não se preocupe. — deu um selinho. – Agora que tal tentar acalmar os ânimos com um banho? Eu acalmo os empregados e...

Notas finais
E quem acaba é você agora, querido leitor!
Vocês vão me ajudar a dar fim nessa trama, então mão na massa e mandem o final dessa saga escrita pelos seus dedinhos mágicos. Estou aguardando ansiosamente.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.