Sonhos Quebrados.
52 52- Alívio.
Notas iniciais
_ Naruto...o nosso filho está morrendo. – disse baixo com a voz embargada deixando as palavras morrerem na boca como se fossem um sussurro fraco.
A respiração faltou no momento em que ouviu as palavras de Hinata, sem conseguir acreditar no que estava ouvindo. Queria perguntar e terminar com a dúvida que pairava em sua mente como um convite nefasto ao desespero mas precisava cuidar da morena primeiro.
Ele sentiu o coração ser envolvido em um misto de surpresa e angustia ao ver o estado em que Hinata se encontrava. Seu pequeno corpo era sacudido pelos soluços do choro desesperado causava.
_ Hina tente se acalmar, por favor, você está muito nervosa, isso vai fazer mal para o bebê!- disse alisando os cabelos dela tentando esconder o nervosismo que fazia seus dedos tremerem.
_ Como posso me acalmar com toda essa agitação?Sem saber se o meu filho vai ficar bem? Kami sama porque tem que ser tão duro, por favor, não leve o meu menino- falava aflita.
Naruto a levantou no colo e sentou-se no banco colocando-a do lado de modo que ficasse confortável. Segurou as mãos delicadas e brancas que suavam frias. Ela não parava de pedir em voz baixa que Deus não levasse Koji, então o loiro em respeito ao seu estado resolveu não questioná-la.
_ Gaara o que está acontecendo com Koji?- direcionou a pergunta ao ruivo sem tirar os olhos da morena que tremia e chorava como uma criança.
Ele sentou-se no banco a frente encarando-o seriamente. Mais dois médicos passaram apressados para a sala de esterilização e ambos os acompanharam com o olhar. Depois que eles desapareceram pela porta os olhares voltaram a se cruzar.
_ Bom, não sei como dizer isso de maneira simples, então vou direto ao ponto. Parece que estão ocorrendo algumas complicações com a cirurgia de Koji e todos os médicos pediatras foram convocados para a sala em que ele está imediatamente.
_ O que?- perguntou desesperado quase levantando do lugar onde estava.
Era como se tivesse sido atingido em cheio com um soco na boca do estômago. Imaginar perder o filho que praticamente acabara de conhecer era demais para ele, só podia ser um pesadelo.
Hinata buscou mais abrigo em seu abraço o fazendo acordar para outra realidade. Mesmo muito preocupado com a situação do filho mais velho tinha que confiar em Tsunade e cuidar de Hinata que estava muito nervosa. Fechou os olhos buscando se controlar.
_ Gaara?- chamou fazendo o ruivo, que encarava os próprios pés, olhar para ele. – Será que poderia trazer um copo de água para a Hinata se acalmar?
_ Sim. –respondeu se levantando.
Naruto olhou para a barriga de Hinata, dando um leve sorriso de canto de boca ao perceber que estava maior do que da última vez que vira. Precisava ser forte naquele momento para apoiá-la. Pousou a mão no rosto dela levantando-o carinhosamente pelo queixo, fazendo-a fitá-lo.
_ Calma meu amor vai ficar tudo bem eu prometo.
_ Mas eu tenho medo de perdê-lo, não suportaria viver sem ele. Eu ouvi quando emitiram o alarme algo está errado... a voz morria em meio as lágrimas.
_ Eu estou com você, temos que confiar na ba-chan. Ela vai cuidar bem do nosso filho, acredite nela.
_ Eu sei Naruto, mas todo esse suspense é muito angustiante.
_ Tenha fé meu amor, daqui a algumas horas vamos ser uma família completa novamente.
_ E se não der certo? E se eu não puder abraçá-lo novamente? E se ele...
_ Não seja pessimista, Koji é nosso filho é mais forte do que pode imaginar, ele vai sair bem dessa cirurgia eu tenho certeza disso. Agora tente se acalmar, porque o nosso outro bebê também precisa de atenção, e todo esse nervosismo pode fazer mal á ele. – disse pousando a mão sobre o ventre dela sentindo os movimentos do filho caçula.
_ Foi por isso que eu tive medo quando descobri que estava grávida de novo. Eu sabia que ficaria muito nervosa quando essa cirurgia chegasse e...
Ele pôs o dedo sobre a boca dela pedindo carinhosamente para que parasse de falar.
_ Shi, não diga mais nada. O nosso bebê será muito bem vindo, mesmo que seja um apressadinho e tenha resolvido chegar nesse momento tão difícil.
Ela levantou os olhos e pode perceber que ele estava com um semblante cansado de quem não descansava há dias, mas mantinha um olhar sereno e carregava um leve sorriso carinhoso.
_ Aqui está Hinata. – Gaara chegou oferecendo a água.
_ Muito obrigada Gaara. –agradeceu tomando.
Naruto apertou o abraço e deu um beijo no alto de sua cabeça.
_ Não se preocupe, eu vou cuidar de vocês.
Ela concordou e tornou a deitar a cabeça em seu peito, sentindo a onda de desespero que havia abatido seu coração desaparecer aos poucos no calor dos braços dele.
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Já era noite quando a equipe foi se desfazendo aos poucos, deixando na sala apenas algumas pessoas que ainda mantinham o semblante sério.
Sakura olhou com os olhos marejados para a janela e pode ver a lua reinar tranqüila e magnífica no céu escuro.
Finalmente haviam acabado.
Ino recostou na parede retirando a máscara e dando um suspiro cansado. Olhou para as mãos que tremiam por causa da agitação da cirurgia, lançando olhares furtivos a Godaime que permanecia em pé ao lado da maca.
_ Vamos Tsunade sama, precisa descansar foi uma intervenção cansativa. – Sakura chamou carinhosamente a mestre que não conseguia desviar o olhar do menino. – Fizemos o que estava ao nosso alcance.
Ela apenas continuava a fitá-lo em silêncio com os olhos cansados.
Ino se aproximou.
_Todas precisamos descansar, aliás, ficamos treze horas aqui dentro.
Instalou-se um silêncio torturante na sala.
_ Será que fiz foi o certo?- ela se perguntou quase sussurrando.
Sakura a olhou com carinho.
_ Nunca duvide da sua capacidade sensei, não existe melhor ninja médica no mundo Shinobi do que você. Agora vá conversar com Naruto e Hinata e deixe o resto por minha conta.
Tsunade retirou a máscara dando um suspiro cansado e saiu a passos lentos em direção ao corredor que parecia maior do que nunca.
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Havia uma pequena multidão estacionada no corredor a espera de notícias. Pareciam conversar baixo tentando distrair a atenção de Hinata que mantinha uma postura preocupada.
Os murmurinhos foram silenciados no momento em que mais passos foram ouvidos no corredor. Outros médicos haviam sido interrogados, mas nenhum quis revelar algo sobre o término da cirurgia, entregando essa tarefa a médica responsável e aumentando a expectativa.
Hanabi agarrava com força a barra da camisa que usava como se isso fosse capaz de aliviar a tensão. Hiashi mantinha os braços cruzados e olhos fechados em uma tentativa não muito convincente de aparentar manter a calma, infelizmente seu pé tremendo o desmentia. Neji ao lado de Tentem que mantinha ambas as mãos sobre a barriga estava atento aos movimentos dela, receoso de que também se alterasse demais.
Depois de Naruto e Hinata, que eram os pais, o Kazekage era o mais aflito; a falsa calma que mantinha havia se esvaído com os correr dos minutos angustiantes e sem que percebesse estava roendo as unhas de nervosismo, fazendo os curiosos olharem assombrados a sua impaciência.
Tsunade surgiu no corredor como a luz no fim do túnel, trazendo a certeza de que o suspense iria finalmente acabar. Mas o seu semblante cansado não era muito confiável.
Naruto, que segurava as mãos de Hinata levantou os olhos azuis a fitando intensamente.
_ Então ba-chan, como está o nosso filho?
Ela farfalhou o jaleco demonstrando certa frustração.
Hinata desviou o olhar para ela, e sentiu o mundo desmoronar ao seu redor ao fixar-se nos olhos castanhos desanimados. Os olhos marejaram dificultando a visão, e sem ter forças ou coragem para perguntar, voltou a enterrar o rosto no peito do loiro, temendo as palavras dela.
_ BA-CHAN!- Naruto chamou acordando-a do transe. – Não nos faça esperar mais do que já esperamos, diga logo como está o nosso filho!
Ela suspirou pesadamente fazendo a tensão aumentar com a demora na resposta.
_ Fizemos tudo ao nosso alcance, nos preparamos para evitar possíveis frustrações, mas ocorreram muitas complicações, houve um momento em que foi preciso convocar toda a ala pediátrica, felizmente conseguimos estancar a hemorragia e terminar a intervenção. Resta agora esperar e torcer, se ele apresentar melhora durante as cinco horas de observação do pós operatório, então teremos a certeza de que o procedimento foi um sucesso.
A visão de Hinata escureceu e ela escutou apenas os gritos que aos poucos foram cessando. A pressão havia baixado de uma vez causando um desmaio.
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_ Avise se precisar de algo. – Sakura disse carinhosamente ao loiro antes de sair do quarto fechando a porta lentamente atrás de si.
Diferente do último quarto de hospital onde vira o filho acamado esse não era alegre e decorado com imagens infantis e sim branco e desanimador. Respirou fundo antes de se aproximar da cama envolta em um mar de fios onde o filho estava. Não era uma visão agradável e no fundo agradecia por Hinata ter desmaiado e estar em observação em outro quarto sendo medicada para que não acordasse pelas horas seguintes, sabia que a tensão seria prejudicial e rezava para que os momentos em que passou por nervosismo não tivessem afetado o bebê.
Sentou-se na cadeira que havia ao lado, tomando entre as suas a mão pequena que pendia molemente vazada por fios. Os dedos pareciam ser feitos de pano de tão delicados e maleáveis. Tubos e sondas adentravam as vias respiratórias dando a impressão de que iriam sufocá-lo a qualquer instante. Os olhos cerrados davam a impressão de estar em meio a um sonho tranqüilo, mas era impossível dizer se de fato estava sonhando.
Naruto esqueceu-se do cansaço que fazia seus músculos clamarem por descanso e pode sentir na pele toda a aflição que Hinata disse ter passado tantas vezes.
Realmente era angustiante.
Sentia que havia envelhecido dez anos devido a expectativa, mas essa seria a última, se não desse certo não haveria próxima vez.
Apertou a mão dele com mais vigor encostando a cabeça nos dedinhos pálidos enquanto rezava silenciosamente com os olhos fechados para que ele saísse vivo.
Depois de alguns minutos, tornou a olhá-lo. Parecia um anjo dormindo, tão pequeno, frágil, lindo. Afastou os fios de cabelo que havia em sua testa e deu-lhe um beijo paternal.
_ Você vai acabar matando o seu pai de preocupação. Eu amo você meu filho e sei que vai melhorar. Tenho fé. – disse emocionado.
Ao se afastar viu os pequenos olhos perolados abrirem lentamente e uma sensação de alegria e tranqüilidade explodiu em seu peito. Sentiu vontade de pular e gritar, mas se conteve. Ainda não faria isso.
Ainda não.
_ Kombawa otousan. – disse com a voz fraca abafada pela máscara.
_ Kombawa chibiko. – as lágrimas de alegria corriam livres pelo seu rosto.
Ele levantou uma das mãozinhas para secar as lágrimas do pai.
_Não chore papai, tudo vai ficar bem. Estou tão feliz de poder ver você!- deu um sorriso fraco. – Estava com saudades.
_ Você não faz idéia de como eu amo você.
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