Sonhos Quebrados.
37 37-Briga de família.
Notas iniciais
Boa Leitura!
”Hinata sentiu uma nova leva de lágrimas dolorosas com a cena.
Finalmente havia se dado conta de quanto Naruto amava o filho. Apenas se arrependeu de não ter sido em tempo.”
Fez menção de se levantar e atacar o pai. Jamais em sua vida havia sentido tanto ódio dele. Sempre havia tentado compreender as suas razões, recuando temerosa diante de suas ações violentas, mas no fundo sabia que o amava por ele ser seu pai.
Mas agora tudo estava acabado. O amor havia se transformado em ódio e amargura, porque por duas vezes ele conseguira ferir, em um curto espaço de tempo a pessoa que era mais importante do que a sua própria vida.
Seu filho.
Sem pensar duas vezes se colocou de pé, pronta para enfrentar o pai e fazê-lo pedir perdão a força pelas maldades que havia cometido, mas sentiu uma mão molhada segurar seu punho com força.
Naruto levantou com dificuldade respirando fracamente enquanto o sangue continuava a escorrer pelo machucado, indo pingar na ponta da lança. Sentindo o líquido quente subir para a garganta e a consciência começar a fraquejar pela perda brutal de sangue colocou com dificuldade a mão sobre a arma e olhando furioso para Hiashi, disse em um sorriso de escárnio e deboche.
_ Que...coisa...mais ridícula...Hiashi, ata...car...alguém...pe...las....costas. Será..que...tem tanto...me..do de mim a...ponto de jo...gar fora o pre...cioso...orgulho..do..qual..tan..to se gaba?- disse arfando.
Neji e Gaara chegaram quase ao mesmo tempo e não puderam deixar de transparecer a surpresa e horror que sentiram ao ver o estado de Naruto.
A roupa laranja coberta e sangue, a poça que se formava em seus pés indo margear os pés de Hinata que estava próxima e olhava desconsolada.
A lança atravessada que com certeza já teria dado cabo de qualquer outro, pendia debilmente em seu peito. Eles fizeram menção de correr em seu auxílio, mas foram parados pelo loiro que levantou a mão impedindo que se aproximassem.
_ Não...che..guem...perto! Esse...ca..na...lha.. é meu!- disse com um sorriso nefasto coberto de sangue.
_ Está louco Naruto vai acabar morrendo desse jeito!- Era a primeira vez que ouvia Gaara falar com tanto desespero. Ele sempre fora tão reservado.
_ Que...isso...Gaara...eu não vou morrer...tão fácil. Pelo...menos...não na mão...dele. Por... favor...se você se con...side...ra meu ami...go não interfira.
_ Deixe de idiotices, olha a sua condição, acha que pode lutar nesse estado? Mal consegue se manter de pé! – Neji ponderou analisando a situação crítica dele.
_ Não...se.. preo...cupe, eu já..disse..que..não morrer nas mãos de...le.
Hiashi estava surpreso. Sempre soube da determinação do loiro, mas não sabia que era tão absurda a ponto de motivá-lo a lutar no estado em que estava. O olhar dele lembrou o de Koji quando o desafiou na sala e percebeu pasmo que fora infeliz em suas conclusões. Aquele olhar orgulhoso e confiante não tinha sido herdado do sangue Hyuuga, e sim do pai dele.
_ Se deseja tanto morrer, farei com que seja breve. – Disse em um tom de Voz vitorioso. Era impossível não conseguir dar cabo dele na situação precária em que estava. Teve a impressão de que ele já havia morrido e era a teimosia que o impedia de cair.
Naruto colocou a mão sobre a lança e se concentrou alguns segundos de olhos fechados. Não estava mais no modo senin, precisaria usar o chakra da Kyuubi. Em questão de segundos uma aura vermelha de chakra tomou conta do seu corpo e tomando forma de um manto fez surgir quatro caudas vermelhas que pareciam feitas de tecido, tamanha a leveza com que bailavam no ar. Abriu os olhos fitando Hiashi com as pupilas vermelhas e dilatadas verticalmente.
_ Pode ...ten..TAR!!!- gritou retirando a lança que se desmaterializou ao seu toque devido ao calor emitido pelo chakra vermelho.
Hiashi sentiu o corpo estremecer de pavor, e a garganta secar. Por um instante sentiu estar cara a cara com a própria raposa que o olhava de maneira demoníaca.
Gaara não se assustou muito, afinal ele também já fora jinchuuriki de um bijuu e sabia que aquela transformação não trazia nenhum beneficio ao corpo, senão a recuperação rápida das feridas acompanhada por uma agonia intensa.
Neji por outro lado sentiu um frio percorrer a espinha ao perceber que estava diante de um ninja que havia superado os patamares humanos de força, e possuía técnicas e poderes absurdos. Ele havia evoluído de um genin inútil e abobado para um sanin em três anos, e agora parecia estar acima de qualquer oponente. Tinha que admitir, por mais vergonhoso que fosse, que perto dele não passava de uma criança aprendendo as artes ninjas.
Hinata sentiu Koji afundar a cabeça em seu ombro assustado. O corpo pequeno tremia e ela não sabia dizer se era de medo ou se ele estava passando mal. Apertou-o mais se afastando. Aquele não parecia ser o mesmo Naruto doce e atrapalhado pelo qual se apaixonara.
Hiashi tentou se controlar ao ver que a ferida havia cicatrizado de maneira quase que milagrosa.
_ Hyuuga Hiashi!- disse apontando com raiva para ele. – Eu, Uzumaki Naruto, Sanin de Konoha, Jinchuuriki da Kyuubi, e futuro Hokage vou fazer você se arrepender do dia em que tocou essas mãos imundas no MEU FILHO e na MULHER QUE EU AMO!
Hinata sentiu o coração bater mais depressa com a declaração dele.
Hiashi se pôs em posição de batalha e ativando o Byakugan o convidou com um sorriso nervoso.
_ Pois então venha seu monstro!
_ Só tem um monstro aqui e ele é você!
Naruto partiu para cima dele com as mãos nuas. Não iria usar nenhuma técnica, iria provar ao Hyuuga o quanto ele era inferior o humilhando e derrotando usando apenas Taijutsu. Seus movimentos estavam mais rápidos devido ao chakra da raposa e o corpo parecia adormecido impedindo-o de sentir dor pelo ferimento que ainda não estava curado completamente.
Começaram um confronto corpo a corpo. Hiashi desferiu um soco no estômago de Naruto que sentiu o corpo inclinar levemente para frente, mas no instante seguinte o acertou com uma cotovelada na cabeça.
Estava difícil para Hiashi, por mais que ele acertasse e fechasse os pontos de chakra do loiro eles voltavam a abrir com a coloração avermelhada. Já havia lançado mão das mais diversas técnicas do seu clã e nenhuma parecia surtir o efeito esperado. Ate mesmo Juukenhou — Hakke Sanbyakurokujuuichi Shisa
(Estilo do Punho Suave: 8 Trigramas 361 Golpes) foi capaz de conter os ataques do loiro.
Hiashi não sabia que ele havia controlado a raposa a ponto de poder utilizar a energia dela com tamanha destreza, e toda vez que o acertava sentia os punhos arderem em chamas.
_ Ta quente sogrão?- Naruto disse segurando a cabeça dele com as mãos- Esse não é nem o começo do que eu vou fazer você sofrer. –Bateu a própria cabeça contra a dele.
Hiashi estava em desvantagem.
Seu adversário era forte, jovem e tinha toda a energia que precisasse a sua disposição. Começou a sentir o corpo vacilar pela violência dos golpes que lhe eram acertados pelo loiro que parecia se divertir a cada careta de dor que ele fazia. As mãos e várias partes do corpo tinham queimaduras severas. Já não tinha mais forças para lutar e quando foi atingido por mais um soco no estômago se deixou cair ajoelhado e sem forças para contra atacar.
“Talvez morrer não seja tão ruim assim.” Sua consciência disparou.
“Acho que você tem razão” concordou com ela, afinal estava cansado de tudo aquilo, da solidão, das falsas aparências, da honra cansativa.
Precisava descansar de tudo aquilo.
Olhou para Hinata e o neto que presenciavam o seu massacre e se arrependeu de não poder ter tido a oportunidade de abraçá-la pela última vez assim como fazia quando era criança.
Arrependido de não poder pedir perdão.
Já estava perdendo a consciência quando viu Koji se lançar na sua frente com os bracinhos abertos e o olhar decidido evitando assim mais um ataque do pai.
Naruto conseguiu deter o ataque no ultimo segundo, quase acertara o filho com a potência máxima e olhava indagativo para ele.
_ Chega de brigar pai!Você já bateu demais nele, não vê que é só um velhinho, olha os cabelos brancos, é feio maltratar os mais idosos assim!-suas palavras soavam mais como uma repreensão do que pedido.
Ele abaixou o punho.
_ Koji, sabe que esse velhinho não inocente a culpa foi dele de ter seqüestrado você. – olhou-o sério.
_ Eu sei papai! Ele é malvado, mas eu acho que é porque ele se sente sozinho.
_ Mas ele te machucou eu não posso perdoá-lo. Ele tem que sofrer para se arrepender.
_ Você quer ser igual a ele pai? – Naruto se assustou com a pergunta do filho. -O tio Gaara me ensinou que as pessoas machucam os outros são as mais malvadas. Se você continuar batendo nele vai se tornar tão malvado quanto ele, e eu não quero que você mude, porque eu o amo do jeito que é.
Naruto sentiu como se as palavras dele tivessem golpeado seu rosto com força e já não tinha tanta certeza de que queria continuar a bater em Hiashi que já havia levado uma boa surra.
Hinata levantou ao ouvir o filho ponderar a situação com tanta inocência. Ela sabia que provavelmente ele havia sido maltratado por ele, e mesmo assim estava lá tentando salvá-lo da fúria do pai, com o mesmo olhar decidido que Naruto fazia quando encasquetava com algo. Sabia que seria praticamente impossível fazê-lo mudar de idéia. Levantou-se e caminhou lentamente para perto do loiro que olhava pasmo, e segurando em seu braço, sem se importar com a dor que as queimaduras que o chakra quente proporcionava olhou-o de maneira doce.
_ Ele tem razão Naruto. Chega de brigas.
_ Mas Hinata....
_ Ele não vai sair de lá tão facilmente, não consegue ver aquele olhar teimoso igual ao seu?
Naruto recolheu o chakra da Kyuubi, sentindo o corpo pesar pelo excesso de uso. Podia ouvir a raposa rindo dele no seu interior, provavelmente chamando-o de fraco, mas não se importou. Não ligava tanto para as aparências, se o filho havia perdoado Hiashi quem era ele para continuara massacrá-lo.
Koji virou para Hiashi que estava com vários hematomas pelo rosto que contratavam feiamente com um filete de sangue que lhe escorria pela boa e segurou o seu rosto ternamente com as mãozinhas.
_ Que tal parar de ser malvado senhor, isso não é bom, deixou você sozinho.
Não é feio pedir desculpas pelas coisas erradas que a gente faz, pelo contrário é muito bonito. Que tal tentar ser mais bonzinho de agora em diante?
Hiashi pode ver em seus punhos um leve arroxeado devido às cordas que haviam sido usadas para prender as mesmas mãos que agora lhe acariciavam o rosto com ternura e não conseguia entender como aquela criança podia ser tão inocente.
Ele havia machucado ele, havia xingado-o, havia maltratado aquela criança que agora vinha em seu auxílio, sorrindo como se nada tivesse acontecido. Como se todos os problemas do mundo pudessem ser resolvidos com um sorriso.
Assim como Hinata.
Não pode evitar as lágrimas que caíram pelo rosto cansado, enquanto fitava aquela criança tão meiga que um dia odiou tanto. Era uma vergonha admitir que havia sido derrotado por alguém tão pequeno.
Mas não era vergonha que o fazia chorar, e sim culpa.
Pela primeira vez em anos se deixou dominar pelos instintos que gritavam em seu interior e abraçou o menino que retribuiu o gesto na mesma intensidade e sussurrou em seu ouvido.
_ Ontem de noite, foi o senhor que foi me visitar não é?
Hiashi não conseguia responder por causa da emoção, mas apertou o menino contra o peito sem vergonha de que fosse julgado de fraco por quem assistia a cena. Só conseguia pensar em quanto queria ser reconfortado.
_ Sei que não começamos direito, mas se quiser eu posso ser o seu amigo. — falou terno.
Por um instante ele pode sentir o Hiashi orgulhoso se debater dentro dele em sinal de reprovação.
“Que cena ridícula! Levante-se já e largue esse bastardo”.
Ele apenas respondeu.
“Não me amole, agora eu estou curtindo o meu neto!”
Hinata sentiu as lágrimas escorrerem pelo rosto. Finalmente estava em paz consigo mesma. O pai parecia ter finalmente entendido que o orgulho não o levaria a nada e estava expurgando a dor que ela sabia que ele escondia em algum lugar do coração. Sentia orgulho do filho que mesmo tão pequeno conseguira demonstrar uma atitude mais adulta do que todos eles.
Sentiu orgulho de Naruto que cumprira com a promessa que havia feito.
Hanabi que veio correndo ao saber que Naruto e Hinata tinham invadido o clã atrás do filho, se surpreendeu ao ver o pai abraçado a Koji chorando como se fosse uma criança.
Gaara simplesmente deu as costas para a cena e falou baixo com um sorriso de canto de boca.
_ Esse Koji, consegue desarmar até o mais selvagem guerreiro. Eu não te culpo Hiashi, porque sei que o meu afilhado e irresistível.
Notas finais
O que acharam? Um final digno de mangá da Jump, onde todos saem felizes e realizados. Agradeçam aos inumeros pedidos para que eu não matasse o Naruto, porque vontade eu tive...
Brincadeirinha!
Abraços
YueChan!
Fale com o autor