Sonhos Quebrados.
36 36- Resgate e morte?
Notas iniciais
“_ Ele está no clã Hyuuga!- disse com a voz desgostosa.”
Naruto saiu em disparada do prédio Hokage sentindo um intenso ódio tomar conta da sua consciência. Não sabia o que Hiashi planejava fazer com seu filho, mas a julgar pela personalidade turrona que possuía sabia que não havia sido para conhecer ou abraçar o neto.
Foi seguido pelos demais que por mais que se esforçassem não conseguiam alcançá-lo em seu atual estado de agilidade reforçado em muito pelo modo senin.
Hinata estava pasma com a revelação, será que o pai pretendia atingi-la com o seqüestro do filho? Obrigá-la talvez a voltar para o clã e reassumir sua posição como futura herdeira? Ela sabia que independente dos motivos jamais iria perdoá-lo por ter cometido um ato tão covarde.
Seu único medo era Naruto.
Mesmo estando alguns metros de distância era possível sentir o chakra dele borbulhando de ódio.
Neji não estava muito feliz com a revelação, mas não havia ficado com tanta raiva quanto o loiro, já Gaara estava sério e era possível ver o seu nervosismo pela maneira como a cabaça atrás dele balançava, como se a areia quisesse sair e destroçar o primeiro pobre coitado que encontrasse pela frente.
Naruto chegou sério em frente ao portão do clã e sem esperar por apresentações ou formalidades, mandou o mesmo para o espaço com um rasengan. Uma intensa nuvem de fumaça apareceu encobrindo-o. Ainda no modo senin ele começou a vasculhar o local em busca do chakra do filho. Quando conseguiu localizá-lo se viu cercado por vários membros do clã, todos com o Byakugan ativo.
_ Eu não posso perder tempo com vocês!- Gritou realizando o Kage bunshin no Jutso, e criando dez clones.
Aproveitou que os guardas estavam distraídos e pulando por cima de alguns deles, conseguiu seguir seu caminho, e sem sutileza nenhuma saiu destruindo os obstáculos que encontrava pelo caminho. Iria por aquele lugar abaixo se preciso fosse para resgatar o filho.
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Quando Hinata chegou encontrou uma verdadeira carnificina. Vários membros do clã estavam caídos no chão com ferimentos graves, alguns chegavam a dar a impressão de já estarem mortos, devido ao seu estado de inércia corporal. Sentiu um calafrio percorrer a espinha.
Naruto estava possesso, e havia uma grande chance de acabar matando alguém, precisava encontrá-lo antes que alguma tragédia acontecesse.
Quando estava pronta para ir atrás dele viu mais Hyuugas surgirem. Ela os conhecia bem. Eram os mais poderosos, a guarda pessoal do pai. Assumiu a posição de luta, mas foi impedida por uma mão que pousou em seu ombro.
_Deixe que eu cuido desses aqui, vá atrás daquele idiota antes que acabe matando o seu pai na frente do filho.- Neji a olhou seriamente.
_ Mas Neji, eles são muitos!
_ Está duvidando da minha capacidade como lutador Hinata?Lembre-se que já passei por situações piores.
_ Ora, ora, olha quem veio nos visitar o gênio banido e a nossa ex- futura líder. Vocês deveriam manter-se longe desse lugar, sabem muito bem o que acontecem com quem abandona o clã. Por acaso vieram implorar para voltar?
_ Eu não voltaria para esse clã ridículo nem que fosse a última coisa que fizesse na vida. – Hinata respondeu com fúria.
_Hinata não se deixe provocar, eles só querem atrapalhar o nosso resgate. — Neji pediu calmo. – não perca o seu foco.
_ Resgate? Eu jurava que era uma festa.
_ Festa é o que eu vou fazer com as suas tripas depois que arrancá-las do seu corpo sem vida!- Hinata estava cada vez mais fora de si.
_ Hinata!- Neji praticamente gritou.
_ Parece que voltou das suas férias com a língua bem afiada. Deveria voltar para o seu buraco, você só envergonha o nosso clã com a sua incompetência. E pensar que seria nossa nova chefa, o mestre Hiashi tinha que agradecer a Deus por tê-lo livrado de um fardo como você.
Hinata ia partir para cima dele, mas foi impedida novamente por Neji.
_ Me solta Neji, eu vou dar uma surra nesse idiota!
_ Não se deixe enganar, lembra que viemos resgatar o Koji? Esse é o nosso principal objetivo, depois que ele estiver a salvo você pode encher esse idiota de pancada até a morte.
Hinata refletiu por alguns segundos e percebeu que o primo estava certo, até que o homem falou à frase que fez a sua raiva transbordar.
_ Koji? Não me digam que armaram esse circo todo só para resgatar aquele bastardo ridículo. – disse com desdém.
Ela sentiu uma onda de ódio varrer a sua consciência e conseguiu se soltar dos braços do primo. Iria acertar aquele canalha e fazê-lo cuspir sangue enquanto implorava por perdão, mas antes que desse mais do que dois passos em direção á ele, viu uma mão gigante de areia o levantar do chão em um abraço sufocante.
_ Você chamou o meu afilhado de quê?- Gaara disse com uma voz sinistra e apertando mais o homem que deu grito agudo de dor completou- Repete porque eu acho que não ouvi direito!
_ Ka-ka-kazegake?- os outros disseram espantados.
_ Hinata vá atrás do Naruto. – Disse com o semblante irado.
Hinata balançou a cabeça em confirmação. Agora mais calma conseguia se concentrar no seu real objetivo. Correu pelos domínios do clã e não foi difícil encontrar as pistas que precisava para saber aonde o loiro havia passado. Ele havia destruído boa parte do caminho tamanha a sua impaciência para encontrar o filho.
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Naruto estava se aproximando do local, porém em sua fúria não havia se dado conta de que toda aquela algazarra podia gerar alarde e dificultar o trabalho de busca, mas por mais que tentasse não conseguia se acalmar ao lembrar-se de Hiashi.
Toda aquela pompa, falas modéstia e orgulho o enojavam, Havia evitado contato com ele nesses últimos anos, porque sabia que se o encontrasse não iria conseguir se conter pela dor que fizera Hinata passar.
Atravessou mais um corredor e entrando em um quarto mais aos fundos do clã encontrou o que estava procurando.
Encolhido em um dos cantos da parede, com os braços em volta da perna e a cabeça baixa, estava um menino de cabelos lisos e loiros. Correu até ele sentindo o coração bater mais rápido de alegria, abaixou-se e o chamou carinhosamente passando a mão pelos seus cabelos.
Koji levantou a cabeça vagarosamente, ao ouvir a voz dele e de um pulo enlaçou seu pescoço em um abraço carinhoso e apertado.
Naruto apertou a cabeça dele em seu ombro chorando de alegria e alívio. Nada mais importava, havia encontrado o pedaço que havia perdido, e como havia sentido falta daquele toque, do calor do corpo dele, da respiração compassada, do cheiro infantil que o fazia desejar que aquele momento durasse para sempre.
Levantou com ele no colo agradecendo a todos os Kages pelo seu inferno finalmente ter acabado jamais desgrudaria dele novamente ou deixaria algo parecido acontecer. Não teria coração para suportar tanta dor novamente.
_ Vamos para casa papai?!- Koji perguntou fracamente.
Naruto sentiu o coração gelar, mas não de medo ou tristeza e sim de alegria. Havia sonhado muitas vezes com o momento em que ouviria chamá-lo de pai e até imaginado como se sentiria, mas nada o preparou para aquela sensação.
Apertou-o mais forte e disse tentando controlar as lágrimas que queriam escapar teimosas.
_ Sim, meu filho, nós vamos para casa.
Ainda muito emocionado pelos últimos acontecimentos passou pelos escombros que ele mesmo criara em sua fúria. Algumas lágrimas embaçaram sua visão deixando-a meia turva, mas ele as expurgou apertando os olhos com um pouco mais de força.
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Hinata estava se preparando para entrar quando viu Naruto aparecer com o filho.
Correu em direção aos dois e pegando o menino no colo, caiu de joelho no chão deixando toda a tristeza que estava sentindo desde que ele fora seqüestrado escapar em lágrimas pesadas.
Como havia sentido falta daquele abraço, do toque, de senti-lo tão perto de si. Naruto havia cumprido a promessa e trago o seu pequeno tesouro de volta, não tinha palavras para expressar a alegria que estava sentindo.
Um sentimento de alívio inexplicável. Só quem tem filho poderia entender.
Mas havia um detalhe que precisava ser explicado.
Ainda com a voz embargada e os olhos lacrimosos encarou o loiro com uma expressão assustada.
_ Você encontrou meu pai lá dentro?
Naruto fechou o semblante em um sinal de perceptível desagrado. Não havia se esquecido da vontade que estava de dar uma lição em Hiashi.
_ Não! E é melhor que não encontre ou não vou responder pelos meus atos e vou encher a cara daquele velho idiota de pancada. — disse transparecendo o mais puro ódio.
Uma lança atravessou o peito do loiro fazendo seu corpo se projetar para frente violentamente, Hinata se levantar assustada e Koji gritar.
_ Pai!
Hiashi apareceu atrás dele ainda segurando a lança e com um olhar doentio.
_ Estava procurando por mim Uzumaki Naruto? Ou devo dizer jinchuuriki da Kyuubi?- apertou ainda mais a lança antes de finalmente largá-la e se afastar dois passos.
Hinata se lançou para perto do loiro que vertiam sangue em demasia enquanto agonizava com a mão direita sobre a lança. Não poderia perdê-lo de novo, não agora que ele havia conhecido e aceitado o filho, não no momento em que finalmente estavam se acertando. Sentiu o desespero crescer enquanto o sangue jorrava impetuoso vindo parar perto das suas pernas. Abraçou o filho que chorava desconsoladamente enquanto via o pai morrer aos poucos e tentou virar o seu rosto para que ele não fitasse a cena.
“Parece que nós não temos sorte mesmo não é Koji” pensou amargurada com o rosto banhado em lágrimas, enquanto o filho soluçava e se recusava a tirar os olhos do pai, independente da crueldade da cena.
Simplesmente não podia desviar o olhar.
Hiashi permanecia na mesma posição de superioridade. Não sentia alegria pela dor que Havia proporcionada a filha, nem receio dos problemas futuros que essa ação impensada lhe traria, mas sentia o orgulho ser vingado, como se o sangue de Naruto houvesse limpado a honra do clã Hyuuga.
Koji tentava aos solavancos se desvencilhar do colo da mãe que tentava levá-lo para longe, quando sentiu a mão do pai, ainda banhada em sangue tocar o seu rosto fazendo um movimento carinhoso para limpar suas lágrimas, deixando um rastro de sangue nas bochechas vermelhas de tanto chorar. Hinata sentiu uma nova leva de lágrimas dolorosas com a cena.
Finalmente havia se dado conta de quanto Naruto amava o filho. Apenas se arrependeu de não ter sido em tempo.
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