Sonhos Quebrados.
31 31- Momento pai e filho/ Enfrentando Hyuuga Hiashi
Notas iniciais
_ Calma ai garoto, ou vai acabar caindo!- Naruto falou divertido tentando ajeitar o menino que pulava euforicamente no seu ombro.
Estavam agora nas ruas de Konoha e a toda hora eram parados por conhecidos e amigos que vinham fazer festinha com Koji e dizer o quanto era bonito e fofo. Naruto estava todo cheio de si com os comentários, afinal de contas era do filho dele que estavam falando. Sentia os olhares curiosos pousarem a todo o momento sobre os dois.
Desceu Koji para o colo e começou a fazer um leve cafuné no nariz dele fazendo-o rir alto. Realmente não podia negar a verdade ele era muito lindo.
Continuaram caminhando pela cidade conversando bobeiras, até encontrarem certa Kunoichi com as madeixas rosadas.
_ Olá Sakura chan!- Naruto falou alto para chamar a atenção da Haruno.
_ Olá Naruto, como você tem passado?- falou meio perdida em pensamentos, deixando os olhos pousarem por um instante na criança que estava no colo de dele. — Ele é o filho da Hinata?- Naruto confirmou com a cabeça ainda com os dentes a mostra. – Ele é muito lindo, ainda não havia visto acordado, como se chama?
_ Hyuuga Koji — respondeu o garotinho passando a mão pela franja que havia sido despenteada pelo carinho da rosada.
_ E quantos anos você tem Koji?- ainda falava com a voz doce.
_ Três anos e oito meses.
Sakura olhou ainda mais interessada para o menino ao ouvi-lo falar com tanta naturalidade.
_ Nossa! Você é muito inteligente Koji chan!- Naruto ficou ainda mais radiante com o comentário.
_ Obrigado moça. — disse meio sem jeito fazendo a rosada rir um pouco.
_ Parece que nesse ponto você é igual a sua mãe. Será que na bagunça se parece com o seu pai?- olhou discretamente para o loiro que fez um sinal desesperado para que ela não contasse.
_ Você conhece o meu pai moça? A mamãe não fala para mim quem ele é.
Sakura olhou assustada finalmente compreendendo os sinais confusos que Naruto fazia.
_ Não, apenas imaginei que talvez fosse. Mas o que achou do Naruto?
Koji sorriu e passou os bracinhos em volta do pescoço dele trazendo-o mais para perto bem apertadinho, com um sorriso largo enfeitando o rosto.
_ Eu adoro ele! É o meu melhor amigo!
Sakura não pode deixar de se sentir feliz ao ver os dois tão felizes, havia anos que não contemplava o sorriso do amigo em sua magnitude como agora, e percebeu que o filho dele parecia ter o mesmo charme. Lembrou-se do compromisso que tinha e, se despedindo dos dois com um sorriso, se afastou.
Durante duas horas caminharam brincando visitando lojas e comendo porcarias. Quando Koji passava pelas lojas que vendiam artigo ninjas se deixava encantar imediatamente, sentia muita vontade de um dia poder se tornar um ninja tão poderoso quanto Gaara ou a mãe.
Naruto olhava ternamente o menino que babava nas kunais personalizadas.
_ Pode pedir o que quiser que eu compro pra você.
_ Sério tio Naruto! Qualquer coisa!
_ Claro.
O menino refletiu por um tempo e deixou o sorriso murchar.
_ O que eu quero voe não pode comprar. — falou meio triste.
Naruto se abaixou até a altura dele.
_ Claro que eu posso. Sou um ninja muito requisitado e ganho muito bem, pena que não tenho com quem gastar tanto dinheiro, então você poderia me ajudar.
_ O que eu quero não dá para comprar com dinheiro tio Naruto.
_ E o que seria?- crente de que ele falaria que era um pai.
_ O que eu queria de verdade era ver a mamãe feliz. Eu sei que ela esta triste porque eu sou doente. Se essa loja vendesse saúde então eu poderia comprar para me curar ela não ia mais precisar chorar escondida.
Naruto abraçou o filho pedindo desculpas silenciosas, sentindo as lágrimas descerem teimosas por mais que ele tentasse segurá-las. Koji passou a mão pelo rosto dele carinhosamente.
_ Não chora não tio Naruto, mamãe disse que é muito feio um homem adulto chorar no meio da rua. Olha se prometer não chorar eu peço algo menos difícil de comprar.
Em vez de se sentir reconfortado uma nova onda de angustia o atingiu. Koji era tão compreensivo quanto Hinata, ele não devia estar querendo fazer os outros felizes antes si mesmo. Sentiu uma pequena aversão á inteligência precoce dele, que parecia aflorar apenas nos momentos mais inoportunos, não fosse ela o filho poderia agir e pensar como qualquer criança da idade dele.
Levantou com ele no colo e segurando as lágrimas o máximo que pode, o encarou ensaiando o melhor sorriso possível.
_ Que tal irmos ao Ichiraku? Você não queria comer Lámen?
_ Sério? Então vamos logo!- disse reanimado. — Pode me colocar no chão tio Naruto, vai acabar ficando cansado de tanto me carregar.
_ Deixa de ser bobo garoto, eu sou o homem mais forte dessa vila, não ia ficar cansado de carregar você. — fez pose de fortão. Na verdade ele não queria perder nenhum segundo perto do filho.
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Hinata odiava aquele lugar.
Olhou para o caminho de pedra tantas vezes percorrido e só conseguiu sentir repugnância. Quando chegou à frente do portão principal a sua passagem foi interrompida por dois guardas.
_ Somente Hyuugas podem passar. — eles disseram quase em uníssono.
Hina levantou os olhos para eles e não reconheceu os homens que lhe fitavam sérios, provavelmente eram muito jovens.
_ Por acaso não perceberam a cor dos meus olhos? Que prova pode ser maior do que o meu Byakugan?
_ Nunca a vimos antes, então há um risco de que seja um espião.
_ Avisem ao mestre Hiashi que eu vim conversar com ele. – falou séria sem se importar com o comentário deles.
_ Quem é você para querer se encontrar pessoalmente com Hiashi sama?- um deles falou altivo.
_ Hyuuga Hinata.
Ambos continuaram parados.
_ Sinto muito, mas a sua entrada não será permitida.
Hinata apenas deixou um suspiro cansado escapar.
_ Vocês poderiam fazer o favor de avisar á ele que Hyuuga Hinata está aqui?!- insistiu mais uma vez.
_ Sinto muito, mas não conhecemos a sua posição no clã, portanto a sua entrada está vetada.
Hinata afastou as lanças e continuou o caminho.
_ Ei você não pode entrar aí- um dos guardas gritou. – Pare imediatamente ou teremos que reagir.
Hinata apenas continuou andando tranquilamente. Um dos guardas abandonando a sua posição partiu para cima dela ativando o Byakugan, mas foi parado por uma menina de cabelos castanhos que pulou na frente.
_ Não sabe que é muito perigoso levantar o seu punho para um membro da família principal?- olhou visivelmente irritada para ele.
_ Me desculpe Hanabi sama, não era a minha intenção atentar contra a sua integridade física, eu apenas iria evitar que essa Hyuuga desconhecida adentrasse no clã sem autorização prévia. — disse fazendo uma leve reverência em sinal de respeito.
_ Eu não estava falando de mim, estava falando dela. –apontou para Hinata. — Hyuuga Hinata é minha irmã.
O guarda encarou-a estarrecido, não havia reconhecido a primogênita de Hyuuga Hiashi e tentou enfrentá-la, com certeza isso iria se tornar uma inconveniente dor de cabeça e poderia por em risco o seu emprego. Jogou-se no chão fazendo uma posição de reverência enquanto se desculpava afoitamente.
_ Por favor, perdoe a minha indelicadeza senhorita Hinata sama. – pediu visivelmente perturbado.
_ Não precisa ficar tão nervoso, afinal não fez mais do que a sua obrigação. Lembre-se apenas de certificar-se da identidade das pessoas antes de atacá-las. — disse séria.
_ Sim senhorita, obrigado por perdoar a minha indelicadeza.
_ Ta chega de drama!- Hanabi falou visivelmente irritada. – Agora Hinata que saudades que eu estava de você!- apertou a irmã em um forte e gostoso abraço que quase a deixou sem fôlego. — Eu estava tão preocupada, promete que nunca mais vai embora desse jeito sem avisar?!
Hinata sentiu aquelas palavras carregadas de tristeza e alívio acertarem o seu coração como flechas. Sabia que não podia prometer a irmã que não iria embora novamente se era exatamente o que iria fazer depois da cirurgia do filho, então apenas a envolveu no abraço fraternal que ela tanto ansiou durante aqueles anos de separação. Ela estava muito mais alta, e aparentava ter amadurecido, mas a relação de necessidade com a irmã ainda parecia intacta.
_ Onde está o meu sobrinho?- Hanabi perguntou animada se afastando um pouco do abraço. – Não me diga que não o trouxe, eu queria tanto conhecê-lo, todo mundo na cidade diz que ele é a coisa mais linda do mundo!
Hinata riu um pouco antes de desviar o olhar séria.
_ Eu não podia trazê-lo comigo, seria como jogá-lo aos leões, sabe que o nosso pai não iria aprovar uma criança mestiça passeando pelo clã perfeito dele. — disse em um tom ao mesmo tempo de deboche e angustia.
Hanabi abaixou a cabeça meio desanimada.
_ Isso não é justo, parece que eu serei sempre a última, a saber, das coisas mais importantes da sua vida. Mas diga se não foi para trazer ele, porque veio aqui então?
Hinata pareceu refletir um pouco antes de confessar.
_ Vim conversar com nosso pai. – falou séria.
A Hyuuga mais nova deixou um expressão preocupada enfeitar-lhe o rosto.
_ Tem certeza disso Hinata?! Ele anda muito nervoso desde que você saiu da vila.- tinha uma expressão tensa.
_ De qualquer maneira eu terei que enfrentá-lo algum dia.
_ Mas Hinata, isso é muito perigoso!Sabe que para o papai nada é mais importante do que o clã!
_ Eu sei disso, mas não posso mais me permitir ficar de braços cruzados por mais tempo. Onde ele está agora?
A caçula olhava fixamente para a irmã, parecendo refletir, havia certo temor me seus olhos quando ela falou a localização em tom baixo.
_ No dojo, ensinando aos Hyuugas mais novos a controlar o Byakugan.
Hinata deu um beijo na testa da irmã e saiu em direção ao local. Hanabi olhou-a se afastando ainda incerta se havia feito o certo em contar para ela a localização, tinha medo da reação do pai quando a visse novamente. Sem perceber, seus pés moveram-se sozinhos e ela se pôs ao lado de Hinata que parecia olhá-la interessada.
_ Hanabi, pretende me mostrar o caminho?
_ Não, eu vou te acompanhar. — falou resoluta.
Hinata sentiu algo abalar o seu interior.
_ Tem certeza disso? Sabe que ele vai ficar furioso com você se descobrir que está do meu lado.
_ Ele está sempre furioso comigo, não me importo com a reação que vai ter, eu não posso deixá-la fazer isso sozinha.
Hinata não sabia se estava feliz ou tensa pela decisão da irmã, mas antes que pudesse refletir ou dirigir a palavra a ela descobriu que já estavam em frente a porta do dojo. Olhou para a pequena mais uma vez, que apenas fechou a expressão demonstrando a sua resolução. Sentiu todos os seus anseios caírem sobre ela como um véu. Se havia um aspecto da antiga Hinata que ainda persistia era aquele que tinha medo da autoridade severa do pai, por isso foi impossível evitar que o coração palpitasse mais forte e as mãos meio trêmulas suassem.
_ Quer fazer isso outro dia?- Hanabi perguntou compreensivamente à irmã, sabia que ela tinha fobia ao pai.
Mas a palavras dela soaram como um aviso de que estava se deixando levar pelos sentimentos que a tornavam fraca e que ela havia decidido abandonar. Então como resposta ela puxou as duas portas abrindo-as de supetão, revelando a área de treino que tantas vezes havia sido palco dos seus martírios e vergonhas. “Você é fraca!” era o que a sala parecia dizer ao revê-la.
Hinata procurou Hiashi e não demorou a encontrá-lo sentado no fundo da sala, com uma expressão de pura raiva pelo treinamento ter sido interrompido de maneira tão abrupta. Mesmo sentindo um pouco de medo por aquela figura impotente lhe causava, ela reuniu forças e disse com a voz mais firme que conseguiu ensaiar no momento.
_ Pai, eu preciso falar com o senhor agora.
Hiashi que ainda não havia reconhecido o visitante inoportuno, pois a luz do sol que batia contra a imagem e a escuridão que até pouco tempo cercava a sala não permitia, sentiu algo dentro em seu interior se deslocar furiosamente ao reconhecer a voz. Durante os anos que Hinata permaneceu longe, os sentimentos dentro dele pareciam disputar a hierarquia das suas ações. Sentia falta da filha e sabia que havia sido um pai relapso ao maltratá-la durante tantos anos, mas o orgulho que sentia por ser um Hyuuga e a posição que assumia no clã, não permitiam que ele demonstrasse arrependimento, saudade ou amor. Então se voltou para a figura de Hinata e lançando-lhe um olhar intimidador disse:
_ Eu não tenho nada a conversar com uma desertora, ponha-se para fora daqui imediatamente.
Hinata, porém não se deixou ser intimidada, e reunindo mais coragem continuou.
_ Eu não saio daqui sem antes conversar com o senhor. — falou resoluta.
Os jovens que estavam treinando pararam estupefatos ao ouvir a maneira corajosa com a qual aquela mulher se dirigia ao temido mestre Hiashi e o olhar medonho e cheio de raiva que ele lançava á ela estava deixando o ambiente envolto em uma esfera de tensão nada agradável.
O líder fez sinal para que saíssem, sendo obedecido imediatamente. Quando restou apenas ele, Hanabi e Hinata na sala, ele se voltou furioso contra a primogênita.
_ O que veio fazer aqui? Desafiar-me? Como ousa por os pés dentro desse clã novamente depois de tê-lo traído e abandonado. Por acaso veio pedir clemência, ou perdão para poder voltar?- apesar da voz estar carregada de orgulho no fundo ele desejava indiscretamente que houvesse acertado.
_ Não, eu não desejo voltar para o clã nem tão pouco pedir perdão para o senhor, afinal eu resolvi abandonar esse lugar para proteger o meu filho.
Ela acabara se cutucar uma ferida aberta.
_Ah, Aquele bastardo. — disse com uma falsa calma carregada do mais puro ódio.
_ Ele não é bastardo, se não sabe ele tem um pai. — Hinata retrucou a ofensa.
_ Um pai que o abandonou, então ele continua sendo um bastardo, e pior, mestiço, você teve a audácia de mesclar o sangue puro dos Hyuuga com um sangue daquele moleque raposa.
Hinata sentiu-se intimidar por um milésimo de segundo, mas suspirando fundo reassumiu a postura.
_ Eu não vim falar sobre isso, tão pouco discutir com o senhor. Eu vim exigir que peça para os seu subordinados pararem de seguir o meu filho.
Hyashi ensaiou o melhor sorriso de deboche possível.
_ Saiba que eu não tenho interesse nenhum nessa criança. – Estava obviamente mentindo, tinha curiosidade em conhecer o neto, mas não admitiria.
_ Então peça para pararem de segui-lo. – Hinata ameaçou, estava precisando usar todas as forças para se manter em pé sem fraquejar diante da figura imponente e assustadora do pai.
_ Cuidado com o tom de voz mocinha, sabe que não admito que me dêem ordens, principalmente traidores do clã.
_ É só isso que importa? Esse maldito clã? Pretende me fazer sofrer novamente por causa dele e da sua maldita posição!- lágrimas de revoltas contidas faziam seus olhos tremerem. – Por acaso não dá para agir pelo menos uma vez na vida como meu pai, em vez de sempre se preocupar com o que é melhor para o maldito orgulho Hyuuga? Foi por isso que eu saí dessa maldita casa, que eu abandonei esse maldito clã, porque eu era tratada como um cão. Um cão que um dia iria assumir toda essa droga!- as lágrimas desciam copiosamente- Eu confesso que não sentia respeito por você, e sim medo, mas as coisas mudaram, eu mudei e não tenho mais medo de você, tampouco vou me deixar intimidar!Eu vim aqui em busca de uma trégua, para evitar momentos angustiantes como esse, mas se é briga que deseja, então é o que vai ter, porque no meu filho, nenhum maldito Hyuuga que seja capacho seu vai por a mão- apontou o dedo acusador para ele.
Hiashi sentia os sentimentos se confundirem e pela primeira vez não conseguiu falar. Ele ainda olhava a filha atônito, ela havia mudado se tornado mais adulta e destemida. Olhou para Hanabi que estava abalada pelas palavras da irmã, parada na mesma posição como se estivesse em estado de choque. Deixou que seus olhos passeassem pelas duas, como se estivesse compreendendo finalmente o que as angustiava.
_ Desculpa fazer o senhor perder o seu tempo Hiashi sama. – Hinata disse nervosa com a voz ainda embargada que continha um venenoso tom de revolta e deboche.
Hinata deu as costas e Hanabi pareceu sair do transe. Ela estava novamente deixando o clã, a menina encarou o pai com uma coragem que parecia ter sido roubada da irmã.
_ Se o senhor não se importa que ela vá embora novamente, eu me importo.
Saiu decidida atrás da irmã, sendo parada apenas pela voz de Hiashi que não continha mais a mesma imponência de outrora.
_ Você não pode sair do clã, será a minha sucessora.
_ Eu não quero assumir um posto que me obrigue a abrir mão das pessoas que são importantes para mim, assim como fez com você.
Hiashi sentiu o peso da tristeza se apossar dos seus ombros fazendo-o curvar ligeiramente enquanto as filhas desapareciam pela porta. Havia acabado de perder a sua família. Teve vontade de correr atrás delas, abraçá-las e dizer o quanto sentia por deixá-las sempre em segundo plano, se preocupando mais com o bem estar do clã do que com a felicidade delas, mas o orgulho impedia que se movesse e gritava em seu interior que fosse atrás das duas para colocá-las em seu devido lugar. Mas não se mexia por nenhum dos dois.
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_ Mais devagar Koji, está se sujando todo!- Naruto falou enquanto tentava fazer o menino comer mais devagar.
_ Isso é muito gostoso!- falou com a boca cheia. – Tio Ichinaku, eu quero mais, por favor.
_ “Ichiraku” koji, é I-chi-ra-ku, entendeu!- Naruto falou pacientemente.
_ I-chi-na-ku. –disse soletrando. — Esse nome é muito difícil, posso chamar o senhor de tio Ichi?
Ichiraku balançou a cabeça positivamente e sorriu para o garotinho. Gostava de ver Naruto voltar a sorrir, havia muito tempo que ele vinha apreciar seu Lámen com cara de enterro, sempre se lamentando por ter deixado a mulher que amava lhe escapar por erros bobos.
Quando ia pedir o terceiro prato, foi impedido pelo pai.
_ Chega de comer Lámen, vai acabar passando mal. – disse limpando a boca dele com um guardanapo.
_Mas eu quero mais. — fez aquela clássica carinha pidona que Naruto teve que se esforçar muito para não se deixar ser seduzido.
_ Não, se eu deixar a sua mãe vai brigar comigo, porque “estou te entupindo de porcarias”. Mas que tal irmos ao parquinho para brincar?- completou ao ver o rostinho triste, que logo se transformou em algo radiante.
_ OBA!!! VAMOS LOGO TIO NARUTO!- Disse pulando no colo dele. – Tchau tio Ichi, foi um prazer te conhecer!
_ Igualmente. – Ele acenou enquanto os dois saíam da loja.
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Hanabi seguia a irmã em silêncio.Palavras não eram necessárias, afinal ambas passaram por infâncias semelhantes sempre tentando agradar ao pai na esperança de ouvir ao menos uma palavra de encorajamento ganhando em troca apenas a o balançar negativo a cada erro.
_ Hanabi. -Hinata virou para fitar a irmã com olhos pesados. — Tem certeza de que é isso que você quer? Eu saí do clã por causa do meu filho, mas você não tem um motivo para abandoná-lo.
_ Tenho vários ne san, estou cansada de ouvir que sou fraca e desengonçada e de ser maltratada. E eu não vou perder de novo a única pessoa da minha família que realmente se importa comigo. — terminou a frase em um tom mais baixo e triste.
Hinata sorriu e abraçou a irmã, era reconfortante saber que ainda havia pessoas que se importavam com ela dentro do clã. Continuaram o percurso em silêncio, aproveitando a companhia uma da outra quando Hinata viu Naruto e Koji passeando em frente ao principal mercado da vila. Sentiu uma dor muito grande atravessar o peito quando viu o filho novamente, lembrando da sua derrotada em tentar livrá-lo dos perigos que o clã Hyuuga oferecia.
Começou a andar mais depressa e em questão de minutos estava correndo.
_ MAMÃE!- Ele largou um sorriso e rumou para ela de braços abertos.
Hinata o enlaçou em um abraço apertado e caiu de joelhos com ele no colo, afundando a cabeça em seu pequeno ombro e chorando descontroladamente. Ele era como ela, parecia estar fadado a sofrer desde o nascimento.
_Mamãe, porque está chorando?- ele perguntou preocupado ao sentir que ela soluçava freneticamente. – Quem deixou você triste? Não chora mamãe... não chora...- ele havia começado a chorar também, não agüentava ver a mãe triste.
Naruto se assustou ao ver os dois chorando abraçados.
_ Hinata o que houve? Porque esse descontrole todo?
Mas Hinata não conseguia falar havia mágoa demais dentro do seu coração. Naruto estava ficando impaciente por não conseguir compreender o motivo das lágrimas dela.
_ Foi o meu pai. – Hanabi disse com a voz séria. – Ela o procurou para conversarem e ele a tratou como sempre.
Naruto fitou a Hyuuga mais jovem, sentindo a raiva inflamar seu peito.
_ Pois ele vai me pagar por fazê-la chorar novamente. Disse com a voz carregada de ódio.
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