Notas iniciais
Nada a declarar.

Quem vai fazer isso é você depois que ler.

Boa Leitura.

YueChan.

“Hinata puxou a mão que ele segurava fazendo-o olhar indagativo. Levantou da cadeira e começou a andar de um lado para o outro passando a mão pelos cabelos como se estivesse analisando a proposta. Parou e olhou para Naruto ainda ajoelhado na mesma posição com o olhar fixo nela esperando pela resposta, pousou a mão na cintura e disse por fim.”

_ Eu não quero ficar guardando nenhuma espécie de rancor contra você Naruto, acontece que é difícil esquecer por tudo o que passei. Não é tão fácil passar uma borracha e apagar os momentos mais difíceis da sua vida. — Andou um pouco mais em direção ao loiro- Eu passei por todas as provações possíveis, fui traída, humilhada, espancada, maltratada e abandonada. – as lágrimas voltaram a cair- é difícil lembrar-se de tudo o que aconteceu sem sentir o coração doer- a voz estava embargada- é difícil dizer que perdôo as suas falhas como namorado e pai quando o coração não consente.

Pousou a mão um momento sobre o rosto buscando controlar a emoção que queria embaralhar a sua fala. Levantou a cabeça e passou mais uma vez as mãos pelos cabelos lisos, tentando controlar a emoção que nublava o seu raciocínio. Naruto apenas observava com o olhar triste, pela primeira vez desde que se separaram Hinata estava desabafando com ele. O coração parecia estar sendo pisado.

_ O que tenho que fazer para me redimir?- Naruto perguntou desesperado. — Eu não quero perder vocês novamente. — Se levantou e caminhou em direção á ela.

Hinata se afastou como medo de tocá-lo e se perder nos braços dele mais uma vez. Sabia que apesar de toda a dor que ele lhe causou ainda o amava. Respirou fundo antes que pudesse continuar.

_ Apesar de ter passado por momentos difíceis, quem mais sofreu com tudo isso está dormindo agora, sem saber que o “tio” que tanto gosta é e na verdade o pai que um dia chegou a desejar que ele morresse. É a ele quem deve desculpas. — disse com a voz amarga.

Naruto se afastou dela e contornou a mesa.

_ Você nunca vai e deixar esquecer isso não é?- os olhos estavam um pouco indignados. – Sabe que eu estava fora de mim, cego de ciúmes, que disse aquilo sem pensar!- afastou-se mais um pouco e pousou a mão sobre a mesa- Até quando vai me jogar na cara esse erro? – pausa- Não acha que está sendo um pouco dura demais comigo? Eu passei os últimos três anos da minha vida remoendo as burrices que fiz- A voz começou a sair um pouco do controle e passou a tomar uma sonoridade mais violenta. — Não havia uma noite sequer sem que eu dormisse sem pensar aonde você podia estar, rezando para que estivesse bem. Não havia uma noite em que eu não tivesse um pesadelo. Os últimos três anos da minha vida foram marcados pela tristeza e remorso, acha que isso não é castigo suficiente?- Olhava para Hinata com o olhar indignado.

Hinata caminhou em direção á ele com os olhos incrédulos pelo que acabara de ouvir.

_ Acha que estou sendo dura com você?! Acha que sabe o que é sofrer?-olhar indignado e respiração descompassada- Enquanto você se remoia de angustia deitado confortavelmente na sua cama, pensando em mim, eu estava peregrinando de hospital em hospital com o meu filho nos braços buscando uma maneira de curá-lo. – A voz começou a se encher de amargura e raiva junto com as lágrimas que voltaram a assombrá-la- Eu passei os últimos três anos da minha PORCARIA DE VIDA PROCURANDO UM MÉDICO QUE PUDESSE SALVAR O MEU FILHO. DORMINDO EM HOSPITAIS, REZANDO PARA QUE ELE SAÍSSE VIVO A CADA CIRURGIA A QUE ERA SUBMETIDO. — As palavras saíram doídas, fazendo Naruto se assustar com as afirmações e descontrole de Hinata. — Dor? Angústia? Você não sabe o significado dessas palavras Uzumaki Naruto. Não sabe o que é beijar um filho antes dele fazer uma cirurgia de risco sem saber se é a última vez que vai vê-lo, isso é dor! Saber que não tem ninguém ao seu lado com quem compartilhar essa angustia, isso é sofrimento.

Hinata sentia como se o peso do mundo estivesse sobre os seus ombros e desabou no chão desatando em uma crise de choro, era angustiante ter que relembrar tudo o que sofreu. Passou os braços pelo corpo e sentiu outros braços a envolverem. Buscou conforto no abraço de Naruto, queria que ele saísse da frente dela, mas não conseguia coragem suficiente para escapar do abraço ou mandá-lo embora. amor e raiva se confundiam em seu coração.

Naruto olhava confuso e triste a Hyuuga que se encolhia no seu abraço como um animal acuado, os soluços dela faziam seu corpo todo tremer. Não havia compreendido muito bem as palavras de Hinata, só podia concluir que o filho estava doente, isso explicava a quantidade exagerada de remédios que ele tomava. Sentiu-se frustrado por não saber o que realmente se passava com ele, mas esperaria Hinata se acalmar para poder perguntar.

A noite começava a cair quando Hinata conseguiu se acalmar um pouco, havia desabafado o que estava preso em seu coração há mais de três anos. Sentiu a respiração de Naruto sobre a sua cabeça e teve vontade de permanecer envolta no abraço dele para sempre. O cheiro que lhe fazia tanta falta inebriava os seus pensamentos e fazia um desejo há muito adormecido despertar. Afastou-se do abraço sem olhá-lo nos olhos e levantando-se caminhou em direção a uma gaveta, abriu-a retirando mais um comprimido que tomou com um pouco de água.

_ Me desculpe pelo constrangimento Naruto. — A voz soou fria e baixa. – Às vezes eu não consigo me controlar.

Naruto se levantou e foi em direção á ela.
_ Não, deixa para lá, eu quem comecei, então sou eu quem deve desculpas.

Eles ficaram um tempo em silêncio refletindo sobre coisas diferentes.

_ Deve estar se perguntando o porquê do Koji ter feito tantas cirurgias não é?- Um sorriso amargurado tomou conta do seu rosto, fixava o copo em sua mão com o olhar vazio.

_ Na verdade sim. — olhava sério para ela.

Hinata caminhou em direção ao quarto e fez sinal com a mão para que Naruto a seguisse. Entrou e trancou a porta para que Koji não entrasse de supetão caso acordasse, não queria que o filho visse o que iria mostrar ao pai dele.

Pediu para que Naruto se sentasse e puxou em cima do armário uma caixa preta. Colocou-a em cima da cama e a abriu retirando de dentro dela um pequeno álbum de fotografias. Afastou a caixa e se sentou o lado de Naruto entregando-lhe as fotos para que visse, não gostava de ficar rememorando essas lembranças tristes.

Naruto pegou o álbum com o semblante tenso, pela careta que Hinata fez ao lhe entregar o objeto não parecia ser coisa boa. Ainda meio receoso, pousou a mão sobre a capa e abriu.

A primeira foto era de um bebê bem pequeno dentro de uma incubadora, vários tubos estavam dispostos nas vias nasais e orais, parecia muito fraco, a pele pálida e os dedinhos sem reação. Deixou uma sensação de pavor tomar conta do corpo ao ver os risquinhos no rosto e os ralos cabelinhos loiros e lisos escapando por entre algumas bandagens. Constatou tristemente que a criança na incubadora era o seu filho.

Olhou para Hinata que não queria encarar a fotografia e olhava para as mãos deitadas sobre o colo, não era de se espantar que não quisesse ver, era uma imagem realmente muito triste, ainda mais para ela que era mãe e havia vivido isso.

_ Ele ficou quase um mês nessa incubadora. -Disse sem encará-lo. – Não sabia se um dia poderia segurá-lo vivo novamente os médicos não davam diagnósticos muito esperançosos. -respirou fundo levantou a cabeça para controlar o choro que voltava. -Eu sentava ao lado dele todos os dias e o via lutando para viver, respirando com dificuldade com todos aqueles tubos e injeções e não podia fazer nada a não ser orar para que ele saísse vivo.

Naruto olhou novamente para a foto, realmente a dor que ele sentiu nos três anos sem saber se Hinata ou o filho estavam bem não era nada comparada à que ela passou.

Virou a foto.

Na segunda foto um médico o pesava e uma enfermeira trocava os tubos que ele usava enquanto ele fazia caretas de dor, parecia estar mais forte do que na foto anterior, mas continuava com um aspecto muito frágil.

Tornou a virar.

Na terceira foto o macacão que ele usava estava aberto e era possível ver uma cicatriz saliente no peito dele. Naruto engoliu em seco, e passou a mão pela foto, lembrando do filho tão alegre brincando no parquinho, lambuzando a boca de sorvete, se escondendo no colo de Gaara. Fechou o álbum e entregou de volta a Hinata, não queria mais ver aquelas fotos, elas traziam sentimentos muito angustiantes consigo.

Ela nada disse, apenas retirou alguns documentos da caixa e entregou ao loiro, que sentiu um pavor se apossar do corpo ao tocar nos papéis, tinha medo do que poderia ver. Ainda meio hesitante abriu o primeiro.

Ao exímio doutor hambert,

Faço constar, por meio desta, a situação de saúde atual de Hyuuga Koji, nascido neste hospital como consta em registros.

O paciente apresenta uma anomalia congênita nas válvulas cardiorrespiratórias, devido ao fato de ter nascido prematuramente aos sete meses. Passou por duas cirurgias depois do parto, mas precisará passar por novos procedimentos, pois seu quadro de saúde é instável e requer cuidados aquém.

Faço saber que de acordo com a sua especialidade ele só pode ser tratado pelo senhor.

Sem mais me despeço.

Doutor Zackien, chefe da ala neonatal do hospital de Suna.

Naruto releu a carta três vezes antes de fechá-la e olhar para Hinata. Haviam muitas perguntas que ele queria fazer a ela, mas não encontrava as palavras certas. Antes que precisasse perguntar algo ela explicou.

_ Eu passei a minha gravidez inteira me lamentando e chorando por tudo o que passei aqui na vila, me sentindo sozinha. Por causa disso ele nasceu prematuro e com os pulmões fracos por isso não consegue respirar direito e tem que tomar aquele monte de remédios.

Virou a caixa e entregou a ele as outras cartas que havia nela, eram várias com carimbos e selos distintos. Todos os outros papéis tratavam do mesmo assunto, mudando apenas o nome dos médicos e hospitais. Hinata observava Naruto em silêncio vendo-o ler e reler as cartas sem parar para olhá-la.

_ Eu andei por todos esses hospitais em busca de alguém que pudesse curá-lo. Ele passou por centenas de exames, tratamentos e seis cirurgias para chegar ao estado que você o conheceu. Ainda toma remédios controlados, mas já consegue brincar e conversar como uma criança normal, a única diferença é o tamanho. Apesar de estar quase fazendo quatro anos ainda é muito pequeno para a idade dele.

Naruto não sabia o que dizer, as lágrimas desciam silenciosas pelo seu rosto ao imaginar todo o sofrimento pelo qual Hinata passou para salvar o filho deles. Sentiu raiva de si mesmo por ter quebrado a promessa de protegê-la que fizera tantas vezes, apertou o punho vergonha de tudo que a fez passar.

- Ele nasceu morto. – Os olhos voltaram e lacrimejar e a voz a embargar, respirou tentando manter a calma para poder continuar a falar. Naruto arregalou os olhos de espanto diante da revelação dela- Ele não respirava, foi então que dez minutos depois de nascer ele passou pelas primeiras duas cirurgias delicadas que faria na vida. A partir daí o meu destino e o dele estavam traçados. Durante dois anos inteiros nós passamos por todos os hospitais do mundo ninja, e em cada um deles era uma cirurgia diferente. Ele entrava na ala cirúrgica com a promessa de que iria melhorar, mas o resultado era sempre o mesmo. Foi difícil revezar a atenção entre tratamento dele a minha carreira na ANBU, a minha sorte era que Gaara sempre foi muito compreensivo e me ajudou, ele dizia que tinha uma dívida com você que nunca ia conseguir pagar.

_ Hina, eu não fazia idéia do tamanho do mal que fiz a vocês, se soubesse que isso tudo iria acontecer eu jamais teria traído você ou deixado que fosse embora. — chorava nervoso e inconformado. – Eu vou entender se não quiser mais ficar comigo ou deixar que eu fique perto do Koji, afinal eu não sou digno de ser chamado de pai, não depois de saber que a culpa dele ter nascido assim é minha. – Abaixou a cabeça pesadamente. Se eu pudesse voltar no tempo eu faria tudo diferente.

­_ Já não importa tanto agora, afinal já aconteceu e não há maneiras de voltar no passado. A minha única preocupação agora é com o que virá. — Ela olhou triste para Naruto- A Tsunade sama é a minha última esperança, se ela não o curar eu vou perdê-lo para sempre. Ele não será capaz de viver muito tempo com a respiração e o coração debilitados do jeito que estão. — As lágrimas embaralhavam a fala. – Talvez consiga chegar aos quatro ou cinco anos no máximo.Quando penso que eu posso perdê-lo para sempre, sinto como se a minha vida fosse acabar. Eu não agüento mais tanta pressão, não sei se suporto entregá-lo novamente aos médicos....

Hinata recomeçou a chorar e foi novamente abraçada por Naruto que passava as mãos pelos seus cabelos tentando re confortá-la. Ele tentava processar toda a informação que acabara de receber, mas era difícil aceitar a realidade que queria tirar dos seus braços o filho que acabara de conhecer. As lagrimas também o afligiam impetuosamente.

Olhou para Hinata tão fragilizada, ela realmente havia sido uma guerreira, poucos passariam por tanto sofrimento e manteriam o semblante calmo e amoroso que ela demonstrava. Passou a mão pelo rosto dela para enxugar as lágrimas que trilhavam caminhos pela pele branca e sentiu o corpo ser atraído pelo olhar dela. As bocas foram se aproximando lentamente encurtando o espaço que havia entre elas até se encostarem ansiosas pelo contato. O beijo começou lento e tranqüilo buscando acalentar a dor que aplacava os corações, e foi se tornado aos poucos em algo mais selvagem e alucinante. Os corpos estavam famintos pelo toque da pessoa amada e começaram a exigir o contato com certa ânsia, os dedos passeavam pelos caminhos há muito tempo trilhados na busca de reconquistar o espaço e tempo perdido.

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Notas finais
Com esse eu completo três capítulos gorduchos por hoje.

Diga se algum outro autor concede essa alegria para vocês!

Estou morta de escrever, mas se bobiar é capaz de sair outro hoje. Haja coração para tanta emoção! Haja dedos para tantas palavras.

AVISO IMPORTANTE: O próximo caítulo contém cenas calientes, então tirem as crianças da sala, porque o horário nobre deu lugar ao cine privê.

Não esqueça de dar a sua opinião, sem ela a minha mente cansada fica seca de idéias.