Sonhos Quebrados.

21 21- Vida nova.


Notas iniciais
Deliciem-se.

Boa Leitura!

Gaara estava sentado em seu escritório analisando vários relatórios que estavam sobre a mesa. Largou um documento de lado e suspirou cansado, estava ficando cada vez mais difícil se concentrar na papelada com os pensamentos em Konoha.

Olhou o retrato na mesa onde pode ver uma linda loira com olhos verdes, segurando um bebê de mais ou menos seis meses com os cabelos ruivos e olhos verdes. Pegou a foto deixando escapar outro suspiro.

_ Ah Ino porque tem que tornar as coisas tão difíceis!

Perdido em pensamentos nem notou que uma criança puxava a sua capa, com uma das mãos enquanto na outra segurava um desenho. Deixou o retrato e pegou o pequeno no colo, deixando um sorriso iluminar seu rosto ao ver o olhar preocupado do menino.

_ Porque ta triste tio Gaara?- Perguntou preocupado passando a mão pelo rosto dele- Você vai chorar?

_ Não Koji, eu estou triste, mas não vou chorar. – Passou a mão pelos cabelos lisos do menino. — Mas o que você quer, com certeza não saiu da sua mesa para me perguntar isso.

_ Eu vim te dar um presente- Disse mostrando o desenho- Esse aqui é você, eu a mamãe, a tia Temari o tio Kankurou, a tia Ino e o Daito.

Gaara pegou o desenho das mãos do menino e começou a analisá-lo dando algumas risadas. Koji havia desenhado ele quebrando as marionetes de Kankurou, com uma cara muito mal humorada enquanto o irmão chorava.

_ Você gostou?- Perguntou meio preocupado.

_ Claro! Vou mandar pendurar na minha casa- disse pondo o menino no chão- Agora que tal você terminar seus desenhos, porque eu preciso trabalhar.

_ Ta bom- Disse correndo para a mesinha que havia no canto da sala, onde estavam algumas folhas e lápis de colorir- Tio!- Chamou no meio do caminho, fazendo Gaara levantar novamente os olhos- A mamãe vai demorar?

_ Não daqui a pouco deve chegar.

_ Ta.

Gaara observou Koji sentar na mesinha novamente e voltar a desenhar compenetrado. Jamais em sua vida poderia imaginar uma cena dessas, ele que já matara tantas pessoas e guardara tanto rancor, cuidando de uma criança e sendo gentil com ela. Riu pela contradição que havia nessa idéia, e devia toda a sua mudança ao pai do menino a sua frente.

As mãozinhas corriam o lápis apressadas pelo papel, fazendo os cabelinhos loiros balançarem de maneira enérgica. Apesar dos três anos, Koji tinha o tamanho de uma criança de dois, o que o deixava furioso. Muito inteligente para a idade dele, já sabia reconhecer algumas palavras e conversava muito bem. Da mãe herdara o Byakugan os cabelos extremamente lisos. Do pai o gênio forte, a cor do cabelo e os risquinhos no rosto.

Estava tão compenetrado nos desenhos que levou um susto ao perceber que um ANBU aparecera na sala, envolto em uma nuvem de fumaça.

_ Hokage sama- Disse com a cabeça baixa em posição de reverência- Missão completada com sucesso, ninja desertor exterminado.

_ Bom trabalho fênix, eficiente como sempre, não sei como a Godaime Hokage consentiu em transferir uma Kunoichi tão competente para cá- Disse se levantando e encarando-a- Eu não abriria mão, mas bem, está dispensada o seu outro trabalho lhe aguarda- olhou em direção ao menino que já havia agarrado as pernas da mãe.

Hinata retirou a máscara e abaixou para pegar o menino que a enlaçou em um delicioso abraço com seus pequenos bracinhos.

_ Oi meu amor, a mamãe morreu de saudade!- Apertou mais o menino contra o peito- Foi bonzinho com o tio Gaara.

_ Sim, dei a ele um monte de presentes!- abriu os braços balançando-os freneticamente.

_ Que bom! Agora vai dar um beijo nele e espere a mamãe lá fora tudo bem?!

_ Por quê?- Fez um bico que lembrava muito com o do pai quando criança fazendo Hinata rir.

_ Porque eu preciso conversar a sós com ele. Depois eu te conto, não precisa ficar bravo com a mamãe.

_ Tudo bem, mas vê se não demora. — Deu um longo beijo na mãe antes de descer do colo dela.

Hinata esperou ele sair antes de se aproximar de Gaara.

_ Gaara, já está tudo certo para amanhã?

_ Sim, já enviei uma mensagem a Godaime Hokage, ela me disse que vai preparar a melhor equipe médica para cuidar dele.

Hinata sentiu o coração apertar, não queria voltar para a vila, mas precisava e Tsunade era a única que poderia operar o filho. Gaara pareceu ler a preocupação dela.

_ Não se preocupe, vai dar tudo certo, Tsunade é uma ótima médica e possui uma boa equipe de apoio.

_ Tenho medo de passar por tudo isso em vão novamente. Medo de perdê-lo.

_Ter medo é normal- contornou a mesa e pôs a mão no ombro de Hinata, fazendo-a olhar para ele- Todos temos medo de algo, mas você não pode se deixar controlar por esse medo.

Hinata assentiu com a cabeça e saiu da sala com uma pequena saudação, fazendo Gaara rir um pouco.

_ Pare com isso, você já foi dispensada por hoje.- disse voltando a se sentar.

Fechou a porta e encostou-se à parede para tentar controlar o choro que insistia em querer descer. Lembrou-se das palavras de Gaara, e conseguiu se controlar mais, nunca imaginou que ele seria tão cuidadoso, apesar de demonstrar esse lado apenas para os amigos mais íntimos, ele realmente estava sendo um ótimo amigo desde que ela chegara a Suna, sempre cuidava de Koji quando ela saia em missão, sempre pronto a ajudá-la.

Caminhou em direção ao saguão, onde encontrou o filho sentado nas cadeiras como havia pedido, realmente era um bom menino, apesar de parecer muito com o pai, diferente dele sabia quando podia se arriscar a fazer algo. Ele balançava as pernas freneticamente, incapaz de ficar quieto, e tentava fazer alguns selos com as mãos.

_ Vamos embora filho?- Hinata disse pegando-o no colo- Temos muito o que arrumar em casa.

_ Por que mamãe?- Koji olhou-a indagativo- O que nós vamos fazer?

_ Vamos viajar. Amanhã de manhã vamos para Konoha!

_ Konoha?- disse apertando a mão- Onde fica isso? É muito longe?

_ Bom. – Hinata atravessou a rua com o menino no colo- Foi lá que a mamãe nasceu, mas fica um pouco longe.

_ E porque nós vamos para lá?

Hinata sentiu o coração gelar por um instante. Felizmente já estavam na frente de casa que não era muito longe do prédio Kazekage. Pôs o filho no chão que ainda a olhava curioso esperando a resposta, abriu a porta e deu passagem para ele.

_ Bom... que tal nós tomarmos banho primeiro? Depois a mamãe te conta.

_ Tudo bem. — Koji pulou em cima do sofá para pegar o ursinho que havia deixado lá. — O Ted pode tomar banho com a gente?

_ Só se você quiser deixá-lo para trás todo molhado. – Disse enquanto tirava a roupa.

_ Melhor não então- respondeu desanimado deixando o ursinho no chão e indo para o banheiro.

O apartamento não era muito grande, mas era espaçoso o suficiente para Hinata e Koji. Tinha muitos desenhos espalhados pela casa e vários objetos decorativos delicados. Dois quartos, uma sala, uma cozinha e um banheiro.

Depois do banho ambos jantaram e antes que pudesse falar algo com o filho, Koji já havia adormecido. Hinata colocou-o na sua cama, eles sempre dormiam juntos, o quarto dele quase nunca fora usado, agradeceu mentalmente por não precisar explicar o motivo naquela noite. Arrumou as malas e foi se deitar, aninhando-se ao lado do filho, pode sentir o cheirinho gostoso que emanava dos seus cabelos. Lembrou-se de Naruto e de como fazia falta ter alguém com quem pudesse compartilhar essas dificuldades, e de quanta coisa ele havia perdido. Virou o rosto para a janela, quando percebeu que algumas gotas de chuva começaram a cair fazendo ela se lembrar da noite em que seu filho nascera...

FLASHBACK

Era uma noite chuvosa em Suna, e Hinata estava deitada em um leito do hospital, sentindo fortes contrações. Três médicos estavam na sala analisando a sua situação, era muito cedo para a criança nascer, ela estava ainda no sétimo mês de gestação. As dores vinham cada vez mais fortes fazendo a Hyuuga se contorcer de dor, havia perdido muito sangue e a consciência estava fraca. Um médico a mandava fazer força, enquanto outro a segurava pelas costas. Não sabe quanto tempo levou, mas quando viu o médico abaixar a cabeça e mover o corpo para segurar algo teve a certeza de que havia acabado. Recobrou a força, queria ver a criança, pega-la, mas sentiu o sorriso murchar e o desespero tomar conta dela ao ver que o médico estava sério e perceber que o bebê não havia chorado.

_ Isso não é bom- disse com a voz preocupada- Ele não está respirando.

_ Você já fez a sucção de líquidos- disse o que estava ao lado dele.

_ Já, mas não houve resposta, eu acho que é um problema respiratório, ele ainda é muito prematuro- Disse levantando e levando a criança para outra sala sendo seguido pelo companheiro- Jun, fique com ela e termine o trabalho- disse olhando para o que estava atrás de Hinata. –Mizu, convoque a equipe médica neonatal.

Hinata viu os médicos passarem pela porta e não pode conter as lágrimas que desciam, estava com tanto medo de perder o filho que não conseguia falar. Depois de tudo o que passara para ganha-lo não podia perdê-lo.

Depois de um tempo foi levada a um quarto, onde ficou sem comer, dormir ou falar por três dias. Quando perguntava sobre o bebê, os médicos apenas respondiam que estavam fazendo o possível para salvá-lo, e que era normal acontecerem contratempos com crianças prematuras. Já estava ficando louca, não havia ninguém que pudesse estar ao seu lado. Gaara, Temari e Kankurou estavam em uma reunião de Kages na vila da pedra, e todos os seus amigos haviam ficado em Konoha , inclusive Naruto.

No terceiro dia enquanto remoia os problemas, sentindo o corpo reclamar pela fraqueza da falta de sono e alimentação viu a porta do quarto abrir e uma enfermeira entrar com um embrulho nas mãos.

Sentou-se agradecendo a todos os deuses por terem ouvido as suas preces, segurou o choro não queria ficar com a visão embaçada naquele momento.

_ Aqui mamãe, demorei, mas cheguei para te ver- Disse a enfermeira carinhosamente passando o bebê para os braços de Hinata.

A Hyuuga não pode conter as lágrimas quando viu o filho, era simplesmente a coisa mais linda que já vira na vida. Os cabelinhos ralinhos e loiros se esparramando pelo cobertor, a boquinha aberta e a cabecinha pendida para o lado, era tão pequenino que as roupas estavam folgadas demais para ele, tinha três tracinhos em cada bochecha igual ao pai. Hinata beijou a testa dele e uma lágrima caiu em seu rostinho, fazendo-o abrir um pouco os olhos, o suficiente para a mãe ver que eram iguais aos dela.

O médico entrou no quarto, com uma ficha na mão e se aproximou dos dois.

_ Bom espero que agora a senhora se alimente direito- disse ralhando com ela- Ele vai precisar de uma mãe bem forte.

Hinata levantou os olhos para o médico que tinha um sorriso gentil.

_ Porque não o trouxeram antes?O que ele tinha?

_ Tivemos alguns problemas depois que ele nasceu- sentou-se na cama ao lado de Hinata- Deixe-me explicá-la. O sistema respiratório da criança só acaba de se formar no oitavo mês de gestação. Ele nasceu muito prematuro com sete meses, os pulmões dele ainda não estavam prontos para respirar. Ele teve uma parada cardiorrespiratória e precisamos operá-lo.

_ Operá-lo?- Hinata disse olhando para o filho, não conseguia imaginar ele tão pequeno já passando por intervenções cirúrgicas.

_ Se não fizéssemos ele iria morrer, tivemos que arriscar era a única alternativa.

O médico desembrulhou a manta, fazendo o menino resmungar um pouco, e abriu a roupinha que ele usava deixando uma pequena cicatriz à mostra que fez Hinata se assustar.

_ Futuramente ele terá que realizar outra cirurgia para poder desobstruir, algumas veias, acredito que seja por volta dos três ou quatro anos de idade, quando ele estiver mais forte. Até lá não pode abusar muito de exercícios físicos e terá que fazer tratamentos para melhorar a respiração. Se demorar muito pode ser fatal.

FLASHBACK OVER

Infelizmente, diferente do que o médico havia dito, ele precisou fazer mais cirurgias, e a cada uma delas a tensão da Hyuuga apenas aumentava. Por mais que procurasse não conseguia encontrar um médico capaz de curá-lo totalmente. Foi quando se lembrou da Hokage e resolver voltar a vila para tentar o que parecia ser a última chance.

Hinata trouxe o menino mais para perto de si, apertando-o, sentindo os cabelos lisos dele acariciarem o seu rosto e a respiração que subia e descia compassadamente. Faria o que fosse necessário para salvar o filho, até mesmo enfrentar seu pai ou rever Naruto.

Notas finais
Amanhã tem mais.

Gostaria de saber como vocês pensam que será o reencontro deles.Se deve ser tenso, desejoso, triste, sei lá, vocês que mandam!

E como Naruto ai conhecer seu pimpolho e qual será a reação dele?!

Aguardo os reviwes.

Abraços!!!

YueChan.