Sonhos Escritos

4 Então é assim que começa?


Notas iniciais
Demorei pra postar, computador deu erro, perdi o manuscrito original, mas ufa, reescrevi.

Acordei mais cedo que o de costume, a luz adentrava lentamente pelas brechas das cortinas. Levantei-me e fui tomar um banho, o calor estava insuportável, parei na frente da porta e decidi ligar o ar-condicionado, raramente o ligo, prefiro o ventilador.

Liguei o chuveiro e pela primeira vez em minha vida tive vontade de cantar. Mas como sou muito educado e sei que se eu cantar espantarei vocês, deixo a cantoria para outro capítulo.

Meu telefone tocou, desliguei o chuveiro, me envolvi na toalha e atendi o mesmo.

– Alô? – Falei com um tom simpático por causa da musica.

– Estava dormindo? – Até de manhã ele tenta infernizar meu humor, ri antes dele responder.

– Felizmente não, Oscar. – Tentei não rir, era incrível como aquelas conversas seguiam tal rumo.

– Vou ter que ligar mais cedo pra te acordar. – O modo como ele falou não parecia de estar decepcionado por não ter conseguido, mas sim, de ser um louco capaz de na próxima vez ligar ás 2 horas da manhã.

– Tenho certeza que você realmente é algum tipo de Orc maligno mandado pra perturbar a minha vida. –

Me movi até o quarto e sentei na cama, não me preocupei de ainda estar de toalha. Estava fresco com o ar ligado.

– Então vou mandar eles te caçarem. – Eu escutei uma risada ao fundo.

– I Kill Them All — Não consegui resistir a falar isso e comecei a rir lembrando o vídeo que há poucos dias tinha visto no youtube.

– Que maldade – Ouvi ele rindo novamente, agora um pouco mais alegre.

Sendo sincero, quase nunca o ouvia rir ou sequer o via fazendo o mesmo. Ele tinha o rosto serio, com os olhos verdes cativantes. Sua postura era de alguém que tinha alta maturidade, mesmo assim, seu sorriso era calmo e bonito, sua risada era como a de um adolescente que acabará de fazer alguma coisa engraçada e não consegue mais parar de rir ao lembrar. Seus cabelos eram escuros, ele tinha o costume de deixar baixo na parte de trás e deixar meio bagunçado na frente. Acho que poderia atribuir isso ao charme que ele tinha em meio aquele modo autoritário.

Dirigiu-me novamente a palavra.

– Eu liguei para perguntar se você poderia trazer o primeiro capítulo e algum resumo geral de parte da historia no sábado para que eu consiga avaliar e te dizer em que pontos posso te ajudar.

– Claro, pode me dizer a que horas devo estar na sua presença?

– Por volta das nove horas.

– Certo.

– Até mais Diego.

– Até mais.

Fui olhar o horário, já chegava a marcar as oito e meia, me levantei. Fui procurar alguma roupa para vestir.

Tranquei a porta e fui ao caminho da cafeteria, meso com a musica ou a ligação eu ainda pensava em ir ao encontro dele.

Ao chegar à esquina vi que ele se aproximava, trajava uma camisa branca que lhe destacava o corpo, uma calça meio acinzentada e um sapato branco. Voltei a observar enquanto ele estava vindo o andar calmo e suave, a sua fisionomia era perfeita dos pés a cabeça.

Coloquei-me a andar novamente e nos encontramos na frente da porta. Ele sorriu e com calma olhando para mim disse:

– Oi. Que bom que você veio.

Respondi tentando parecer tranquilo e pelo sorriso de canto de rosto que ele soltou, pude ter certeza, quando eu falei acabei corando.

Adentramos no local, a recepcionista que estava naquele dia, se encontrava lá novamente. Ela sorriu vendo que estávamos juntos lá de novo. Ele pediu para que eu escolhesse um dos lugares vagos para ficarmos, preferi um perto da janela, onde foi que nos encontramos da ultima vez.

Mesmo que tudo pudesse dar certo, de conhecê-lo um pouco melhor, ainda receava de que algo poderia dar errado. Alguma má impressão que eu poderia causar naquele instante... Apenas não sabia como agir ou até mesmo o que dizer, minhas mãos gelaram, saberia o que poderia acontecer era impossível. Eu já estava imerso em pensamentos quando ele se aproximou e colocou a mão em meu ombro me entregando o cardápio do café que ali era servido.

O que o tempo guardava de maneira tão peculiar para mim? Não me importava mais com esses detalhes vendo que ele sorria para mim enquanto estava esperando minha resposta.

Coloquei o cardápio de lado e comecei algum assunto aleatório que me veio à mente. Perguntei a ele porque ele queria ser professor de literatura e ele me respondeu:

– Os livros são a porta da imaginação, as palavras colocadas da maneira certa podem demonstrar uma nova visão de qualquer coisa. Nem que seja a mais trivial do mundo. – Enquanto o mesmo interpretava sua visão sobre o que queria ser, o seu modo de agir se tornavam irreal, seus olhos brilhavam agora como um fogo ardente que estava a mostrar-se a qualquer momento deslumbrante e maravilhoso.

O tempo de nossa conversa se prolongou até a hora que ela veio entregar os pedidos. O que poderia acontecer a partir do momento em que a conversa voltasse à tona, depois de trocar tantos assuntos. Em um momento apenas estávamos à deriva de tudo e ficamos por lá por volta de um bom tempo afinal havia começado a chover, até que de certa maneira o silencio se propagou em nossa volta.

Apenas algumas vozes baixas e abafadas sendo dirigidas do corredor ao canto do outro lado do lugar eram audíveis pra quem estivesse concentrado. Ao que parecia tinha por volta de dez a onze pessoas. Todas em silencio. O que para aquele momento era estranho. Voltei ao som das pessoas que estavam conversando no canto. Consegui escutar esta parte do dialogo.

– Você acha que os dois podem ficar juntos?

–Talvez, aquele de cabelos ruivos foi ao encontro dele ontem também. Será que já está rolando algo entre eles?

– Pode ser que sim, eles ficam fofos quando estão juntos. Principalmente aquele que vinha aqui uma vez na semana ao sair da editora. Qual o nome dele mesmo? Eu me lembro de que ele se apresentou para você.

– Se não me engano é Diego, os olhos dele são profundos. Parece um lugar deserto e imerso em pensamentos.

Depois disso uma das mulheres que estava conversando voltou de lá e olhando para mim, acenou.

Vi que o Will estava pensando em algo para falar. Tentei lhe dizer alguma coisa só não sabia o que ao certo tentar contar. Meu corpo não estava agindo pelo mesmo motivo que minha mente estava.

No momento em que ele começou a falar não cheguei a pensar no que deveria fazer meu corpo acabava agindo por si mesmo, ao falar acabei segurando a mão dele e ele não a retirou e sim a segurou. Me movi a frente, com a outra mão segurei a cola da camisa e o beijei.

Sentei-me novamente, acabei parando para me perguntar o que eu tinha acabado de fazer, ele deveria estar se perguntando o mesmo, eu acho.

Ele segurou em minha camisa ao mesmo modo que eu fiz e me retribuiu o beijo. Sorrindo para mim, eu já sabia o que estava pra acontecer e só um pensamento meu passou mais do que percebido: “Então é assim que começa?”.