Sonhos Escritos
11 Apresentações.
Notas iniciais
– Ei, Diego... Espero que eu não esteja atrapalhando nada. Passei aqui apenas para... – Nos afastamos de súbito e olhamos para de onde veio à voz, Oscar, não tinha uma hora melhor para aparecer? – Ahn... Bom, parece que você está ocupado. Bem ocupado!
Essas malditas portas não fazem nenhum ruído quando é necessário?!
– Bem, acho que já está na hora das apresentações não é? – Ele havia se sentado ao meu lado, esperando a resposta, com um dos braços sobre mim.
– Também estou achando isso. – Oscar sentou-se do outro lado e também como o Will colocou um dos braços sobre mim.
Certo, definitivamente não é uma boa escolha deixar as chaves nas mãos dele. Ou melhor, devo mandar alguma mensagem avisando quando ele deve vir ou não. Preciso que ele continue com as chaves.
– Então... Will, esse aqui é o Oscar meu editor e revisor. E Oscar, esse aqui é o Will... O meu...
– Deixe-me ter o prazer de falar, sou o namorado dele.
Sabe aquele momento constrangedor que você quer pular dentro de um buraco? Não por ter vergonha da outra pessoa, mas por não saber como terceiros reagiram? Essa vontade passou por mim de todas as maneiras possíveis.
Oscar tirou os óculos escuros, olhou bem para a cara do Will. Depois olhou para mim. Primeiramente tive a intenção de virar o rosto e olhar para o ruivo buscando um pouco de ajuda, mas isso era meio que impossível.
Pensei que ele iria vir com algum comentário sarcástico, até mesmo idiota sobre o que estava se passando. Mas antes disso, Will resolveu dizer uma coisa simples.
– Sei que nós não nos conhecemos Oscar, mas quero dizer que... – Ele desceu um pouco o olhar. – Primeiramente, eu estou ajudando o Diego a escrever alguns capítulos e comentando com ele alguns pontos. Segundamente, não irei machuca-lo se é o que pensa. Finalmente, tira essa mão da coxa do meu namorado.
Instantaneamente ele retirou a mão da minha perna, logo foi seguido por um obrigado, não tinha percebido que do ombro tinha ido para lá. É a tensão do momento... E porque estava na minha coxa?
– Não iria comentar nada disso. – Ele deu um meio sorriso. – Apenas iria falar que o Diego é um safado por não contar que está namorando, eu poderia ter entrado e vocês estarem em um momento mais íntimo, até demais.
Meu ruivo abriu um enorme sorriso, e soltou a frase que eu menos esperava dele.
– Chegou um pouquinho cedo demais. Se tivesse esperado mais alguns minutos pra entrar teria nos pego no flagra...
Fiquei vermelho no exato momento, ele percebeu e me abraçou. Mas ainda não havia terminado para ele.
– E claro como eu não sou uma pessoa má educada chamaria você para participar.
– Como é a história?
– Faço dele as minhas palavras.
– Estou brincando gente, calma.
Ele se levantou rindo. Não conseguia imaginar que de tamanha situação ele ainda estava fazendo graça. Talvez porque fosse natural assim. Talvez... Fosse isso que faltasse em mim.
Ele foi até a cozinha.
– Então, agora que estamos a sós...
– Sim? – Ele me perguntou de maneira tão branda que pensei que fosse tentar fugir pela janela.
– Você viu que eu estava... Ocupado... Então, vaza.
– Quanta brutalidade! – Um sorriso amistoso se formou no rosto dele. – Ainda é cedo. Passarei mais alguns momentos aqui e irei.
– Então daqui a pouco retorno.
– Para onde vão?
– Vocês vão prosseguir comigo aqui?
Ele já havia retornado, estava com o copo com água na mão. E prosseguiu falando.
– Claro que vamos prosseguir com você aqui! – Ele colocou o copo sobre a mesa. – Imagine a cena.
Ele deu uma pausa para olhar se ambos prestavam atenção. E começou a sua narrativa.
– Aquela excitação que você nunca sentiu antes por você estar na sala e do lado da sala, no outro quarto, duas pessoas fazendo amor loucamente. Aqueles gemidos altos e graves. Profundos. Quando chega ao êxtase.
Ele se escorou na parede e passou a mão no peito.
– O meu amigo, chega de assistir filmes pornográficos viu?! – Falei tentando um tom cômico.
– Tudo que eu sei eu aprendi na vida.
Ficamos rindo por alguns minutos, não adiantava esperar nada que não fosse engraçado vindo dele. Algum momento isso se tornaria definitivo. Algum momento...
– Pergunta mínima.
Olhamos para ele com ar de curiosidade, ele aproximou-se de mim, sentou-se no sofá, pegou o óculos do Oscar, colocou-os, passou os braços sobre meu ombro e dirigiu a pergunta.
– Por qual motivo ele tem a chave da sua casa?
– Respondo ou você responde? – Fiz a pergunta calmamente e logo foi dada a resposta.
– Porque eu sou o amante dele. Nós tínhamos marcado hoje para fazer sexo na cozinha.
Mas o que?
– Como é a história?
– E eu que tenho que parar de ver pornô?
– Estou brincando.
– Não pareceu que estivesse.
– Ele está brincando.
– Ah... Vai defender seu amante agora? Passe pro quarto, vou te dar uma lição pra não esquecer mais...
– Idiota.
Olhei para o relógio, já havíamos passado uma boa quantia de tempo conversando, sem contar a “pegação” pouco mais cedo. Já marcava meio dia. Que droga é essa do tempo avançar tão rápido?
– Ei... Já é meio dia.
– Devo ir também. – Oscar ergueu-se de súbito, quando ele fazia isso queria dizer que havia perdido e muito a hora. Lembre-se que é para amanhã.
– Espera... Amanhã já é...
– Sim...
– Quantos dias?
– De três a cinco...
– Sobre o que os dois estão conversando?
– Ele irá viajar amanhã. E eu, estarei focado no trabalho. Mau contato, talvez seja esse o ponto final.
– Você... Quer carona... Will não é mesmo?
– Sim, pode me esperar lá fora?
– Claro.
O caminhar era pesado, quase como se houvesse algo que o impedisse de raciocinar sobre o que realmente queria. Ir-se-ia sair ou ficar, se queria conversar conosco ou apenas dar um carão e sair.
– Prometo voltar pequeno. Prometo estar ao seu lado quando voltar.
– Prometo estar aqui quando isso acontecer. Meu striper.
– Vai realmente me chamar disso?
Ele soltou um pequeno sorriso, me envolveu em seus braços, estávamos perto da porta, beijou a minha testa e logo após os meus lábios.
– Lembre-se, sou a sua droga.
– Nunca vou me esquecer disso.
– Quero que você tenha terminado pelo menos sete capítulos quando eu voltar. Não importa se vão ser apenas rascunhos, os quero prontos.
O ruivo começou a ir em direção da porta. Olhou a última vez para mim. E perguntei por brincar.
– E se me faltar inspiração?
– O Tempo não para, se a inspiração não tocar você, toque-a, ela responderá. – Palavras amigas, sentimento que coexiste em ambos os lados. – Nunca se esqueça disso. É hora de retomar as rédeas. Amanhã é um novo começo.
Ele sorriu, a porta se fechou e com isso todos os pensamentos se distanciaram, amanhã seria o dia da decisão. Will iria para Pernambuco e eu para a editora.
Ficaríamos distantes um do outro. Nesse pouco tempo me veio um pensamento, será que era amor ou apenas uma paixão do momento?
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