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Hana estava sentada, observando a noite. A lua clara, era como um farol para as suas lembranças, de um tempo que ela sabia, que jamais voltaria. Sandokay, ao seu lado, observava a dona, como se partilhasse as lembranças.

- Tambem está se lembrando, Sandokay? – ela tinha agora mais alguns cães ninja, aos quais ela não levaria. Dois eram fêmeas, que estavam prenhes, quase dando a luz. Os outros, ela deixaria a cargo de sua mãe, visto que apenas Sandokay seria aceito... Se fosse o Sandaime e não a peituda bêbada da sannin lendária, ela teria pedido dispensa imediatamente.

Ela não queria ficar longe dos seus afazeres... E muito menos por conta do próximo aniversario de Shisui... Que ela, passava sempre no cemitério, arrumando o tumulo do ex-namorado.

Mesmo depois de tantos anos, ela não conseguia acreditar que Shisui havia se matado. Não o Shisui que, meses antes do acontecido, ao invés de ir até o hospital, quando chegara a vila, fora imediatamente para ver a ela... A sua bela flor, como ele dizia, os olhos brilhando, uma expressao que se dividia entre pervertida e apaixonada.

Não o Shisui, que sentara ao seu lado, com papel, lápis e borracha, para que eles desenhassem juntos a casa que teriam, quando se casassem... E depois do desenho pronto, lhe beijara, piscara-lhe o olho, dizendo que agora que ele tinha o desenho, iria arranjar o terreno para construir a casa... E que apenas lhe pediria em casamento, quando ela estivesse pronta.

Não o Shisui que, quando chegava em konoha, altas horas da noite, ao invés de ir ao seu clã, descansar, ia até a sua casa... Se ela já estivesse dormindo, deixava uma flor, qualquer flor que fosse, para que ela soubesse que ele estivera ali, juntamente com uma pedra... Que ele jurava no dia seguinte, que jogara na janela, para que ela acordasse, mas que ela tinha certeza que ele não jogara, para não lhe perturbar o sono.

Hana suspirou, olhando para a lua. Hizashi Hyuuga havia conseguido, que as crianças sobre sua responsabilidade, aprendessem a serem donas do próprio destino. Ele, antes de ser morto, chamara os pupilos, comunicando o que iria acontecer.

Todos haviam se levantado, dispostos a pegar em armas, para defende-lo... no que os oferecimentos haviam sido mais que recusados. Hizashi os abracara, agradecera pela ultima vez o fato de terem salvado Neji... E agradecera, principalmente, a chance que havia tido, de ter podido ensinar criancas tão fortes e apaixonadas.

Ela, depois do enterro de Shisui, andara sem rumo pela vila. Os pais do Uchiha, já falecidos, não haviam sofrido com a morte dele... Restava a ela e a Itachi, seu irmão do coração, seu melhor amigo, chorarem as lagrimas da dor verdadeira pela perda. Filho único, Shisui sempre lhe dizia que queria no mínimo duas crianças...

O que ela mais chorara, depois do enterro, fora a alegria que não pudera dar a ele. Ela nunca poderia contar a Shisui uma coisa, que semanas depois, já não era mais realidade. Itachi a encontrara no campo de treino, noite fechada, uma lua parecida com essa que brilhava no céu.

Mesmo sendo tão diferentes, Shisui uma pessoa expansiva e barulhenta, Itachi mais reservado, eles amavam-se como irmãos. O Uchiha mais calado, sentara-se ao seu lado, e, num gesto totalmente diferente do seu habitual, a abraçou.

- Agora somos só nós. – ela falara, depois de um longo período de choro. – só nós. Jun, Hizashi-sensei... Shisui... – as lagrimas haviam retomado com força total.

- Não somos só nós, Hana.

- O que... você quer dizer com isso?

Itachi hesitara momentaneamente, como se escolhesse as palavras, antes de falar.

- Uma pessoa, me disse uma vez, que enquanto amarmos uma pessoa, no nosso coração, ela não morre. E as vezes... – ele olhou para o céu – Kami gosta de fazer brincadeiras... que parecem cruéis, mas que sempre fazem a gente seja carregado por anjos... Quando não podemos mais andar.

- Eu não consigo entender, Itachi.

- Eu não quero que... – Itachi bufou. – Droga, o Shisui é muito melhor que eu para falar essas coisas! – o moreno passou a mao pelos cabelos, que ele tinha soltos.

- Voces estavam sempre juntos... você não conseguiu percebeu que ele ia fazer aquilo? O por que? – Hana o questionou, ansiosa... Ela precisava de respostas. Mesmo que fossem apenas consolos vãos.

Não percebendo no momento, o uso das palavras no presente e não passado. Naquele momento, Itachi parecia ainda não ter absorvido a idéia que seu melhor amigo, estava morto.

- Eu tive que falar com o meu pai... por conta de uma coisa. – Itachi voltou a olha-la, antes de desviar o rosto. – O Shisui até queria estar junto, mas eu achei que ele não precisava ver esse espetáculo. E também... Droga, como eu posso andar como um homem, de cabeca erguida, se tenho que andar sempre com a muleta chamada Shisui?

- Shisui não era uma muleta! – Hana gritou, ficando em pé. Itachi a olhou, surpreso por alguns instantes, antes de levantar-se.

- Não. Shisui é única pessoa, Hana, que sabe... – Itachi percebeu a enorme dor no rosto de Hana, forçando-se a falar. – que sabia todos os meus segredos. Aparentemente, ele era o maior boca grande de Konoha, mas graças a ele...

- Gracas a ele? Por favor Itachi! – Hana pediu, agarrando-se a camiseta de Itachi. Precisava de algum consolo, qualquer consolo que Itachi pudesse lhe dar. Ela precisava se agarrar a alguma coisa.

- Gracas ao Shisui, eu conheci uma pessoa maravilhosa, Hana. Ela mora... longe daqui. – Itachi deu um pequeno sorriso. – Ela é o anjo, a razão que eu ainda não estou completamente louco com isso tudo. Se o Shisui não tivesse... – Itachi suspirou. – A algumas semanas, eu me casei, porque esse anjo está esperando um filho meu.

Um meio sorriso surgiu no rosto do Uchiha. Hana arregalou os olhos. Itachi casado... com alguém que não fosse uma Uchiha?

- Foi nessa penúltima missão... Shisui foi o padrinho... Você não imagina o quanto ele me incomodou, antes da cerimônia e durante a volta. Mas assim que a gente pos o pé na soleira da vila, ele não sussurrou uma palavra... Ou ele lhe contou alguma coisa, Hana?

A jovem balançara a cabeça, negando.

- Eu fui contar para o meu pai... E eu apenas não trouxe o meu anjo junto, porque ela teve uma ameaça de aborto, Hana. Ela vai ter que ter o nosso filho, antes de poder viajar... Imagina seis meses deitada numa cama... É isso que está acontecendo com ela. – Itachi suspirou. – Todos na família dela, me culpam tanto pela gravidez... o que assumo com orgulho, quanto por...

- O que Shisui...

- Eu estava mais preocupado com ela, que tinha desmaiado, não percebi que aquela coisa que ela chama de primo, estava quase prestes a me atacar. Se eu estou aqui, é porque o Shisui pegou o imbecil e... bom, você pode imaginar. Não matou o desgracado por consideração a minha mulher... Ela é muito... bom...

- Kami... – A historia estava se tornando a cada palavra mais inimaginável. – E...

- Bom... naquela noite, eu fui falar para os meus pais, sobre a minha mulher, o meu filho... Meu pai disse que não a aceita, nem o neto e também...

Itachi suspirou.

- Shisui não tinha nenhum motivo para isso. Eu tenho uma suspeita, que... Se eu falar em voz alta... ou escrever...

Itachi fechou um punho.

- A nossa policia não é a única que está investigando, Hana. E se eu descobrir que alguém...

Hana deu um passo para trás.

- Você acha... Quem mataria o Shisui?

- A questão é quem o Shisui impediria de algo... E que fosse mais forte que ele. Quando eu descobrir... E eu tenho certeza que é quando e não se eu descobrir... eu primeiro mato e depois faço as perguntas!

O olhar de puro ódio em Itachi quase a fizera ter pena da criatura...

Hana balançou a cabeça. Quase sete anos depois, ela ainda sentia as mesmas emoções daquela noite... Os sentimentos apenas haviam aumentado, semanas depois, quando ela acordara com a cama cheia de sangue... Sangue que apenas demonstrara que o filho que ela esperava estava morto... Dela e de Shisui.

Itachi sumira uns três dias depois do enterro de Shisui, reaparecendo apenas uns dois meses depois. Hana não vira necessidade de contar a Itachi, sobre o filho que perdera... E tantos anos depois, em vários dias, ela ainda sentia dificuldades para levantar-se da cama, coisa que sua mãe, lhe obrigara a fazer por um longo tempo.

Tsume Inuzuka podia não ser um poço de gentilezas, mas amava verdadeiramente a filha. Do seu jeito, fizera que Hana voltasse a sobreviver. Viver... Sonhar... Ela ainda não conseguia.

Quando uma estrela cadente cruzou o céu, ela apertou os punhos.

- Quero voltar a ter os meus amigos... o meu amor... – ela falou baixinho, sabendo que era um sonho impossível.

Impossível... Visto que todos eles, com exceção de Itachi, que tinha todas as nações ninja em sua perseguição.

Hana abaixou a cabeça, abraçando os joelhos com força, enquanto lagrimas enchiam seus olhos. SAndokay ganiu baixinho, antes de levantar-se e colocar o focinho no ombro da Inuzuka, que estava sentada no chão.

E nenhum deles percebeu a estrela brilhar com maior intensidade, antes de desaparecer.