Algumas horas passaram sem que eles se vissem novamente, o que aconteceu propositadamente. Ele decidiu deixa lá com as crianças, aquelas que seriam capazes de levantar o astral dela, enquanto se concentrava em conversas e contatos.

No salão ela estava focada no trabalho, mas entenderá o que estava acontecendo e sentia-se culpada por tê-lo afastado. Sabia que seria obrigada a ir busca-lo em alguns minutos para participar da separação ativa das doações. O que ele gostava.

— Já volto. – falou para uma das meninas mais próximas. – Continuem e se eu demorar podem me gritar. – elas sorriram.

Saiu pelo espaço procurando-o. Enquanto não o encontrava sentia seu coração apertado, ansioso e sem uma explicação plausível. Parando diante da capela o viu sentado apenas em silêncio.

Aproximou-se sentando ao lado dele que imediatamente a olhou nos olhos e sorriu.

— Obrigado! – agradeceu sincera retribuindo o sorriso.

— Estou aqui para isso. – brincou.

— Fui uma vaca com ela, não é?! – falou depois de alguns segundos. — Vou me desculpar depois, prometo.

— Não esperaria outra coisa de você. – falou ele pegando na mão dela com carinho. – Obrigado por está comigo nessa.

— Você já me agradeceu. – ela falou retribuindo o carinho na palma da sua mão enquanto sentia uma sensação de paz, a mesma que sentiu no último final de semana em sua casa e um arrepio percorreu seu corpo se alojando na palma da mão, o que a fez tentar soltar, mas ele a apertou prevendo o movimento. – Olha eu...

— Só sinta ok?! – falou baixinho – Aqui diante Dele, no silêncio dos nossos corações, do ambiente. – pediu fechando os olhos e fazendo-a fazer o mesmo depois de uma longa respiração.

E com as mãos unidas olhos fechados e corações apaixonados eles faziam seus pedidos em silêncio profundo. Segredos partilhados entre eles e Deus. Com lágrimas descendo por sua face ela apenas deixou ele tocar sua pele as afastando-as e seu coração acelerado a medida que sentia o rosto dele mais próximo e um beijo sendo depositado sobre outra lágrima que insistia, e depois outro do outro lado, então desistindo de resistir ela sentiu os lábios dele tocando os seus, começando com um selinho e depois no encontro real dos lábios e dos corações. Foi um breve momento, nada profundo, mas intenso e quando suas testas foram coladas ainda de olhos fechados ela sorriu.

— Obrigado. – sussurrou.

— Não por isso. – brincou ele sorrindo.

— Por isso e por muito mais. – falou abrindo os olhos e o encarando.

— Catequistaaaaaaaaaaaaaaaaaa – eles sorriram ao ouvir o grito em plena igreja.

— Falei que eles poderiam gritar por mim. – sorriram.

— Obediente eles são pelo menos. – sorriram.

— Acho melhor irmos logo antes que eles além de gritarem saiam correndo pela igreja.

— Sim, vamos. – afirmou enquanto levantavam.

— Na verdade...você poderia ir vê-los por favor? Eu já chegarei lá. – pediu.

— Claro! – falou antes de beijar a mão dela para em seguida solta-lá. – Só não fuja. – brincou.

— Não dessa vez.

— Ok! – falou ele saindo.

Agora era somente ela e Ele, em uma conversa íntima e sincera. Chorando mais uma vez ela agradecia pelo momento a pouco vivido. Fora como um sonho, na verdade nem mesmo em seu melhor sonho poderia ter sido melhor, então agradeceu profundamente por ter vivido para sentir aquilo. E então depois de um pouco mais de lágrimas ela seguiu ao encontro dele e das suas crianças.

— Você estava chorando de novo? – perguntou uma das crianças.

— De novo? – ela sorriu

— Toda vez que você vai lá, você chora. – eles gargalharam.

— Hoje foi um choro diferente.

— Por quê? – perguntou outra atraindo a atenção do jovem.

— Porque foi de agradecimento.

— De felicidade. – completou outra provocando gargalhadas no ambiente.

E então o resto da tarde foi regada a sorrisos e trabalho em equipe. A noite chegava e as crianças começavam a ir embora, restando somente os dois.

— Hora de irem crianças grandes! – falou o segurança.

— Estamos terminando.

— Eu já terminei. – ela gritou aparecendo por entre as roupas. –E já estou de saída porque a fome não há de me derrotar. – eles gargalharam juntos.

— Vamos comer em algum lugar? – o segurança perguntou.

— Estou dentro. – ele falou olhando-a.

— Vocês dois me olhando desse jeito, acho melhor aceitar. – ela sorriu feliz.

Eles seguiram para a pizzaria mais próxima. Assim que chegaram pediram e em questão de minutos já haviam terminado a base de muitas gargalhadas e uma conversa leve.

— Meninos vou indo. Amanhã de verdade vou dormir até o meio dia, e quem se atrever interromper meu lindo sono estará com os minutos contatos.

— Estou fora. – o segurança brincou.

— Eu já não posso gar...

— Querido se você me acordar amanhã você vai conhecer uma parte do meu eu que nunca foi te apresentada. – ela falou seria provocando mais sorrisos.

— Não está mais aqui quem pensou.

— Isso mesmo, assim que eu gosto, gatinho. – ela piscou vendo-o sorrir maior.

— Querem carona?

— Não, obrigado.

— Acho melhor aceitar. Você mora um pouquinho mais longe, eu estou na outra rua. – ela falou.

— Não vou deixar você ir sozinha.

— Ok crianças. Já entendi. – o amigo falou levantando e pegando as chaves do carro. – obrigado pela companhia e até amanhã, depois do meio dia ,claro! – ele sorriu.

— Bom menino. – brincou.

Assim que ele acertou a conta eles seguiram a pé em uma noite calma, conversando coisas aleatórias.

— Chegamos. – falou ela agora nervosa.

— Não precisa ficar nervosa, ok?! Eu não vou entrar ou te pedir nada. – ele falou calmo.

— Desculpe. – pediu envergonhada.

— Fica tranquila. – falou pegando nas mãos dela. – Hoje começamos mal, mas tudo acabou maravilhosamente bem, certo?!

— Muito bem. Obrigado pelo dia.

— Igualmente. – agradeceu antes de beija-la na testa e dar as costas.

— Espera! – pediu se reaproximando o empurrando de leve contra a parede e colando seus lábios nos dele para um beijo intenso. Lábios, dentes e línguas duelando enquanto as mãos permaneciam unidas. Então quando houve a necessidade do ar ela se afastou correndo para o prédio, deixando-o com um largo sorriso no rosto e o coração acelerado.

— Não pense que você ficará em paz depois disso. Nunca mais. – ele mandou uma mensagem para ela que já dentro de casa se jogou na cama sorrindo feito boba para logo adormecer.