Sonho de amor
5 O começo....
Algumas horas passaram sem que eles se vissem novamente, o que aconteceu propositadamente. Ele decidiu deixa lá com as crianças, aquelas que seriam capazes de levantar o astral dela, enquanto se concentrava em conversas e contatos.
No salão ela estava focada no trabalho, mas entenderá o que estava acontecendo e sentia-se culpada por tê-lo afastado. Sabia que seria obrigada a ir busca-lo em alguns minutos para participar da separação ativa das doações. O que ele gostava.
— Já volto. – falou para uma das meninas mais próximas. – Continuem e se eu demorar podem me gritar. – elas sorriram.
Saiu pelo espaço procurando-o. Enquanto não o encontrava sentia seu coração apertado, ansioso e sem uma explicação plausível. Parando diante da capela o viu sentado apenas em silêncio.
Aproximou-se sentando ao lado dele que imediatamente a olhou nos olhos e sorriu.
— Obrigado! – agradeceu sincera retribuindo o sorriso.
— Estou aqui para isso. – brincou.
— Fui uma vaca com ela, não é?! – falou depois de alguns segundos. — Vou me desculpar depois, prometo.
— Não esperaria outra coisa de você. – falou ele pegando na mão dela com carinho. – Obrigado por está comigo nessa.
— Você já me agradeceu. – ela falou retribuindo o carinho na palma da sua mão enquanto sentia uma sensação de paz, a mesma que sentiu no último final de semana em sua casa e um arrepio percorreu seu corpo se alojando na palma da mão, o que a fez tentar soltar, mas ele a apertou prevendo o movimento. – Olha eu...
— Só sinta ok?! – falou baixinho – Aqui diante Dele, no silêncio dos nossos corações, do ambiente. – pediu fechando os olhos e fazendo-a fazer o mesmo depois de uma longa respiração.
E com as mãos unidas olhos fechados e corações apaixonados eles faziam seus pedidos em silêncio profundo. Segredos partilhados entre eles e Deus. Com lágrimas descendo por sua face ela apenas deixou ele tocar sua pele as afastando-as e seu coração acelerado a medida que sentia o rosto dele mais próximo e um beijo sendo depositado sobre outra lágrima que insistia, e depois outro do outro lado, então desistindo de resistir ela sentiu os lábios dele tocando os seus, começando com um selinho e depois no encontro real dos lábios e dos corações. Foi um breve momento, nada profundo, mas intenso e quando suas testas foram coladas ainda de olhos fechados ela sorriu.
— Obrigado. – sussurrou.
— Não por isso. – brincou ele sorrindo.
— Por isso e por muito mais. – falou abrindo os olhos e o encarando.
— Catequistaaaaaaaaaaaaaaaaaa – eles sorriram ao ouvir o grito em plena igreja.
— Falei que eles poderiam gritar por mim. – sorriram.
— Obediente eles são pelo menos. – sorriram.
— Acho melhor irmos logo antes que eles além de gritarem saiam correndo pela igreja.
— Sim, vamos. – afirmou enquanto levantavam.
— Na verdade...você poderia ir vê-los por favor? Eu já chegarei lá. – pediu.
— Claro! – falou antes de beijar a mão dela para em seguida solta-lá. – Só não fuja. – brincou.
— Não dessa vez.
— Ok! – falou ele saindo.
Agora era somente ela e Ele, em uma conversa íntima e sincera. Chorando mais uma vez ela agradecia pelo momento a pouco vivido. Fora como um sonho, na verdade nem mesmo em seu melhor sonho poderia ter sido melhor, então agradeceu profundamente por ter vivido para sentir aquilo. E então depois de um pouco mais de lágrimas ela seguiu ao encontro dele e das suas crianças.
— Você estava chorando de novo? – perguntou uma das crianças.
— De novo? – ela sorriu
— Toda vez que você vai lá, você chora. – eles gargalharam.
— Hoje foi um choro diferente.
— Por quê? – perguntou outra atraindo a atenção do jovem.
— Porque foi de agradecimento.
— De felicidade. – completou outra provocando gargalhadas no ambiente.
E então o resto da tarde foi regada a sorrisos e trabalho em equipe. A noite chegava e as crianças começavam a ir embora, restando somente os dois.
— Hora de irem crianças grandes! – falou o segurança.
— Estamos terminando.
— Eu já terminei. – ela gritou aparecendo por entre as roupas. –E já estou de saída porque a fome não há de me derrotar. – eles gargalharam juntos.
— Vamos comer em algum lugar? – o segurança perguntou.
— Estou dentro. – ele falou olhando-a.
— Vocês dois me olhando desse jeito, acho melhor aceitar. – ela sorriu feliz.
Eles seguiram para a pizzaria mais próxima. Assim que chegaram pediram e em questão de minutos já haviam terminado a base de muitas gargalhadas e uma conversa leve.
— Meninos vou indo. Amanhã de verdade vou dormir até o meio dia, e quem se atrever interromper meu lindo sono estará com os minutos contatos.
— Estou fora. – o segurança brincou.
— Eu já não posso gar...
— Querido se você me acordar amanhã você vai conhecer uma parte do meu eu que nunca foi te apresentada. – ela falou seria provocando mais sorrisos.
— Não está mais aqui quem pensou.
— Isso mesmo, assim que eu gosto, gatinho. – ela piscou vendo-o sorrir maior.
— Querem carona?
— Não, obrigado.
— Acho melhor aceitar. Você mora um pouquinho mais longe, eu estou na outra rua. – ela falou.
— Não vou deixar você ir sozinha.
— Ok crianças. Já entendi. – o amigo falou levantando e pegando as chaves do carro. – obrigado pela companhia e até amanhã, depois do meio dia ,claro! – ele sorriu.
— Bom menino. – brincou.
Assim que ele acertou a conta eles seguiram a pé em uma noite calma, conversando coisas aleatórias.
— Chegamos. – falou ela agora nervosa.
— Não precisa ficar nervosa, ok?! Eu não vou entrar ou te pedir nada. – ele falou calmo.
— Desculpe. – pediu envergonhada.
— Fica tranquila. – falou pegando nas mãos dela. – Hoje começamos mal, mas tudo acabou maravilhosamente bem, certo?!
— Muito bem. Obrigado pelo dia.
— Igualmente. – agradeceu antes de beija-la na testa e dar as costas.
— Espera! – pediu se reaproximando o empurrando de leve contra a parede e colando seus lábios nos dele para um beijo intenso. Lábios, dentes e línguas duelando enquanto as mãos permaneciam unidas. Então quando houve a necessidade do ar ela se afastou correndo para o prédio, deixando-o com um largo sorriso no rosto e o coração acelerado.
— Não pense que você ficará em paz depois disso. Nunca mais. – ele mandou uma mensagem para ela que já dentro de casa se jogou na cama sorrindo feito boba para logo adormecer.
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