Sonho Americano
2 Sozinho novamente
Jack desabou naquele momento, seu irmão estava morrendo em seus braços e mesmo assim ele não deixava de fazer piadas e não deixou de pensar nele naquele dia. Estava perto do aniversario de Jack e ele nunca tinha recebido um presente daqueles antes, só sendo seu amigo para fazer uma loucura daquelas, a coleção preferida dele por um sorriso do irmão mais novo.
–Obrigada irmão, vai ficar tudo bem, eu te amo cara – Jack chorava muito mais.
–Piegas – William riu -Te cuida irmão, eu amo você
E então ele se foi e Jack estava sozinho novamente.
Não demorou um mês para que Jack se entregasse aos vícios de vez, perder seu amigo lhe fez viver na companhia das drogas e da bebida. Ele não se importava, quanto mais ele fizesse aquilo mais rápido ele morreria e então a vida miserável que ele tinha acabaria, se ele fosse para o inferno ou não, isso não lhe fazia diferença, afinal se existia um Deus ele o havia abandonado e estava a poucas merdas para o diabo também. Um ano da perda de seu amigo fez Jack mudar completamente, ele ainda morava no mesmo barraco, largou o emprego e nem consigo mesmo ele se importava mais, era um encrenqueiro viciado.
Houve um dia em que Jack estava muito mais bêbado que o normal e andava se segurando nas paredes de um beco escuro e fedorento, até que esbarrou em um cara aparentando ter mais ou menos sua idade, que naquele momento era quase impossível de se lembrar.
–Perdeu o juízo seu bêbado maluco?
Jack normalmente não se ofenderia, mas naquele momento não era uma boa hora para chamar um cara no estado dele de bêbado maluco. Os dois se espancaram, Jack mal conseguia acertar um soco decente no seu oponente e então sozinho caiu nocauteado por nada.
–Eu pego você seu merda!
Jack atropelou as palavras e o cara saiu andando e resmungando, até que em um certo momento ele parou, voltou e encostou Jack na parede.
–Olha aqui seu monte de bosta, eu vou te dar um banho e te pagar um lanche, então entre no carro, idiota...
Eles chegaram em um bar com uma casa nos fundos, com a vista um tanto embaçada,Jack pode ler as letras faiscantes ‘’Dawson ‘’, só o que Jack lembrava daquele dia era ter entrado no chuveiro e tomado uma bela enxurrada de água gelada na cabeça. No dia seguinte, ele se levantou e caminhou em direção ao bar sem saber onde estava, olhou em volta e todos o olharam de volta, só o que Jack fez foi vomitar e um cara o sentou em uma mesa.
–Eu me chamo James e você, garoto?
–Jack... Onde estou?
–Eu te encontrei caído na rua ontem, você não deve se lembrar, esse é o bar do meu pai. Tome, beba isso.
–Hhg...Que porcaria é essa?
–Nada, vai se sentir melhor. Onde você mora?
–Nos fundos da quitinete perto da loja de armas.
–Hmm... Joanna cuide do balcão, eu vou levar o rapaz para casa – disse James a uma garota.
Eles chegaram e as coisas de Jack estavam todas do lado de fora, ele estava sendo despejado pela dona da quitinete, era só o que faltava, mais uma vez ele estava sem ter para onde ir e agora as coisas iriam só piorar na cabeça dele.
–Se fudeu hein – James ria – pelo que parece o mocinho aqui não tem mais um teto
–Merda! Deus seu desgraçado, por que fazer isso comigo?? – Jack estava enfurecido
–Se acalme garoto, eu posso resolver seu problema, é o seguinte: você pode dividir quarto com a galera lá no bar, são todos amigos, só que vai ter que trabalhar.
–Tudo bem – Jack aceitou rápido demais para o cara desconfiado que era – eu não vou demorar muito.
Pegaram suas coisas e se mandaram dali, James reuniu o pessoal e contou a situação para eles, eram pessoas legais e Jack foi bem recebido o bastante para se enturmar e contar a parte triste da sua história, a perda de seu irmão William um pouco mais tarde.
–Jack, esses são Ash, Spencer e Mike eles vão te ajudar no que você precisar no trabalho. As garotas Roxy, Catherine, Stephanie e Johanna. Jô é a única que fica no bar, as outras cuidam da casa.
–Oi – disse Jack meio tímido
–Posso cuidar das suas roupas se você quiser Jack – Steph insinuou a ele com uma piscadela.
–Cala boca vadia, o garoto mal chegou – Johanna retrucou com um cigarro entre os dedos e um tom de desprezo em sua voz.
–Calma garotas...vão assustar o garoto. Ao trabalho Jack?
Jack assentiu indo em direção ao balcão do bar.
–Não – James riu lhe entregando um desentupidor de privada – por enquanto você fica com a faxina do bar
Jack estava começando a viver de novo, sem seu irmão era mais difícil, claro, muito mais, mas ele tentava como podia e o trabalho no bar o estava ajudando muito, considerar aqueles como amigos ainda era cedo demais, mas ele devia essa a James.Todos ali eram bons com ele, a não ser Stephanie que tinha uma estranha amabilidade por ele. Joanna gostava especialmente daquele garoto, e isso a fez se aproximar, se bem que no começo ela parecia uma sargenta, mas ela era adorável e estava sempre pronta a ajudar, dentre todas era ela quem tinha mais juízo, por isso James a deixava no bar e ela sabia se defender muito bem.
Jack foi se acostumando no bar dos Dawson e com o beco escuro na qual ele se localizava, só trabalhava, bebia muito pouco, então um dia James o chamou para saírem e se divertir, aproveitando a oportunidade de mostrar Los Angeles a Jack, nem que seja só uma pequena parte.
James e Jack caminhavam na escuridão, James com uma garrafa de vodka em uma das mãos saboreava seu vicio, enquanto cambaleava. Jack com muito frio sentia seus ossos congelarem, mas sentia uma estranha vibração em seu interior, ao observar aqueles imensos prédios e aquelas luzes faiscantes, aquela cidade era uma selva urbana, isso o maravilhava.
–Já foi a uma boate antes?
–Nunca – respondeu Jack
–Que é que você fazia então? Vivia trancado em casa brincando de boneca?
Jack o olhou com um ar de reprovação.
–Vamos garoto, anime, pegue isso – James lhe entregou a inseparável garrafa de bebida
Jack tomou grande parte. Andavam a passos lentos, mas estavam a pouco para chegar a boate.
James gritou: — Já posso ver as gatinhas!
Entraram em uma espelunca, um lugar um pouco imundo, onde rolava muita droga, bebida e continha muitas mulheres.
Algumas garotas se esfregavam em James. E ele logo disse a Jack:
–Até mais tarde!
Jack ficou meio sem ação, caminhou até o balcão do bar:
–Me dê whiskey.
O cara do bar, um sujeito mal humorado e mulambento, remexeu-se.
–E vai pagar com o que?
–Dinheiro?
Aquele lugar era o tipo onde todos os tipos de pessoas habitavam, desde os mais miseráveis, pessoas da mais variada categoria.
Uma garota sentou-se ao seu lado no bar.
–Uma dose de vinho, por favor.
Jack a observou, ela tinha o cabelo loiro platinado, mas evidentemente se via que era descolorido pela raiz escura, tinha os olhos verdes com uma sombra escura, talvez preta, lábios carnudos, ela tinha unhas enormes, Jack notou-as quando ela retirou um cigarro de seu maço e começou a fumar. Ela era muito atraente, sem dúvidas, usava um short curto com meias arrastão e uma camiseta branca um tanto comprida.
O homem do bar entregou-lhe a bebida, ela retirou o dinheiro do bolso de sua calça e o pagou.
Ela começou a observar as pessoas, talvez procurando por alguém. Jack pensava no quanto ela conseguia ser atraente e ao mesmo tempo tinha algo tão meigo.
Ele estava criando coragem para chamá-la para dançar, mas quando ele ia chamá-la um cara veio em sua direção.
–Não sabia que viria. – ele disse
Ela levantou. Chegou bem próxima a ele:
–Hmm...
De fundo tocava ‘’She’s A Rainbow’’ do Rolling Stones.
Ela deu um leve beijo no pescoço dele e puxou- o pelo braço para a pista de dança.
Jack olhou ao seu redor a procura de James, e nem sinal, o que viu em troca foram vários rostos desconhecidos, perdera James e também uma bela garota.
Ficou ali bebendo, até que resolveu ir embora.
Tinha condições de chegar em casa sozinho, não havia bebido o suficiente para ficar bêbado. Porém a escuridão do beco o trazia algo de solitário, quando chegou em casa, a porta estava trancada.
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