Sonhando Acordada

12 Capítulo Extra - Christian


Eu estava no meu quarto quando ligaram para avisar sobre o acidente. Nem soube o que falar, como reagir. Quis acreditar que era apenas uma brincadeira de mal gosto, mas, no fundo, eu sabia que não era.

Saí correndo na chuva, em direção ao hospital. Não conseguia nem falar direito quando cheguei lá. Se não fosse por Nancon ter me encontrado, acho que teria invadido os corredores do hospital, gritando pela Lory como um louco, esperando que ela aparecesse com aquele sorriso bobo, me abraçando e falando que estava tudo bem. Mas eu sabia que isso não iria acontecer. Eu sentia que algo estava errado.

Nancon falou com a recepcionista e guiou-me até uma sala de espera no final de um corredor, onde Jasmine estava, com o rosto vermelho e inchado de tanto chorar. Nancon posicionou-se ao lado dela e começou a falar algo, mas eu não conseguia me concentrar direito.

— Os pais dela não sobreviveram, Christian. Ela saiu voando pela janela, por isso ainda está aqui. — Nancon explicou. — Estão ligando para os avós dela, mas eles moram longe daqui.

A ideia de Lory voando por uma janela, correndo perigo, já era o suficiente para me dar calafrios. Precisava me sentar, precisava pensar. Eram informações demais para absorver.

Ficamos ali pelo o que pareceu muito tempo, nem notei os avós de Lory entrando ou falando com Nancon, que parecia ser o único lidando direito com a situação. Só percebi o médico entrando porque Jasmine me puxou. Ele se apresentou como médico responsável pela minha namorada.

— Ela está estável por enquanto, mas inconsciente. Não temos como saber quando ou se ela vai acordar. Teve um hematoma grave no lado da cabeça, alguns cortes pelo corpo e uma fratura na perna. Os pais foram encontrados mortos no local do acidente. Sinto muito por isso. — Mal havia levantado e já precisava me sentar de novo. Como assim "se" ela vai acordar? Ela TEM que acordar, ela não pode me deixar! — As visitas serão permitidas assim que tivermos certeza de que ela continuará viva sem problemas.

Jasmine começou a passar mal, Nancon estava amparando-a enquanto os avós de Lory choravam abraçados. Sentei-me e encarei o chão. O que seria de mim se ela se fosse?

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Dois dias depois, as visitas passaram a ser permitidas. Lory fora transferida da UTI, mas continuava inconsciente. Eu passava dia e noite com ela, só deixando-a para ir ao banheiro. Dormia sentado ao lado da cama, segurando a sua mão, esperando o momento em que ela abrisse os olhos azuis e me olhasse, sem saber direito o que estava acontecendo.

Algumas vezes ela mexia algum músculo, mas as enfermeiras falavam que isso era apenas um reflexo do corpo. Pouco antes de acordar, lágrimas rolaram pelo rosto lindo dela. Eu não conseguia me conformar com algo assim. As vezes eu sentia como se ela estivesse perdida em algum lugar, outras eu sentia que ela estava feliz, tranquila. Para mim, esses eram os piores momentos. Não podia deixá-la desistir, ela não podia me deixar.

— Está tudo bem, meu amor, eu estou aqui! — eu dizia para ela, mesmo sem saber se ela podia me ouvir. — Não desista, não me deixe, ok?! Você não está sozinha, eu estou aqui.

E, por quase um ano, essa era minha vida.

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Era apenas mais um dia no resto do mundo, mas, desde o acidente, todos os dias para mim eram longos e agoniantes, uma espera eterna cheia de ansiedade. Alguns eram diferentes de outros, quando, por exemplo, Lory recebia visitas de algum amigo ou dos avós. Mas normalmente, eu era o único ali, montando acampamento e esperando Lory acordar.

Eu tinha esperanças de que algum dia desses eu acordaria e encontraria Lory sentada, tentando cortar maçãs em formato de coelhos como ela diz ter visto em algum desenho. Sorrindo para mim, com os olhos azuis bem abertos.

E foi mais ou menos isso que aconteceu.

Eu estava quase pegando no sono, olhando pela janela do quarto quando senti a mão dela apertar a minha. Virei-me rapidamente e a encarei. Parecia estar mostrando algum tipo de expressão no seu rosto, como se estivesse se esforçando muito para alguma coisa.

— Lory? — Chamei, passando a mão pelo seu rosto. — Lory, você está acordando? Consegue me ouvir? — E então ela finalmente acordou.

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