Son Of Evil
2 Capítulo 2 - Mysterious Girl
Notas iniciais
O gato olhava para mim como se entendesse perfeitamente o que eu falava. Aquilo não me assustou, pois finalmente teria alguém que me compreendesse, ou pelo menos parecia.
Ouvi o barulho da porta se abrir. Tomei um grande susto, escondendo o pequeno animal nas toalhas que havia usado para seca-lo.
— Vaynan você já está em casa? – Disse uma voz feminina, meio preocupada.
- S-Sim, estou – Minha voz saiu um pouco tremula, talvez por estar nervoso e com medo de que descubram sobre Verne.
- Sua voz está diferente, parece doente... Espere só um minuto que eu já vou ai
- N-NÃO ! Quer dizer... Não precisa, eu estou bem... Mãe. – Admito que era realmente difícil pronunciar tal palavra. Teria nojo de chama-la assim.
- Tudo bem então – Ela riu, o que me fez trincar os dentes. Por que ficaria feliz com um simples ‘’mãe’’? Isso me revoltava. Resolvi deixar pra lá e fui cuidar do gato que dormia tranquilamente em minha cama. O acariciei e o deixei ali mesmo. Estava novamente sem fome, então só iria tomar um banho e ir dormir, pois o dia seguinte seria mais cansativo ainda.
Caminhei em direção ao banheiro em passos rápidos, tirei minhas roupas deixando-as jogadas em qualquer canto do local e entrei no chuveiro, deixando a agua gelada. Só tomava banhos frios, por minha pele ser da mesma temperatura, não era tão ruim.
Apoiei minhas mãos na parede, abaixei a cabeça e deixei que a agua escorra por meu corpo enquanto algumas imagens sem nexo passavam por minha cabeça. Lembranças perdidas? Não, provavelmente não.
Me senti um pouco tonto, então desliguei o chuveiro, peguei uma toalha limpa que estava ali, me sequei e a amarrei na cintura, indo para o quarto, me apoiando nas paredes. Assim que me senti melhor vesti uma calça larga cinza e uma camiseta branca igualmente larga, me jogando na cama. Coloquei minha mão na testa e a outra na barriga, com a respiração um pouco pesada. Não entendia o motivo de estar daquele jeito. Por sorte cai logo no sono, acordando só na manhã seguinte, com o mesmo ‘’beep beep’’ irritante. Me segurei para não quebrar aquela coisa, realmente quem inventou isso era um grande infeliz.
Me levantei da cama com grande esforço e me vesti como no dia anterior, saindo de casa correndo com uma maçã na boca, atrasado novamente. Pontualidade, por que eu nunca conseguiria tê-la? Bom, isso não importa. Corri o mais rápido que pude e ao chegar na frente da escola acabei trombando com alguém.
— M-Me desculpe – Segurei em seu braço, podendo ver melhor seu rosto. Era uma garota realmente bela, de cabelos loiros, longos. Ela retribuiu o olhar, olhando diretamente em meus olhos acinzentados e sem vida, diferente dos seus, azuis como o céu. Não consegui me conter, corei de leve, desviando o olhar. Ela puxou seu braço e caminhou para longe de mim, não tendo expressão alguma. Suspirei, e resolvi não falar nada. Coloquei as mãos nos bolsos da calça e andei em direção a sala de cabeça baixa, joguei meu material em cima da mesa e me joguei na cadeira. Ao levantar um pouco a cabeça a vi, a garota que eu teria trombado estaria na minha sala. Por que eu estaria me sentindo feliz? Eu só a achava bonita, nada de mais ! Ao ver que eu a olhava, ela virou mais ainda seu rosto. Acho que ela não foi com a minha cara, mas dane-se afinal, nunca pensei em ter uma namorada e não vai ser agora que eu irei querer uma, estou muito bem sozinho. Resolvi a ignorá-la, virei o rosto e apenas prestei atenção no professor que parecia estar de bom humor hoje, o que não importava, ele entupia todos de lição não importava seu humor, segundo os rumores.
Até que as aulas se passaram rápido, logo o sinal tocou, todos pareciam esgotados mentalmente pelo teste surpresa que o velho teria dado, por incrível que pareça também teria me esgotado um pouco.
Assim que sai da sala, fui puxado por alguém, nem preciso dizer que era a loira. Seu olhar era frio, e ela evitava olhar diretamente pra mim.
- Não pense coisas erradas, eu só queria me desculpar por ter trombado com você e não ter feito nada, é... só isso, tchau. – Não esperou eu nem me pronunciar e novamente saiu de perto, respirei fundo mantendo a calma e coloquei meus fones, indo para o local onde eu costumava a ficar, encontrando o ruivo que continuava com os olhos pregados em mim, sério, hoje não estaria sendo um dia bom, gostaria que ele acabasse o mais rápido possível. Já iria me dirigir para longe dali, preferia ficar perto de uma multidão do que ter alguém praticamente me comendo com os olhos, mas ele me impediu. Segurou meu braço e me puxou para uma parte da escola que eu não conhecia. Me jogou com tudo na parede, fazendo-me bater as costas com muita força. Fiquei sem reação, apenas o olhando. Ele avançou em minha direção e colocou as mãos em meu pescoço, o apertando com força, sorrindo largamente.
- Então você é Vaynan, o filho do grande demônio Samael... Vamos ver do que você é capaz !
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