Somos mais parecidos do que parece.
10 Capítulo 9.
Notas iniciais
Termino de me arrumar e volto a sentir aquela sensação estranha que senti ontem à noite. Saio do Closet e me sento sobre a cama esperando Klaus terminar de apreciar o nada, pois a rua está vazia. Aparentemente a população da cidade inteira está em algum lugar. E eu sinceramente espero que não tenha que ir, não me sinto bem por causa da barriga e estou cansada.
– Com fome? – Klaus pergunta.
– Sim. – Eu digo e continuo sentada aonde estou.
Ele se levanta e sai do quarto. Talvez as coisas estejam piores do que eu pensei, penso que talvez iria ser bom ir embora de Nova Orleans, recomeçar, eu já fiz isso tantas vezes.
Klaus abre a porta e traz uma bandeja, ele deixa a mesma em cima da cama próxima de onde estou. Começo a comer e observo Klaus olhando para a janela. Ele não parece calmo, mas está quieto, eu não acho que isso seja nada bom. Algo me diz que quando ele voltar a agir da mesma forma que agia quando chegou a Nova Orleans muitos irão morrer.
Eu não me importo com nenhum deles, mas não acredito que não vai ser nada bom para o meu bebê crescer vendo o pai matando a todos. Acredito que Klaus não a machucaria, mas não penso coisas boas sobre ele quando o tema é ele não machucar ninguém na frente de meu bebê.
– Terminei. – Eu digo e ele inclina a cabeça em minha direção sem me olhar.
– Vamos. – Ele diz, se levanta da cadeira, coloca um casaco e abre a porta do quarto esperando que eu passe.
*********
Andamos pelas ruas de Nova Orleans e o Sol leve da manhã bate em meu rosto. Caminhamos observando a multidão que está indo em direção ao Bar de Nova Orleans. Não entendo exatamente o que está acontecendo, pois até onde eu sabia o padre morreu, e a população simplesmente começa a beber e festejar como s isso fosse algo bom? Isso é mais que estranho.
Olho para Elijah que caminha ao meu lado e lhe lanço um leve sorriso, e o mesmo devolve para mim. Sinto uma mão em meu braço e então mal tenho tempo de olhar para Klaus, pois ele me puxa atrás dele praticamente me arrastando. Ele vira a esquina e entra em um beco e eu não vejo ninguém ali em volta. Ok, isso não é bom.
– Você pode pelo menos não flertar com Elijah em frente as pessoas? – Ele pergunta e me olha com uma expressão totalmente louca. – Ou se esqueceu que o bebê que você carrega é meu? Eu estou no comando da cidade, eu sou o rei! E o que irão pensar de mim, se a mulher que carrega o meu filho está dormindo com meu irmão? – Ele me pergunta e eu franzo a testa.
– Eu não estou dormindo com Elijah, eu nem sequer escolho aonde durmo. – Eu digo a última parte de forma irônica e arqueio a minha sobrancelha.
– Cuidado. Você tem me testado bastante ultimamente, e para seu azar, ou sorte como eu prefiro dizer eu não nasci com paciência para mulheres teimosas. – Ele diz. – Você pode ser tão encantadora quando for, até eu perder o controle. – Ele sussurra e agora eu me assusto um pouco, porém não demonstro. Klaus vira as costas para mim e eu continuo parada. – Vamos. – Ele grita e eu começo a andar devagar para seguir Klaus. Talvez eu deva ir embora de Nova Orleans.
**********
Me sento no banco do bar e começo comer as azeitonas. Olho em volta e as pessoas estão cada vez mais escandalosas e bêbadas.
– O padre morre e todos festejam. – Diz Elijah. Pelo menos não sou a única que acha isso estranho.
– Eu não gostaria que alguém festejasse se eu morresse. – Eu digo e dou de ombros.
– Não tenho muito escolha. – Diz Klaus, e então o mesmo vira o seu copo de Uísque e o enche novamente. – Primeiro porque não vou morrer, e segundo tenho certeza de que se eu morrer muita gente iria festejar. – Ele diz.
– Isso não é algo bom para se dizer. – Diz a garçonete, ela é loira, mais baixa do que eu e tem os olhos inchados.
Camille, a sobrinha do padre...
– Eu sinto muito.... Pelo seu tio. – Eu digo e ela assente.
– Todos nós sentimos. – Diz Klaus e então ele se levanta e pega outra garrafa de Uísque do balcão. Ele está bebendo demais, eu deveria ter fugido hoje.
– Você já está um tanto exaltado irmão. – Diz Elijah assim que Camille sai de nossa mesa.
– Todos estão bebendo Elijah, não seja tão careta. – Ele diz e dá um sorriso torto antes e virar o copo e fazer o liquido descer pela sua garganta novamente.
– Você está bebendo por quê todos estão bebendo, ou é apenas medo da paternidade Niklaus? – Elijah pergunta e Klaus revira os olhos. Em seguida levanta da mesa e vai para perto da porta do bar.
– Como ele está agindo ultimamente? – Elijah pergunta.
– Estranhamente não-assassino. – Eu digo e dou uma leve risada.
– É claro. Mas como ele está te tratando? – Elijah pergunta.
– Ele não fala muito, e me obriga a fazer algo sempre que tem chance. Normal. – Eu digo.
– Eu gostaria de poder ajuda-la porém Niklaus está mais imprevisível do que nunca. –Ele diz, se desculpando.
– Não tem problema. Eu entendo, e você está com várias coisas para resolver. – Eu digo e dou de ombros.
– Hayley, vamos embora! – Klaus me chama antes que Elijah possa responder.
– E é mais um dos momentos que ele me obriga a fazer algo. – Digo me levantando da mesa e indo em direção a porta, já que Klaus saiu do bar.
Saio e fecho a porta atrás de mim, e todo o barulho que havia dentro do local diminui instantaneamente, e isso me alegra de certa forma não vejo a hora de dormir novamente. Respiro fundo e olho para os lados procurando por Klaus, o avisto parado do outro lado da rua me esperando, mas ele está olhando para dentro do bar pelo vidro.
Começo a andar afim de atravessar a rua, mas quando estou prestes a atravessar a rua um carro preto vira a esquina cantando pneu e eu dou um passo para trás. Olho para o outro lado, e vejo Klaus começar a caminhar em minha direção.
Um barulho alto chama a minha atenção e o carro para em minha frente e sou puxada para dentro do banco de trás. Alguém segura os meus pulsos com força e eu dou chutes enquanto tento me soltar enquanto outra pessoa de frente para mim. Mal percebo que o carro já está em movimento enquanto tento me livrar.
Olho para o vidro traseiro e não vejo ninguém seguindo o carro. Será que Klaus estava sabendo? Será que isso é obra dele?
Sou distraída por um barulho vindo da parte de cima do carro, e em seguida o vidro é quebrado. As duas pessoas presentes no banco de trás começam a me segurar com mais força e eu consigo acertar com o pé o estômago de um deles. Tento ver o rosto, mas novamente não consigo.
A porta do motorista se abre e antes que ele possa fazer algo uma mão o puxa para fora do carro e agora não temos mais um motorista.
A invés de lutar com eles, tento ir para a parte da frente do carro afim de não morrer em um acidente, tento ir para a parte da frente sou puxada novamente e acabo batendo a cabeça na marcha do carro. Droga, eu só não posso machucar a barriga....
Seguro fortemente nos bancos e chuto às cegas as pessoas atrás de mim. Olho para frente e vejo que o carro já saiu da pista e está indo em direção a uma árvore, e na velocidade em que o carro está nenhum de nós sobreviveria. Tento ir para frente novamente mas não consigo, será que não entendem que eu quero evitar um acidente?!
Quase bato a minha cabeça novamente, só que desta vez iria ser no freio de mão. É isso, o freio de mão! Solto a mão de um dos bancos e seguro o freio de mão e o puxo fazendo o carro parar a dois centímetros da árvore.
Encosto a testa no freio de mão e relaxo o corpo, mas me arrependo no segundo em que sinto alguém puxar o meu cabelo com força e encostar algo em meu nariz. Tento não respirar.
Não respire. Lute!
Não respire. Lute!
Não respire. Lute!
Não respire. Lute!
Eu penso sem parar, mas o meu pulmão acaba decidindo por mim e acabo respirando, sinto um cheiro forte entrar pelo meu nariz, e em seguida todo o meu corpo está mole. Isso não é bom.... Em volta vejo a porta ser aberta e Klaus puxar uma das pessoas para fora do carro, ele tem seus lábios manchados de sangue, e um sorriso assassino enquanto olha para o homem em pé na sua frente.
Um homem.... O outro desce do carro e tenta fugir, mas assim que Klaus percebe ele sorri para o que está a sua frente e quebra o pescoço dele. Klaus olha para mi por um segundo e eu fecho meus olhos pois sinto que se mantê-los abertos o teto do carro irá rodar e entrar em minha cabeça. Quando os abro novamente Klaus não está mais lá, provavelmente está matando alguém.... E isso não me incomoda realmente.
Tento me sentar e demoro um pouco, deve ser aquilo que cheirei, me sinto mais tonta e.... E o que mesmo? Não me lembro... Ah sim! Tenho que ir embora, mas estou com tanto sono, talvez eu deveria dormir aqui.
– Vamos. – Diz uma voz vagamente familiar. Sinto um braço embaixo dos meus joelhos e outros em volta de mim, e então estou fora do carro. Olho para o lado e vejo Klaus, ah sim Klaus! Ele deve ter matado eles, então eu já posso ir dormir. Encosto minha cabeça em seu ombro e fecho os meus olhos. Sinto algo passar de leve em minha testa e uma pequena ardência começar ali, mas bastante leve, não o suficiente para me incomodar.
– Você se machucou em algum outro lugar? – Pergunta Klaus e eu nego com a cabeça.
– Você os conhecia? – Ele pergunta e eu dou de ombro e em seguida nego.
– Eles agiram quando o carro iria bater na árvore? – Ele pergunta. Pra que tantas perguntas?
– Por que? – Consigo dizer após um pequeno esforço.
– Eram apenas humanos, provavelmente hipnotizados. – Ele explica. – Você está com sono? – Ele pergunta e eu assinto.
– Então durma. – E antes que eu possa dizer que ele não manda em mim durmo, não por obediência, mas por que sinto sono.
********
Sinto meu corpo quente e coço um pouco os olhos antes de abri-los. Estou com o rosto praticamente enfiado dentro do travesseiro. Ouço vozes se aproximando e logo percebo que são de Klaus e Elijah.
– Como pode ver ela ainda está dormindo. – Diz Klaus de forma impaciente.
– E sobre o ataque, tem certeza de que não os conhecia? – Elijah pergunta.
– Não, mas eram apenas humanos. – Klaus diz. Sim humanos, eu me lembro disso.
– E porque humanos simplesmente atacariam Hayley? – Elijah questiona.
– Ora Elijah, todos estão tentando matar a criança. – Klaus responde com sarcasmo e eu reviro os olhos.
– Temos que dar um basta nesta situação. – Diz Elijah sério.
– Sim é claro, um basta. Mas agora eu estou um tanto cansado e sem paciência para salvar o mundo novamente. – Klaus diz e eu ouço passos. Elijah deve ter ido embora.... Tenho a minha confirmação assim que a porta se fecha.
– Não é nada descente ouvir a conversa dos outros Hayley. – Diz Klaus e eu me viro tirando a coberta de cima do meu rosto.
– Não é educado expulsar as pessoas. – Eu digo e olho para porta.
– Eu não menti realmente estou cansado. – Ele diz com um sorriso de canto. Anda até a cama e se senta na ponta da mesma olhando para mim.
– Creio que não terei que responder todas as perguntas novamente. – Ele diz e eu assinto.
– Hoje terá companhia na cama. – Ele ironiza e se levanta da cama e entra no banheiro. Depois de alguns segundos ouço o chuveiro ser ligado. Isso foi estranho...
Decido ignorar tudo o que aconteceu hoje e ajeito a coberta sobre o corpo, e pouco tempo antes de dormir sinto a cama afundar ao meu lado indicando que Klaus realmente dormiria aqui hoje.
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