Somos mais parecidos do que parece.
14 Capítulo 13.
Notas iniciais
Olho o caminho que Klaus está fazendo e não demora muito para eu perceber que estamos saindo da cidade.
– Aonde vamos? – Eu pergunto.
– Elijah tem boas ideias... – Ele diz e eu o observo. Deve estar falando sozinho... Do jeito que é maluco...
Olho a cidade atrás de mim e penso em arquitetar um plano para fugir de Klaus e tentar seguir a minha vida sozinha. Me envolver com os Originais não foi uma coisa tão inteligente, mas até agora não tive arrependimento e talvez seja isso que faz com que eu deixe a ideia de fugir para trás.
Olho para a minha barriga e sorrio olhando como a mesma está inchada. Não é à toa que são duas, acho que caberiam até três crianças aqui dentro.
– E então, vai ficar apenas encarando a barriga? – Klaus pergunta com ironia e eu apenas o encaro. Pelo visto ele voltou ao normal e na verdade eu estou caminhando para a minha morte.
– Pensei que estivesse começando a ter educação Klaus. – Digo quando o silêncio começa a me incomodar.
– Fazer o quê... Meus pais não me ensinaram a ser uma criança educada. – Ele diz com ironia novamente e eu reviro os olhos.
– Já deixou de ser criança a muito tempo. – Eu digo.
– É, mas algumas coisas ficam para a eternidade. – Ele diz e agora está sério. Isso não deve ser bom.
Resolvo não falar nada e volto a prestar atenção na estrada.
Sei que o pai de Klaus não foi nada paternal com ele, na verdade não entendo porque ele o chama de pai e tenho medo do que ele possa fazer com as crianças. Talvez ele vai ser um pai terrível e do mal, ou então elas crescerão mimadas e sem limites, nenhuma das formas me parecem boas...
Sinto o carro parar e olho em volta. Klaus parou o carro no estacionamento de um restaurante fast-food e eu o olho intrigada.
Sério? Também tem hambúrguer em Nova Orleans.
– Klaus, o que quer aqui? – Eu pergunto e desço do carro andando atrás dele.
– Vamos. – Ele diz e entra no restaurante.
As paredes amarelas deixam o ar leve e observo o balcão com vária banquetas, e mesas com poltronas vermelhas encostadas a parede. O restaurante não está cheio.
Klaus anda até o fundo do restaurante e se senta na última mesa de modo que ele fica com visão completa para o restaurante e eu fico de costas para ele.
– O que viemos fazer aqui? – Eu pergunto e vejo que ele está olhando para algo além de mim. Me viro, mas não vejo nada de diferente.
Os mesmos garotos do outro lado falando sobre acampar. Um homem de chapéu perto do balcão e uma garota almoçando e lendo o seu livro. Vejo os garotos jogarem comida nela, e a mesma apenas se esconde atrás dos óculos e livros.
– Peça algo para comer. – Diz Klaus e eu me viro voltando a prestar atenção no mesmo.
– Mas para que estamos aqui? – Eu pergunto e ele levanta a mão acenando para a garçonete.
– O que o senhor deseja? – A garçonete pergunta.
– Um café... e você? – Ele diz se virando para mim.
– Uma torta. – Eu digo. Quando a mulher sai eu me inclino por cima da mesa e estreito os olhos para Klaus. – O que estamos fazendo aqui? – Eu pergunto praticamente sussurrando.
– Um teste. – Ele diz apenas.
– Um teste? Que teste? Testar o que? – Eu pergunto rapidamente e quase me embolo nas palavras.
– Você. – Ele diz com um sorriso cínico.
– Eu? E precisava me tirar de lá para isso? – Eu pergunto.
– Normalmente uma bruxa sente a presença de outra Hayley... – Ele para de falar enquanto a garçonete coloca o café em sua frente e a torta para mim, espero ela sair e começo a comer enquanto espero Klaus continuar. — ... Até onde eu sei estas crianças tem sangue bruxo.
Franzo o cenho e paro de comer por um momento, ele quer que eu faça o que? Os bebês ainda não nasceram e sendo assim elas não podem saber se tem outra bruxa na área. E então percebo que ele quer que eu faça isso, mas não entendo como eu o farei.
– Klaus, como acha que eu farei isso? É impossível. – Eu digo.
– Na verdade não, se me lembro bem já fizeram um híbrido com seu sangue então... Não vai ser muito difícil se concentrar e perceber a presença de uma bruxa. – Ele diz e eu me endireito na poltrona.
– É, mas aquilo não foi nada lega, e se eu me lembro bem foi só fazer um corte e pronto. – Eu digo o questionando.
– Sim, mas você precisa se concentrar na energia da pessoa, eu tenho uma forte suspeita, só preciso saber se ela tem sangue magico. – Ele diz e eu me viro e olho para a garota que olha para seu livro e vejo que os garotos idiotas do outro lado continuam mexendo com a mesma.
– Klaus se ela fosse uma bruxa já teria destruído o restaurante e aqueles garotos estariam mortos. – Eu digo.
– Ela não quer dar bandeira. – Ele diz.
– Qual é? Estamos falando de uma bruxa. – Eu digo e reviro os olhos.
– Sim, mas até eu já controlei o meu temperamento para não chamar atenção... E além do mais... – Mas ele é impedido de falar pois praticamente todos os bancos que estavam em frente ao balcão foram lançados em direção aos garotos e estão suspensos no ar a centímetros dos rostos deles.
– Va lá para fora, eu resolvo isso. – Ele diz e eu fico parada o encarando. Como ele sabia? – Eu não disse? – Ele pergunta com um sorriso e se levanta indo até a garota.
Me levanto e saio pela porta do restaurante e entro no carro. Talvez essa garota nos ajude em algo. Me sento e fico olhando para o restaurante tentando ver algo através das cortinas, mas não vejo nada.
Depois de algum tempo a porta é aberta e Klaus sai do restaurante, não parece feliz, então presumo que a garota o colocou para fora, ou ele a matou... Sou interrompida dos meus devaneios ao ver a garota abraçada ao seu livro sair do restaurante e vir correndo atrás de Klaus. Ele abre a porta de trás do carro e a garota entra.
Agora que ela está mais perto vejo que não deve ser tão jovem quanto Davina, apesar de ser pequena. Ela tem a pele cor de mel, olhos grandes e assustados, os cabelos lisos divididos no meio e a franjinha deixam o rosto da mesma mais infantil, ela é bonita, mas parece vulnerável até demais para uma bruxa.
– Sou Hayley. – Me apresento e levanto a minha mão para cumprimenta-la.
– Loren. – Ela diz e pega a minha mão. Sinto uma espécie de eletricidade e ele solta a minha mão rapidamente e olha para a minha barriga. Klaus entra no carro nesse momento e ela olha para ele.
– Vejo que não tenho que apresenta-las. – Ele diz e lança um olhar um tanto intimidador para Loren. – Sendo assim acho que podemos ir para casa. – Ele diz sorrindo para mim e eu apenas coloco o cinto.
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