Notas iniciais
Primeiramente gostaria de desejar um feliz natal a todos os meus leitores, que todos tenham boas festas, um próspero ano novo e que 2016 seja mil vezes melhor que 2015.
Secundariamente gostaria de falar sobre minha amiga secreta: Ela é a rainha das trevas emo gótica chupadora de picolé negro sabor solidão mais linda e fofa do universo. Sim senhorita Black (ID: 165225) é você a minha amiga secreta kk. Eu fiquei com muito medo de fazer algo que você não goste, porém eu amei a minha ideia e caso não usasse ela com você uma hora ou outra iria posta-la de qualquer maneira kkk. Você é muito especial para mim Babi, graças a você conheci todas as meninas no Bad Boys, graças a você dei altas risadas e graças a você vi que posso ser uma boa amiga, mesmo estando a distancia.
Desejo a você e a todas as meninas do BB um maravilhoso fim de ano, que nossa amizade continue desse jeito para toda a eternidade e que continuamos a escrever histórias, fanfics ou qualquer coisa que seja com esse amor que todas nós sentimos pela escrita.
Boa leitura a todos e até 2016 ♥

Capítulo Único — Programados Pra Cair

24 de Dezembro de 2015

Nevava pouco, porém no chão já havia uma grande crosta de neve. Braider andava com dificuldade pela neve, agasalhado até o último fio de cabelo castanho.

Possível apenas ver os olhos escuros entre a inúmera quantidade de tecidos quentes que cobriam o corpo do rapaz, graças ao rigoroso frio. Lembrou-se de sua mãe e como ela obrigava todos os filhos a se agasalhar daquela maneira em qualquer ocasião.

Sorriu por de baixo do cachecol grosso e cinza com a lembrança e forçou as pernas a continuar a andar pela coluna de neve da calçada. Porém algo lhe chamou atenção ao passar por uma casa de três andares coberta por neve.

Na última sacada da casa havia uma garota, cuja os cabelos eram tão escuros que ardia os olhos com o contraste da neve branca. Sua pele clara e rosada de frio fez Braider tremer involuntariamente. Ela estava seminua, apenas de calcinha e sutiã, com as mãos no parapeito de metal da sacada.

Aquela cena bizarra fez os pés do moreno grudarem no chão. O cenho franzido e as mãos fechadas em punho dentro das luvas amarelas de lã.

Então a garota fez algo que Braider nunca imaginaria. Colocou um dos pés sobre a barra de ferro e em um impulso subiu nela. A jovem garota estava com a intenção de se matar?

— Moça, sai da sacada – o moreno disse, porém sua voz foi abafada pelo cachecol, que cobria seu pescoço e sua boca. Em um movimento rápido retirou o tecido de lã gritou mais uma vez, chamando a atenção da garota, que se assustou.

Ela quase escorregou da barra de ferro do parapeito ao notar que havia um homem observando-a. Ela queria apenas morrer sozinha, queria acabar com todo o sofrimento, colocar um fim na própria vida e não chorar mais.

Se sentiu envergonhada por estar trajada daquele modo diante de um desconhecido, porém respirou fundo e olhou o horizonte. As arvores ao longe estavam cobertas de neve, o céu cinzento despejava mais chuva branca pela imensa cidade e aquele cenário melancólico era perfeito para sua morte.

— Moça sai da sacada – ele insistiu. Bárbara era o nome da garota. Ela segurava no teto da sacada para tomar a final decisão e se jogar do jeito certo, pois caso caísse de qualquer modo era capaz de sair viva da brincadeira — Você é muito nova para brincar de morrer.

Braider sabia do que estava falando e não queria ver ninguém nunca mais se matar em sua frente, mesmo que esse alguém fosse um completo desconhecido.

— Não olha para baixo, aí é muito alto – disse preocupado. O tom que o moreno usava fazia Bárbara se sentir quente, mas não um quente fogoso, como havia se sentido na primeira vez que beijou um rapaz; era um quente como um abraço carinhoso, quente como se ele estivesse próximo dela.

— O que há? O que que a vida aprontou desta vez? – ele sorriu terno e a coragem que antes a jovem moça sentia se esvaio entre seus dedos. Engolindo em seco ela tentou descer do parapeito, porém do jeito que estava caso se mexesse iria cair de qualquer forma.

— Vou entrar aí, a casa está aberta né? – Braider mantinha o tom de voz carinhoso com a garota suicida. Ele tentou andar o mais rápido que a coluna de neve lhe permitia e ao finalmente entrar na casa sentiu o cheiro de sangue lhe invadir as narinas.

Subiu as escadas com o estomago embrulhado graças ao cheiro desagradável pela casa e ao finalmente chegar onde a garota estava notou que aquele deveria ser o quarto dela, por ter as paredes rosas e muitos ursinhos pelo cômodo.

Sem falar mais nada ajudou a garota a sair da sacada, carregando-a nos braços Bárbara sentiu-se acolhida e protegida perto de um completo estranho.

— Vou te levar em um café – Braider Levinsk era seu nome completo. Rapaz de vinte e poucos anos, alto, atlético, olhos castanhos escuros, cabelos castanhos em um corte moderno e um sorriso amigável pregado no rosto – Se troque.

Bárbara ficou mais vermelha ao notar sua situação. Sua pele era sensível, branca como o leite, ficava avermelhada com facilidade fosse por altas ou baixas temperaturas, fosse por se sentir envergonhada. Em um grito envergonhado tirou o moço do quarto e escorou-se na porta. Porém antes da porta se fechar na frente de seu nariz, Braider notou algo perturbador.

Os braços nus da garota estavam repletos de cicatrizes fundas e de tamanhos diferentes, como se elas transbordassem em vez de sangue a dor que Bárbara sentisse dentro do peito. Braider franziu o cenho e deu alguns passos para trás refletindo na situação em que a desconhecida estava.

Bárbara pensou mais algumas dez vezes, demorou para sair daquela posição e não voltar para a sacada.

— Deixa eu te levar para tomar um café, para conversar, te ouvir e tentar te convencer – Braider estava do outro lado da porta, temia pela garota ter simplesmente desistido da própria vida mais uma vez e se jogado definitivamente da sacada.

— Tá – fora a primeira vez que ela falava alguma coisa. Sua voz saiu tremula e insegura, porém suave como um canto de pássaro. Olhou ao redor e sabia que não encontraria muitas roupas naquele cômodo, porém uma calça jeans surrada e uma bata cinza de gravida dada ano passado de natal pela sua mãe serviriam. Abriu a porta e viu o seu salvador, ou deveria ser chamado de enxerido?

— Você sabia que estamos em Dezembro, não é mesmo? Está frio lá fora – ele disse irônico e Bárbara rangeu os dentes, passou por ele e entrou no cômodo ao lado, fechando a porta novamente. Dessa vez o cômodo se tratava de um closet, se agasalhou com todos as roupas de frio que encontrou no armário e calçando uma boa de pelos saiu da casa junto a Braider.

Era véspera de natal, todas as lojas e casas estavam enfeitados com pisca-piscas e objetos natalinos. Bárbara nunca foi fã daquela data, achava que servia só para os parentes hipócritas aparecerem em sua casa, comerem da sua comida e dizer o quão diferente você está, para então voltarem para suas casas e sumirem mais uma vez durante um ano inteiro.

Braider segurou o braço da menina e a puxou para dentro de uma lanchonete pequena e aparentemente aconchegante. Ele pediu educadamente para que ela se sentasse em uma mesa e fora até o balcão fazer o pedido.

Ele a tratava como se a conhecia e aquilo irritava Bárbara. Ela apenas queria morrer em paz e sozinha, nunca imaginou que alguém como ele iria aparecer na sua casa e a tirar da sua tentativa de suicídio.

Quando voltou Braider estava segurando dois copos médios de café quente com creme. Entregou um para a menina e sentou à mesinha, bebericando o copo de papelão.

— Sabe... A vida é como mãe, que faz o jantar e obriga os filhos a comer os vegetais, pois sabe que faz bem – ele deixou escapar enquanto observava a menina beber do café. Ela franziu o cenho não entendendo a comparação e colocou o copo sobre a mesa limpando a boca com a língua — E a morte e como pai que bate na mãe e rouba os filhos do prazer de brincar como se não houvesse amanhã.

Bárbara mantinha seu cenho franzido. O cheiro do café lhe reconfortava e a cadeira onde estava sentada lhe proporcionava um prazer estranho, como se estivesse sentada em uma nuvem.

— Eu estava gravida – ela balbuciou direcionando os olhos para a mesinha de madeira, sem coragem de encarar Braider – Minha família é muito religiosa então tive de ter o bebê mesmo não o querendo e sendo nova. Meus pais pararam de falar comigo por causa disso. Certo dia meu pai decidiu se mudar de casa, levando minha mãe e meus irmãos junto para não terem de conviver comigo, pois eu era uma vergonha de pernas longas.

Braider manteve-se calado, ouvindo tudo que a bela menina falava. Não tinha expressão de surpresa tão pouco de reprovação, apenas a ouvia e absorvia as palavras.

— Tive o bebê e rapidamente me afeiçoei a ele. Era uma menininha tão linda, pouco cabelinho, os olhos cinzas e tão bochechudinha – os olhos de Bárbara se encheram de lagrimas, porém engoliu o choro para poder continuar – Um mês depois do nascimento da minha menina meus pais a tiraram de mim dizendo que eu era irresponsável, que eu era uma criança, porém eu a amei no instante que vi! Eu iria cuidar da minha filha tão bem como qualquer mãe, mas eles a levaram para um orfanato mesmo assim.

“Fui atrás do orfanato, fui em todos os orfanatos que tem nesta porra de cidade – ela gritou ao continuar a falar – E não a achei, em nenhum lugar. Eles haviam a tirado de mim para sempre, eles tiraram tudo de mim. Minha família, minha filha e então decidi tirar minha vida, pois se eu era incapaz de cuidar de uma criança era incapaz de cuidar de mim mesma.

Braider respirou fundo com a declaração e então colocou a mão sobre a de Bárbara. Eles não se conheciam, tão pouco sabiam se quer seus nomes, porém pareciam tão íntimos e próximos. Novamente as bochechas da morena se avermelharam e o rapaz sorriu envergonhado.

— Tudo bem, nem sempre estamos na melhor – ele disse retirando a mão de cima da dela e se levantando – Procure sua filha então, faça essa procura a motivação da sua vida. Vai, moça, vai viver a vida, vai sorrir para o mundo.

Bárbara se levantou bruscamente fazendo a mesinha balançar. Perguntou o nome do enxerido que havia atrapalhado seus planos matutinos.

— Braider Levinsk – respondeu sorridente, se afastando da mesa e saindo da lanchonete. Sem pensar muito Bárbara correu atrás do jovem e gritou:

— Moço ninguém é de ferro, somos programados para cair.

Ele, por sua vez se virou para Bárbara, andando de costas pela calçada recém varrida. Mantinha um sorriso terno nos lábios e sem emitir voz balbuciou:

— Eu sei, pois já cai – em um piscar de olhos Braider havia desaparecido e junto a ele a sensação de calor, como um abraço carinhoso, se foi e Bárbara sentiu o frio do Natal bater em seu rosto pálido.

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24 de Dezembro de 2017

Bárbara segurava sua filha no colo. Havia ouvido o conselho de um estranho em fazer a busca pela sua filha a meta de sua vida e iria completar um ano que Emily estava com a mãe.

Estavam andando pela igreja onde Bárbara fora batizada. A morena conhecia o padre e quando contou para ele sobre Emily, o padre ajudou com dinheiro a manter a criança com a proposta de que Bárbara começasse a frequentar mais a igreja.

Decidiu sair da igreja e caminhar pelo pequeno cemitério atrás da construção antiga enquanto sua filha brincava na neve.

— Não saia de perto de mim, Emily – a morena disse arrumando o cachecol em seu pescoço e se afastando poucos passos da garotinha, observando os túmulos de pedra escura cobertos de neve branca.

Um túmulo lhe chamou atenção. Ele era comum, de concreto e com algumas frases escritas, ao seu lado estava outro idêntico, porém havia um pequeno buque de flores recém postas.

Limpou a neve que cobria as frases entalhadas de ambos túmulos e deixou seus olhos deslizarem pelo concreto.

Em memória de

Annabeth P. M. Levinsk

Mãe que sempre estará em nossos corações, lembranças lindas que nunca esqueceremos.

Saudade de seus filhos.

★ 13.07.1960 — ✝ 05.11.2011

Franzindo o cenho, Bárbara cruzou os braços. Já havia visto aquele sobrenome em algum lugar, porém não se lembrava. Deixou sua cabeça tombar para o lado e ler as frases do túmulo ao lado, que não possuía flores.

Antes de começar a ler sentiu um calor em seu peito. Mas não um calor como se quisesse tirar suas roupas, ou aquele calor que se sente quando beija alguém. Era um calor reconfortante, similar ao calor de um abraço carinhoso.

Olhou para o lado, na direção em que sua filha estava e sorriu ao vê-la acenar em sua direção, sorridente e suja de neve branca. O padre, que até então apenas observava as duas de dentro da igreja se dirigiu a Bárbara.

— Melhor ir para casa, senhorita Black – o padre disse tremendo por debaixo da casula branca e vermelha. Ele olhou para os túmulos que a jovem estava em frente e suspirou. Não precisava que Bárbara perguntasse, ele sabia que ela se questionava por dentro quem eram as pobres pessoas – Mãe e filho, ambos se suicidaram. O rapaz era pouco mais velho que você quando tirou a própria vida três anos atrás... Rezarei pela alma de ambos essa noite.

A Black abaixou os olhos para finalmente ler a escritura na lapide.

Em memória de

Braider M. Levinsk

★ 30.01.1992 — ✝ 23.12.2015

Voltou a olhar para o padre, que se dava um auto abraço por causa do frio assustada. Já ouviu aquele nome e agora um milhões de perguntas invadiam sua cabeça.

— Mamãe, da tchau para o moço bonito – a voz de Emily lhe causou dor de cabeças. A garota estava gritando por estar longe. Bárbara girou nos calcanhares para tentar entender do que a filha estava falando e sentiu o calor em seu peito novamente sumir, porém antes conseguiu ver o rosto de Braider sorrir para ela em forma de agradecimento.

Notas finais
Não tenho muito o que falar aqui, pois falei bastante nas notas iniciais, então só desejarei mais uma vez bom ano novo a todos ♥ Não esqueçam de comentar, beijos.

P.S. Os personagens são da total autoria da Black.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!