Somnus

1 A criança do além


Em um universo onde pessoas com poderes existem e convivem com os demais assim nomeados "normais", há um instituto para crianças "diferentes" que objetiva promover o autocontrole destas e inseri-las na sociedade.

Após ter saído para compras, ao retornar, uma das diretoras da instituição encontrou um bebe coberto por vários panos na entrada da fundação, ao contrário das narrativas místicas sobre crianças abandonadas, esta parecia não carregar consigo um bilhete pedindo abrigo e chorava desesperadamente por não ter por perto a pessoa que o abandonara; A diretora não mediu esforços para levar ele para dentro, ainda que não tivesse poderes, o instituto poderia ser um bom lar para a criança abandonada.

Com a minha piromancia, fui capaz de perceber que alguém novo entrara para o instituto, decidi contar, para quem estivesse por perto, sobre a minha visão, todos pareciam ansiosos para conhecer o novo membro, com exceção de Ana. Dotada do poder da inteligência, Ana seria muito bem aceita no mundo dos normais, mas por ter ambos os pais mutantes ela decidiu entrar na instituição como forma de prevenção se alguma nova habilidade aparecesse tardiamente, além do seu pai ser o próprio fundador da instituição. Era sabido que Ana poderia compreender qualquer assunto, mas foi estranho quando ela ficou frustrada apenas por eu ter dado a mais recente notícia, apesar da sua evidente inquietação consegui levá-la para o centro do instituto, onde todos eram reunidos para ouvir anúncios importantes.

A diretora explicou o que havia acontecido, como havia achado a criança e suas motivações para mantê-la na fundação, todos pareciam fascinados com o pequeno bebe que, em breve, moraria conosco. Em minha fala, propus que todos tentassem descobrir o poder dele, se houvesse algum. Assim que ia começar meus trabalhos piromânticos, Ana protestou.

"Vocês não entendem com o que estão prestes a mexer". Eu me assustei com a forma aborrecida que ela disse essas palavras.

"Nós não temos a mesma capacidade que você tem, mas se você tentar nos explicar entenderemos o que te perturba". Ela pensou um pouco sobre isso, então acrescentei "Há algo com a criança ou sobre seu possível poder que te incomoda?".

"Não é sobre o poder da criança e nunca será". Assim que terminou a frase, Ana simplesmente sumiu, como se tivesse se teletransportado. Ninguém entendeu muito bem sua última frase, os motivos para seu desaparecimento não era claro, mas todos decidiram procurar por Ana, tendo em mente que ela não poderia ir muito longe.

Ao final do dia, não haviam sinais de Ana, minhas visões não apresentava respostas dela, como se ela não estivesse mais nessa realidade. Além disso, ainda estávamos dispostos a testar os possíveis poderes do bebê, para isso nos encaminhamos para a sala de treinamento, onde íamos para testar nosso controle sobre nossas habilidades. Ivan, um dos membros que auxiliava todos com seus treinamentos, por possuir a capacidade de falar com qualquer organismo vivo, modificou a sala metálica em que todos estavam, ele promoveu uma sucessão biológica, permitindo com pequenos organismos se proliferassem e modificassem o local, tornando-o semelhante a um belo campo. Semelhantemente ao que aconteceu conosco quando treinamos nossos poderes, era esperado que o ambiente despertasse algo na criança ao ponto dela nos mostrar o seu poder.

Após alguns minutos de espera, seus olhos ficaram brancos, para qualquer um na sala seus olhos haviam apenas ficado brancos, mas eu senti a realidade distorcer e se encurtar, mas parecia que só eu tinha passado por essa experiência. Pedi para todos parassem aquilo, tirassem a criança de lá e procurassem Wendell, o dono da escola. Enquanto isso, eu estava determinada a encontrar Ana, ela havia percebido tudo o que estava prestes a acontecer e sabia que a realidade estava prestes a colapsar. Eu sai da instituição para procurá-la e senti que pela primeira vez estava interagindo com o mundo normal por esconder os poderes que finalmente aprendi a controlar. Eu não sabia como, mas eu ia encontrar Ana, não importa o que acontecesse, se não poderia ser o fim do universo.

Não demorou muito tempo para Wendell, telepaticamente, me chamar de volta para a instituição, ele me disse que explicaria o que estava acontecendo e que não adiantava tomar quaisquer medidas sem antes ter um norte. Ao retornar, todos estavam sentados na sala central me aguardando, assim que Wendell me viu ele começou sua fala.

"A criança possui a habilidade de dilatar o tempo, mas é incapaz de contrair de volta". Eu confirmei e expliquei que por perceber a dilatação no tempo conclui que Ana havia entendido sobre isso antes e talvez fosse capaz de encontrar uma maneira de contrair de volta. "Você é capaz de enxergar a 4ª dimensão porque ele é seu irmão", disse apontando para a criança. Me senti extremamente confusa, mas ele não terminou de falar. "Não acaba assim, não só Ana pode fazer algo para reverter essa situação, o conhecimento é uma fonte inesgotável e com ele podemos mudar tudo".

Notas finais
Foram com essas últimas palavras que acordei desse sonho.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.