Somnium Urbe - Cidade dos Sonhos Destruídos
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eu estava olhando para ela, bem em seus olhos abertos. Eles estavam agonizados, pedindo para voltar. As lágrimas de Dantes tiraram a única lágrima de seu rosto pálido e sem vida. Eu sei que eu posso traze-la de volta. Afinal, ela está no limbo. Só precisaria arranjar um jeito de ir até lá embaixo e traze-la. Demoraria dias, mas a traria de volta para Dantes e, infelizmente, para Atrus, o amor de minha vida.
Atrus tinha saído, assim que Dantes ajoelhou ao lado de Trice, como Licantropo para pegar suas roupas. Ajoelhei ao lado de Dantes e tentei avisa-lo de que eu conseguiria traze-la de volta mas Atrus voltou na hora. Seus olhos estavam cheios de lágrimas mas seu rosto permanecia neutro, ele encostou no vão da porta e ali ficou.
Quando Dantes ia saindo Atrus o segurou, falaram alguma coisa que não pude escutar. Mas então, com a mão livre Dantes socou o rosto de Atrus, depois a barriga.
-Eu falei pra me soltar!-Dantes falou — Acabou Atrus! Trice morreu! Igual a Celaena! Morreu! Acabou, eu vou pra casa e você deveria fazer o mesmo.
-Dantes... — falei
-O que é??- Ele falou rispidamente
-Talvez eu possa traze-la de volta...
- O que? Traze-la de volta — Senti um sorriso se formando no rosto de Dantes e as lágrimas secando.
-É... Talvez.. Mas preciso de alguns... brinquedos do seu pai.
-Tá, claro pode pegar o que precisar... Vem, eu te mostro aonde ficam. — ele pegou minha mão e me levou em direção ao balcão.
-Bianca... — A voz de Atrus me parou — você vai mesmo traze-la de volta? — Atrus perguntou ao se levantar e com seu rosto iluminando.
-Acho que sim...
-Bianca... Eu te amo, profundamente!
Acendi. Na hora minha respiração ficou ofegante e um sorriso largo brotou em mim. — Atrus... Sério?! Eu também estou...
-Você é a melhor amiga que eu poderia ter!
O sorriso foi embora, a respiração ficou mais devagar e tenho certeza que lágrimas brotaram em meus olhos. A palavra "amiga" me fez quase chorar, por pouco não o faço. Dantes percebeu isso. — Ah.. Amiga... Atrus, vai ver se tem guardas lá fora!
- Claro! — assim que ele saiu, abaixei a cabeça no balcão e soltei um gritinho de frustração.
-Você está apaixonada também ou só encantada?
-Os dois... — falei distraidamente, assim que me dei conta que era o Dantes reformulei a resposta — Digo, nenhum dos dois. — ele sorriu
-Fala sério, Bianca. Até Trice, que está morta, percebeu sua reação de êxtase de alegria e depressão instantânea ao ouvir as palavras "eu te amo" e logo depois "amiga". Você gosta dele!
-Não conta pra ele. Mas sim, estou apaixonada e encantada pelo meu melhor amigo!
- Me conta... Sua história...
-A Primeira vez que o vi foi omo leão. Lá estava eu indo caçar o jantar. Encontrei um com um manto da rainha cobrindo-o passeando por lá, procurando alguma coisa. A rainha havia acabado de declarar que a ralé (eu e minha família) não poderíamos trabalhar nos campos perto do reino, e até nos mudarmos eu tive que caçar todas as refeições. Corri e o ataquei por cima.A faca pegou na juba. Mas então, de repente, não havia mais juba, não havia mais leão. Eu estava cara a cara, olho a olho, por cima de um cara envolto por uma manta vermelha e completamente nú. Olhei bem dentro daqueles olhos escarlate, como o próprio vinho, o encantamento veio sobre mim de forma instantânea. Eu saí de cima dele e pedi desculpas. Ele perguntou se eu estava com fome e se sabia lutar, disse sim para os dois. Então ele me levou ao castelo e me deu emprego, casa pra mim e pra família, comida e um melhor amigo...
-Depois de três anos com ele, e já não apenas encantada como apaixonada, Celaena apareceu, ele se envolveu com ela mas não deixei, em momento algum, de ama-lo. Pelo contrário, fiquei ao lado dele quando Celaena morreu.
-Escondendo o que sentia...- Dantes falou
-Isso. E agora, 5 anos se passaram e eu continuo apaixonada pelo mesmo cara, sem ele perceber.
-Ele é um babaca, não percebe nada. -Dantes me confortou. Não era tão mal assim, afinal.
-Bianca... — Atrus entrou e fechou a porta com força.- Bianca, acho melhor irmos, pela porta dos fundos. Guardas por todos os lados.
-Ah.. Tá, nos fundos você provavelmente vai encontrar uma carroça de palha, traga-a aqui pra dentro.
-Tá. — ele foi
-Dantes, sua casa tem espaço para todos?
Dantes sorriu — Posso arrumar um espaço pra encaixar vocês...
-Aqui está Bianca. — Atrus veio com a carroça
-Ótimo. Atrus, pegue Trice e esconda-a na palha. Dantes, me ajuda a pegar algumas coisas de deu pai e colocar na mochila de Trice. Assim que terminarmos iremos embora dessa loja.
-Ei, você acha q ele ouviu? Ele bateu a porta com força e não sabemos quando entrou. — Dantes olhou pra mim preocupado
-Mesmo se tivesse ouvido, ele é muito tapado pra descobrir o que significa...
Pegamos as coisas e deixamos a loja. Dantes foi na frente, nos guiando até a sua casa pelo caminho mais seguro. O problema é: O caminho mais seguro, é o mais sombrio. Um caminho de terra com árvores negras e secas. Troncos pela metade e mato queimado. As árvores que estavam vivas também eram negras e formavam vários arcos acima de nossas cabeças. Árvores da direita se encontrando com os da esquerda. Assim por todo o caminho.
Finalmente chegamos na casa de Dantes. Ela é grande. Com chaminé e tudo. É maior ainda por dentro.
-"Posso arrumar um espaço"? Mas que diabo de casa é esse? É enorme! -Eu disse, Atrus só olhava pra Trice escondida na palha.
-É, mas tem um problema. Esse casarão todo só tem dois quartos...
-Eu durmo no sofá. Mas e a Trice? — Atrus disse, finalmente olhando pra nós.
-Não tem problema eu tenho um sofá cama no meu quarto. Eu ponho ela lá. — Dantes falou sorrindo. -Bianca o chuveiro fica lá em cima no final do a e seu quarto e logo ao lado. Pegue uma das roupas de Trice da mochila, se vista e venha jantar.
-Não estou com fome, Dantes. Além disso, vou ficar preparando a poção para Trice. — falei
-Poção? Como vai ressuscita-la, Branca? — Atrus perguntou
-Bem, não vou ressuscita-la. Ela não morreu de verdade. Ela morreu aqui, nesta dimensão. Mas ela não morreu de verdade. É complicado. Explico amanhã. — Subi as escadas em espiral e fui para o quarto que Dantes me indicou. Sentei na cama e peguei os ingredientes que peguei na loja do pai do Dantes.
-Erva do campo Wickers¹ queimada, chá de Biltre feito por ninfas, uma folha de uma árvore qualquer, sonífero natural, poupa de Mankka².... Tá faltando um. — procurei o pequeno frasco em todos os bolsos da mochila de Trice. O pequeno liquido amarelo e crucial pra poção não estava lá. Saí do quarto e gritei o nome de Dantes.
-O que foi Bianca?- Ele falou
-Tá faltando a lágrima de um troll. E você sabe o único lugar aonde podemos encontrar. — Ele fez uma cara pensativa e parecia que eu podia ver os pontos de interrogação acima de sua cabeça.
Então de repente ele me olhou assustado e eu soube. Ele finalmente descobriu onde era o tal lugar. O último que ele iria querer voltar.
Notas finais
² - Mankka é uma fruta da árvore mais alta do Campo Wickers. Esta fruta produz uma poupa que deixa a pessoal igualmente consciente.
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