Somethings Gotta Change-Temporary Hiatus
1 You make me think of someone wonderful
-Te acordei?- Thomas perguntou, preocupado do outro lado da linha. Era meia noite e três e há exatamente 3 minutos ele me havia me mandado uma mensagem com uma música que ele havia descoberto na internet.
-Não, eu tava acordada.- Eu respondi sentindo os olhos marejados. Alguém aqui está na TPM.
-Insônia?
-É...- Eu respondi suspirando.- Canta pra mim?
-Só se você vier pra cá- Sua voz soou pidona do outro lado da linha
-Thomas tá tarde, amanhã a gente tem aula e a Lorena vai ficar falando e...
-Pelo amor de Deus Fernanda, desde quando você ouve o que a Lorena diz? Vem, só nós dois, como era antes da Lore vir pra cá
-Não sei Thomas, olha, tá tarde de verdade...
-Por favor, faz tempo que você não dorme aqui, eu vou te buscar- Ele implorou do outro lado da linha e eu ri baixinho
-Tudo bem. Vem me pegar. Rápido antes que alguém aqui de casa perceba que eu ainda estou acordada.- Eu falei rápido, já indo pro guarda-roupas pegar minha roupa.
-Chego em 5 minutos.- Ele disse e desligou. Catei as minhas coisas necessárias e joguei dentro de uma bolsa, pegando a minha mochila em seguinte.
Ah! Xô explicar a bagaça toda. Meu nome é Fernanda Lanza Reis e eu tenho 17 anos. Estudo na escola Sprachcaffe High School. Minha família é do Brasil, e nos mudamos pra cá com a família de Thomas e ahh... Foda-se. Thomas é meu amigo desde que usávamos fraldas, de verdade. Nossos pais são muito amigos nossas mães engravidaram juntas, só que minha mãe é danada e teve gêmeos. Eu e Pedro. Somos gêmeos e... Porra, olha eu perdendo o fio do raciocínio de novo. O que interessa é que sou amiga de Thomas há 17 anos, e há 1 sou apaixonada por ele. Clichê não é? E isso porque vocês ainda não viram a pior parte. Ele namora a minha mais nova, a Lorena. Sim caros amigos, além de melhor amigo –e paixonite- Thomas Alexander é meu cunhadão, delícia de vida não é? E ainda pra piorar, eu e Lorena não nos damos nem um pouquinho bem, ela totalmente ao contrário de mim, ela é patricinha, insuportável, antipática e se acha porque é gostosa. Eu vou fazer 500 cirurgias plásticas de vez e ai ela vai ver só.
Desci devagarzinho pra não acordar ninguém e fui pra cozinha pegar alguma coisa comível(?) . Abri a geladeira e me agachei pra pegar um suquinho de caixa. Eu fechei a porta da mesma e dei de cara com Pedro parecendo um maracujá de gaveta. Eu me assustei e dei um pulo quase caindo em cima da mesa.
-Que susto garoto.- Eu falei colocando a mão no peito. Ele riu um pouquinho e veio na minha direção.
-Aonde minha pequena vai?- Ele perguntou me abraçando. Das duas irmãs eu era a preferida de Pedro, ele era carinhoso comigo. E me amava o que era mais importante. Quanto a Lorena, Pedro não tem nada contra ela mas digamos que se nós duas estivéssemos nos afogando ele preferiria me salvar do que aquela lanbisgoia oxigenada.
-Ai Pedro, você tá quente.- Eu falei me afastando dele.- Enfim, eu vou dormir lá no Thomas.
-Não é uma boa idéia.- Ele falou coçando a nuca.
-Porque?- Eu arqueei uma sobrancelha tentando brocar a caixinha do suco.
-Deixa que eu faço isso aqui.- Ele pegou meu suco e furou a broquinha. Ok, parei.- Eu não quero ser tio aos 17 anos.
-Pedro!- Eu dei um tapa no ombro dele.
-Ai, sua violenta.- Ele fez uma careta fofa e passou a mão na marca dos meus dedos. Ninguém mandou ele ser branco. HÁ. Não.- Eu tô brincando sua tonta. Eu sei que entre você e o Thomas não rola nada
-É...-Eu disse, ficando muxoxa. Eu amava Thomas e não queria de jeito nenhum que ele ficasse sabendo disso porque eu não podia simplesmente chegar e dizer “Oi Thomas, então, sabe aquele papo de melhor amiga? Pois ele não rola mais comigo. Eu quero é casar com você e ter vinte e nove filhos homens”.
-Ei, não fica assim. Sabe, a sua história com Thomas já está escrita. Há muito tempo.- Ele disse e sorriu pra mim, beijando minha testa.- Eu vou subir porque tô morto de sono. Divirta-se no Thomas.
-Tudo bem gatão. Até amanhã
-Até.- Ele disse indo pro quarto. Antes da porta da cozinha ele parou e virou os calcanhares pra me olhar.- E use camisinha.- Eu joguei a caixa do suco que tava na minha mão na cabeça dele e ele riu um pouco mais alto. Mandei o dedo do meio pra ele, que riu.
Meu celular vibrou dentro do meu bolso e a tela piscava o nome “Thomas” junto com uma foto dele, sorrindo. Entendi que aquela ligação era só pra avisar que tava aqui então nem atendi, fui andando até a porta e a fechei com cuidado pra não fazer nenhum tipo de barulho. Entrei no carro dele e joguei minhas coisas no banco de trás.
-Oi. — Ele disse e sorriu pra mim beijando minha testa.
-Oi, como você tá?- Eu perguntei e ele riu.
-Como se eu não estivesse passado o dia na sua casa.- Ele disse sem tirar os olhos da rua.
-Eu estou bem obrigada.- Eu falei sem humor e ele riu. Me fazendo rir junto.
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-Fê nós somos amigos não é?- Thomas perguntou depois de um bom tempo em silêncio. Fazia uma meia hora que havia chegado na casa dele e desde então estávamos deitados na cama dele, olhando pro teto.
-Acho que nem preciso responder essa pergunta....
-Pois então. Amigos contam tudo um pro outro certo?- Eu balancei a cabeça dizendo que sim, eu estava morrendo de medo da onde essa conversa iria parar.- Fernanda você me conta tudo?- Ele perguntou enfim e pude sentir o olhar dele sobre mim.
-Não. — Eu respondi sem rodeios.
-Porque Fê? Você não me conta dos seus sentimentos, o que aconteceu com você? — Ele agora estava sentado e eu continuava a olhar pro teto, sem saber o que dizer.
-Eu não me sinto a vontade pra falar sobre meus sentimentos com você Thomas.- Eu falei olhando nos olhos dele pela primeira vez.
-Quando éramos mais novos você costumava me contar tudo. Hoje em dia eu me sinto perdido conversando contigo, eu não sei mais o que se passa aqui.- Ele apontou pra minha cabeça.- Nem aqui.- Ele apontou dessa vez pro meu coração. Você não é mais alegre, você não é mais a minha Fê.- Ele falou baixinho essa última parte e acariciou os meus cabelos.
-Thomas...eu.... Eu não gosto de falar sobre isso tá legal? Mas eu devo te informar que eu sou sim a sua Fê e que não tem nada de errado comigo. É que desde a Lore você – Eu falei o “você” com ênfase- se distanciou do mundo Thomas, e é por isso que eu não venho mais aqui com freqüência.- Eu falei o abraçando.
-Eu amo você.- Ele sussurrou no meu ouvido.
-Eu amo você também.
Ele entrelaçou as pernas dele nas minhas e ficou fazendo carinho na minha cabeça.
-And I'll hold a place for you inside, inside my heart for you and I.- Ele cantou no meu ouvido a música que ele me mandara mais cedo.- And I won't forget these tears I cried, with every year that passes by, and I can't sleep without you and I can't breathe anymore. Dorme bem pequena.- Ele disse e beijou minha bochecha demoradamente.
-Thomas... Me promete que eu vou ser sua pequena pra sempre?- Eu falei ainda de olhos fechados.
-Pra sempre loirinha.
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