Something to die for.
2 Somebody Mixed my Medicine
A escola estava em choque. O vídeo do suposto assassino de Clarissa Hewitt havia "dado as caras" e chocou a todos fazendo uma estúpida comemoração dos dois anos da morte da garota. Assim que todos assistiram ao vídeo, ficaram apavorados e vários alunos começaram a correr. Um grito foi ouvido do banheiro da escola. Algumas garotas foram até lá e quando chegaram, encontraram Maya Hutton apavorada, com as mãos no rosto de frente para o espelho.
Feliz Aniversário, Clarissa.
– Era só o que me faltava! — Disse Lexie Jensen ao ler o que estava escrito no espelho e puxando Maya para longe dali. — O que tá acontecendo aqui? — Continuou ela, sem entender muita coisa do que se passava ali. Ela levou Maya até o refeitório da escola, se encontrando com seus outros amigos. Antes de sair do banheiro, ela viu algumas faxineiras entrando ali para limpar a mensagem e mandou elas limparem tudo, sem deixar nenhum rastro de que aquilo aconteceu.
– Porque alguém desejaria feliz aniversário para Clarissa se ela só faria aniversário mês que vem? — Perguntou Louisa, fazendo as amigas rirem por alguns segundos.
– Ainda bem que temos você para ser lerda, Louading. — Disse Pietra.
– Só estava brincando. — Ela disse mostrando a língua. — Mas é sério. Porque fariam isso? Para que lembrar toda essa... Sei lá. Toda essa coisa? — Continuou Louisa.
– Não sei. Foi estranho. É como se tudo estivesse prestes a acontecer de novo. — Disse Eddie Cooper se juntando as meninas, sentando ao lado de Louisa.
– Será que alguém queria assustar a gente? Tipo... A gente mesmo. Nós, nosso grupo. — Perguntou Pietra um tanto quanto preocupada.
– Eu acho que não. Nós mudamos bastante uns com os outros desde que Clarissa se foi e porque assustar justo a gente? Só porque éramos os mais próximos dela? São muitas perguntas sem respostas e eu não quero saber porque aquele psicopata fez aquilo. Não mesmo. — Falou Emily, pegando suas coisas e se levantando dali.
– Dramática! — Disse Eddie rindo ao vê-la se levantar. O sinal foi-se ouvido e eles reviraram os olhos. Não sabiam se teriam estômago para continuar em suas classes ou se conseguiriam parar de pensar nas cenas vistas anteriormente.
• One Hour Later •
– Andem, suas lerdas! — Gritava a treinadora das animadoras de torcida. As garotas treinavam a quase uma hora e sem parar ou sem tomar água. Estavam cansadas e a senhorita Parker não dava folga. — Isso aqui é um treinamento para as nacionais da competição e não apenas para um jogo de futebol idiota! — Ela gritava e apitava. Louisa observava da arquibancada, ao lado de Emily, que comida um sanduíche enorme.
– Como elas aguentam essa mulher? Eu tenho vontade de jogar esse sanduíche na cara dela. — Disse Louisa irritada. Emily olhou para seu sanduíche e para a treinadora. Depois olhou de canto para Louisa. — Eu não vou jogar. — Ela falou e começou a rir.
– Elsa diz que elas treinam tanto assim para nada, já que não ganham uma competição faz anos. Maya, Lexie e Lacy reclamam demais também. — Continuou Emily de boca cheia.
– Modos, sapatinha, modos. — Disse Louisa com cara de nojo. Emily revirou os olhos e voltou a observar o treino que havia acabado. — Falando em sapatinha... — Disse ao ver Elsa subindo as escadas da arquibancada para pegar sua bolsa. As duas se levantaram e foram junto, levando as bolsas de Maya, Lexie e Lacy Storm que estava jogadas no chão de tão cansadas.
– Cadê a Pietra e o Eddie? — Perguntou Maya quando estavam todas reunidas. — Obrigadinha. — Disse pegando sua bolsa que estava com Louisa.
– Eles saíram mais cedo pois a professora de história passou mal vendo... Vocês sabem o que. — Disse Lacy.
– Pie ficou um pouco abalada com o que viu e foi correndo para casa, só me ligou quando chegou lá. — Disse Louisa pegando o celular.
– Acho que devemos todos fazer o mesmo... Sabe. Eu tô com medo de ficar aqui. Foi meio bizarro. E eu não paro de receber ligações do meu pai perguntando se eu estou bem. Parece que o vídeo correu a cidade rapidinho. — Falou Maya. — E aquelas palavras... Não conseguem sair da minha cabeça. — Falou se referindo a mensagem que viu no espelho.
Elas se despediram e resolveram ir para casa pois a aula já havia terminado para todos. Era por volta de onze e meia da noite quando Lexie estava em seu quarto com o som no volume máximo que tocava Wild Wild Horses.
You don't see Cadillac? Is in my hometown
Spent wasted nights on this ground
Spilled our hearts out on these streets
Singing, Time can wait for me, for me?
Ela cantava e dançava na frente do espelho, porém ouviu seu telefone tocar e resolveu atender.
– Alô? — Falou animada abaixando o som.
– LEXIEEEEEEEEEEEEE! — Gritava Emily do outro lado.
– Garota, vai dormir?! — Ela falou percebendo que a amiga estava um tanto quanto alegrinha.
– Não! Estamos aqui embaixo te esperando. — Ela disse. Lexie fez uma expressão um tanto curiosa e foi até a janela, abrindo-a e sorrindo ao ver Emily, Pietra, Elsa e Lacy em um carro acenando para ela. — Desce logo, a festa não vai esperar por tanto tempo. — Ela disse rindo e desligando antes que ela pudesse dizer algo. Lexie riu e revirou os olhos, mostrando o dedo do meio para elas que riram dentro do carro. Deram uma busina e receberam outro dedo do meio e uma risada. Lexie ouviu uma batida na porta e foi atender.
– Que foi? — Falou ao ver seu pai ali.
– Mande elas pararem de fazer barulho e volte cedo. — Ele disse com um pote de pipoca em sua mão e se virando, descendo as escadas. Lexie revirou os olhos e fechou a porta, batendo-a. Ela abriu seu guarda-roupas, pegando uma roupa qualquer e colocando-a. Fez uma maquiagem rápida e colocou uma sapatilha um tanto delicada e confortável ao mesmo tempo. Pegou seu celular e alguns documentos e saiu de seu quarto, descendo as escadas.
– Pai, tô saindo. — Ela disse. — Não me espere acordado. — Ela falou e piscou para ele que olhava fixo para a televisão.
– Não irei. — Ele disse sorrindo e comendo sua pipoca. Ela riu e fechou a porta.
– Para onde nós vamos? — Disse Lexie já na calçada de sua casa e abrindo a porta do carro, se sentando na frente ao lado de Lacy, que dirigia. — E cadê o resto do pessoal? — Falou curiosa, olhando para trás mandando beijinhos para as outras meninas.
– Na festa, dããã. — Falou Pietra. — ANDA, LACY. Dirige essa merda aí. — Continuou.
– Merda é seu rabo, cala a boca, esse carro é novo, não tô acostumada com esse caralho. — Ela falou ligando o carro e começando a dirigir em direção a sua casa. Assim que chegaram lá, ela abriu a garagem com o controle. — Vão subindo, eu vou guardar o carro aqui e já encontro vocês lá em cima. — As garotas saíram do carro e subiram para a casa de Lacy, que ficou estacionando o carro. — Que saco, porque meu pai tem que ter tanto carro? Um só não basta? Credo. — Ela disse reclamando. Conseguiu estacionar e abriu um sorriso, desligando o carro e colocando a chave no cabide de chaves. Antes que pudesse se virar para a porta que dava acesso rápido ao seu quintal, ela ouviu um barulho de porta batendo. Ela arregalou seus olhos. — Olá? — Ela falou. — Lexie? Não tem graça... — Ela disse se virando. Deu alguns passos e se viu sem luz. Sua luz fora cortada. Começou a correr em direção do interruptor e tentou o acender, mas percebeu que fora uma atitude desnecessária, pois não teve resposta alguma. Ouviu barulho ferro sendo arrastado em um dos carros atrás dela. — Por favor que seja o Eddie bêbado, que seja o Eddie bêbado. — Sussurrou assustada e trêmula a medida que o barulho se aproximava mais dela.
And we play our favourite songs
And we scream out all night long
Like ooh oh
When it's just me and my girls
A música tocava na casa dos Storm. Algumas pessoas da escola estavam lá também, bebendo e rindo. Lacy havia feito aquela festa para homenagear os dois anos da morte de Clarissa, pois ela sabia que a mesma iria gostar de uma festa inteiramente dedicada a ela até depois da morte. E também para todos esquecerem o vídeo que chocou metade da escola. O que provavelmente eles esqueceram por aquela noite enquanto se embebadavam e ficavam chapados, mas tudo voltaria a tona no dia seguinte.
– É SÉRIO! — Disse Elsa, segurando um copo vermelho cheio de vodka em suas mãos. — Emily quando bebe fica pior do que já é. E Pietra não escapa também. — Disse ela bebendo um pouco.
– Que mentira! Eu sou a mais santa do grupo, como ousa falar isso de mim? — Falou juntando as mãos e piscando. Louisa pegou uma das rosquinhas que comia e colocou em cima da cabeça dela, simbolizando uma auréola. Todas começaram a rir.
– Ok, e eu sou o Michael Jackson. — Disse Eddie rindo.
– Pera... Ele não morreu? — Falou Emily levantando a cabeça, que estava encostada no ombro de Elsa. — AI MEU DEUS, MICHAEL JACKSON NÃO MORREU! — Ela gritou, fazendo todos rirem.
– Cala essa boca e dorme. — Falou Eddie jogando uma rosquinha nela que ficou boquiaberta enquanto ele ria. Ela mostrou o dedo do meio para ele e jogou a rosquinha de volta.
– PAREM DE BRIGAR COM COMIDA. USEM QUALQUER COISA MENOS COMIDA. — Falou Pietra.
– Falando em rosquinha, cadê a Lacy? — Disse Louisa em um tom preocupado.
– Ela disse que ia estacionar e já subia, se já subiu deve estar se esfregando em algum macho da faculdade. — Disse Elsa tomando mais um pouco da sua vodka.
– Para de tomar isso, garota! — Disse Louisa tirando o copo da mão dela.
– PARECE ATÉ MINHA MÃE! — Ela disse cruzando os braços, fazendo Louisa revirar os olhos.
– Sério, gente. Cadê a Lac... — Antes que Louisa pudesse completar a frase, uma das garotas da festa apareceu correndo e gritando no meio de todo mundo, apontando para fora.
– SOCORRO!!!!!!!!!!!!! — Ela gritava e uma roda foi feita em sua volta. — MEU DEUS, ALGUÉM AJUDE AQUI! — Ela continuava gritando.
– Mas que porra é essa? — Falou Pietra se levantando e os outros se levantaram também, um tanto preocupados. Seguiram a garota até a parte de fora da casa de Lacy.
Lacy Storm foi encontrada enforcada na sacada de seu quarto, com suas tripas caindo de seu corpo e seu rosto deformado. Na parede de sua sacada, havia uma mensagem no mesmo estilo da que apareceu mais cedo no banheiro da escola.
Pensaram que havia acabado?
Acho que não.
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