Something Wrong - Pernico
15 Capítulo 14
Notas iniciais
POV PERCY
– ANNABETH! – eu gritei. Gritei desesperado. Ia correr até ela, mas quando fiz menção de andar, não consegui me mover.
Tudo ao meu redor andava em câmera lenta. Um simples piscar de olhos parecia levar horas para ser completado.
– Bu! – Alguém sussurrou às minhas costas. Senti sua respiração em minha nuca, e logo ele apareceu em meu campo de visão: Leo.
Estava prestes a cortar seu pescoço com Contracorrente, mas minha mão simplesmente não respondia às minhas ordens. Eu me sentia como uma estátua, cujo cimento estava secando. E ele riu, percebendo meu desespero.
– Está preocupado com Annabeth, hum? – disse ele, e mordeu o lábio inferior. – Deve ser difícil para você, mas... ela está morta.
Meu coração falhou uma batida. Isso é mentira.
– Mentira? É isso que você pensa que é? Se eu fosse você, não teria tanta certeza assim.
Mas... o quê? Ele sabia o que eu pensava?
– Sim, meu caro. Eu sei exatamente o que você pensa. Agora, não tenho somente o poder do fogo... posso tranquilamente controlar o tempo, graças a Cronos. Ele me cedeu alguns de seus poderes, sabe. Mas ninguém sabia, em todos estes éons, que Cronos lia mentes. Ele sempre foi muito discreto, afinal...
Eu não podia acreditar no que estava ouvindo.
– Nico ficou com ela até o fim. Prometeu vinga-la. Foi tão fofo quando ela disse que te amava, Perseus! Perséfone fez um belo funeral, claro. Lindas flores. Mas nada adianta; ela não voltará. – ele se aproximou ainda mais de mim, e segurou meu queixo com uma de suas mãos. – E, se você não se render... Nico também morrerá.
Não. Não, Nico não. Seu filho da puta, eu vou matar você, e espero que esteja ouvindo isso. O Caos perderá.
Ele riu, novamente.
– Eu ouvi, sim. E... o Caos perderá? Isso é hilário! Você não salva a si mesmo... pretende salvar ao resto do mundo? E ao seu amado?
De repente, consegui me mover. Meus movimentos ficaram rápidos como antes. O mundo ao meu redor continuava em câmera lenta, mas eu pude encarar Valdez e trincar os dentes.
– CALE A BOCA, SEU DESGRAÇADO! – gritei. – Eu confiei em você. Nico confiou em você... você era meu amigo.
Ele franziu a testa.
– Amigo? Nunca tive amigos, seu idiota. Patrick, você, Annabeth, Rachel, Piper, Jason... e eu. Eu sempre fui o excluído. A sétima vela.
Ergui Contracorrente. Não valia a pena ficar conversando quando eu poderia matar o garoto que acabava com minha vida lentamente.
Ele se esquivou se meu golpe.
– Opa! – disse, sorrindo. – Eu sei seus movimentos antes mesmo de você desenvolvê-los. Não adianta lutar comigo.
Então, eu me desesperei. Sua calma estava me deixando louco.
– Por que você não me matou ainda?! Eu sou mais um de seus peões? Por favor, Valdez. Me mate... só não mate Nico.
Ele olhou para o teto, pensando em algo. Sua expressão, quando olhou para mim, era de quem havia se lembrado de algo extremamente importante.
– Sabe o que Nico me disse hoje, Jackson? – não respondi, mas ele continuou mesmo assim. – Não, melhor: sabe o que ele não disse? Ele falou que nada pagava o preço de continuar vivo. Quando lhe pedi se você também não pagava... – sorriu. – ele não respondeu.
Contracorrente quase escorregou de minha mão.
– Ele... ele estava tentando me defender. Me salvar.
– Te defender? Te salvar? Sério mesmo? – retrucou ele. – Você admitiu, com todas as letras, um bilhão de vezes, o quanto o ama! Mas ele fugiu da pergunta. Ele não se importa com você.
– Quero ouvir isso dele. QUERO OUVIR ISSO DELE!
Ele riu, malicioso.
– Então vou deixar que ouça... se ele continuar vivo para poder dizer alguma coisa.
E tudo voltou ao normal, de repente.
Os campistas ao meu redor, então, estavam lutando contra o nada. Os monstros desapareceram, e todos se entreolharam, confusos.
– O que está acontecendo? – questionou Rachel, com uma espada verde que parecia feita de ar.
– Perseus! – uma voz chamou ao longe. Nico.
Corri em direção a ele, e, quando o vi, ele me deu um forte abraço.
– O que... o que aconteceu? Onde você estava? Perseus?
Tentei, desesperadamente, esquecer o que Leo havia dito.
Parecia impossível... aquilo ecoava em minha cabeça...
– Percy...? – ele se afastou e olhou em meus olhos. – O que aconteceu?
Balancei a cabeça, tentando me livrar daqueles pensamentos.
– Eu... Nico... Annabeth... onde ela está? Ela está bem? Você está bem?
Ele franziu a testa, e respirou fundo.
– Ela está com Bianca, agora – ele deu um sorriso triste. Seus olhos estavam marejados. – Acho que serão boas amigas.
Então Leo falara a verdade.
– Onde ela está?
– Os deuses já levaram seu corpo, Perseus – respondeu. – Mas não levaram isso.
Ele tirou, então, do bolso uma adaga de bronze celestial, para logo guarda-la novamente.
– Eu a vingarei. Por você.
Naquele momento, não me importava mais com as pessoas ao nosso redor e com o que elas pensariam.
Eu perdi minha mãe.
Jamais conheci meu pai.
Perdi Annabeth.
Não poderia perder, também, Nico.
Então eu o beijei, e ele sequer tentou impedir.
O beijo tinha gosto de sangue, e pouco me importava se era o meu ou o dele. Nós estávamos juntos... e ficaríamos assim. Eternamente.
Quando o beijo acabou, olhamos ao redor.
Piper parecia radiante, e seus lábios formavam um “ah, o amor...”.
Jason sorriu para Nico, e algo me dizia que ele estava sabendo de alguma coisa.
Dioniso pareceu prestes a vomitar.
– Sério isso? Mais um casalzinho fresco? E agora justo com vocês?
Eu sorri.
– Ok... não temos tempo. – disse. – Está tudo muito legal, o clima está fantástico, mas... precisamos encontrar aquele filho da puta do Valdez e matar alguns monstros.
#
POV LEO
Em questão de segundos, eu já estava bem longe do campo de batalha. À minha frente, apenas as sombras.
– Trouxe o Jackson?
Não importava quanto tempo se passasse, eu sempre temeria ao ouvir aquela voz que mudava seu tom conforme eu ficava mais nervoso, bravo ou animado.
– N-não, milorde. Mas Annabeth está...
– Morta? – retrucou a voz. – Todo este tempo para matar uma garotinha cujo único poder é o cérebro?
– Perseus não irá longe – prometi. – Está abalado. E eu matarei o menino di Angelo. Jackson mal conseguirá lutar se o garoto estiver morto. Ele o ama.
– Não estamos aqui para falar de amor, Valdez. Dei-lhe os meus poderes para que você trouxesse o filho de Poseidon. Poderia até ter trazido o filho de Hades. Mas não; você mata a filha de Atena. ELA NÃO IMPORTA!
Sua voz fez a caverna tremer.
– Pois lhe darei uma ordem que será crucial – continuou.
– O quê? – perguntei, subitamente interessado.
– Traga os dois. O casalzinho. Eles serão o sacrifício que me ressuscitará.
Sorri, malicioso. Ouvi os gritos de súplica de Perseus e Nico.
– Sim, milorde.
Fale com o autor