Notas iniciais
*cof cof* Agora eu queria dedicar esse capítulo pros leitores novos :3 Whit Allgood, Nick Phantomhive e Hasta La Vista... seus lindos, esse capítulo é pra vcs tutstuts

POV PERCY

Mal deu tempo de gritar.

De repente, estávamos caindo em um abismo sem fim. Os gigantes feitos de sombras simplesmente viraram pó e puft – desapareceram. Mas, obviamente, nós, meros mortais, não tínhamos essa capacidade.

Procurei Nico, desesperado, enquanto tudo caía ao meu redor. Todos os campistas olhavam à sua volta, procurando algo para se agarrar ou alguém para abraçar. Claro; todos só tínhamos um pensamento em mente: vamos morrer.

Tateei meus bolsos à procura de água, comida, uma corda ou qualquer coisa. Mas tudo o que achei foi Contracorrente. Praguejei, sabendo que ela não serviria para nada.

– Percy! – olhei para minha esquerda e vi Annabeth, com seus braços estendidos, prontos para me abraçar. Não tinha escolha senão abraça-la. – Tudo bem? – ela quase gritou. O vento em meus ouvidos encobria qualquer som.

– À medida do possível – gritei de volta. – Onde está o Nico?

Ela olhou ao redor.

– Eu não o vi, Percy. Nem o Leo, Perséfone ou sequer Deméter. Parece até que evaporaram.

Meu coração falhou uma batida. Pelo que se sabe, eles poderiam ter, sim, evaporado.

Meus olhos percorreram o enorme foço. O que vi me transportou para a realidade: nós íamos morrer. Não havia volta, não havia escolha. Não havia o que fazer.

Os campistas mais novos choravam, junto com filhas de Afrodite. Aquela foi, provavelmente, a primeira e última vez que vi as filhas da deusa do amor chorando por algo que não fosse alguma imperfeição em seus cabelos ou em suas unhas.

Muitas pessoas gritavam. Outras tentavam desesperadas se agarrar às paredes, sem sucesso. Reconheci muitos rostos familiares: Jason, Piper, Rachel...

Annabeth murmurava em meus braços. Provavelmente estava pensando em soluções para nos tirar de lá ou calculando quanto tempo demoraríamos até virar panquecas. Então ela finalmente falou em voz audível:

– Nove dias, Percy! A única e pior possibilidade que temos é que estamos indo para o Tártaro. São nove dias de queda. Se não morrermos pela queda, morreremos de sede. Precisamos de água!

– Mas não temos, porra! – gritei. – Vamos morrer, isso é certo. A questão é: em quanto tempo?

– A única coisa tão inevitável quanto a morte é a vida – ela murmurou, um pouco mais alto. – Charles Chaplin. Sempre adorei essa frase.

– E em que isso vai nos salvar?!

– Em nada – respondeu. – Só achei apropriado.

Segurei seus ombros e a sacudi, o máximo que pude, considerando que estávamos em queda livre.

– Pense em alguma coisa! Por favor!

Ela olhou para cima, o que faz quando está pensando. Estava ofegante, como se pensar necessitasse de todo seu esforço não só mental como físico, também.

– Jason voa. Você controla a água. Nico controla as sombras e Leo o fogo... O ar. A água. As trevas. O fogo. Tudo isso existe no Tártaro, de acordo com os livros. Quando chegássemos ao fim da queda, cairíamos em cima de alguma coisa. Se fosse o chão duro e áspero, Jason poderia controlar o ar, impedindo que nos esmagássemos. Se fosse o Flegetonte, Leo talvez o controlaria, já que o rio Flegetonte é de fogo. Nico controlaria as trevas de qualquer jeito... e você poderia controlar os outros seis rios do mundo inferior. Estou supondo, claro.

– Supondo?! Não temos tempo para suposições, Annabeth – eu estava tão desesperado quanto possível. – Além disso, não temos nem o Nico nem o Leo! Estamos fodidos. Por favor, pense!

– Espere! – olhou para mim. – Você. Sente a força da água? Há algum reservatório subterrâneo? Alguma coisa? Qualquer coisa?

Fechei os olhos. Sentia, sim. Mas parecia uma força incontrolável, com vontade própria. Então, entendi: a queda não demorava nove dias.

Olhei para baixo, apenas confirmando minhas hipóteses: o fim estava próximo.

Algumas outras viram também. Quando Annabeth olhou, deu um grito de puro terror.

Era um dos rios, sim. Aquele com vontade própria. Eu só não sabia qual. E eu tinha certeza de que não poderia controla-lo.

– Jason! JASON! – gritei a plenos pulmões. – Consegue controlar o ar?!

Ele meneou a cabeça, confirmando.

– Vou tentar – gritou de volta.

Então, com um braço na cintura de Piper e o outro estendido em direção ao chão, fechou os olhos, se concentrando.

O rio tinha uma coloração azul. A mais clara que já tinha visto. Seria bonito, se eu não estivesse com medo. Estava cada vez mais perto...

Jason gritou, e uma barreira de ar impediu que os campistas caíssem. Mas, por algum motivo, Annabeth e eu não fomos afetados, e caímos diretamente em direção à água.

Annabeth gritou, ainda mais alto que Jason.

Quando percebi, só havia o impacto na água. Consegui ver Annabeth agarrada à margem, com o braço estendido em minha direção enquanto a água me puxava mais para longe e mais para o fundo.

O ar começou a faltar, e então descobri que era essa a sensação de estar se afogando.

Movia os braços, como se isso fosse o mais lógico a ser feito, quando algo tapou minha visão da superfície: um porta-retratos. Desistindo de lutar, olhei à minha direita e vi bonecas, carros de brinquedo, um véu de noiva. À minha esquerda, a cena era parecida: objetos esquecidos pelo tempo, como um crucifixo. Em um momento de divagação, imaginei a história que cada um deles teria.

O porta-retratos continuava à minha frente. Estendi minha mão e peguei-o.

Quando vi a foto, levei um susto. Teria gritado, se pudesse.

Era minha mãe.

Larguei a foto quando vi outra vindo em minha direção; mas quando a peguei, percebi que não era uma foto – era um desenho.

O desenho que fiz para Nico.

Parecia impossível, mas naquele momento meus olhos se encheram de lágrimas. Ao piscar, uma delas caiu em minha frente. Brilhava em meio à água.

Então, escancarei minha boca, esperando que a água entrasse e finalmente me matasse.

Mas ouvi um grito; o meu grito. Notei que uma bolha de ar havia se formado ao meu redor, ao mesmo tempo em que eu era alçado à superfície.

De repente eu estava com a cabeça fora d’água. O oxigênio fazendo cócegas em meu nariz foi a melhor sensação que já tive. Apesar de rarefeito, o ar era a maior e melhor dádiva que eu poderia ter recebido.

Olhei para frente e vi todos os campistas/seres que haviam caído comigo no maldito Tártaro. Estavam parados, de pé, na margem do rio. Jason estendeu a mão e eu a segurei. Ele me puxou para a terra firme. Annabeth sorria, aliviada. Quando cheguei mais perto, ela me deu um abraço muito forte.

– Percy... está tudo bem? Quer dizer... esse é o rio Aqueronte. O rio das Lamentações. O que você viu?

Engoli em seco.

– Lembranças.

Um filme passou em minha cabeça, e percebi, em choque, que tudo lá fazia parte de minha vida.

O carrinho, o único brinquedo que eu tinha.

A boneca, que minha mãe sempre guardou para se lembrar de minha avó, que havia dado o brinquedo a ela.

O véu, que minha mãe comprou quando estava prestes a se casar.

O crucifixo, que Poseidon deixou em cima do túmulo de Sally quando ela se foi, antes mesmo de conseguir realizar seu sonho de casamento.

Caí de joelhos, cobrindo os ouvidos enquanto mil vozes sussurravam em meus ouvidos.

Você não salvará seu grande amor.

Você não conseguiu salvar sequer sua mãe...

Onde está seu pai agora?

Salve a si mesmo!

– Calem a boca! – gritei, enquanto meus olhos ficavam marejados. – Calem a boca!

– Silêncio! – ordenou uma voz familiar. As vozes cessaram, e vi que era Piper. Ela usou seu Charme para calar os espíritos. Sorriu. – De nada.

– Vocês... ouviram? – perguntei.

Todos balançaram a cabeça, negando.

– Só achei que pudesse conseguir conter o que quer que estivesse fazendo mal a você – explicou Piper.

– Obrigado – murmurei.

– Agora – disse Annabeth –, acho que temos que salvar uns amigos.

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POV NICO

O chão cedeu. E de repente eu não estava mais lá.

Não senti a queda; somente uma leve brisa.

Os gigantes estavam me levando, pelas sombras, junto com Leo, Perséfone e Deméter.

Leo, por algum motivo, não parecia tão nervoso quanto antes. Até sorria com frequência, mesmo eu não sabendo o que era tão engraçado.

Perséfone se distraía fazendo com que pétalas de flores caíssem sobre nós. Deméter cantava alguma canção de ninar. E eu ficava observando as duas, calado.

Paramos, nos materializando novamente. Os gigantes não disseram sequer uma palavra.

Empurrados pelo gigantes, chegamos à uma caverna de teto relativamente baixo. Estalactites e estalagmites preenchiam o local, e um pequeno laguinho havia se formado em um canto. O problema era que o lago era repleto de cadáveres de olhos esbugalhados e corpo inchado e levemente arroxeado. Passei direto por ele, o mais rápido que pude, temendo tornar-me um dos infelizes mortos.

Quando os gigantes pararam de nos empurrar, entendemos que deveríamos parar nossa caminhada. Estávamos olhando para a escuridão total. Era impossível saber se havia algum monstro à nossa frente.

As duas deusas e eu permanecemos parados, mas Leo deu mais alguns passos e adentrou a escuridão. Achando que ele não sabia que deveria parar, chamei seu nome. Por mais que eu o odiasse, deixa-lo morrer era inaceitável.

A resposta que ouvi me deu arrepios.

– Querem jogar um jogo?

A voz era ainda pior que a dos gigantes. Era rouca e fazia a caverna tremer.

Então, Leo surgiu das sombras, sorrindo. Seus olhos estavam completamente vermelhos, e a imagem era perturbadora.

– Nico! – disse Leo, ou aquilo que eu pensava ser o Leo. – Por que você não começa? As regras do jogo são simples: basta sobreviver.

Notas finais
Fox Films presents TRETA IS COMING... On May, 2014 ~Verifique a Classificação Indicativa~