Something
1 Only.
Notas iniciais
Local: Teatro Scala
25 de março de 1964.
25 de março de 1964.
Eu estava no Teatro Scala assistindo o filme dos Beatles que eu e mais duas atrizes contracenamos como figurantes, de colegiais. Estava usando o meu vestido marrom rica malha, com guarnição de ligação laranja; na qual posei para a revista Showtime. Mas, minha cabeça não estava totalmente no filme e sim, nele. Havia conhecido ele quando nós estávamos filmando “A Hard Day’s Night”. A Grã-Bretanha e a maior parte da Europa estavam sendo tomada pela Beatlemania, eram seguidos por multidões onde quer que fossem. Seus devidos shows eram tomados por gritos histéricos das garotas adolescentes, mal dava para escutar um som sequer.
Eu era modelo, trabalho com alguns fotógrafos mais bem sucedidos de Londres, incluindo David Bailey e Terence Donovan. Mas, em março minha agente me enviou para um teste de elenco para um filme. Depois ela me ligou para avisar que haviam me oferecido um papel de uma fã colegial no filme dos Beatles. Não pude acreditar no primeiro momento. Quer dizer... Eu estaria fazendo um papel de figurante em um filme dos Beatles! E para algumas – a maioria, isso era um sonho de conhecê-los cara a cara.
Minhas primeiras impressões de quando eu os vi, John era o mais áspero que outros, Ringo era o mais carinhoso e gentil, Paul era uma pessoa bonitinha e George, com seus olhos castanhos aveludados e cabelo cor de avelã, o homem mais bonito que eu já tinha visto na face da Terra. Em um intervalo para o almoço, me encontrei sentada perto dele e isso era emocionante. Pru Bury estava sentada do lado esquerdo, George e eu estávamos juntos do lado direito. Ele nos divertia durante o almoço e nós riamos tanto de suas graças, principalmente eu. Estava tão concentrada em observar cada traço de seu rosto que eu simplesmente me perdia naquele mar aveludado que eram seus olhos.
Mais nada. Só de estar ao seu lado – involuntariamente, me fazia querer ficar mais perto do que já estava mesmo sendo apenas alguns centímetros a mais ou a menos. E então veio a cena que me deixara sem dormir por algumas madrugadas.
Era o número musical "I Should've Know Better", já com os Beatles jogando cartas no local das bagagens e algumas alunas – incluindo eu, observando a ação. Eu estava sentada perto de Paul enquanto ele tocava seu baixo e então, aqueles olhos penetrantes me observaram durante toda a filmagem. Sentia-me desconcertada diante de tal olhar sobre mim, ele estava tocando sua guitarra e aquilo me excitava de certa forma. A cada troca de olhares um solavanco em meu peito que eu não podia explicar, mas sentir. Aquele rapaz estava mexendo comigo e a única coisa que eu podia fazer era disfarçar timidamente.
Após esse take, não conseguia mais distinguir aquele olhar que ele me lançava.
Os Beatles estavam no set da Twickenham Studios durante o ensaio. Eu havia posado com eles na foto, mas o que me deixou mais intrigada era ver o quanto George estava me caçando com seu olhar e eu o mesmo. E então, quatro das schoolgirls foram colocadas para pentear os cabelos dos Beatles. Eles se sentaram em cadeiras de diretores no Twickenham Studios; Eu estava com George, Tina Williams com Ringo, Prue Bury com Paul e Susan Whitman com John. Ah... Aqueles cabelos macios que eu estava passando a adorar penteá-los, como se fosse a última coisa a fazer da minha vida. Era tão bom, que eu não pude negar a mim mesma.
Após disso, eu estava no set de filmagem quando eu vi George em minha direção, estava tão sem jeito diante dele que estava temerosa quanto ao que ele iria me perguntar, ou dizer.
- Pattie, como é seu namorado?
Foi um belo baque de susto para mim, pois não esperava esta pergunta repentina vinda dele. Mas, eu tinha namorado, Eric Swayne. Estávamos juntos por cerca de um ano, e eu era leal aos meus princípios. Tive de recusar convite de primeira Harrison para uma data, mas sem hesitar, eu disse à ele.
- Ele é normal. Mas, você homem mais bonito que eu já tinha visto.
Sim, não hesitei em dizer aquilo para ele pois era o que eu achava e ainda acho. Sim, ele era o homem o qual era o mais bonito para mim e ninguém mais. Então, uma das primeiras coisas que George disse para mim, foi:
- Bom, quer se casar comigo?
Aquilo de fato, foi engraçado. Se eu não tivesse namorado... Talvez, eu diria que sim! Então, ele continuou.
- Já que não vai se casar comigo, você vai jantar comigo esta noite?
Eu queria tanto dizer sim, mas eu não podia. O que meu namorado iria dizer sobre? Tive de recusar e por um momento, meu coração se apertou. Ele estava alcançando um patamar maior em meu coração e eu não estava dando conta disso, apenas lembrei-me disso quando o filme estava quase nos finais. Depois que o filme acabou, fui direto para casa e a primeira coisa que fiz foi me afundar em minha cama, tentando tirar aqueles olhos castanhos de minha mente. Mas, alguns dias depois, ainda nas filmagens ele fez o mesmo pedido e eu pude aceitar, pois eu tinha terminado com meu namorado. Agora eu podia estar livre e me render aos encantos do quiet Beatle.
O nosso primeiro encontro foi gasto no clube Garrick (um clube de cavalheiros privado) em Covent Garden, na companhia de Brian Epstein. Ele era um pouco mais velho, mais instruído e mais sábio do que John, Paul, George e Ringo. Eu não me ressenti da sua presença no nosso primeiro encontro. Ele era uma boa companhia e parecia saber tudo sobre comida, vinho e restaurantes. E talvez se George e eu, dois jovens, pessoas tímidas, tivéssemos ido por conta própria, de um restaurante de adulto, acho que teria sido muito intenso.
Tivemos uma noite linda e sentaram-se lado a lado em uma banqueta de ouvir Brian, dificilmente ousar tocar a mão do outro. Mas, eu sabia que naquele momento eu estava tão perdida naquele amor que estava crescendo dentro de mim, desde o momento em que meus olhos azuis se encontraram com o mar aveludado, os olhos de George sobre os meus. Podia jurar aos céus, aquele seria e será o homem da minha vida. E eu não hesitaria em dizer sim, se um dia ele me pedisse em casamento. Pois eu o amava e sentia o mesmo sentimento dele, por mim.
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