Someone Like You

19 Depois da tempestade


Notas iniciais
Oi gente! Espero que ainda tenha alguém por ai! Bem antes de qualquer coisa eu gostaria de agradecer imensamente a Mislaine brittis por recomendar essa historia apesar de eu ter sumido daqui do site por todo esse tempo! Então esse capitulo é tanto pra ela quanto pra voces que nao desistiram da historia... Explicarei tudo a voces la embaixo afinal ja demorei tempo demais para postar pra enrolar ainda mais nas notas iniciais, sendo assim... Enjoy!

Someone Like You

Bruna S. Caldas

‘’Nós éramos jovens e os tempos eram fáceis
Mas eu podia ver que isso não era o mesmo
Eu estou parado aqui, mas você não me vê
Eu daria tudo pra isso mudar

Eu não quero perdê-la...
Não quero deixá-la ir... ’’

Uma formiga foi á margem do rio para beber água e, sendo arrastada pela forte correnteza, estava prestes a se afogar. Mas uma pomba que estava numa árvore sobre a água, arrancou uma folha e a deixou cair na correnteza perto dela. A formiga subiu na folha e flutuou em segurança até a margem.

Pouco tempo depois, um caçador de pássaros veio por baixo da árvore e se preparava para colocar varas com visgo perto da pomba que repousava nos galhos ao perigo, a formiga, percebendo sua intenção, deu-lhe uma ferroada no pé. Ele repentinamente deixou cair sua armadilha e, isso deu chance para que a pomba voasse para longe a salvo.

Se fosse sincera consigo mesma admitiria não ter ideia do motivo para estar pensando nessa historia ao invés de logo decidir entre os vinte diferentes tons de dourado na escala de tecidos a sua frente. Era questão de minutos para que Rachel desviasse sua atenção dos modelos de Kurt e disparasse mais um de seus monólogos de como era importante uma segunda opinião na escolha da cor dos vestidos das madrinhas. Sim, definitivamente ela tinha uma lista de afazeres muito mais importantes para ocuparem seus pensamentos do que contos infantis. Mas algo a impediu de se desligar daquela lembrança com a mesma facilidade com a qual surgiu.

Talvez fosse apenas mais uma divagação estúpida onde sua mente havia buscado refugio após se cansar de tantos enigmas impostos por seu coração ou a enorme facilidade em encaixar a moral daquela breve fabula no enredo de sua própria vida. Afinal as comparações eram simples, se pensasse bem notaria sem maiores esforços que aquela pomba simbolizava Santana, já que por tantas vezes a mesma havia lhe salvado. Foi assim do primário ao fim do ensino médio, a Latina sempre foi seu porto seguro quando nada mais parecia fazer sentido, quando não sabia por onde seguir, quando mais sentiu medo, sendo assim sempre esteve ciente de que sua escolha natural sempre seria protegê-la da mesma forma. Por isso aprendeu a seguir por suas regras, mesmo quebrando seu coração todas às vezes nas quais a via saindo com um cara diferente enquanto se contentava em chama-la apenas de amiga e ter no máximo seus dedos entrelaçados na frente de todos embora já conhecesse a fundo seus reais sentimentos. Aprendeu a minimizar os estragos causados pelas palavras de Santana em sua alma todas as vezes que repetia não estar com ela por amor, que tudo entre elas se resumia a sexo. Da mesma forma que aprendeu a perdoar todas as suas falhas, todos os seus defeitos, no momento em que a morena se permitiu entregar na mesma proporção ao sentimento que já as unia. Mas assim como na historia tanto contada por seu pai durante grande parte de sua infância, quando teve a oportunidade de salva-la ela o fez, mesmo estando ciente de tudo que passaram, mesmo sabendo que Santana voaria para longe, mesmo sabendo que a perderia.

Um auditivel suspiro de frustração saiu de seus lábios crispados, não adiantava o quanto tentava se concentrar na marcação crescente de tecidos a sua frente, toda a energia oriunda de suas frustrações parecia querer tomar conta de seu corpo: seus dedos vermelhos eram uma exemplificação disso devido ao inconsciente tamborinar no dorso de sua coxa.

Não era como se fosse entediante ouvir as divagações no mínimo insanas vindas da conversa entre Rachel e Kurt, ou a figura de sua filha submersa em um mar colorido formado por uma porção de vestidos de gala. Não, definitivamente o problema não era com nenhum deles ou com o ambiente que se encontrava afinal o ateliê de Kurt ao mesmo tempo em que era casual, era divertido. Mas era inegável a existência de algo constantemente a impedindo de se sentir bem naquele dia, um motivo que repelia seus pensamentos de alcançar seu objetivo em torno da complexa tarefa de trilhar seus próximos passos naquele acidentado tabuleiro de xadrez.

Tudo se devia aquele enorme dilema interior no qual refletia a mais de uma semana, no meio tempo em que voltou de Lima, uma semana na qual passou suas noites em claro totalmente absorta no leque de opções que poderia usar para impressionar a médica. Esforçou-se todo esse tempo para encontrar qual seria o presente perfeito, capaz de desencadear em Santana todos os sentimentos que ainda estavam em aberto entre as duas, algo capaz de mostrar o quão empenhada em lutar por ela Brittany sempre estaria. Embora nenhuma ideia para realizar aquela surpresa parecesse emocionante o suficiente. Ainda chegou a cogitar uma serenata em plena Times Square com milhares de balões multicoloridos ao seu redor e anúncios brilhando ‘’Eu te amo’’ em todas as direções, mas logo a realidade lhe fez uma visita a fazendo perceber que seus devaneios acumulados de noites mal dormidas a estavam afetando de maneira preocupante.

Sinceramente ela não conseguia achar o que havia de errado com sua cabeça, o que estava bloqueando suas ideias daquela maneira. Talvez ela precisasse se consultar com um neurologista com certa urgência para ver se conseguia recobrar o dom de poder decifrar as entrelinhas de Santana, pois assim seria facil perceber qual o momento, o ritmo e a frequência certa em que suas ações deveriam ser realizadas para serem bem recebidas pela Latina. Mas quem lhe falou que sua misão em reconquista-la seria facil?

A realidade era ainda menos animadora, mas não deixaria que os pontos negativos daquela situação a cegasse em torno de suas ações e decisões futuras, pois tudo o que lhe restava fazer no momento era aceitar o fato de agora Santana Lopez era um complexo enigma aos seus olhos e ela não podia fazer nada para mudar isso. A decisão cabia a Santana se ela poderia ou não voltar a enxergá-la como antes.

‘’ Você está bem Britt? Sabe bem que pode ir para casa se não estiver cansada. Acredite posso lidar com Kurt sem você! ‘’ A voz de sua amiga acabou lhe pegando de surpresa, mesmo sendo um som praticamente ininterrupto no ambiente. Rachel não tagarelava daquela forma tão descontrolada desde o ensino médio quando estava determinada a convencer os membros do clube do coral sobre algo, mas a dançarina lhe dava um devido desconto, já que escolher seu vestido de noiva não era exatamente algo a deixar uma mulher calma.

‘’Sim, estou. Foi apenas uma noite mal dormida. ’’ Reforçou sua resposta sorrindo o mais verdadeiramente que conseguiu mesmo sabendo que falharia miseravelmente, mas apesar disso ainda tentou mascarar seu semblante abatido, caso contrário, sabia que Rachel não acreditaria em qualquer coisa que dissesse.

Rachel também fingiu estar convencida. Mesmo o sorriso de Brittany entragando o contraste com seus olhos sem brilho e servindo para mostrar o quão claramente péssima realmente se sentia sabia que aquele não era o momento apropriado para uma enxurrada fora de controle saturada de conselhos sobre quais direções a dançarina deveria seguir, esse não era um território que estava autorizada por sua consciência a invadir, isso era algo que cabia primeiramente a Brittany.

‘’ Queridas Ladys, acho que já estamos em cima à hora da pausa para o almoço, que tal continuarmos discutindo tecidos enquanto nos deliciamos com comida francesa?’’

A única a não esboçar uma expressão positiva com o anuncio de Kurt foi Valerie, a menina parecia imensamente satisfeita o suficiente para não admitir ser separada do enorme montueiro de vestidos onde permanecia submersa. Permaneceu ininterrupta com sua brincadeira como se o convite do estilista jamais houve sido feito enquanto tentava dar o melhor de si em estrelar uma espécie de desfile de moda hibridizado com um esvoaçante musical. Seus olhos brilhavam de excitação conforme agradecia ao publico pelos aplausos que em sua mente infantil ainda não haviam parado – realmente aquela menina havia nascido para ser uma diva da Broadway como Rachel.

O sorriso de orgulho por instantes foi capaz de quebrar qualquer sinal de cansaço da face de Brittany, por instantes seu coração pareceu não estar sangrando juntamente com sua alma ou que o restante da realidade estivesse batendo a sua porta exigindo uma atitude de sua parte. Não, por instantes ela pode rever o que realmente importava, e pelo que fazia sentindo lutar. Por instantes ela percebeu, como se enxergasse uma fraca luz no fim do túnel, ainda possuir as dádivas necessárias para uma ultima vitoria: E enquanto tivesse fé no quanto ainda amava Santana, jamais seria capaz de perder.

(...)

Era uma noite abençoada com um espetáculo de constelações, tão brilhantes que nem mesmo os monstruosos edifícios de Nova York e suas luzes ofuscantes conseguiam tornar a visão do céu menos nítida em todo o seu esplendor.

Santana adorava noites como essa, onde conseguia se ligar a algo muito maior que seus problemas, algo que fazia valorizar sua existência lhe fazendo enxergar uma imensidão muito maior do que seu pequeno mundo turbulento e falho. Mas infelizmente essa não era uma das noites onde ela poderia se dar ao luxo de apenas olhar para o céu.

Aquela era sua oitava cirurgia desde o inicio de seu plantão, seus olhos escuros só permaneciam abertos graças ao excesso de cafeína em sua corrente sanguínea e nem mesmo ela conseguiria explicar como seu sistema nervoso ainda não tinha entrado em um completo colapso. Suas pernas doloridas reclamavam com avidez por uma pausa enquanto seus pés pareciam pura gelatina dentro de seu tênis, mas seus dedos permaneciam firmes não permitindo que aqueles sintomas básicos propiciados pela prolongada semana de retorno a sua rotina afetassem a sua percepção conforme prosseguia com a cirurgia.

Não se sentia arrependida por ter negado a opção de se ausentar por mais alguns dias, que foram oferecidos pelo hospital para que pudesse se recuperar da morte de sua avó, muito pelo contrario, mesmo esgotada fisicamente ela sentia sua mente revitalizada e devidamente ocupada com sua volta ao trabalho. Ela precisava se manter ocupada sob qualquer circunstância.

‘’ Sature o segundo vaso da porção direita do hipotálamo e já podem fechar. ’’ O cirurgião assistente fez a saturação do ultimo vaso deixando livre a metade superior da cabeça do rapaz pronta para receber os pontos finais. O procedimento transcorreu sem problema e quando menos se deu conta o bisturi deu lugar ao décimo copo de café da noite e a sala de cirurgia a uma mesa no canto do refeitório parcialmente vazio.

Permitiu-se descansar por alguns minutos antes que seu bipe voltasse a apitar como um louco. Culpava ao mal tempo decorrido da troca de estação pelo surto na entrada de pacientes feridos na emergência.

‘’ Aposto um cappuccino duplo com creme extra como a senhorita anda evitando a minha companhia desde o começo da semana, mas como a boa amiga que você sabe que não sou estou invadindo seu espaço pessoal ate que você resolva falar comigo. ’’

O tom rotineiramente sarcástico se fez presente na cadeira adjacente a sua, seus olhos reviraram quase que por instinto afinal Liz Watson não o tipo de pessoa que se deseja ter ao lado quando se esta tentando fugir de uma situação. Santana não a estava evitando, bem, não mais que o necessário, pois embora a fisioterapeuta soubesse praticamente sobre todo o seu passado a Latina não achava correto envolver ainda mais Liz em todo o seu drama particular. Ainda mais com toda aquela leva de acontecimentos recentes envolvendo tantas cicatrizes profundas se alternando entre a libertação de seu elo com a enorme cruz que a ligava ao passado da mesma forma como o resurgimento de novas perspectivas quando ela finalmente permitiu que Brittany reabrisse as portas para ambas em um próximo e desconhecido futuro.

O silencio permaneceu imperturbável da parte de Santana mesmo sabendo que era totalmente inútil ignorar a ruiva, a mesma conseguia ser tão insistente quanto Rachel Berry e sinceramente ela ainda não havia decidido se isso era ou não uma qualidade em ambas.

‘’ Vamos lá Lopez, não banque a difícil comigo, acredite, dar um gelo nas pessoas funcionava muito bem no ensino médio, mas hoje em dia não dá mais o mesmo efeito dramático! ‘’ Cogitou dar uma reposta concreta que cessasse de vez com toda aquela insistência por parte da fisioterapeuta, mas o suave vibrar acompanhado do sonoro aviso no bolso de seu jaleco a fez levantar sem pensar duas vezes jogando o copo vazio na lata de lixo mais próxima.

‘’ O dever me chama Liz, conversamos mais tarde!’’

‘’ E quem disse que eu deixarei você ser salva pelo gongo Doutora? Farei questão de te acompanhar nem que seja ate uma daquelas salas de cirurgia se necessário para que fale de uma vez. ’’

Ainda tentou em vão se controlar quando sentiu o aperto dos dedos longos sobre seu braço esquerdo. Compreendia que o corredor da sala de espera não era exatamente um lugar no qual deveria extravasar seu humor da maneira que se sucederia, mas a reação de seu interior foi muito mais forte do que esperava: Era como se voltasse aos velhos tempos onde era Snixx que possuía o controle.

‘’ E o que espera ouvir de mim? Que sou uma fracassada no quesito relacionamentos e que consegui complicar ainda mais minha vida amorosa dando uma segunda chance a Brittany? Ou que voltei a trabalhar como uma lunática somente para ocupar minha mente, pois caso contrário enlouqueceria se ficasse em casa pensando na terrível novela mexicana que minha vida se tornou? Olha me desculpe então se a única coisa que estava tentando fazer era te poupar dessa loucura! ’’

Pode perceber quando o rosto de sua amiga se contraiu enquanto recuava alguns passos conforme era impulsionada pela pressão de suas palavras imersas em fúria, a ruiva jamais tinha visto tanta frieza no olhar da médica com a qual convivia já há vários anos entre aquelas paredes. Mas naquele momento não existia nem mesmo uma sombra de Santana Lopez na mulher a sua frente.

Alguns poucos acompanhantes aflitos que esperavam por noticias que estavam monotonamente distribuídos pelos bancos lhes lançaram olhares cheios de julgamento enquanto as enfermeiras daquele andar pareciam todas terem parado para assistir a discussão entre as duas médicas.

Por alguns minutos não houve reações de ambas a partes, O olhar da Neurocirurgiã permanecia inalteradamente frio da mesma forma que Liz não esboçava nenhuma emoção pelo recente ataque de sua amiga em pleno corredor.

‘’ Com licença Doutora, mas aquele entregador tem algo para a senhora. ’’ O clima tenso que se instalou entre as duas foi quebrado por uma das residentes, o restante das pessoas pareciam ter voltado para seus próprios problemas mesmo que as conversas paralelas de algumas enfermeiras já devessem estar a mil naquele momento. Sem duvidas toda a junta de funcionários do hospital já saberia da pequena briga entre elas ate o amanhecer.

‘’ Bem pelo visto sua garota esta empenhada com essa segunda chance. ’’

As ultimas palavras de Liz somente lhe rendeu um ultimo rolar de olhos enquanto seguia a residente pelo pequeno trajeto ate a recepção onde um garoto de boné listrado e o rosto coberto de espinhas lhe esperava com um imenso buque de tulipas. No inicio a médica apenas arqueou uma sobrancelha para o adolescente com um sorriso idiotamente torto no rosto, por instantes ela jurou ter visto uma replica do Finn a sua frente, mas logo o rapaz lhe estendeu um cartão branco entornado por linha douradas que lhe pareceu extremamente familiar. Não precisou ver no nome de quem estava assinado tudo aquilo, pois aquela caligrafia era inconfundível e era como se o perfume da remetente estivesse empreguinado na tinta preta que adornava as graciosas palavras naquele pedaço de papel.

‘’ Purple People Eater

Acho justo retribuir a gentileza que voce teve ao me mandar flores, espero que elas ainda simbolizem para voce o mesmo que ainda sem duvida significam para mim.

Remetente: Brittany Susan Pierce ‘’

Releu a mensagem um par incontável de vezes antes de o garoto chamar sua atenção dizendo que já era tarde e deveria voltar logo para a floricultura de seu pai. A médica assentiu com um sorriso doce lhe dando uma gorjeta em troca de que a acompanhasse ate seu carro para guardar o enorme buque. Quando finalmente pode sentir o sol da manha sobre sua pele já se passava das nove e meia, mas já não se sentia esgotada como antes, muito pelo contrario, pegou um dos cd’s velhos no porta luvas que a muito não escutava e seguiu seu caminho ate seu apartamento cantarolando feliz ao som de Purple People Eater. A melodia vibrante embalava as lembranças de seu ultimo dia dos namorados ao lado de Brittany que invadiram sua mente sem titubear, as imagens da linda noite de amor que tiveram após a festa de Sugar lhe fez corar ate a raiz dos cabelos como se ainda fosse aquela mesma adolescente com sentimentos intensos demais para se compreender.

E bem, ela não estava tão longe de voltar a ser aquela Santana, uma versão sua preocupada apenas em sentir e amar, seu único desafio para liberta-la era o de crer que em nome daquele sentimento ainda era capaz de abrir seu coração e confiar em tudo aquilo outra vez.

Olhou de relance para as flores no banco de trás antes de seu sorriso dobrar de tamanho ao lembrar que tulipas além de significar amor eterno, também remetia a reconciliações impossiveis.

(…)

Uma, duas, três, quatro, cinco sacolas. Em cada braço.

Nem mesmo ela tinha conhecimento de conseguir carregar tantas sacolas de compras ao mesmo tempo. Aquele definitivamente era o seu recorde, bem ao menos seria se ela conseguisse chegar ate o elevador sem provocar seu próprio soterramento em uma sortida pilha de legumes frescos, pizza congelada e sopas em lata. Ela sabia desde o inicio que era uma ideia muito mais inteligente fazer duas viagens tranquilas ate o carro, mas não, ela tinha de insistir na brilhante ideia de compactar tudo entre os braços e torcer para que o elevador chegasse logo.

Esse era um dos motivos pelo qual odiava ter de reabastecer sua dispensa, pois muito embora apesar da crença conjunta de mais da metade de seus parceiros de trabalho ela não sobrevivia somente à base de café. Bom, não em tempo integral pelo menos.

‘’ Você precisa de ajuda com tudo isso?’’ Os braços solidários vieram a calhar no momento certo, pois Santana tinha certeza que suas articulações cederiam antes mesmo que a porta do elevador abrisse. Não era como se ela estivesse cansada ou coisa parecida, ela praticamente hibernou as ultimas 24 horas passadas para repor as energias de uma semana de trabalho árduo no hospital, mas talvez ela devesse mudar com urgência sua alimentação enquanto rompia com todo aquele sedentarismo que desde sua mudança para Nova York tinha sido um ótimo amigo. Era isso ou acabaria quando menos esperasse gorda demais ate mesmo para participar de um daqueles Realities Shows japoneses onde lutadores de sumô lutam em uma enorme banheira cheia de manteiga.

‘’ Nossa Obrigada, eu provavelmente estaria ferrada nesse momento se não tivesse ajudado! ‘’ Seu olhar pairou para a figura ao seu lado, agora carregando mais da metade das sacolas, enquanto as portas de metal do elevador fechavam.

Agradeceu mentalmente por ter dado seus agradecimentos à mulher ao seu lado antes de perder ate mesmo o equilíbrio sobre o piso metálico coberto por um tapete xadrez de péssimo gosto, pois não era justo que sempre algum fato aleatorio sempre fizesse questão de lança-la para o lugar errado e, na hora errada, quando se tratava de Brittany S. Pierce. Afinal apesar de morar mais de cem pessoas naquele prédio justamente a dançarina havia sido a grande heroína do dia. Isso era a droga de mais uma ironia miserável.

‘’ Sabe se Sue Silvéster te visse agora ela sem duvidas gritaria todo o seu livro de apelidos raciais no seu ouvido com aquele megafone horrível, ate que voce conseguisse dar a volta ao redor de toda Ohio. ‘’ A voz angelical de sua boa samaritana a fez ter um revez emocional. Quando menos percebeu o sorriso doce se libertou de seus lábios enquanto sentia seu rosto esquentar levemente. Santana Lopez não era do tipo que se deixava afetar com simples palavras, mas sendo uma bela Loira de olhos cativantes sua interlocutora ela não se importou de provavelmente estar parecendo uma completa idiota com ideias ainda mais patéticas.

‘’ Talvez eu deva diminuir a cafeína e os carboidratos da minha alimentação e adicionar algo mais consistente aos meus almoços no trabalho que ultrapassem um sanduiche de queijo grelhado. ‘’ Seus lábios permitiram que somente aquelas palavras ressoassem ate Brittany antes de corrigir sua postura e desviar o olhar, permitindo-se sorrir por não mais que poucos segundos. Estava estampado em todo seu semblante que ela tinha muito mais para dizer além daquela informação banal, mas seu corpo pareceu reorganizar seu modo de defesa outra vez a fazendo ver navios entre o que realmente queria e o que sua mente lhe permitia realizar.

Não era para ser tão difícil, na verdade suas vontades se baseavam em uma ação exageradamente simples ao mesmo tempo em que tão complexamente complicada: Ela queria conversar.

Já deveria ter completado mais de dez dias desde que voltaram de Lima com suas magoas expostas e passado lavado, não tendo mais do que a promessa de uma segunda chance preenchendo seus corações ao mesmo tempo em que dava o primeiro passo na restauração do laço que as unia. Também não era como se Brittany não houvesse de varias maneiras tentado corteja-la nos ultimos dias, lhe mandando todas aquelas tulipas em seu trabalho e um enorme buque de rosas em seu apartamento, ambos acompanhados de um cartão simples, mas que significava coisas incontáveis. Sendo assim ela juntamente queria tentar algo, ultrapassar mais uma solida barreira que o tempo tinha erguido entre elas.

Respirou fundo refletindo o qual mais facil deveria ser tal situação, afinal ainda era Brittany a pessoa com a qual havia compartilhado toda uma vida de palavras e ações, a mesma garota na qual contou todos os seus segredos desde quando eram apenas crianças ate sua fase adolescente. E ainda deveria ter alguma parte dessa garota dentro dela, tinha de existir alguma parte de sua amiga de infância naquela mulher estonteante que agora parecia uma completa estranha a seus olhos.

Seus pensamentos se afastaram para fora de seu controle assim como as portas do elevador de seu caminho, vasculhou em sua bolsa o molho de chaves brancas entreabrindo a porta com rapidez enquanto ainda procurava achar o ritmo certo de como iniciar aquela conversa.

‘’ Se quiser eu posso deixar esses pacotes aqui na soleira assim pode leva-los para dentro. ’’ As palavras vindas da Loira ate então tão muda quanto ela a pegaram desprevenida: de um lado realmente achava uma ótima ideia ela deixar as compras ali e entrar em seu apartamento lhe deixando finalmente sozinha com suas decisões conflitantes ou poderia chama-la para entrar como uma pessoa educada que já tinha avançado em seus lábios enquanto estavam dentro do mesmo elevador, ainda de portas abertas, do outro lado do corredor.

‘’ Bem, se não tiver nada para fazer agora eu posso te oferecer um café como agradecimento por me salvar das minhas compras. ’’ Tentou soar o mais imparcial possível mesmo sentindo como se parte do seu coração fosse subir garganta acima, tinha de dar um desconto a seu sistema cardiovascular já que não era todo dia no qual ela perguntava a sua ex-namorada e atual amor de sua vida se queria tomar um café. Na sua cozinha. Em sua casa.

‘’ Não se sinta obrigada a retribuir o favor Santana, não foi nenhum incômodo te ajudar. Realmente não me importo. ‘’ O sorriso de lado realçou ainda mais a doçura que conseguia enxergar na imensidão azul de seus olhos, a dançarina mostrava claramente não esta disposta a forçar nada entre elas e, Santana entedia bem o motivo dela recuar, ela própria sentia isso naquele momento.

‘’ Eu também não me importo em preparar um café para nós duas, está realmente frio agora, mas vou entender se não estiver interessada. ‘’ Empurrou a porta com o calcanhar para que se abrisse por completo, seguiu ate a cozinha onde pousou as sacolas de papel do balcão enquanto chutava as sapatilhas de seus pés em um canto da sala. Ouviu quando a porta foi fechada com um toque firme, porém gracioso, e teve a certeza de que deveria por a água para ferver, pois tinha acabado de ganhar uma acompanhante para um café.

Notas finais
Prontos para o proximo?? Pra quem esta tão ansioso quanto eu para que elas finalmente tenham um encontro ja podem se preparar que no proximo capitulo teremos muitos lady kisses!!! Sem mais delongas, nesses meses sem postar eu recebi varias mensagens de pessoas que leem a historia e realmente peço desculpas se voces acharam que eu tinha desistido ou algo assim, mas foi realmente complicado estudar para escola e vestibular etc nesse fim de ano, pra voces terem noção ainda estou estudando só entrarei de ferias em fevereiro porque minha escola por ser federal entrou em greve e tal em junho;julho e as coisas realmente ficaram insanas por aqui. Quanto ao problema de sumir ja resolvi isso com minha maravilhosa amiga @nayaquino que ira revisar os capitulos daqui e me dará varios puchões de orelha para que eu poste rapido. Enquanto a mim, se quiserem me xingar ou qualquer coisa do genero é o mandar mensagem por aqui ou no twitter @Loverissima bjo pra vcs lindas e ate ano que vem ( dia 03 postarei! Espero que tenham tido um feliz natal ou um super Snixxmas, e desejo um feliz ano novo para todos!