Somente Eu e Você
34 Uma rosa e um perigo
Notas iniciais
Luna mantinha-se inquieta,andava de um lado para o outro,queria saber como estavam as coisas e o que aconteceria com os cavaleiros.
Já fazia alguns minutos que estava em seu quarto,o silêncio não a ajudava, precisava ocupar sua cabeça, dedicar sua atenção a alguma coisa.
Foi quando lembrou-se de Agata,talvez ela estivesse ocupada,mas se estivesse com tempo livre, poderiam conversar, se distrair um pouco.
Assim, Luna abriu a porta e saiu do quarto, indo em direção da cozinha.
Antes mesmo de chegar lá, deu de cara com uma jovem que costumava ajudar Agata nos serviços.
̶ Com licença – Luna aproximou-se – Você sabe onde está Agata?
̶ Ela está vindo para cá, senhorita.Pediram que ela fosse até a vila comprar algumas coisas.
̶ Obrigada, irei aguardar então. – Luna agradeceu e a jovem seguiu adiante.
Não demorou muito para que Agata aparecesse, assim que viu a ninfa, abriu um sorriso e acelerou o passo, logo se aproximaram.
̶ Que bom que te achei! – Luna se aproximou e deu um abraço em Agata.
̶ Olá senhorita, estava a minha procura? – Agata retribuiu o abraço na mesma intensidade.
̶ Sim, queria saber se estava muito ocupada.
̶ É algo urgente?
̶ Na verdade não...eu queria mais mesmo era uma companhia. Estava precisando conversar.
̶ Bom, eu estou de saída. Vou até a vila pegar alguns legumes e verduras.Se quiser vir comigo, podemos conversar pelo caminho.
Luna adorou a proposta, sair dali do santuário lhe pareceu uma ótima idéia, precisava ver pessoas diferentes e lugares também.
̶ Eu quero sim, será muito bom sair daqui de dentro.
As duas sorriram e foram até a cozinha, onde Agata pegou uma cesta.Em seguida,saíram em direção das doze casas.
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De longe, Oneiros observava Luna e Agata, seguirem para a vila.Sabia que as servas costumavam sair sozinhas para comprar alimentos.
Como dessa vez Luna estava junto, pensou que algum cavaleiro fosse com elas, um engano, pois assim que saíram de dentro dos domínios do santuário, viu que caminham sozinhas.
Um sorriso de canto, surgiu em sua face. Seguiria as duas e ficaria a observar a ninfa.
Sem saber que estavam sendo seguidas, as jovens conversavam. Luna contava coisas sobre sua vida e Agata ouvia tudo atentamente.
_Nossa, deve ser lindo! Adoraria conhecer os jardins da deusa Afrodite. – Agata tinha um brilho nos olhos, imaginava como seria esse lugar.
̶ Um dia peço a Sasha para levá-la comigo. Você vai adorar.
̶ Jura? – ela pergunta surpresa – Eu nem teria como agradecer, seria um presente.
Luna ficou a observar a alegria de Agata, sentiu-se feliz por vê-la sorrindo e animada.
As vezes tinha a impressão de que as servas do santuário, não eram tão valorizadas, quanto as ninfas.
Não possuíam luxo ou até mesmo mordomia. Trabalhavam muito, mas apesar de tudo, tinham toda assistência. Sasha e Sage, faziam de tudo por elas, tranqüilidade e moradia não faltavam.
Logo Agata começou com novas perguntas e assim seguiam seu caminho.
**************
Sasha permanecia na sala do grande mestre, após uma longa conversa, eles mantinham-se um pouco em silêncio.
Os pensamentos estavam sendo colocados em ordem,Sasha sabia que El Cid e Asmita não podiam continuar daquele jeito.
Mas, o que fazer, quando ciúme entra na estória? Essa era uma das perguntas que a deusa repetia para si mesma.
Por outro lado, sentia pena da amiga. O amor que ela tem pelo espanhol, faz com que ela sofra. Não é a primeira vez que eles tem uma briga.
Será que isso aconteceria entre ela e Kárdia? Ao perceber o rumo que seus pensamentos estavam indo, ela balança a cabeça e acaba chamando a atenção do patriarca.
̶ Algum problema? – Sage via que a expressão dela era de preocupação.
̶ Não...estou apenas pensativa, só isso. –em seguida, Sasha se levanta e caminha em direção da porta.
̶ A senhorita já vai? – Sage se levanta e se aproxima da deusa.
̶ Sim, estou precisando analisar o que farei.Uma conversa com os dois é necessária, como já falou com Asmita, creio que agora seja melhor falar com El Cid.
̶ Se assim deseja, posso chamá-lo e resolver isso.
̶ Não, grande mestre. Eu mesma farei isso, será necessário revelar o motivo, pelo qual Asmita está cuidando da segurança da Luna. – Sasha olhava para Sage com um olhar decidido.
Ele nada disse, sabia que se ela havia tomado essa decisão, era porque a julgava como certa. Apoiaria a deusa em sua decisão e ajudaria no que fosse necessário.
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Após uma longa caminhada, Agata e Luna chegam a vila. A ninfa observava encantada, cada detalhe do local.
As pessoas, as barracas, toda aquela agitação, estava achando muito divertido.
Agata, por sua vez, achava graça no jeito dela. Percebeu que ela realmente estava precisando passear.
̶ Nossa, como aqui é movimentado – Luna caminhava ao lado da serva e olhava tudo com empolgação.
̶ Sim, aqui é muito cheio. Vem pessoas de todos os lados, tem barracas de alimentos, outras de objetos e por ai vai. A procura é grande, isso sem falar que fica em uma boa localização. – explica Agata.
Logo Agata parou em uma barraca,começou a escolher alguns legumes, enquanto isso Luna foi até uma outra, que tinha estava vendendo rosas.
Ficou encantada com as cores, assim que se aproximou, foi sentir o perfume delas.Gostava de todas, mas as brancas eram suas preferidas.
̶ Boa tarde, minha jovem – disse o dono da barraca, um senhor de aproximadamente 70 anos.
̶ Boa tarde, senhor.
̶ Gostou das rosas?
̶ Muito,são todas lindas. Só não vi rosas brancas.
̶ Estão ali na ponta, pode ficar a vontade. – o vendedor, apontou para o final da barraca e lá estavam elas.
Ao se aproximar, Luna tocou as pétalas macias, sentiu a textura aveludada da rosa.
̶ Como é bela! – uma voz grossa logo surgiu.
Ao olhar para o lado, a ninfa se deparou com um homem alto, com cabelos brancos e um olhar penetrante, era Oneiros.
̶ Desculpe-me se a assustei, senhorita.
̶ Não precisa se desculpar... – Luna olhava para o homem com surpresa, não sabia explicar, mas tinha a sensação de que o conhecia.
̶ Pelo visto, gosta muito de rosas brancas, acertei?
̶ Sim...são as minhas preferidas.
Oneiros então pegou um rosa, com a mão mesmo, retirou os espinhos, Luna observava atentamente seus movimentos. Após retirar os espinhos, ele cortou metade do cabo e encaixou delicadamente, atrás da orelha da ninfa.
Enquanto se olhavam, ele ajeitou uma mecha do cabelo dela, para que aparecessem somente as belas pétalas.
̶ Um espetáculo! – ele admira cada parte do rosto de Luna, desliza a ponta dos dedos, pela bochecha rosada da ninfa.
̶ Quem é você? – Luna pergunta, enquanto retira delicadamente a mão dele de seu rosto.
̶ Em breve você saberá... – em seguida, Oneiros se aproxima e cola seus lábios aos dela.
Um beijo rápido, apenas um toque leve,mas que causou um arrepio em ambos.
Foi tão rápido que Luna nem teve tempo de se manisfestar.
Ao se afastar, Oneiros sorriu, deu meia volta e a deixou para trás.
Ela por sua vez, ficou parada, sem reação. Até que Agata, apareceu e chamou sua atenção.
̶ Luna? O que houve? – a menina olhava para a ninfa com um ar preocupado.
̶ Nada...quer dizer...tudo – Luna tocava a rosa que havia recebido.
̶ Como assim?
̶ Um homem, se aproximou, me deu essa rosa e me beijou...
̶ Como assim? De repente? Vocês já se conheciam? – Agata ficou surpresa com tal acontecimento, começou a encher Luna de perguntas.
Luna explicou como tudo aconteceu, não entendia como aquilo havia acontecido.
̶ Não é a toa que senhor El Cid sente ciúmes. Sua beleza encanta a todos, até mesmo um estranho, aqui nessa vila. – Agata achava incrível o interesse que Luna atraía.
̶ Queria que não fosse assim, isso não me agrada Agata. – a expressão da ninfa passou a ser de trsiteza, percebendo isso, a serva decidiu mudar de assunto.
̶ Bem, ainda tenho algumas coisas para pegar. Vamos em mais algumas barracas e depois voltamos para o santuário.
Luna concordou,então logo seguiu com ela.
Lá de cima, Oneiros observava as duas. Em seu rosto, o sorriso era estampado, havia se controlado ao máximo para não agarrar a ninfa.
Sua vontade era de ter deixado sua língua invadir a boca dela, provar seu sabor por completo, mas sabia que não poderia avançar dessa forma.
Aquele toque leve, já foi o suficiente para lhe incendiar, não era bem o que queria, mas até estava satisfeito.
Agora continuaria sua rotina, até que novas ordens lhe fossem dadas.
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El Cid havia acabado de tomar um banho,estava trocando de roupa, quando sentiu a presença da deusa.
Achou estranho, rapidamente terminou de se vestir e seguiu para a parte de baixo da casa.
Ao chegar, viu Sasha parada próximo da escada. Ao se aproximar, foi recebido com um sorriso.
̶ Em que posso ajudar, minha deusa? – El Cid reverenciou Sasha e logo percebeu que era algo importante.
̶ El Cid, preciso ter uma conversa séria com você. Eu já sei sobre a discussão que teve com Asmita, o grande mestre me contou tudo. Diante disso, decidi vir pessoalmente. – Sasha estava com sua postura firme, mas mantinha seu ar sereno.
̶ Gostaria de me desculpar, por isso. Realmente eu perdi a cabeça, isso não irá se repetir, dou minha palavra.
̶ Eu sei, não se preocupe.O que houve hoje, foi um caso a parte.Mas, quero aproveitar para falar sobre uma terceira pessoa envolvida nessa estória.
O espanhol logo franziu a testa, será que Asmita teria falado sobre Luna? Essa foi a pergunta que logo lhe veio a mente.
̶ Se você pensou na Luna, está certo El Cid. Preciso lhe contar o motivo dela ter ido parar na casa de virgem e porque Asmita se envolveu nessa situação.
Após Sasha confirmar o motivo de sua visita, os dois subiram. Seria melhor conversar lá, para ter certeza de que ninguém apareceria do nada e acabasse ouvindo.
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