Somente Eu e Você
11 Nem todos pensam igual
Notas iniciais
Afrodite estava tensa, não queria abrir a carta, mas algo lhe preocupava.
Olhou para Lili com um jeito sério, a ninfa notou a preocupação nos olhos da deusa.
—Não vai abrir, senhora? – perguntou Lili.
Afrodite respirou fundo, tinha que fazer isso logo ou não teria sossego.
—Vou até minha sala. – a deusa virou-se e seguiu para uma grande sala que ficava próxima a entrada do salão.
Assim que entrou, Lili chegou em seguida e fechou as portas.
Afrodite sentou-se e abriu a carta, lia cada linha escrita por Hypnos.
Sua expressão continuava a mesma, não demonstrou surpresa ou decepção.
—Lili, pode se retirar. Preciso ficar sozinha.
A ninfa ainda estava aflita, mas decidiu não questionar a ordem dela, sabia que a deusa era calma, porém não admitia desobediência.
Pediu licencia e se retirou.
Afrodite encarava o papel em cima da mesa e após alguns segundos pensativa, decidiu chamar sua fiel ajudante.
Luna estava deitada com a cabeça apoiada no colo de Gaia.
A loira acariciava os cabelos da mais nova e olhava para ela com um jeito doce e carinhoso.
Luna por sua vez, permanecia com os olhos fechados, apenas apreciando os toques leves de sua protetora.
—Sinto falta disso. – diz Luna com um jeito manhoso.
—E eu sinto falta de cuidar de você.
—Sei que estou a pouco tempo com Sasha, mas cada dia longe daqui é uma eternidade.
—Achei que estivesse gostando de lá.
—Lá é tudo muito diferente... não posso nem tomar banho nua.
Nessa hora Gaia deu uma gargalhada, achou muito engraçada a reclamação da jovem.
—Não ri, é verdade. – Luna diz se levantando e encarando a loira que ainda ria se divertindo com a situação.
—Minha querida, as coisas por lá são diferentes mesmo. Mas isso não quer dizer que sejam ruins.
—Não entendo nada...acho as pessoas lá muito complicadas.
Gaia nada disse, nesse ponto concordava com Luna, sabia que os mortais tinham costumes diferentes e que nem sempre eram tão fáceis de compreender.
Muitas vezes coisas simples, eram levadas a ferro e fogo.
—Procure conversar mais com Atena, ela irá te dizer como as coisas funcionam.
—Ela já me disse um pouco, mas juro que não entendo.
—Tenha calma, com o tempo você se acostuma.
Luna sorriu e abraçou Gaia com ternura. Queria aproveitar cada momento ao lado dela.
Logo o dia acabaria e ela retornaria ao santuário na Terra.
De repente, a loira se afastou e permaneceu calada.
Estava séria, prestava a atenção em algo, como se estivesse ouvindo alguém.
—Algum problema? – pergunta Luna.
Gaia permanece mais alguns segundos calada e em seguida se levanta.
—Afrodite me chama, preciso ir até ela.
—Aconteceu algo?
—Não sei, mas preciso ir imediatamente.
—Tudo bem, verei as outras meninas enquanto isso.
Gaia pede licença e se retira, Luna por sua vez, pega um cacho de uvas e sai a procura das suas irmãs.
Longe dali, Manigold permanecia sentado sendo servido pela ninfa em quem estava interessado.
—O senhor deseja algo mais? – pergunta a moça enquanto coloca mais vinho na taça.
—Talvez...depende do que você tem a oferecer. – ele responde olhando com um jeito sedutor para ela.
—Tenho vinho, suco e frutas. Qual prefere? – ela diz já percebendo as intenções do canceriano.
Manigold riu, achava graça no jeito dela. Logo viu que não era tola.
—Prefiro saber seu nome, minha bela senhorita.
—Acabou de citar.
Ele a olhou confuso, pensou um pouco e logo perguntou:
—Bela?
—Sim, senhor.
—Combina com você. – em seguida ele se levanta e coloca a taça em cima da mesa de centro.
Aos poucos se aproxima , a olhava como uma caçador para sua presa.
Ela não se intimidava e o encarava de frente, ele chegou e deslizou levemente seu dedo indicador no braço dela.
—Acho que percebeu o meu real interesse, não é?
—Claro, senhor. Não sou tola. – ela responde tentando disfarçar o arrepio que o toque causou.
—E então? Podemos conversar?
—Melhor não.
—E por quê?
Ela respira fundo e começa disparada:
—Sei muito bem o que vocês mortais pensam sobre nós. Não somos tão fáceis como imaginam.
Manigold mudou totalmente a expressão, não esperava aquela resposta.
—Então acha que penso assim? Igual aos outros?
—Me desculpe, mas foi essa impressão que me passou.
Ele olha profundamente nos olhos dela, ficou irritado com a comparação, mas não seria grosseiro.
—Se eu disser que não estou com vontade de te arrastar para um canto e arrancar seu vestido...estarei mentindo descaradamente.
Ela continuava o encarando e prestando bem atenção em tudo que dizia.
—Mas, não sou tão canalha para vir aqui e me jogar em cima de você apenas para isso. Mesmo que você aceitasse...não teria graça alguma.
Após dizer tudo isso, ele se vira e pega de volta a taça que estava na mesa.
Bela o observa curiosa, mas mesmo assim, sem confiar muito nas palavras dele.
—Então quer dizer que queria somente conversar?
Ainda de costas para ela, ele sorri cinicamente, ao se virar mantém a face séria e responde:
—A principio sim, o que iria acontecer depois, seria apenas consequência.
—Peço desculpa novamente, não queria ofende-lo.
—Não tem importância – Manigold coloca a taça agora vazia, novamente na mesa.
—Gostaria de algo mais?
Ele para e olha uma bela arvore florida que tinha bem a sua frente.
—Me mostre o jardim...quero conhecer.
Ela dá um sorriso tímido e em seguida segue em uma caminhada com o cavaleiro.
Sabia que ele deveria ser do tipo conquistador e que talvez não desistisse.
Mas, como deveria agradar a todos os convidados de sua deusa, ela preferiu ceder e leva-lo pelo jardim.
O difícil seria resistir a uma possível investida do italiano, que além de bonito era muito charmoso.
***************
Ao chegar à porta, Gaia bate e se anuncia.
—Entre!
Ela entra e em seguida tranca a porta, ao olhar para Afrodite, viu a expressão séria e preocupada.
—Algum problema, senhora?
—Sim, infelizmente. – Afrodite responde, entregando para a loira a carta.
Sem entender nada, Gaia pega o papel e o lê.
Assim que terminou, seu coração ficou apertado.
—Quer dizer... então ele já sabe aonde ela está.
—Sim...
—Mas, e agora? Será que irá mesmo atrás dela? – a loira questiona aflita.
—Acalme-se Gaia! Não adianta ficar nervosa.
—Me desculpe, senhora. Mas é muito dificil...só de pensar que ele pode chegar até a Luna... – nesse momento a ninfa para e respira fundo.
Tudo aquilo era um pesadelo, no fundo ela sabia que ele retornaria, mas não queria acreditar nisso.
—Decidi conversar com Athena e lhe contar toda a verdade. – diz Afrodite se levantando e indo até sua amiga.
—Acho que é o melhor a ser feito.
—Concordo plenamente...aliás já deveria ter feito isso antes.
—Quando irá falar com ela?
—Em breve, não quero falar nada agora. Ela está aqui para relaxar...não quero estragar isso.
Gaia apenas concorda, ainda estava abalada e não queria se pronunciar mais.
Afrodite sabia o quanto isso havia mexido com a amiga, por isso resolveu dispensá-la.
—Vá e tente se acalmar, logo mais a Luna te procura e você precisa estar bem.
—Sim, senhora. Com licença. – em seguida Gaia se retira, deixando Afrodite sozinha.
Agora a deusa pensava em como falaria para Sasha tudo o que estava acontecendo.

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