Somente Eu e Você
31 Desconfiança
Notas iniciais
Luna não conseguia responder a pergunta de El Cid, sua garganta deu um nó e nada saia dela. Suas mãos estavam frias e sua expressão foi como sua afirmação para a pregunta feita.
Infelizmente, a jovem não conseguia disfarçar bem, quando estava nervosa. O espanhol a olhava com seriedade, fazendo com que sua situação ficasse mais tensa.
_ Te fiz uma pergunta, Luna. – El Cid estava com os braços cruzados e seu jeito de falar era autoritário.
_Me desculpe... mas, por que me pergunta isso? – a ninfa tentava parecer calma.
_Uma certa estória chegou ao meu conhecimento e quero tirar a limpo, apenas isso.
_Que estória?
_Que você passou a noite com Asmita. – o espanhol foi direto ao ponto, estava com a raiva lhe consumindo e não queria perder tempo com enrolação.
_De onde veio isso?! – Luna estava indignada, a forma como ele disse aquela frase, estava bem claro, que desconfiava que ela e Asmita haviam dormido juntos.
_Não importa de onde veio, o que me interessa é saber se isso é verdade. Eu não sou nenhum moleque, exijo que me diga a verdade. – suas palavras foram firmes e ele queria que ela abrisse logo o jogo.
_Quer saber se eu dormi com ele?
El Cid nada disse, apenas a encarava com a mesma expressão.
Ela então sentiu uma tristeza lhe invadir o peito, não acreditava que ele desconfiava dela a tal ponto.
Mesmo que sua atração por Asmita fosse forte, ela jamais trairia o homem que amava.
_Eu não dormi com ele, isso te deixa mais tranquilo?
_Diz que não dormiu...então a parte de ter passado a noite lá é verdade?
_Quem inventou isso? Eu passei a noite em meu quarto, por que dessa insistência? – Luna estava nervosa e não estava conseguindo disfarçar mais nada.
_Quem me contou, não havia motivos para mentir. Quanto mais você nega, pior é. Me diga logo a verdade, estou sem paciência. – dando um passo a frente, o espanhol intimida a ninfa, que se assusta e o olha com surpresa.
Nunca havia o visto daquela forma, a raiva estava estampada em seu olhar.
Pelo visto,Ester havia dito algo, seria inútil continuar negando tudo. Então, decidiu contar a verdade a ele.
_Tudo bem... eu confesso. Eu dormi na casa de virgem.
El Cid não demonstrou nada, respirou fundo e disse:
_Então confessa ser amante dele?
_Não, eu sou apenas amiga do Asmita. Dormi lá por causa de um pesadelo, ele me ajudou na madrugada e achou melhor que eu passasse a noite em sua casa, você não estava aqui então não tive escolha. – após contar o ocorrido, Luna solta o ar dos pulmões e fecha os olhos, na tentativa de evitar o choro.
_Pesadelo... – El Cid fecha os olhos e dá um sorriso irônico – Me julga tão tolo, para acreditar em uma desculpa dessa?
_É a verdade
_Eu já deveria saber que havia algo entre vocês, desde aquele dia que os vi juntos.
_Somos amigos, não há nada demais nisso, Cid acredite em mim. – a ninfa se aproxima e toca a mão do cavaleiro.
_Você é linda, chama a atenção de muitos nesse santuário. Ele não é diferente, vi a forma como se comporta com você, não venha me dizer que não te deseja, por que eu não sou idiota.
_Todos podem me querer, mas só você pode me ter em seus braços. – olhando bem fundo nos olhos azuis dele, Luna disse o que realmente sentia.
El Cid desviou o olhar e se afastou dela, apesar da raiva, a vontade que tinha era de beijá-la e acreditar que realmente o que dizia era verdade. Mas, seu orgulho e a desconfiança, não permitiam.
_Preciso ficar sozinho, volte para junto de Athena.
_Eu quero ficar com você, quero que acredite em mim.
_Por favor, Luna. Não é o momento para isso, preciso ficar só. – em seguida ele sobe as escadas e a deixa sozinha.
A ninfa permanece ali, parada. Não acreditava que aquilo estava acontecendo, estava tudo indo tão bem e de repente as coisas desandam.
Ela dá um passo a frente, mas recua e desisti de ir atrás dele. Sabia que no estado em que ele estava, seria inútil insistir.
De repente, alguém entra na casa de capricórnio, ao olhar para o lado, ela vê Manigold.
_Olha só quem está aqui – ele se aproxima e a cumprimenta.
_Não é a primeira vez que tenho essa surpresa.
_Como assim? – Luna questiona
_Sempre que entro aqui, vejo um espanhol mal humorado e mais uma vez ao invés dele, vejo uma bela mulher – com um sorriso malicioso, Manigold aproveita para elogiar a ninfa.
Ela dá um sorriso um pouco sem graça, no estado em que estava, nem um elogio ou piada era capaz de melhorar seu humor.
_Se é permissão o que quer, saiba que está concedida, Manigold. – a voz de El Cid fez com que os dois olhassem para o alto da escada.
Ele já estava sem a armadura, continuava com a mesma cara de poucos amigos.
O fato agora, era que ele ouviu tudo o que o italiano disse a ninfa, isso fez com que sua raiva aumentasse mais ainda.
_Estava falando de você agora mesmo – Manigold olha com ironia para o espanhol – Mas, não precisa ficar bravo, não atrapalharei a sua visita. – em seguida ele olha para Luna e dá uma piscada de olho, bem insinuante.
_Não está atrapalhando nada, senhor Manigold – Luna se vira para ele – Eu já estava retornando aos meus aposentos – em seguida ela encara o espanhol.
_Que maravilha, então aproveitarei para acompanha-la. Você se importa, El Cid?
_Faça como quiser... – El Cid se retira, deixando Luna ainda mais chateada.
As lágrimas teimavam em aparecer, seus olhos foram ficando marejados e a visão turva. Isso não passou despercebido pelo italiano, que logo entendeu que havia algo entre eles.
Manigold era muito observador e entendia muito bem as coisas que aconteciam ao seu redor.
_Vamos? – ele estendeu o braço para ela, que de imediato enlaçou o seu ao dele.
Enquanto caminhavam, Luna respirava fundo e tentava controlar o choro, que teimava em vir. Ela não queria chorar na frente de um estranho, não tinha intimidade suficiente com Manigold.
Ele a observava, por alguns minutos ficou calado. Tinha que pensar bem, antes de falar qualquer coisa.
_Está assim por causa dele, não é? – o italiano quebra o silêncio, chamando a atenção da ninfa.
_Não...por que diz isso?
_Não sou tolo, reparei que você estava ali por algum motivo.
_Não era nada demais – Luna não queria dar detalhes, confiava pouco no cavaleiro de câncer.
_Tudo bem, não precisa confessar o óbvio – o italiano aperta a bochecha da ninfa que acaba dando um sorriso tímido.
_Observo tudo e todos, sei bem quando tem um romance no ar. E só reparei também, porque você dá os sinais.
_Eu??
_Sim, com esse jeitinho todo apaixonado e a forma como fica sem jeito perto dele. O carrancudo, não demonstra nada, normal vindo dele. – Manigold ri e acaba arrancando umas risadas dela.
_Você é muito engraçado.... Sério mesmo, que ele não demonstra? – Luna temia que ele não a amasse de verdade e uma das provas, seria o fato de não demonstrar nada.
_Ei, não se preocupe. O espanhol sempre foi fechado, com certeza deve gostar de você, mas ele não mostra seus sentimentos. Ele é assim desde que chegou aqui, então não precisa se preocupar. – Manigold não queria deixa-la preocupada, mas também não poderia afirmar os sentimentos de outra pessoa.
Em pouco tempo chegaram ao templo, Luna agradeceu a companhia.
_Obrigada por me acompanhar.
_Não precisa agradecer, fiz porque sempre gosto de andar com belas mulheres. – com seu jeito galante, o canceriano acaba deixando a ninfa sem graça mais uma vez.
_Você é muito gentil e engraçado também.
_Nossa... só faltou falar que sou bonito... mas tudo bem, entendo que seu gosto é outro. – em seguida ele se vira em direção contrária – Vou seguir, não posso deixar o velhote esperando muito tempo.
Em seguida se despediram, Luna voltou a caminhar tranquilamente. Em seu peito a tristeza ainda batia, só de lembrar as palavras e o jeito de El Cid, ela sentia um aperto no coração.
Assim, a jovem segui para seus aposentos, onde ficaria só com sua tristeza.
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Em capricórnio, El Cid permanecia deitado em sua cama. Da janela, observava o céu que estava sem estrelas, uma noite um tanto triste.
Para ele, aquele dia havia sido desnecessário. Descobrir que Luna havia mesmo passado a noite com Asmita, foi uma decepção enorme.
Só de imaginar que as mãos dele, percorreram aquele belo corpo e que ela se entregou a ele como fazia em sua cama, seu sangue fervia.
A vontade que tinha era de ir até a casa de virgem e confrontar Asmita. Mas, isso não seria uma boa ideia, causaria problemas a mais e isso não era sua intenção.
Mil pensamentos invadiam sua mente, sua cabeça estava dolorida e o cansaço era evidente.
Ele então se levanta e vai até a mesa, pega uma garrafa de vinho, que estava pela metade e bebe direto nela.
Ao engolir a bebida, ele fecha os olhos e aprecia seu sabor. Aquilo para ele, sempre o ajudava a relaxar, mas naquele dia até mesmo sua bebida preferida, tinha um gosto amargo.
Ao acabar com o vinho, ele segue para sua cama. Dormir era a melhor solução, já que nada mais lhe acalmava.
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