Somente Eu e Você
12 Partida antecipada
Notas iniciais
Oneiros caminhava tranquilamente por um longo corredor, após ter cumprido a tarefa dada por Hypnos ele deveria procura-lo e contar o que se passou.
Achou aquilo desnecessário, se o Deus quisesse resolver seus problemas, ele mesmo deveria ir até lá.
—Que cara mais emburrada, Oneiros.
Ao ouvir isso ele se vira para trás, ali parada encostada na parede, estava Phantasos com um sorriso debochado nos lábios.
—O que quer?
—Saber como foi sua missão.
—Apenas entreguei a carta, nada mais. – em seguida ele se vira e continua a caminhar.
Phantasos desencosta da parede e vai atrás dele.
—Afrodite deu alguma resposta?
—Não devo satisfações a você.
—Nossa! Quanta grosseria.
—Phantasos...entenda que não estou de bom humor e por isso prefiro ficar sozinho. – em seguida ele sai e deixa ela para trás.
Estava bem nítido a irritação do outro, para evitar brigas desnecessárias, ela decidiu deixa-lo em paz.
Assim que chegou a porta ele bateu e se anunciou, em seguida uma voz pede para que ele entre.
Rapidamente ele abre e entra na sala, fecha a porta e segue até a varanda.
Sentado a mesa e tomando um chá estava Hypnos.
O Deus parecia calmo, tomava a bebida e olhava para o céu, como se admirasse algo nunca visto antes.
Assim que se aproximou da mesa, Oneiros se ajoelhou, em seguida Hypnos se vira para ele.
—Afrodite deu alguma resposta?
—Não, senhor. – ele responde levantando a cabeça e olhando para o outro.
Hypnos fica em silêncio por alguns segundos, toma mais um gole do chá e diz:
—Eu já imaginava que ela faria isso...Afrodite é muito teimosa.
—Ela ficou irritada ao me ver ali, com certeza achou um atrevimento de minha parte.
—Ela não tem direito de ficar brava ou irritada.
—O que o senhor pretende agora? – questiona Oneiros, estava curioso quanto ao conteúdo da carta.
—Tenho alguma idéias em mente...mas para isso preciso falar com você e os outros deuses.
Oneiros estranhou, já havia um tempo que Hypnos estava estranho, parecia esconder algo. Depois que soube que Afrodite estava envolvida com ele de alguma forma, a curiosidade dele e dos demais aumentou muito.
—O senhor sabe que pode contar comigo para tudo.
—Eu sei, por isso que lhe contarei o por que dessa carta, e como você poderá me ajudar.
************************************
Gaia havia entrado em uma sala próxima a que Afrodite estava e trancou-se lá.
As lágrimas corriam pelo seu rosto, com essa noticia todo passado havia retornado a sua mente.
Foi uma época difícil, não queria ter que recordar tudo, mas com Hypnos isso era tarefa impossível.
Se antes já estava preocupada com Luna, agora sua preocupação era maior.
Sentou-se em uma cadeira que estava no canto esquerdo da sala e respirou fundo.
Tinha que manter a calma e parar de chorar, com certeza Luna a procuraria e ela não poderia perceber o que estava acontecendo.
—Maldito Hypnos! – ela diz cerrando os dentes e fechando os punhos.
Enquanto ela permanecia sozinha, Sasha e Kárdia voltavam para o caramanchão, após a pequena aproximação deles, o clima ficou um pouco diferente.
O escorpião havia levado numa boa, porém a deusa ficou sem graça e mexida com a situação.
Ele logo percebeu, Kárdia tinha experiência com as mulheres e sabia reconhecer o estilo de cada uma.
Sabia que ela era tímida demais para assuntos relacionados a paixão e amor.
Uma vez, ela confessou que achava impossível se apaixonar ou se envolver com alguém.
Naquele momento o cavaleiro se sentiu desanimado e ao mesmo tempo curioso, quem sabe ele não topasse o desafio.
—Aonde será que foram todos? – pergunta Sasha ao chegar e ver que não havia ninguém.
—O italiano deve estar se divertindo por ai... – diz Kárdia sentando-se e pegando uma maçã.
Sasha acaba sentando próximo a ele, o silêncio só não tomou conta do local, por causa das mordidas que o cavaleiro dava em sua fruta preferida.
—Estranho...Afrodite não voltou até agora.
—Deve estar resolvendo algum problema que aquele tal cupido fez. – responde Kárdia terminando de comer.
—Tem algo errado... – ela diz mudando seu semblante.
O cavaleiro acaricia seus cabelos, ela levanta o rosto e o encara. Mais uma vez o clima fica diferente entre eles.
—A senhorita veio até aqui para se distrair, lembra?
—Sim, você tem razão. – ela responde dando um leve sorriso para ele.
—Adoro quando sorri... fica mais linda. – ele finaliza a frase acariciando a bochecha macia da jovem.
Sasha fica corada e esse detalhe não passa despercebido por ele, que gosta do resultado de seu gesto.
A chegada de uma ninfa chama a atenção deles, ela se aproxima e os cumprimenta.
—Com licença, mas Afrodite pediu para lhe dar um recado.
—Qual?
—Ela pede para que a aguarde aqui, pois tem um assunto a tratar com a senhorita.
—Tudo bem.
—Posso servir algo?
—Eu quero vinho. – diz Kárdia
—Eu aceito água. – responde Sasha.
O jeito era beber enquanto aguardava a deusa do amor, a curiosidade tomou conta da italiana. Qual seria o assunto que surgiu assim do nada.
***************************************
Gaia foi a procura de Luna, após falar com algumas meninas, logo achou o local que ela estava.
Era uma roda que havia se formado no jardim, todas sentadas conversando.
As risadas animavam o local e as ninfas estavam bem alegres.
Gaia parou bem próximo e ficou observando a cena, sua menina estava ali, sorridente e ouvindo as estórias de suas irmãs.
Naquele momento o que ela mais desejava era que aquilo fosse para sempre.
Vê-la feliz fazia com que ela fosse feliz também, mas ela não era tola e sabia que a possibilidade de tudo mudar era bem provável.
—Gaia!
Esse chamado tirou a ninfa de seus pensamentos, ao olhar viu que Luna acenava e a chamava para a roda.
Ela sorriu e foi até elas, deveria aproveitar os últimos minutos ao lado da jovem, já que Afrodite estava indo até Athena ter uma conversa e com certeza após isso elas partiriam.
**************************************
Um pouco longe dali, estavam Bela e Manigold.
Eles caminhavam e conversavam, o canceriano contava algumas estórias sobre missões e batalhas, a ninfa ouvia tudo atentamente e se surpreendia com a coragem do cavaleiro.
—Nossa, você conseguiu derrotar esses cavaleiros? – ela perguntava com animada.
—Claro! Fui muito bem treinado pelo velhote, não teria como ser diferente. – ele responde com seu jeito orgulhoso.
—Então, não é atoa que é um cavaleiro dourado.
Ele olhou para ela e sorriu, um sorriso sedutor, algo que ela estava tentando não prestar tanto a atenção.
Assim que ela desviou o olhar e ficou calada, ele decidiu perguntar:
—Por que desvia o olhar?
—Nada... apenas admiro a paisagem. – ela responde tentando disfarçar a vergonha.
Manigold para e ela acaba diminuindo os passos.
—Cansou de andar?
—Quero saber de uma coisa. – ele diz enquanto se aproxima dela.
—Pode perguntar.
—Você disse tudo aquilo sobre o que os homens pensam sobre as ninfas e acabou se afastando de mim. – ele se aproxima mais, dessa vez ficando com o rosto bem próximo ao dela. – Eu disse que não penso igual aos outros, nem assim, você consegue ter algum interesse em mim?
Bela ficou corada, sabia que ele acabaria voltando aquele assunto, mas aquela aproximação toda era difícil de resistir.
—Disse aquilo porque a maioria realmente nos trata como objetos... mas foi uma surpresa descobrir que você é uma exceção.
—Bom saber disso... mas você ainda não me respondeu. – a mão do canceriano percorreu o braço dela, causando novamente um leve arrepio na jovem.
Ele a olhava no fundo dos olhos, sorriu ao ver suas maçãs do rosto levemente rosadas.
Ela por sua vez, não conseguia desviar o olhar, tinha algo naquele homem que a encantava.
Talvez fosse seu jeito malandro e o sorriso maroto, não dava para negar o charme que ele possuía.
—Não posso mentir... você mexe comigo. – ela diz aproximando seus lábios dos dele.
Ao sentir o hálito quente dela bem perto da sua boca, o canceriano sentiu um calor invadir seu corpo.
Logo a tomou nos braços e colou seus lábios nos dela.
O beijo foi intenso, as línguas se tocavam com vontade e as mãos de Manigold percorriam as costas dela traçando o contorno de suas curvas.
Ao interromperem o beijo, eles se olharam e sorriram.
—Você tem um beijo maravilhoso, Bela.
—Digo o mesmo, senhor cavaleiro.
****************************************
Após alguns minutos, Afrodite chegou até o caramanchão.
—Estão sendo bem servidos? – ela pergunta se aproximando de Sasha e Kárdia.
Os dois se levantam e a cumprimentam, em seguida os três se sentam e Sasha pergunta:
—Conseguiu resolver o problema?
—Bem... é sobre isso que quero falar. – ela olha para Kárdia e diz: Porém tem que ser em particular.
—Kárdia, você pode nos deixar a sós, por favor. – pede Sasha.
—Claro, vou procurar o italiano, deve estar aprontando por ai. – em seguida ele se levanta e sai a procura do canceriano.
Assim que ele se retira, Afrodite pede para que a ninfa também as deixe sozinhas.
—O que tem a me dizer é tão sério assim?
—Sasha, eu tive um pequeno problema envolvendo o cupido e um Deus. Por isso infelizmente tenho que pedir para que volte ao santuário.
Sasha estranhou, então o tal problema foi mais grave do que imaginava.
—Eu lamento seu problema, não precisa de ajuda? De repente eu posso auxiliar em algo.
—Não se preocupe minha querida, não quero envolve-la nisso.
—Entendo.
—Mas, receberei daqui a pouco essa visita e é melhor que vocês retornem. O clima aqui ficará um pouco pesado.
A italiana ficou chateada, não só por ela que estava gostando mas por causa da Luna também.
—Bem, então chamarei meus cavaleiros e a Luna.
—Me desculpe, mas infelizmente ocorreu esse imprevisto.
—Fique tranquila, eu entendo. – diz Sasha pegando na mão de Afrodite e lhe dando um sorriso tranquilo.
A deusa ficou mais tranquila, sabia que Sasha entenderia. Tinha que ser as pressas, ela não poderia confiar em Hypnos.
Se ele decidisse aparecer ali de repente, tudo estaria perdido.
****************************************
—Ela não disse qual é o problema? – pergunta Luna confusa.
—Não, apenas pediu para que você vá até o caramanchão. É bem provável que vocês tenham que retornar. – diz Gaia caminhando junto da jovem.
—Que pena! Justo agora que estava me divertindo mais.
—Acontece, mas nada impede que você volte outra vez. – diz Gaia tentando animá-la.
Luna fica triste, mas não poderia reclamar, pelo menos ela esteve ali e matou as saudades de todos.
Mas, não tinha como evitar, voltar ao santuário de Athena a entristecia um pouco.
Ainda mais, por que o homem que tanto a interessava, não correspondia do mesmo jeito.
Tranquilamente elas iam até o encontro das deusas.
Não eram as únicas, Manigold e Kárdia também se dirigiam para lá.
—Bem agora ela decide voltar. Sacanagem isso! – resmunga o canceriano.
Kárdia por sua vez ria, adorou ver o italiano ter que dispensar a adorável Bela.
—Quer para de rir, não acho graça alguma.
—Ah para de reclamar! Você ainda ficou nos beijos com aquela beleza, eu nem isso consegui.
—Claro! Prefere ser o bajulador, dá nisso. – diz Mani provocando o outro.
—Amizade é diferente de ser bajulador. E não diga o que não sabe. – responde o outro sem se alterar.
Em pouco tempo todos chegaram ao local combinado.
Lá estavam as deusas, Afrodite e Sasha os aguardavam.
Assim que eles se aproximaram, Afrodite disse:
—Me desculpem, infelizmente tive que pedir a Athena para que antecipe a partida.
—Não se preocupe minha deusa, nós entendemos que tem seus motivos. – diz Luna sendo educada como de costume.
—Nós agradecemos sua hospitalidade, espero voltar em breve. – diz Sasha tocando de leve o ombro dela.
Afrodite sorriu e abraçou a irmã, Gaia fez o mesmo com Luna.
—Até breve, minha menina.
—Até breve, Gaia.
Ao se afastarem, Luna se juntou ao lado de Sasha e dos cavaleiros.
Ali terminava a visita que teve que ser interrompida por causa de Hypnos.
Qual será esse segredo que ronda Luna?
Fale com o autor