Somente Amigos
3 Capítulo 3
Notas iniciais
- Nicolas...
- O que é?
- Até quando isso vai durar?
- Sobe na moto. — Ele disse seco.
- Não vai fugir para sempre.
- Só sobe na moto. — Ele repetiu no mesmo tom
Não demoramos muito para chegar na minha casa. Nicolas desceu e entrou. Eu me arrumei o mais rápido que pude. Meu cabelo estava liso e solto, coloquei uma bermuda jeans branca e curta e um blusão preto,uma rasteirinha mais clara e fiz minha maquiagem básica. Fui até a sala.
- Nossa! Está mais bonita que a aniversariante. — Ele sorriu.
Depois de tanto tempo, ele finalmente sorriu! Já é um bom começo se tratando do senhor revoltadinho.
- Bobo! A Mel é muito mais bonita que eu.
- Mentir é feio — Ai! Ele sorriu de novo.
- Seu nome é mentir então?
- Você é horrível fazendo piadas.
Mostrei a lingua e saímos.
A festinha da Melinne foi até boa. Digo, como festas de criança sabe? Balões, pula pula, um bolo de algum desenho e muito brigadeiro! Acho que essa foi a parte que eu mais gostei. Melinne estava fazendo dez anos, mas aparenta bem mais. Digamos que ela se desenvolveu rápido demais. Na ordem da família tem Nicolas, de 18 anos, Kayla , de 16 anos, Eliana, de 14 anos, Melinne , de 10 anos e a Julinha de 2 anos. E se você acha que acabou, aí vai a notícia bombástica! Minha tia está grávida. Isso mesmo. Eu disse grávida!
Depois que tudo terminou eu fui até a varanda. De lá eu avistei Nico sentado na areia, olhando o mar. Cheguei de mansinho e me sentei ao seu lado.
- Posso adivinhar no que você está pensando? — Encostei a cabeça em seu ombro.
- Iza, melhor não.- Ele ficou tenso — Passado é passado.
- Nico, não mente. Não para mim. — Olhei para ele — Você precisa me dizer o que aconteceu.
- Você sabe o que aconteceu, Izabella! Nunca daria certo entre eu e ela.
- Mas você gosta dela, Nicolas! E ela gosta de você.
-Gostar não é o suficiente, Izabella! — Ele alterou um pouco a voz, mas mantinha o olhar fixo no mar.
- Como você sabe que não ? — puxei a manga da sua camisa, tentando fazer ele me olhar.
- Porque não foi o suficiente com ela. — Ele finalmente me encarou. — Somos diferentes demais, completos opostos.
- Nico ... — tentei abraçá-lo, mas ele recusou meu carinho.
- Aquele dia, antes de sabermos do acidente, ela me viu com a Angélica. Claro que ela achou que eu estava a traindo, eu nunca seria capaz disso.- Ele riu, sem humor — Angélica me beijou do nada, não consegui evitar, mas claro que a Mar não achou isso e foi embora. Então eu fui atrás dela, mas ela já parecia bem melhor, abraçada ao Fernando e indo embora.
- Foi por isso que ela chegou em casa chorando com ele. — Eu disse para mim mesma. — Vai, continua.
- Então mais tarde todos nós soubemos do que tinha acontecido ao irmão dela. Eu tentei novamente ir me desculpar, mas ela estava junto com o Nando. Eles estavam se beijando. Eu desisti de qualquer pedido de desculpa e fui embora. Ela superou bem rápido não foi? No outro dia eu decidi que também iria superar. Fui até a Angélica e pedi desculpa. E começamos o namoro.
- Você tem ideia de quanto é idiota? — Dei um belo tapa em seu ombro.
- O que é? — Ele me olhou indignado.
- A Mariana só estava com o Nando porque achou que você estava com a Angélica!
- E o que queria que eu fizesse? Ela estava beijando outro cara, Izabella!
- Porque você beijou outra garota!
- No meu caso, foi totalmente sem intenção. No dela não! Ela beijou o Nando porque ela quis.
- E claro que por isso você não aceitaria mais ela de volta!
- Izabella...
- Esse é o seu problema , Nico! Você só enxerga o que o seu orgulho te deixa enxergar! Vocês poderiam estar felizes e juntos se tivessem se entendido!
- Eu disse que passado fica no passado! Já faz muito tempo desde aquilo.
- É, mas vocês vivem em um pé de guerra quase insuportável! Nico, o bom de um relacionamento são as diferenças.
- A Mariana é ciumenta demais. Eu sou orgulhoso demais. O que te faz pensar que daria certo?
- Vocês se gostam, Nicolas! Nem o ciúme e nem o orgulho conseguiram acabar com isso. Você diz que só o sentimento não é suficiente. Mas ele é o fundamental.
Me levantei irritada. Digo, não irritada com ele, irritada com a situação. Eu sei que não deveria ter surtado, afinal ele era minha carona, mas eu sou uma romântica incorrigível. Ver aqueles dois quase se matando, mas a fim um do outro me faz ficar completamente irritada. Por sorte a Kayla consegue dirigir, e me levou em casa.
Assim que cheguei em casa, percebi que a porta estava aberta. Mariana é avoada mesmo. Podíamos ter sido roubadas!
Entrei para dentro e fechei a porta, subi as escadas até meu quarto. Já tinha tirado a blusa e ia tirar a bermuda quando um ser humano brotou do chão e me deu um abraçou por trás.
- Assalto! — ele gritou, mas começou á rir. Já adivinhei quem era.
- Eduardo! O que você está fazendo aqui no meu quarto, seu pervertido!
- Ei! Eu não sou pervertido!
- Tem certeza? — ele me soltou, e eu mostrei que estava quase sem roupa.
- Se eu fosse pervertido teria esperado você tirar a bermuda!- então ele me olhou de uma forma safada- Se bem que, se você quiser tirar agora, até facilita as coisas.
- Seu bobo! Acha que eu não sei que você é gay. — provoquei.
- Como é? Gay? — ele se sentiu ofendido.
Assenti com a cabeça, enquanto sorria. Do nada ele me agarrou e me jogou na cama. Na verdade ele se desequilibrou e nos jogou na cama.
- AGORA EU VOU TE MOSTRAR QUEM É GAY AQUI. — ele tirou a camisa e fez gracinha.
Eduardo começou á fazer cócegas em mim, enquanto eu não parava de me contorcer e rir. Já estava toda suada e descabelada quando ele se cansou e se deitou do meu lado na cama.
- Viu só, já tá toda suada e ofegante. Eu disse que era bom de cama.
- Idiota — dei um tapa em seu braço.
- AAAH, QUE POUCA VERGONHA É ESSA?! — Mariana apareceu na porta do quarto, toda indignada.
Eu fiquei meio assustada e Eduardo começou á rir histéricamente. Eu e ele estávamos deitados na minha cama, eu estava de sutiã e com a bermuda desabotoada, e ele sem camisa. Ok, momento constrangedor.
- Não é nada disso que você está pensando — abanei as mãos.
- Foi só uma rapidinha. — Eduardo disse e eu o derrubei da cama.
- Tá tá! Acho que eu não quero saber — Mariana se virou de costas e foi até o quarto dela.
Eu fiquei encarando Eduardo por alguns segundos, tenho quase certeza que estava mais vermelha que pimenta. Ele sorriu e disse que me esperaria lá fora. Finalmente eu podia tomar banho em paz.
Fiquei algum tempo pensando em tudo aquilo. Eu e Eduardo. Eu sei que não devia, mas eu não conseguia evitar sentir aquilo por ele. Lavei o cabelo, coloquei um short de estampa florida e uma regata branca e chinelos normais. Deixei meu cabelo natural, ou seja, um liso ondulado. Também achava bonito. Desci e ele estava me esperando com o caderno e o violão.
- Preparada? — Eduardo piscou e olhou para o sofá, onde eu deveria sentar.
Deixe eu explicar. Estava tendo um concurso para decidir a melhor cantora. O vencedor ganha uma bolsa na melhor escola de música de região. Eu esqueci de mencionar que moro em Los Angeles? Minha tia me convidou e eu fui. Arrumei um trabalho e agora estou concorrendo á esse concurso. Eduardo está me ajudando muito. A música precisa ser da sua nacionalidade, e como sou uma fã incondicional de Capital Inicial, as duas primeiras apresentações serão com essas músicas.
- Preparada.
Fale com o autor