Someday
1 Capítulo Único
Notas iniciais
“Eu estou saindo da Máfia do Porto”
Aquelas palavras de Dazai ainda ecoavam em sua cabeça mesmo horas depois de seu parceiro ter lhe dado a notícia.
Chuuya, na hora, havia comemorado em provocação clara para Dazai, mas agora... por que aquele gosto amargo não saía de sua boca?
Ele não suportava Osamu, ficaria mais que feliz de se afastar dele.
Então por quê?
Chuuya se sentou em sua cama, sentindo-se inquieto demais para dormir, mesmo depois das atividades agitadas que tivera ao longo da noite.
O lençol se desenroscou de seu corpo, preso à pessoa que ainda estava deitada dormindo ao seu lado.
Ele suspirou, abaixando o rosto.
Odiava Osamu Dazai. Odiava como ele o fazia se sentir daquele jeito.
O ruivo ergueu sua mão para a cômoda ao lado de sua cama, pegando o familiar isqueiro e um pacote de cigarros. Acendeu um e o colocou em seus lábios, dando uma tragada profunda. Quem sabe isso ajudaria a aliviar sua mente da confusão em que se encontrava.
— Chuuya... — A voz daquele que atormentava seus pensamentos o chamou à suas costas.
Ele não se virou, apenas murmurou algo incompreensível enquanto deixava a fumaça do cigarro escapar de seus lábios.
— Por que não vem comigo?
Aquelas palavras sim surtiram efeito no Nakahara, que segurou o cigarro em uma mão e lançou um olhar para o homem ainda deitado à cama.
— O que?
Dazai encarava o teto, não olhando exatamente para o parceiro enquanto falava.
— Sei temos uma relação complicada e às vezes também quero te matar, mas... por que não sai da Máfia do Porto comigo?
Chuuya desviou o olhar novamente enquanto a pergunta ressoava em sua cabeça.
Sair da Máfia do Porto?
Aquilo era mesmo algo a ser cogitado por ele?
Chuuya sabia a resposta antes mesmo de pensar seriamente sobre isso.
— Não seja maluco, Dazai. — Foi o que respondeu, dando outra tragada em seu cigarro.
O moreno, que ainda estava deitado, esboçou um sorriso, fechando os olhos. Ele sabia que aquela seria a resposta de Chuuya, não estava surpreso.
— Eu perguntaria o motivo, mas você provavelmente apenas me perguntaria a mesma coisa de volta.
Chuuya deu um sorriso fraco diante daquilo. Era verdade.
Mas ele supunha que Dazai mesmo já soubesse seus motivos de querer continuar ali.
A Máfia era tudo o que Chuuya tinha. Ele nunca seria capaz de abandonar aquilo. De abandonar a pessoa que o salvou e o deu uma família.
Kouyou era praticamente sua irmã mais velha, ou quase uma mãe, se assim quisesse rotular.
E apesar de ter acabado criando uma conexão forte com Dazai (em meio às inúmeras tentativas de matá-lo), Chuuya nunca seria capaz de deixar Kouyou para seguir aquele homem.
— Sinto muito — Dazai murmurou, para a surpresa do ruivo.
Aquela deveria ser a primeira vez que Osamu dizia aquelas palavras para ele.
Se fosse em outra ocasião, Chuuya não se cansaria de provocá-lo, mas aquela inquietação em seu peito ainda estava lá.
— Só tome cuidado quando cruzar o meu caminho, — Ele disse em resposta, soprando a fumaça do cigarro lentamente — porque eu não vou pegar leve com você.
Dazai sorriu, parecendo satisfeito.
O rumo de suas vidas iria mudar, mas ele tinha certeza que ainda se reencontraria com seu parceiro em outras ocasiões no futuro. Algumas amigáveis e outras nem tanto.
— Eu não esperaria menos de você, Nakahara Chuuya.
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