“Ele carrega uma carga que nada pode remover,
Um peso mortal, peso fulminante."

The Solitary — Percy Shelley.

Os risos eram constantes naquela festa.
Oliver encantado nem percebia que ele era apresenta não só como príncipe, mas principalmente como uma mera curiosidade entre aqueles nobres.

Da janela Schneizel via aquela cena.
Não sabia o que Carine estava planejando, mas talvez fosse o mesmo que ele.
O mesmo voltava a se sentar em uma mesa e assinava um documento.

Hoje seria um dia importante. Todas as delegações se reuniram na Britannia para discutir pontos em comum em uma assembleia.

É na base aérea Cornélia que recepcionara cada delegação que chegava.

Logo o local estava lotado.
No Hall de entrada do Palácio, Schneizel recepcionava todas as delegações.

Cornélia recebia a chamada de que se aproximava outro Knightmare de Britannia. Mas repentinamente todos na base aérea deixaram de responder.

Ela já imaginava o que isso significava.
Ela ia até o quarto onde Zoe e Oliver estavam hospedados e batia na porta.

— É Cornélia.

Dizia ela enquanto batia na porta e a porta ao ser aberta ela Via a pequena Zoe chorando.

— Hoje vai ser um dia agitado.

Dizia Nunnally a Zero que afirmava enquanto o mesmo tirava Nunnally da cama e botava na cadeira de rodas.
De repente aquele quarto ficava escuro. E por um momento eles não entendiam o que estava acontecendo.

— Nunnally…

Zero e Nunnally reconheciam aquela voz que vinha detrás deles.

— Onii sama. Você voltou.

Eles viam então sair da sombra Lelouch e C.C.

— Onde eles estão?

Perguntava Lelouch a ambos. Sabia que Nunnally e Suzaku teriam protegido seus filhos.

— Devem estar no quarto deles.

Dizia Suzaku. Logo Nunnally falava onde eles estavam hospedados e C.C. e Lelouch se dirigiam a porta até que ele sentiu a mão de Suzaku em um de seus ombros.

— Lelouch. Cuidado. A federação inteira está aqui hoje. Não deixe ser percebido.

— Merda.

Dizia apenas Lelouch para si mesmo.

Encontravam o quarto das crianças sem problemas, pois aparentemente ninguém da delegação estava no Palácio naquele momento.
C.C. abriu a porta apressadamente pensando em encontrar seus filhos.
Mas o que viam era não só a Zoe chorando na cama com Cornélia conversando com ela.
Ao vê-los Cornélia se levantava da cama sentada enquanto Lelouch fechava a porta atrás deles.

— Cornélia.

A voz de Lelouch carregava raiva. Pensava que ela havia feito algo a Zoe. Mas antes que ele e C.C. pudessem fazer qualquer coisa Zoe corria até seus pais chorando.

Eles se abaixavam e abraçavam sua filha.

— Zoe. O que houve?

Cornélia então respondia a C.C.

— Eu a encontrei chorando. Não adianta o que eu faça ela não querer me contar o que aconteceu.

Zoe então agarrava a sua mãe e falava chorando.

— Oliver. Tem alguma coisa de errado com ele.

— Onde ele está?

Zoe respondia a sua mãe que ele estava nos jardins. Lelouch então ia até à janela e abria sutilmente a cortina para ver se conseguia ver seu filho.
Mas tudo o que ele via era um monte de gente. Todas as delegações estavam lá com nobres e até mesmo os cavaleiros.
Observava no canto Villetta de mãos dadas com Ohgi enquanto conversavam com Kallen e Gino.
Ele então voltava-se a C.C.

— Não podemos sair. Todos estão lá.

Dizia ele com certa raiva. Então se sentava no divã pensando no que poderia fazer.
Cornélia então virava-se para C.C. e Lelouch.

— Vocês vão precisar de um disfarce.

Oliver caminhava entre aquela multidão, encantado. Nunca esteve cercado por tantas pessoas que lhe davam tanta atenção em simultâneo. Ele então sentiu duas mãos segurando seus pulsos.
Ao olhar para cima ele via duas pessoas completamente cobertas com um manto negro e máscaras em estilo oriental.

Imediatamente percebe de quem se tratavam.
Ele tentava forçar em não ser arrastado para dentro até que seu geass ativa com o desespero.
Naquele momento ele podia ver todo o passado de sua mãe e seu pai. Mas antes do réquiem. Pois, eles o soltaram assustados quando percebiam que o geass dele ativava.

Oliver caia de joelhos no chão mais uma vez enjoado. Ele hiperventilava enquanto percebia o porquê seus pais não deixavam eles serem tocados quando ele estava com o geass ligado.

Todas aquelas mortes, tudo o que sua família fez. Assim como os cavaleiros negros, culto ao geass, F.L.E.I.J.A, a conexão Ragnarok… Tudo aquilo vinha em sua mente.

Ele então vomitava mais uma vez, dessa vez no chão do jardim enquanto todos olhavam.
C.C. e Lelouch se abaixavam para socorrer seu filho, mas ele imediatamente os afastava.

— Não toquem em mim!

Dizia ele quando sentia as mãos de seus pais. O menino então se levantava e saia correndo entre a multidão que olhava curiosa aquela cena.
Haviam chamado muita atenção. Teriam que achar outro jeito de chegar até Oliver.

Oliver corria e corria. Queria estar longe de tudo aquilo que viu. Ele chorava não vendo até onde estava indo. Logo ele tropeçava e caia em um leve desfiladeiro gramado que dava para o espelho d'água onde ele quase caiu de cara. Segundos depois ele levantou- se com ajuda de alguém que estendia sua mão para ele.

Ao olhar ele via uma jovem que aparentava ser um pouco mais velha que ele. Ela era bem morena e tinha cabelos longos e negros com os olhos levemente puxados. Parecia ser uma mestiça.

— Você está bem?

Perguntava à menina quando ele já estava de pé.
Ele não a olhava diretamente, envergonhado enquanto respondia estar tudo bem. Mentindo para ela.

A jovem então olhava as roupas dele e então percebia que ele poderia ser um dos príncipes de Britannia. E então se curvava a ele.

— Muito prazer. Sou Camélia Ohgi.

Dizia ela com um simpático sorriso.

— Eu sou Oliver.

Dizia ele virando-se tentando de alguma maneira dificultar que ele fosse identificado como filho do ex imperador.
Ela percebia que ele parecia um pouco incomodado. O mesmo botava suas mãos na barriga. Parecia que ele precisava de ajuda.

— Você está bem? Posso chamar os médicos para te ajudar.

— Não obrigada, eu estou bem. Preciso apenas relaxar.

Ele então se sentava no chão seus olhos estavam compenetrados no espelho d'água que havia caído.
Ele não conseguia parar de pensar no que havia visto.

— O geass, e uma maldição.

Falava baixo enquanto apertava a grama ao seu redor.

— O que?

Ele olhava para o lado e percebia que aquela garota ainda estava ali, agora sentada do lado dele.

— Eu não disse nada.

Ele virava o rosto na direção contrária a dela corando levemente.
A menina então se deitava no gramado e olhava para o céu com poucas nuvens.

— Hoje o dia está tão lindo.

Oliver olhava para cima e então também decidiu se deitar ali.

Enquanto isso, Lelouch e CC. Voltavam para dentro e tiravam suas fantasias. No caminho para subir até o quarto encontravam Schneizel.

— Lelouch. Não estão aproveitando a festa?

Dizia ele em tom de deboche ao seu meio-irmão e a consorte dele.

— Não tenho tempo para suas gracinhas Schneizel.

Dizia Lelouch ativando o seu geass até que sentia as mãos de C.C. em seu braço.
Naquele momento ele entendia o que ela queria dizer.

— Bem, Lelouch eu não estou aqui para brincar. Na verdade. Eu preciso falar sobre uma questão com vocês.

Os passos dos três podiam ser ouvidos ecoando entre os corredores vazios.
Schneizel levava Lelouch e C.C. Até seu escritório.

— Seus filhos são encantadores Lelouch, meus parabéns. Principalmente Oliver, aquele menino tem uma mente afiada.

C.C. olhava para Schneizel com a cara fechada, passível enquanto Lelouch claramente não estava nada feliz.

— Nós diga logo o que você quer.

— Primeiro sente-se majestade.

Dizia ele para C.C. e então ela é Lelouch se sentava naquela mesa a frente de Schneizel que sorria tentando ser minimamente simpático.

— Lelouch. Deve saber que estamos com faltas de herdeiros em Britannia. De toda nossa família só sobrou você, Nunnally, eu, Cornélia e Carine.

— É eu com isso Schneizel. É só um de vocês se casarem e terem filhos.

— Você sabe que isso é muito mais difícil que aparenta Lelouch. Carine não tem pretendentes, Cornélia nunca me disse nada mais acho que ela tem um caso com o cavaleiro dela e eu…

— É você com o seu cavaleiro.

Schneizel sorria derrubando sem perceber uma peça que havia em cima do tabuleiro de xadrez no canto da mesa.

— Quanto a Nunnally não sabemos se ela poderá ter filhos. É ela nem sequer aparenta estar interessada em alguém, apesar de já aparecer pretendentes a ela. Então estou pensando em fazer de Oliver o descendente direto de Britannia. Mas é óbvio que ele teria que ficar aqui conosco e…

Antes de Schneizel terminar de falar C.C. e Lelouch se levantavam de suas cadeiras revoltados.

Nem pense nisso Schneizel. Você não vai tomar meu filho de mim e usá-lo como uma marionete sua.

Lelouch ligava o geass e então ele era puxado por C.C. que o impedia novamente.

— Hora pensem bem. Vocês não acham que ele merece uma boa educação e todo luxo e conforto que ele pode ter em Britannia?

Lelouch abria a porta e mal ouvia o que Schneizel falava já C.C. Antes de fechar a porta finalmente falava algo.

— O que ele merece é viver com seus pais e sua irmã sem ser incomodado e envenenado por Britannia.