Sombras do Passado

32 Capítulo 32 - Abrandando mágoas


***

Cristina permaneceu parada, na porta, olhando para Federico ainda sem se entender bem naquela situação. Jamais se vira ali, indo procurá-lo, mas era o justo, não podia deixa-lo na ignorância sobre aquele assunto da praga que, caso não fosse combatida, afetaria talvez mais a ele do que a ela. Porque era certo e ela sempre havia notado que, para cuidar que a Plantanal tivesse uma produtividade excelente, como sempre havia tido sob sua administração, às vezes ele descuidava da Olho d’Água.

_ Acho que eu nunca parei para observar a Olho d’Água. – disse ela rompendo o silêncio que já intrigava Federico.

_ Entre! – disse Federico apurando-se para tirar algumas coisas que ocupavam o sofá da sala. – Você está bem, melhorou do mal estar que teve ontem, foi ao médico?

_ A resposta é sim para as três perguntas, obrigada! Está tudo bem. – ela agradeceu, entrando na casa.

_ Eu achei que não te interessava nada da Olho d’Água. – disse Federico.

_ Provavelmente porque... eu nunca demonstrei interesse. – assumiu Cristina. – Ao contrário de você que sempre cuidou da minha fazenda como... como se fosse sua.

_ Sim, você sempre observou isso. E me disse que eu o fazia por ambição. – recordou o fazendeiro.

_ Eu disse isso porque... Eu queria fugir de você, Federico, você já sabe. Além do mais, a sua teimosia, a insistência para que eu demitisse José Maria e desse seu cargo a Martín...

_ Eu também o fazia, de certa maneira, para atrair sua atenção. Queria que você prestasse alguma atenção em mim, em algo do que eu fizesse.

_ Eu prestava. – confessou Cristina. – Sempre estive atento à sua eficiência e dedicação ao trabalho na minha fazenda. Se eu nunca te agradeci por isso, o que provavelmente eu nunca fiz, o faço agora, Federico. Obrigada por tudo o que você dedicou à minha fazenda... – baixou o tom como com medo de dizer aquilo, mas, completou – e a mim.

_ Que mal educado que eu sou, sente-se, Cristina. – convidou Federico, ao que ela atendeu e ele acompanhou, sentando-se ao lado dela. – Você não tem nada que agradecer. O que eu fiz pela Plantanal, como você me recordou há alguns dias, foi minha escolha, eu quis fazer porque eu gosto de desempenhar esse trabalho, é o que aprendi com meu pai, o que sei fazer e me dá prazer. Além disso, a Plantanal é sua fazenda. Tem você por todos os lados, seria impossível não me dedicar à ela por essa razão. Você sabe que eu te amo, sempre te amei, desde garoto e...

_ Por favor, Federico, não falemos disso. – Pediu Cristina interrompendo-o

_ Por favor, me escute! – ele pediu quase implorando.

_ Está bem. Fale. – ela concordou depois de suspirar.

_ Eu sempre te amei desde garoto e, era ali, naquela fazenda que eu via sempre você, tão inalcançável, tão linda. Aproximei-me do seu pai porque queria me aproximar de você, você sabe. Mas, desde que seu pai morreu, a dedicação que eu tive pela Plantanal, nada mais foi uma maneira de demonstrar a você, Cristina, que eu te dedicaria toda a minha vida.

Cristina se incomodou, sentiu-se um pouco emocionada e se levantou caminhando até uma estante que havia na sala, ficando de costas para ele.

_ Eu sei, Federico. Eu sei de tudo isso. Não pense você que eu não tenho consciência do quanto você fez por mim. Do quanto significou sua decisão de ficar depois que o meu pai morreu. Mas... tudo isso já está no passado, eu não vim até aqui para falar de nós.

_ Eu devia imaginar. – disse Federico resignado. – Mas eu precisava falar. Você ontem foi tão... bom, você segue me rejeitando, inflexível, diz que não vai me perdoar e eu tenho medo de que nos falte oportunidade, que fiquem coisas não ditas e nossa história não merece isso.

O tom resignado de Federico confundia tanto Cristina. Era ela quem insistia para que ele se mantivesse afastado, mas quando ele dizia que ia fazê-lo, Cristina sentia que o coração ia parar de bater.

_ Tudo já foi dito, Federico! – ela disse virando-se. – Eu vim porque estamos com um problema na Plantanal e é nossa obrigação...

_ Problema? Vocês precisam de ajuda? – prontificou-se Federico.

_ Não, obrigada. – agradeceu Cristina cortando-o. – Não foi por isso que eu vim. Esta manhã José Maria encontrou a terceira bananeira contaminada com sigatoka negra e decidimos que tínhamos que te avisar porque uma delas fica bem próxima da divisa com a Olho d’Água.

_ Sigatoka negra? – Federico disso incrédulo. – Meu Deus, Cristina, mas isso é muito grave.

_ Eu sei! Por isso vim te avisar hoje mesmo, para que você tenha consciência de que a praga pode estar em suas terras, é bom estar atento.

_ E que medidas vocês tomaram?

_ Nenhuma ainda. Quando eu saí de lá, José Maria estava entrando em contato com o agrônomo que você sempre leva à fazenda para revisar as plantações.

_ O Daniel? – indagou Federico.

_ Sim. Bom, Federico, era só isso. A última coisa que eu ia querer, é que algo pudesse prejudicar à Olho d’Água, à você.

_ Cristina, eu posso ajudar. Já tivemos focos de pragas durante esses anos na Plantanal, menos agressivas que a sigatoka negra, é verdade, mas com as indicações do Daniel, as combatemos e não comprometeu a lavoura.

_ Eu sei, Federico, mas, a realidade agora é outra. Nos separamos! Você não é mais meu marido e nem o administrador da Plantanal e tenho que resolver meus problemas sozinha.

_ Porque você quer, Cristina! – ele disse se aproximando dela, deixando-a de novo perturbada. – Porque você não aceita meu amor e fica recebendo visitinhas desse padreco imbecil.

_ Por favor, Federico, eu já disse que não quero falar disso com você. – negou-se Cristina.

_ O que ele foi fazer lá? O que ele te disse? Ele tentou alguma coisa com você, Cristina? – Federico ignorou as negativas de Cristina.

Cristina caminhou até o outro extremo da sala e ficou pensando nas perguntas dele. O melhor seria que ele soubesse! Sim, se ele soubesse talvez se desinteressasse um pouco mais dela e se afastasse como ela tanto queria. Como seu coração gritava para que ela impedisse que ele o fizesse.

_ Federico, eu tenho que te dizer uma coisa. – ela disse com um tom apenado.

_ Diga, eu estou te ouvindo.

_ Eu só vou te dizer isso porque, apesar de como as coisas se deram, eu acredito na lealdade entre nós dois, mesmo que você tenha me falhado. – acusou. – E também porque eu sei que suas ameaças à vida do Hernán são coisas que você diz da boca para fora, você não é um assassino.

_ Não esteja tão segura. – ele disse carrancudo.

_ Eu estou! Estou porque te conheço bem e sei que você não o faria mal, mesmo que viva dizendo que fará. Eu conheço seu coração, Federico e confio nos seus bons sentimentos.

_ Você está me deixando assustado. O que é que você tem para me contar?

_ Ontem, quando Hernán foi me visitar nós conversamos sobre o passado, recordamos, eu estou muito frágil e...

_ O que aconteceu? – indagou Federico já alterado adivinhando o que ela lhe confessaria.

_ Ele me beijou. Não. A verdade é que nos beijamos. – confessou Cristina.

Federico deu um soco na estante que assustou Cristina que arregalou os olhos.

_ Você não podia fazer isso, Cristina, você não pode fazer isso, você é minha mulher! – ele disse gritando.

_ Posso, Federico, posso! Posso porque eu não sou mais sua mulher. – ela disse firme.

_ Você é, você é para sempre, a única mulher da minha vida, Cristina! Me diga a verdade, você o ama? Você nunca o esqueceu, é isso? Você quer voltar para ele, me esqueceu?

_ Federico, são muitas perguntas... – disse Cristina emocionada.

_ Aquele dia, na cachoeira, eu senti. Eu senti que você se entregou, que você ainda me ama... – ele se aproximou dela e tocou a testa na dela, deixando Cristina tensa. De olhos fechados, ele indagou. – Eu senti errado? Você não me ama mais? – disse quase ofegante mirando a boca dela.

Cristina nem sequer conseguia organizar as ideias ao senti-lo tão perto. Seu coração disparou, sua boca secou, suas pupilas se dilataram enquanto ele apreendeu os lábios dela em um beijo melancólico. Cristina fechou os olhos e recebeu os lábios dele sentindo como, devargarzinho ele foi cadenciando os movimento, mordiscando os lábios dela e ela, com desespero, levou as mãos às costas dele e se permitiu receber aquele beijo enquanto ele, deslizando as mãos pelas costas dela, parou em sua cintura e juntou o corpo dela ao dele.

Como entender a Federico? Ela lhe confessava que beijou outro homem e ele reagia beijando-a, fazendo-a sentir aquela paixão, aquele desarranjo no peito, na alma, a sensação de que o coração vai sair do peito. O gosto do beijo dele era como um vício que ainda que ela lhe dissesse e se dissesse que não queria mais experimentar, no fundo, seu coração gritava para que ela o provasse ininterruptamente.

Lentamente ele foi diminuindo o ritmo, dessa vez ela não o deteve abruptamente, porque não conseguiu. A verdade é que não queria que ele parasse, seu coração gritava para que ele a beijasse que sentissem juntos aquela emoção do que ela sentia que se passava dentro dela. Ele foi parando de beijá-la e, com a mão esquerda acariciou o rosto dela com ternura.

_ Me diga, Cristina, por favor. – ele disse ofegante, sem se afastar dela.

_ Você quer saber a verdade, Federico, a verdade? – ela disse se afastando.

_ Tudo que eu quero de você é a verdade, Cristina, que você não me deixe tão confuso.

_ Você me altera, me desarranja, deixa um caos dentro de mim porque eu te amo, Federico, te amo como nunca pensei amar na minha vida! – ela confessou emocionada.

_ Então pare com isso, Cristina! Vamos nos acertar, ser felizes... – disse Federico.

_ Mas eu não quero me sentir assim. Você entende? Você me pede que eu não te deixe confuso e eu não quero fazer isso, Federico, mas você pode imaginar o quanto eu mesma estou confusa? Você chega perto de mim, e meu coração dispara, eu sinto as pernas bambas...

_ E o padreco? – indagou Federico ferido.

_ Esqueça o Hernán, aqui só há nós dois! – ela disse impositiva.

_ Mas você o beijou! – recordou Federico.

_ E você foi para a cama com outra mulher mesmo tendo me dito que nunca o faria, Federico! Mas nós não estamos falando disso, não diretamente.

_ O que você quer dizer, Cristina?

_ Você rompeu meu coração, Federico, rompeu minha confiança e isso, isso eu não posso perdoar! Eu não posso simplesmente esquecer que você fez aquilo porque eu não consigo. E eu sinto raiva todas as vezes que você chega perto de mim e me beija e eu não resisto.

_Cristina, você não resiste porque você me ama.

_ Sim, mas isso apaga o que aconteceu? – ela indagou com a voz embargada. –Uma noite antes de eu descobrir, eu estava nos seus braços, me declarando a você, de alma aberta como sempre estive com relação à você, falando da confusão que havia acontecido comigo e você não me contou. Se Raquel não nos tivesse dito aquelas coisas e eu não tivesse pressionado, você teria me contado, Federico? Você teria me confessado a verdade? – Cristina deixou transparecer suas mágoas. – Provavelmente não teria, não é? E ainda quer que eu te perdoe.

_ Como eu te disse, Cristina, desde o começo eu sabia que tinha feito a maior idiotice da minha vida toda. É claro que eu ia te contar, mas, eu fui um covarde, não tive a coragem de fazê-lo naquela noite, estava juntando coragem.

_ E por que eu devia acreditar em você? – ela indagou com os olhos cheios de lágrimas.

_ Porque eu te amo. E você sabe disso, Cristina, me perdoe... – implorou se aproximando mais uma vez dela.

_ E por isso mesmo, porque me preocupo com seus sentimentos e com os meus, é que eu te peço: mantenha-se afastado de mim. Eu não quero te fazer sofrer e não quero sofrer mais, não quero continuar agindo como uma maluca, não quero ficar tão confusa cada vez que você chegar perto, preciso me reconstruir, Federico!

_ Você fala porque tem intenção de retomar sua história com Hernán? – pela primeira vez ele se referiu ao ex-namorado de Cristina pelo nome e não de maneira pejorativa.

_ No momento, Federico, a minha única intenção é rearranjar meu coração destruído por você. E arrancar aqui, de dentro do meu peito, esse amor que agora me machuca, que eu não quero sentir. Porque eu não quero amar a um homem que em nossa primeira grande crise juntos, reagiu me traindo com a mulher que eu mais desprezo nessa vida.

Ela disse, pegando a bolsa e caminhando na direção da sede da Olho d’Água. Na porta, parou e virou-se para Federico:

_ Eu não queria, Federico, mas quando eu beijei a outro homem, eu me senti traindo você e isso me machuca ainda mais, sabe por quê? – ela disse sufocando um soluço. – Por que quando você foi para a cama com Raquel, em nenhum momento você pensou no quanto aquilo me machucaria. Você foi tão, tão egoísta como eu jamais imaginei que você pudesse ser. – disse finalmente saindo da casa e batendo a porta.

Quando ela entrou em seu carro, desabou em soluços e lágrimas que ela havia controlado com força sobre-humana frente ao marido, mas que veio com tudo sobre ela ao sair dali. Porque as coisas tinham que ser daquela maneira, por quê?

Federico, se deixou cair no sofá e, da mesma maneira, viu as lágrimas brotarem em seus olhos sem que ele se preocupasse. Nunca sentiu tão forte o peso do que havia feito à Cristina. De tudo, o que mais lhe doía era havê-la machucado, deixá-la tão triste, magoada. Daria tudo para que ela não precisasse sentir aquela dor, uma dor que foi provocada por ele mesmo, o que era mais grave. E ainda havia Hernán! Talvez... Talvez o mais justo, o mais digno fosse deixar que o ex-padre a fizesse feliz já que ele não havia sido capaz de fazê-lo e havia deixado-lhe tão destroçada, irremediavelmente machucada como ela não merecia e, muito menos, que o agravo viesse dele.

***

_ Entre! – respondeu Amanda quando Cristina bateu na porta já estava quase anoitecendo.

_ Oi filha! – cumprimentou Cristina abraçando-a forte.

_ Tia... – foi só o que disse Amanda, sensível, correspondendo ao abraço.

_ Como você está? – indagou Cristina sentando-se na cama ao lado dela.

_ Estou como fica um prisioneiro em uma cadeia. – disse Amanda amargurada. – Minha mãe fica me vigiando, não me deixa sair de casa, quer controlar até minhas saídas do quarto.

_ Amanda, Carlota não está acostumada a ser contrariada. Ela enlouqueceu ao ver que você não vai fazer o que espera de você.

_ E o que ela espera? Escolher o homem que eu vou amar parece tão absurdo.

_ Não para sua mãe. Carlota parece viver em um outro tempo. Mas não se preocupe, ela não vai poder decidir sua vida. Você tem a mim, ao seu pai, não está sozinha, filha. – afirmou Cristina.

_ Eu sei, eu sei! – ela disse com um sorriso apertando a mão de Cristina com gratidão. – E é só por isso que eu estou aguentando firme.

_ Sim, Amanda, você precisa ter paciência. Logo, Carlota não vai poder fazer nada para impedir que você fique com Carlos ou com quem escolha. Eu não entendo como ela não percebe que está te perdendo... – disse Cristina descrente.

_ Minha mãe nunca se importou que eu estivesse longe, tia. Digo, sentimentalmente. Ela quer me ter por perto, me controlar, mas... ela não se importa com meus sentimentos, é como se não me amasse de verdade, às vezes nem parece que é minha mãe e que eu sou sua única filha. – observou Amanda.

_ Sim, isso é notável. – Cristina disse sem culpa.

_ Eu queria... queria que minha mãe fosse como você. – confessou a jovem.

_ Ah, meu amor! – disse Cristina emocionada.

O coração de Cristina sentiu uma emoção que ela não pôde explicar e as lágrimas lhe assaltaram, não entendia o que acontecia em seu peito ao pensar na possibilidade de ser a mãe de Amanda. Abraçou-a, sem poder explicar os sentimentos e Amanda também sentiu. Sentiu aquela emoção que sempre ocupava seu peito ao estar próxima de Cristina.

_ Não chore, tia! – pediu se emocionando.

_ Eu não sei o que acontece comigo, eu estou tão sensível e você... – disse acariciando o rosto de Amanda se afastando do abraço.

_ Tia, não fique assim, eu te amo e me dói te ver triste.

_ Também te amo, minha princesa. E não se preocupe por nada, eu vou te proteger, é uma promessa!

_ Você já faz muito por mim, me mostra um carinho que eu nunca conheci com minha mãe. – confessou Amanda – Obrigada, tia!

_ Não me agradeça, princesa. Eu faço porque você merece e não é justo que sua mãe estrague sua vida só porque a amargura não a deixa ser feliz.

***

Durante a passagem de uma semana as coisas seguiram, inexoravelmente, seu curso na Plantanal. Amanda conseguiu escapar da vigilância de Carlota uma vez para ver Carlos e foi se tranquilizando ao perceber que as proibições de sua mão não seriam uma grande tragédia se ela agisse bem, conforme as orientações de Cristina. Falavam-se todos os dias pelo telefone e entenderam aquele distanciamento como uma prova necessária ao amor dos dois que valia a pena. Carlota seguia com sua postura intransigente, mas, via cada dia mais sua amargura e intolerância tornando-a uma pessoa isolada e intensificando esse isolamento, as pessoas evitavam chegar perto dela física e sentimentalmente.

Quanto à Cristina, recebeu mais uma visita de Hernán, mas manteve firme sua postura de não querer nada além de amizade, ainda mais, naquele momento, em que esperava aquela resposta. Federico, à despeito da recusa de Cristina, estava sempre presente na Plantanal ajudando no combate à praga que, aparentemente seria controlada e não comprometeria à lavoura nem da fazenda de Cristina e nem da Olho d’Água. Cristina sentia-se perturbada com a proximidade de Federico e fazia tudo para manter-se firme em sua postura de não perdoá-lo, mas via seu coração se abrandando ao observar a dedicação dele à Plantanal e à ela mesmo que ela pedisse que ele não o fizesse.

Cristina chegou ao escritório de doutor Luís sozinha. Preferiu não estar acompanhada ao receber aquela notícia porque não sabia como iria reagir se fosse a que ela sentia que seria. O médico demorou um pouco fora da sala depois que ela entrou, agitando-a, ainda mais. Logo entrou na sala com o envelope nas mãos. O coração de Cristina disparou.

_ E então, doutor, o que diz aí? – indagou ansiosa.

_ Ainda não o abri. Fui eu mesmo ao laboratório buscar o resultado porque sei o quanto você está ansiosa.

_ Sim, nem eu imaginava que ficaria tanto, é que... é um momento tão complicado. Abra! Por favor, abra! – pediu Cristina.

O médico abriu o envelope atendendo ao pedido dela. Observou o papel durante alguns segundos antes de dizer:

_ Parabéns, Cristina! Você vai ser mamãe!

Cristina não pôde segurar a emoção e, instintivamente, levou a mão à barriga, acariciando o ventre com doçura.

_ Meu Deus, um filho! Vou ter um filho de Federico!

***