No colégio o intervalo já havia terminado há tempos e o professor Rubens não pode deixar de notar a ausência de alguns alunos.

— Hm… Onde estão Mônica, Cebola, Magali e Cascão? Alguém sabe? — Ele perguntou para a turma. Ninguém sabia responder. De repente um celular começa a tocar freneticamente ao som de Sweet Dreams — Eurythmics. Ele pertencia à Denise que o atende um pouco nervosa, era o Xavecão quem a chamava.

— He, he, he… Desculpa profs. Realmente preciso atender. — Ela corre para o lado de fora da sala e põe o celular na orelha para ouvir o homem.

— Denise, você está no colégio? Precisa sair daí agora e ir pra casa, ouviu bem?!

— Aw, que lindo você se importando com a minha pessoa, gatão, mas o que está havendo?

— Sério, Denise, algo ruim está pra acontecer, algo grande! Vai pra casa e também manda geral ir pra casa, escutou?!

— Isso tem alguma coisa a ver com o sumiço do quarteto fantástico?

— Tá falando da Mônica, Cê, Magá e Cas? Ah, droga, preciso correr! Dá um jeito de evacuar todo mundo daí, okay? Tchau! — E desligou.

— Ai, ai, tudo eu, não é? Que saco… — Denise resmungou enquanto apertava o botão vermelho de incêndio e andava na direção da saída. — Agora vamos ver o que a turma anda aprontando…

A sirene ecoou pelos corredores no colégio deixando todos apreensivos. Alguns corriam em desespero. O professor Rubens tentou inutilmente controlar sua turma.

— Pessoal, calma! Deve ser só uma brincadeira de mal gosto de alguém! Permaneçam em seus lugares.

— E aquelas nuvens estranha lá no céu são o quê, professor? — Xaveco apontou para a janela. Todos se voltaram para o lado de fora.

— Okay, talvez seja melhor todos irmos embora mesmo. Mas com calma! Eu disse com calma! — O professor gritou enquanto a classe saía pela porta.

De volta ao labirinto, Mônica andava na frente de Cebola, olhando de relance para o próximo corredor antes de virar nele. Cebola estava feliz pela amiga ter vindo para ajudá-lo, mas ele se sentia muito confuso e precisava de vez saber o que estava acontecendo.

— Mônica, eu preciso saber quem é aquela cópia musculosa de você, o que ela faz aqui… E aquela outra do lado dela é a Magá? Sério, o que está havendo?

— Já disse, não dá tempo de explicar tudo, temos que sair daqui primeiro. Quando estivermos fora de perigo eu explico…

— Não dá pra fazer um resumo, uma sinopse, algo assim? — Cebola insistiu. Mônica respirou fundo e se voltou pra trás, para encarar o amigo.

— Okay, um resumo. Você foi um idiota, escravizou o planeta, a minha versão do futuro treinou um exército de rebeldes. O Xaveco do futuro veio ao passado para consertar sua burrada e consertou, mas parece que não funcionou então a própria Mônica veio pra acabar com você. — Ela nem esperou pra saber a reação do Cebola depois daquilo tudo, ela voltou a andar e espreitar os corredores. O garoto ficou estático por um momento, digerindo aquilo que acabou de ouvir e depois acelerou o passo para alcançar Mônica.

— De que ano elas são?

— Daqui uns dois anos, desde que viajamos pra Sococó da Ema. Foi onde tudo começou, eu acho…

— Como eu consegui escravizar o mundo inteiro em dois anos?

— Não dá pra contar tudo agor- aCK! — Mônica vociferou meio ao ataque surpresa. A parede se partiu e dela saiu um minotauro que empurrou a morena até a próxima à sua frente. O monstro tirou a mão e deixou a garota cair ao chão, desacordada. O minotauro voltou a sua atenção ao Cebola e lançou um soco na sua direção. Cebola saltou pra trás, tropeçando e caindo de bunda. Ele levantou o mais rápido que pode para não sofrer outro golpe. O garoto ia correr quando se ligou que Mônica ainda estava lá desmaiada e ele precisava ajudar. Assim que ele se virou o minotauro desferiu outro golpe, mas Cebola foi mais rápido e escorregou por baixo, passando antes que o soco o atingisse. Deu mais uma cambalhota até chegar na Mônica. Cebola aproveitou o finito momento de confusão do meio-touro para acordar a amiga.

— Mônica, você está bem? Me responde… — Ele sussurrou para ela, segurando o rosto dela em suas mãos. Mônica foi acordando aos poucos e recobrando a consciência.

— Ai, minhas costas… Alguém anotou a placa? — A morena balbuciou. Cebola sorriu e se aliviou por ela estar bem. — O que foi que me atingiu?

— Um minotauro. Vamos, eu te ajudo a levantar, temos que sair daqui antes que… — O monstro rugiu interrompendo o rapaz, depois foi ao encontro dos dois. Mônica tentou se por em uma posição para segurar o ataque do monstro, mas ainda se sentia atordoada e caiu com um dos joelhos ao chão. Quando o minotauro desferiu seu soco o mesmo não veio. O soco estava parado a centímetros deles, parado no meio do caminho. Os três ficaram confusos com aquilo.

— Mas que touro enorme é esse! — Um homem proferiu. Mônica sabia muito bem quem era.

— Xavecão! — Ela gritou animada. O loiro havia laçado o braço do monstro e se preparava para laçar o outro. Jogou, puxou e cruzou as cordas, o minotauro estava confuso e não sabia direito para onde olhar. Tentou puxar os braços de volta e arrastou o Xavecão que fazia força do seu lado para se manter no chão, fincando as botinas na terra e levantando um pouco dela o caminho.

— Aqui vamos nós! — Xavecão então se aproveitou da força do puxão e pulou nas costas do animal, ele laçou os chifres e a bocarra do minotauro e por fim puxou tudo, fazendo o monstro perder o equilíbrio e cair de queixo no chão. Xaveco jogou cada corda nos pés de casco do bichão e prendeu junto das mãos. No final o minotauro parecia um frango amarrado, pronto para ser assado. O loiro limpou as mãos batendo uma na outra e virou-se para receber um abraço caloroso vindo da Mônica.

— Que saudade sua, menina! — Ele sorriu e a abraçou de volta.

— Eu que digo, chegou na hora certa! Como sabia que estávamos aqui?

— Eu não sabia. Vim na cidade fazer umas compras. Mas reconheço aquela formação de nuvens nada naturais. Achei que fosse a Denise, mas não a encontrei…

— Não foi a Denise, foi a Magali quem convocou estes monstros!

— Magali? Como… Ela… — Xavecão então olhou para o horizonte e avistou a Mônica amazona e a Magali do futuro. Ele sentiu um calafrio percorrer por sua espinha — Essa não... Significa que eu falhei!

Mônica percebeu que o amigo Xavecão estava entrando em desespero e pegou na sua mão.

— Calma. Aposto que tem uma boa razão pra isso tudo, okay?

— Pessoal, ainda falta um monstro. Espero que seja algo menorzinho. — Cebola se aproximou e comentou. Xavecão o olhou curioso.

— Como assim?

— A Mônica do futuro determinou que o Cebola precisava passar por três desafios se quisesse viver. — Mônica explicou.

— Já foram dois monstros, uma mantícora e o minotauro.

— Também temos que encontrar a saída.

— Ou podemos fazer uma, como o minotauro fez derrubando a parede.

— Nem me fala disso, minha cabeça ainda está rodando um pouco… Espera aí, tá falando que eu vou fazer uma saída quebrando a parede?

— Você bem podia tentar.

— Eu não sou tão forte assim, e além do mais, não vou machucar minhas mãos de jeito nenhum.

— É por uma boa causa, nossas vidas!

Enquanto o casal discutia, Xavecão procurou pela tal parede derrubada pelo monstro e percebeu um local onde as plantas cresciam novamente e cobriam o buraco na parede de concreto.

— Esse labirinto foi feito com magia, não vai dar pra fazer isso nem se quiséssemos… — Ele apontou para a parede e os dois olharam espantados. Xavecão os encarou com um sorriso falso no rosto. — E então? Alguém tem um plano melhor?