Sombras do Futuro - Final
2 Tempos Escuros
— Aww, você é a maior gracinha! — O elefante disse sorridente e abraçou uma confusa Mônica.
— Pessoal, vocês também estão vendo esse elefante que fala ou sou só eu? — Ela perguntou enquanto afundava no peito do animal.
— Estamos vendo também, Mô. Só não estamos acreditando! — Magali disse.
— Vou chamar você de chefinha! Falando nisso… — O elefante calmamente retornou Mônica ao chão e bateu continência. — Senhora! Soldado Jotalhão se apresentando! A chefe mantém o Mestre do Caos sob custódia e me enviou para escoltá-los até o Labirinto!
— Jotalhão?! — Mônica questionou.
— “Mestre do Caos”?! — Magali indagou.
— ...Hãn?!! — foi tudo o que saiu da boca do Cascão.
— Só venham comigo, okay? — Jotalhão disse antes de se virar e andar. Os três amigos se entreolharam e o seguiram em silêncio.
— Mô, você conhece esse cara? Tem alguma ideia do que esteja acontecendo? — Cascão sussurrou para a amiga, com medo de que o animal escutasse.
— Não tenho certeza. Mas vamos ver o que virá em seguida…
Mônica percebeu que o caminho que eles faziam daria no parque principal do bairro do Limoeiro. Ela olhou para o céu e avisou nuvens carregadas se formando logo acima do local. Seus pensamentos sobre o Cebola estar em perigo aumentaram ainda mais.
A morena sabia que tinha assuntos inacabados com o garoto e que ele estava constantemente tentando voltar com ela, Mônica por sua vez evitando-o para seu próprio bem. Mas ele continuava sendo seu melhor amigo e se ele precisava dela para ajudá-lo, ela o faria.
No parque, Cebola recobrava sua consciência aos poucos e sentia parte do corpo dele deitado sobre um chão de terra. Sua cabeça doía como nunca, principalmente no local do ferimento. Ele arriscou de tocar o local com a mão e tirou rápido quando a dor aumentou abruptamente e o fez gemer. Havia sangue seco em parte do seu rosto, colando mechas de seu ralo cabelo próximo da orelha. O rapaz então finalmente respirou fundo e tomou coragem para se levantar lentamente, primeiro sentando ao chão e abrindo melhor os olhos para descobrir onde estava.
— Ah, acordou finalmente… — Uma voz feminina conhecida falou. Cebola seguiu o caminho da voz e encontrou Mônica observando-o de um local alto. A Mônica amazona.- Talvez eu tenha exagerado um pouco, eu peço perdão.
Cebola encarou-a e esboçou um sorriso. Fechou os olhos por um instante para se concentrar melhor e ficar de pé.
— Eu não levo uma porrada dessas há muitos anos. Quase esqueci como era. — Cebola comentou alegremente. — Mas você ainda não me disse qual é a ocasião, Mônica. Se você for mesmo a Mônica...
— Que estranho… Como pode não saber quem sou eu? É claro que eu sou a Mônica.
— Okay, mas… Você é diferente.
— Diferente como?
— Err… Fisicamente? Você é mais, hum, robusta? Quer dizer… Eu não quis dizer do tipo gorda, mas do tipo musculosa! E, ah… O seu cabelo está maior? E também, o que há com essa roupa? — Cebola começou a explicar. Mônica levantava as sobrancelhas um tanto confusa. Uma pessoa em um manto negro escondendo o rosto se aproximou dela.
— Mônica, assim como essa versão do Cebola, aqui nesta dimensão também existe uma versão de cada um de nós. — A pessoa misteriosa dizia com uma voz doce porém tempestuosa. Cebola se perguntava quem ela poderia ser e o que raios estava acontecendo. Ele olhou ao seu redor e se viu numa espécie de corredor com paredes altas cobertas de folhas. Um labirinto talvez? Ele não tinha certeza, mas no horizonte havia uma névoa densa que o inibia de saber onde aquele corredor começava ou terminava.
— Ah sim, eu quase esqueci disso… Pedi para que Jotalhão os trouxessem se os encontrassem aliás. — A Mônica amazona olhou para os prédios ao longe e abriu um sorriso melancólico. — Eu havia me esquecido como esse bairro era antes. Como é bonito…
— Mônica, não podemos nos demorar… — A misteriosa voltou a dizer.
— Certo, pode prosseguir. — Mônica afirmou e a pessoa misteriosa deu um passo para a frente. Ela retirou o capuz da cabeça e Cebola avistou uma mulher de cabelos negros, grandes e sedosos. Olhos cor violeta, muito brilhantes.
— Ma-Magá? — O garoto balbuciou. A mulher não lhe deu atenção e começou a fazer movimentos sincronizados com as mãos e proferir seu feitiço.
— Deusa Hécate e vos suplico, vinde a mim os seus servos quando o momento é certo. Filhos da terra e do fogo, emprestem-me sua força e sua coragem, dê obediência e eu darei a vida até vocês novamente. Que este presente perpetue até a chegada da paz...
As nuvens carregadas no céu tornaram-se negras e fizeram trovejar. Os raios começaram a cair em pontos distantes do labirinto e depois de alguns segundos fez-se o silêncio.
— Está feito, Mônica. — Magali sussurrou. A guerreira afirmou com a cabeça e voltou sua atenção ao Cebola.
— Cebola, esta é a hora do seu julgamento. A chance que eu lhe dou de para se redimir dos seus erros do futuro que levarão a humanidade ao seu fim como a conhecemos.
— Pera, pera, peraí… Deixa eu ver se entendi. Eu estou sendo julgado por algo que eu ainda nem cometi?! — Cebola questionou perplexo.
— Seu futuro foi traçado desde o momento em que você nasceu, Cebola. Não importa o quanta luz haja, as trevas sempre predominam o seu coração. Não mais deixarei que a sua ira caia sobre este mundo ou em qualquer outra dimensão. Eu terei de aprender a viver com o seu sangue nas minhas mãos, mas este sacrifício se vem necessário. Eu lhe darei três desafios, três chances. Se passar nelas e encontrar a saída do labirinto eu prometo lhe deixar em paz. Mas, bem… Isso não irá acontecer. — Mônica finalizou. Suas palavras eram secas, porém sua feição era melancólica. Ao longe Cebola ouviu um rugido alto de terror e o medo nasceu em seu corpo. Não por ter a morte à sua espreita, mas porque dessa vez ele estava sozinho.
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