Sombras do Futuro
11 Você tem uma ligação perdida
TRIIIM
– Hoje esse negócio de Celular tá que tá, hein? Véi, acho que já tocou treze vezes — Cascão falou, entediado com o fato de o Celular tocar toda hora.
– Nem vem! Treze dá azar! — Magali completou.
– Povo... é o mesmo número daquela vez, que disseram que era o Cebola...
– Hein? Sério? Deixa eu atender, vai? — O sujinho começa a implorar.
– Ene, á, ó, tio: Não! — Denise exclama — o celular é meu!
– Eu sou o melhor amigo dele, valeu? Passa pra cá!
– É, best friend, mas eu não quero que você meta essas... patas! Essas patas imundas aí, no meu filho.
– Filho? Denise, você tá bem?
– Meu celular, seu burro. Ele é precioso.
– Uau, agora que eu vi! É um iPhone 6!
– A Carminha me deu de níver. Agora devolve meu celular!
– Tá bom! Mesmo porque o Cebola já deve ter desligado!
___________________________________________________
"Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa postal, e estará sujeita a cobrança após o si..." – Click.
– Saco! Não atenderam!
– Tenta de novo!
– Acho que não vão atender, novamente.
– Não custa tentar.
– Custa sim. Meus créditos!
– Ai, garoto, complicado você, hein?
– Eu? Complicado?
____________________________________________
– Madame, quer que eu tome providências?
– Não, Berenice. Obrigada. Deixa quieto, eles vão se acalmar.
E os três discutiam. Denise se batia toda, Cascão não parava de falar besteira e Magali tentava acalmá-los. Céus, quanta arrogância!
Magali já havia desistido de acalmá-los. Olhou para seu celular. Duas da tarde. Teriam apenas nove horas e meia. Meia hora era o tempo de sair dali e garantir estar bem longe daquela cidadezinha. Mas Magali, para a sorte de todos, conhecia muito bem o lugar. Só que ninguém sabia disso.
Será? A esta altura do campeonato, poderia até ser que todos já desconfiavam. Aliás, ela já tinha visto tudo. Ninguém ali iria sobreviver. Uma bala perdida poderia ser fatal. Ou qualquer outra coisa. Mas ninguém iria se safar. Todos estavam condenados para morrer.
Fale com o autor