Sombras de Santuário
1 Sombras de Santuário
A aldeia ardia. O cheiro a carne queimada e cinzas pairava no ar. O guerreiro ajoelhou-se perante os destroços, sentindo o peso da derrota. Lilith caminhara por ali, deixando apenas destruição. Os demónios haviam ceifado vidas sem piedade. Cerrou os punhos.
A luta era eterna, mas render-se nunca fora opção. O céu enegrecido parecia rir-se da sua dor. Ergueu a espada, ignorando o medo. Santuário precisava de resistência. Se a escuridão chamava, ele responderia com aço e sangue. Partiu, deixando para trás as ruínas. A guerra não acabaria aqui. Apenas começava.
As ruínas de Tristram ainda sussurravam segredos. Passos ecoavam entre as pedras antigas, memórias de horrores passados. O guerreiro avançou, a mão firme no punho da espada. A terra estava amaldiçoada, tocada por Baal, Mephisto e Diablo. Os demónios nunca abandonavam verdadeiramente este mundo.
Entre os escombros, algo se mexeu. Um espectro, resquício de um tempo antigo.
“Porquê lutar?” – sussurrou a voz.
Ele hesitou. Não havia resposta fácil.
Mas enquanto o sol nascesse e os corações batessem, Santuário merecia ser defendido. Com um golpe certeiro, dissipou o espírito. A luta continuava.
A sua presença era avassaladora. Lilith ergueu-se diante dele, os olhos ardendo como brasas.
“Filho do Santuário, porquê resistir?” A voz dela era doce, tentadora.
O guerreiro apertou o punho da espada. Sabia o peso das suas palavras. Ela falava de liberdade, de um mundo sem os grilhões dos Céus e do Inferno. Mas o que restaria, senão caos?
Avançou, atacando com tudo o que tinha. Lilith desviou-se com elegância, um sorriso enigmático nos lábios.
“A tua luta é em vão.”
O choque entre luz e trevas iluminou as ruínas. A guerra pela alma de Santuário continuava.
A cidade de Kyovashad estava cercada. O frio cortante não era pior do que o medo nos olhos dos guerreiros. O exército das trevas marchava sem piedade. O guerreiro subiu à muralha, observando o horizonte sombrio. Lutariam até ao último homem, se fosse preciso.
“Pelo Santuário!” – bradou, e as vozes ecoaram a resposta.
Quando os primeiros demónios avançaram, ergueu a lâmina, mergulhando na batalha. O sangue tingiu a neve, e os gritos preencheram a noite.
A esperança era frágil, mas enquanto houvesse resistência, Santuário não cairia.
O sol nasceu tímido sobre o campo devastado. Corpos cobriam a terra, demónios e humanos juntos na morte. O guerreiro respirou fundo, os músculos doridos. Haviam vencido, por agora. O mal nunca morria, apenas recuava, esperando o momento certo para regressar.
Caminhou entre os destroços, sentindo o peso de cada vida perdida. Mas no meio do horror, um som suave. Uma criança escondida entre os escombros. Ele ajoelhou-se, oferecendo a mão. Ainda havia algo por que lutar.
O ciclo continuava, mas naquele instante, a esperança renascia. Santuário sobreviveria mais um dia.
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