Sombras - Ascensão.
3 2- O lado brilhante de uma sombra.
Notas iniciais
Após minha chegada à aquele lugar do qual eu não sabia nada, apenas que com a ajuda de Dark Kyle meus pais o haviam construído, sentei-me em uma cadeira que se localizava no meio do abrigo e chorei.
Eu sabia que eu nunca mais veria as pessoas que mais me amavam nesse mundo, mas também sabia que meu pai havia me treinado para ser um samurai, e os samurais são fortes. Eu segurei minhas lagrimas e perguntei a Dark Kyle, que me observava do canto do quarto desconhecido:
– O que faremos agora?
–Sobreviver. – Ele respondeu.
–Onde estamos?- Questionei.
–Como assim Nagasaki?- Disse eu surpreso .
–Nagasaki, Japão, oriente, planeta terra, simples assim. – Disse Dark Kyle.
– Mas Nagasaki não está cheia de Radiação? Do tipo que pode me fazer ter câncer, e nascer um terceiro olho ou até mesmo uma centena de braços deformados?- Retruquei.
– Sim- ele respondeu.
– Portanto... – pedi que prosseguisse.
– Eu sou uma sombra, não sou afetado por radiação.
– Mas e eu? Acho que esse é o ponto.
– Existem três tipos de radiação nucleares conhecida pelo homem, as radiações Alfa, Beta e Gama, entretanto existe um ultimo tipo de radiação que nós sombras que derivamos de humanos com poderes emitimos e chamamos de radiação negra, esse tipo de radiação repele as ondas dos outros tipos e consequentemente impede que seres próximos a nós sejam atacados pelas radiações Alfa, Beta e Gama. Você tem poderes, achou que eu seria normal?
– Bem...é...achei. – Falei rindo — Mas a radiação negra não deveria me modificar geneticamente, assim como as outras fazem?
– Não, a radiação negra não afeta humanos.
Abri minha boca para perguntar o porquê, mas antes que algum som saísse de minha boca Dark Kyle respondeu:
–Não, eu não sei o porque, só sei que não afeta.
Não me senti satisfeito, mas então notei o quarto em que me encontrava, um quarto pequeno com apenas uma cama de solteiro que imaginei que fosse pra mim já que Dark Kyle não dorme,um pequeno banheiro ao fundo , uma cômoda e algumas roupas em um armário tudo muito simples. Com duas janelas uma de frente para a outra e apenas uma porta.
– Eu posso sair pela porta?- perguntei.
– Se não se afastar muito de mim. – Dark Kyle respondeu.
– Porque você cuida de mim?- perguntei.
Ele tentou resistir, não porque não queria dizer, mas talvez porque nem ele entendia, entretanto acabou começando a falar:
– Eu não entendo muito bem Kyle, eu simplesmente não consegui viver com você, ter uma ligação contigo e não sentir nada. Eu entendo que algo me fez amá-lo e desejar protegê-lo como um irmão mais velho faria.
Eu finalmente entendi porque eu sobrevivi à chacina. Eu tinha uma sombra especial. Mas lembrar da chacina não me fazia bem, eu senti uma lagrima escorrer pelo meu rosto e espantei a lembrança.
Decidi sair pela porta e encontrei o vazio, construções destruídas, ruas desertas, e um espaço fantasmagórico, com absoluta certeza estávamos em Nagasaki, mas aquele lugar ainda tinha um ar de morte e destruição que não me agradava nem um pouco. Fechei a porta e decidi não sair por muito tempo daquele quarto.
– Você está com fome?- Dark kyle perguntou.
– Um pouco- respondi.
– Abra esse alçapão e encontrará muita comida .- ele disse apontando para o chão.
Eu abri a pequena porta e encontrei uma escada, desci por ela e me deparei com muitos suprimentos não perecíveis, um fogão, uma geladeira,uma TV, e no fundo de tudo uma Katana que parecia muito com a que eu tinha em mãos.
– Como isso tudo funciona?- Perguntei não entendendo nada.
– Eu e seus pais preparamos isso, tudo funciona através de energia solar e eólica.- Dark Kyle respondeu.
–Incrível- disse maravilhado.
– Seu pai era um ótimo Físico e sua mãe uma engenheira habilidosa.
Todas as noites eu os trazia aqui através das sombras para construir esse lugar, eu sabia que logo , o Rei Negro mandaria exterminar todos os humanos, seus pais queriam estar preparados e eu também queria ter certeza que tudo fosse feito de forma que pudéssemos sobreviver aqui.
–Você com certeza você é especial Dark Kyle- falei.
– Garoto especial, Sombra especial. – ele disse por fim e pela primeira vez depois daquilo tudo dei um pequeno sorriso.
Eu acordei com pequenos raios de luz sobre o meu rosto, eu olhei em volta e notei o quarto onde eu estava dormindo, percebi que todas as coisas que haviam ocorrido com meus pais e comigo eram verdade, todas as manhãs eu acordava e me deparava com a mesma situação. Eu sempre dormia com esperança de no outro dia acordar de um sonho ruim. Mas nunca acontecia.
Eu me levantei, fui ao banheiro e lavei o meu rosto para acordar, tomei um banho, troquei de roupa, abri o alçapão e desci as escadas. Lá em baixo encontrei Dark Kyle, sentado e observando o estoque de comida.
– Já acordou? – Ele perguntou
– Sim- Respondi
Há muito tempo eu tinha uma pergunta para fazer mas nunca a fiz, dessa vez decidi não pensar:
– Quem é realmente o Rei Negro? – Perguntei com uma voz extremamente falha, mas não foi assim que eu havia treinado.
Dark Kyle me se virou para mim, em sua falta de expressões faciais eu senti uma aflição.
– Ele não é nada mais do que uma sombra de um único lado muito poderosa por sinal. Eles o chamam de o criador.
– Como assim sombra de lado único? – perguntei.
– Na luz, eu sou o seu reflexo, o seu lado escuro e embaçado, a sua parte oposta. Na escuridão você é meu reflexo, meu lado brilhante e nítido, a minha parte oposta. Uma sombra de lado único não tem um lado brilhante, ela é sempre escura, má e fria.- respondeu muito velozmente.
Eu olhei para Dark Kyle mas não vi um lado mal e frio nele.
– E como ele aparenta?- perguntei.
– Ninguém sabe. – Ele respondeu.
– Nem as sombras? – Perguntei assustado.
–Ninguém.- Respondeu por fim.
– E como começou? – Falei
– Kyle, eu não sei! Lembra-se que eu nasci no mesmo dia que você? Eu não sei tudo. – Dark Kyle respondeu como se pedisse desculpas.
Eu me virei e subi as escadas, sem falar nada. Então por motivo nenhum eu me lembrei do meu primeiro dia de aula sobre a arte da Katana, meu pai empunhou a Katana e me mostrou como segurá-la. Minha mãe assistia tudo de longe com seus olhos castanhos grandes nada orientais, e seu cabelo quase loiro, meu pai era exatamente o oposto, olhos puxados e cabelos curtos e castanhos claros assim como os meus. Espantei a lembrança para não chorar,afinal homens não choram, muito menos samurais ou era assim que eu pensava que deveria ser...antes de saber como seria meu futuro.
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