Sombras

11 Capítulo 11 - Um dia nem tanto agradável.


Notas iniciais
Mais um capítulo para vocês :B Espero que gostem, boa leitura seus lindos.

Ainda estava pasma. Eu tinha feito aquilo com Harth? Eu o matei? Eu matei uma pessoa. Corri até a cantina torcendo para ninguém ter visto. Sentei de frente para Judy e Louis e fiquei encarando a mesa, se eu contasse eles iam querer me internar, então fiquei na minha.

–Você tá bem? – perguntou Louis parando de olhar feio para Judith.

–Não. Acho que vou para casa.

–Quer que eu vá com você pedir permissão? – disse Judy.

–Não vou pedir permissão.

–Ui rebelde, — Judy riu, — Como pretende fazer isso?

–Atrás do ginásio tem um buraco na grade. Aí vou precisar que você leve meu carro para sua casa.

–Como sabe dessas coisas? – perguntou Louis.

–Uma vez eu paguei cigarro para um maluco me falar as saídas. Agora vamos, só preciso passar na sala que está aberta pra buscar minha mochila.

Guardei as coisas na mochila e sai rápido de lá. Judith e Louis me acompanharam até os fundos do ginásio.

–Ó a chave do carro. – falei.

–Ele funciona né? – disse Judy balançando ela.

–Vai zoando.

–Tá e você vai pra casa a pé? – perguntou Louis quando eu já tinha passado pelo buraco.

–Vou passar na casa de Johnny primeiro.

–Hm. Tão tá, tchau.

–Tchau. –fui andando de costas. – Cuida do meu bebê.

Johnny morava perto da escola, então não demorou muito para eu estar lá na varanda tocando a campainha. Já tinha tocado três vezes e ele não vinha, então toquei novamente e sentei na pequena escada de quatro degraus.

–Ora ora.

Me virei para a porta, Ashley se apoiava nela. Usando apenas uma camiseta larga, que devia ser de Johnny. Meu coração acelerou e eu quis socar ela. Preferia ter matado ela à Harth, mas os vultos não vieram.

–O que... – isso não podia estar acontecendo. Não.

Ela riu. – Finalmente aprendeu Amy, ele ME ama.

Dei meia volta correndo e esbarrei em Johnny, que trazia algumas sacolas.

–Amor? Você demorou.

Sai correndo desviando dele. Ouvi Johnny me chamar, mas eu já estava longe e não ia voltar. Corri o mais rápido que pude, xingando mentalmente ele e aquela vadia. Lágrimas brotaram em meus olhos, embaçando minha visão. Elas queriam descer por meu rosto, mas eu as segurava.

Cheguei em casa e corri escada a cima. Minha mãe devia estar no banho, pois não me ouviu. Eu queria falar com ela sobre o diário, mas não agora. Deitei na cama e fechei os olhos. Estava cansada, tinha parado poucos segundos para descansar.

Como eu queria estar naquela praia novamente. Apesar de ser agitada, como Abiah disse, era ótima para pensar e naquele momento mais do que tudo, queria falar com Abiah. Senti um vento gelado bater em meu rosto. Ouvi barulhos de trovões e quando abri os olhos, estava na praia.

Dessa vez eu não estava deitada e sim sentada na areia, molhada pelas ondas. Eu me sentia feliz de estar ali. Eu não queria andar, só queria ficar ali observando tudo, o mar, o céu...

–Aqui é ótimo. – disse Abiah sentando ao meu lado. – Um dia difícil querida?

Fiquei em silencio por uns instantes. – Pode se dizer que sim.

–Já vi uma daquelas frases de efeito que vocês postam em redes sociais. Se não me engano dizia: “Dias ruins são necessários para os bons valerem a pena.”.

Sorri. – hm a senhora anda entrando no Facebook é?

Ela deu uma risada rápida. – Vejo que você está progredindo em suas descobertas.

–Acho que sim. Mas elas estão me deixando cada vez mais confusa e com mais dúvidas.

–As dúvidas não acabam.

–A senhora sabe sobre os v-vultos?

–Sei sim. Não se preocupe querida. Eles não são nada novos, sempre a acompanharam. Mas como você ainda não aprendeu a controlá-los, quando você está sem o colar, eles não se manifestam.

–Entendi. E sobre minha mãe?

–Tenha paciência. Até os mais sábios erram.

–Dumbledore disse isso. – ri. – Harry Potter. – acrescentei vendo ela confusa.

–Ah é? Gostei desse Dumbledore. Mas como eu já disse você não pode culpá-la.

–Não seria mais fácil se você simplesmente me dissesse tudo?

–Seria, mas é você que terá que descobrir. Preciso ir, até logo querida.

Acenei. Deitei minha cabeça sobre os joelhos. Agora se eu estivesse em casa, com certeza estaria escutando uma música melancólica. Pensei em dar uma volta, mas eu já tinha conseguido o que queria, então voltei ao meu quarto.

Desci para comer alguma coisa, escutando música nos fones de ouvido.

–Amy? Que susto. O que está fazendo aqui? – disse minha mãe arrumando uma mala em cima do sofá.

–Por quê? Ia fugir é?

–Não né. Mas você devia estar na escola agora mocinha.

–Devia, mas fugi. –falei abrindo a geladeira por abrir e fechei em seguida. – Queria falar com você. E fiz bem, ó já ta pronta pra sair e nem ia se despedir.

–Até parece.

Enchi um copo da água e bebi um gole. – Mãe, sobre o baú... – tentei falar de um jeito calmo. – Eu achei um diário.

Ela me olhou surpresa. – Achou? Achei que tinha tirado de lá.

–Ah é? Porque tirou? Quer dizer que aquilo de incrimina, não é? – falei rápido de mais.

–Eu quero que você devolva. – disse ela franzindo o cenho.

–Por quê? Tem mais coisas lá? Vai se sentir mais culpada pelo que aconteceu, se eu ler? – falei quase gritando.

–Tudo bem Amy. Pode ficar com ele, não vou impedir você de lê-lo. Agora dá licença, que já estou atrasada.

–Toda, Rachel. – eu queria lhe dar um abraço ou coisa assim, mas fiquei receosa depois da nossa pequena discussão. Então subi de volta para o quarto.

Pela janela, fui até o telhado e sentei lá. Peguei meu celular, não tinha mensagens. Minha mãe já tinha saído e me senti mal. Da ultima vez que alguém discutiu e saiu de carro, eu sei bem o que aconteceu. Eu não sabia o que pensar em relação a Johnny, na verdade eu nem queria pensar nada, então prendi esse pensamento no fundo de minha mente.

Eu tinha dormido no telhado, acordei e já era noite. Ouvi um latido forte, me assustando, quase cai do telhado quando vi uma sombra lá em baixo. Era Johnny, Johnny e seu Doberman.

Notas finais
E ai, como vocês estão? Gostaram do capítulo? Até o próximo, beijos ;*