Notas iniciais
x Edição da Capa feita por mim;
x O efeito usado "Preso no Gelo" tem haver com o enredo da fanfic;
x Ordem cronológica própria. Universo e tempo alternativo, entretanto mantendo elementos fundamentais do anime.
x Narração em terceira pessoa, todavia, segue o estado mental de Ryo Marufuji;
x Zane Truesdale também pertence à mim, porque eu o amo. u_u

Olhos atentos percorrem um livro com certo interesse à meia luz produzida por um abajur. Olhares preocupados lançados em breves espaços de tempo. Suava frio, tremia por dentro.

E o rapaz na cama nem ao menos se mexia.

Agonia.

Angústia.

Por que se preocupar o pequeno?

Porque ele é seu irmão, a voz traiçoeira em sua mente respondia.

Traiçoeira mente.

Levantou-se, foi até a cama olhá-lo. Sentou-se ao lado, perto do braço do menino. Sim, ele ainda era um menino. Seu menino. Com a ponta dos dedos finos e longos alisou os fios azuis-aqua naturais. Sorriu involuntariamente.

E suspirou.

Pôs a mão branca em contato à testa do irmão. Suava frio. Parecia estar mergulhado em sua própria mente, porém não esboçava reação alguma.

Imóvel.

Como antes.

Por que se preocupar?

Continuou a encarar o menino com amor nos olhos acinzentados. Amor raramente demonstrado. Mas amava-o desde sempre. E sabia que se fosse ele estivesse em coma, o maninho surtaria.

Aquele sentimento de impotência corroia seu coração, quase fazendo com que lágrimas caíssem sem permissão. Todavia, não podia se abater. Não no momento.

Sentiu sua boca salivar. Aquele desejo doentio do errado aquecia seu debilitado coração. Passou os longos dedos por seus fios azuis escuros quase esverdeados e naturais e suspirou, controlando aquela sede.

Uma áurea negra invadiu o quarto, e ele fechou os olhos, aspirando aquele perfume sanguíneo inconfundível. Podia senti-la bem perto de si, passando a língua por seus caninos afiados, enquanto o observava.

Sentiu seu pescoço sendo arranhado por longas e, também, afiadas unhas. Os caninos roçaram na pele de sua nuca causando arrepios. Era domado aos poucos, esquecendo-se do irmão.

Reabriu os olhos, via-se neles um brilho sádico.

Hell Kaiser.

Nos lábios brincava um sorriso amável, mas precisamente calculado.

Zane Truesdale.

Duas metades de único ser. De seu ser. O Inferno Distante. Manipulador e sádico. Frio e calculista. E isso a inebriava.

Ela se pôs a sua frente. Ele a encarou sem expressão.

Longo silêncio.

Por quê?, queria perguntar.

Conteve-se.

“Ele se perdeu”, ela se adiantou.

Camula..., quis chamar.

Não conseguiu.

Direcionou o olhar ao pequeno. Sentiu seus olhos pesarem com o peso das lágrimas. Apertou-os, e algumas lhe escaparam, deixando um rastro em sua bochecha esquerda.

A vampira sentiu uma fisgada no coração morto. Havia se compadecido com o sofrimento alheio? Não, mas não era qualquer um... Era ele. Aquele a quem derrotou apenas por ter sequestrado a alma do garoto, agora, perdido em sua própria insanidade.

Aproximou-se do rapaz, e ele deixou sua cabeça pender, sendo consolado por aquela traiçoeira. Sentiu-se confortável, como não se sentia há algum tempo. Seria ela?

“Por quê?”, conseguiu perguntar.

Baixo demais, ela não ouviu.

“Camula...”, dessa vez ouviu, e arrepiaria se pudesse. “Por quê?”, tentou novamente.

Alisou os fios pale blue carinhosamente, algo que não era muito de seu feitio.

“Venha comigo.”

Seguiu-a. Por além do hospital clínico, além das movimentadas ruas de Roma. Seguiu-a além da própria insanidade que sua mente cairá.

Abriu os olhos. Aspirou o doce cheiro que lhe invadia. Fino... Expresso... Negro. Bem diferente do que seu olfato estava se acostumando àquele cheiro impregnado indiscutível hospitalar.

Ajeitou-se na cama e notou de onde vinha aquele aroma. Café. Havia uma xícara de café e a carta Different Dimension Capsule, Carta Mágica. Releu o que já sabia de cor.

“Selecione 1 carta do seu Deck e remova-a do jogo virada para baixo (sem revelar). Durante a sua 2ª Standby Phase após a ativação, destrua esta carta e adicione a carta removida para a sua mão.”

Era uma das cartas que compunham seu antigo deck. Questionou-se como aquilo havia chegado ali, se fazia muito tempo que ele tinha abandonado totalmente o jogo e se livrado de seu baralho, o poderoso Cyber-Dragon-Style Deck e o Cyber-Ogre-Style.

Sentiu que havia algo de estranho no verso da carta. Virou-a. Notou algo escrito em baixo relevo. Pegou a xícara de café e levou aos lábios, lendo o pequeno texto inscrito.

“Na Doce Coquetel, às onze horas. Por Syrus, não se atrase.”

“Foi você?”, perguntou ao sentir a presença de Camula.

“Não.”, a vampira sentou-se ao lado Truesdale, que a trouxe para mais perto de si, beijando o topo de sua cabeça.

“Eu quero respostas, Camula. E concretas.”, ela pôde perceber o tom calculado em sua voz.

“Não tenho respostas. Estou aqui apenas para te iludir”, manteve-se natural e séria.

Zane ergueu o rosto da duelista pelo queixo com seus dedos longos, olhou-a nos olhos. E a beijou carinhosamente. O gosto de café sobressaía ao de uísque e cigarro, e ela deixava que isso impregnasse seu corpo.

“E me iludir.”, completou em uma fração de segundo e voltou a beijá-lo com mais ardor.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.