Sollua

7 Capítulo 6 - Primeiras Evidências


Notas iniciais
Vamos leitores, se revelem!

“Elegante flor florescente

O que consegue ver de onde estás?

Por que as pessoas não podem

Perdoar umas ás outras?

- Euterpe

O vento uivava fora do forte, seguido por relâmpagos fortes. Haveria uma tempestade mais tarde. Robert observava as árvores chacoalharem com o vento, que cortava suas folhas e as lançava fora. Devida à claridade, o quarto de Robert era bem visível. Tinha um comprimento relativamente maior que o dos outros, a cama era igualmente grande, e acima de sua cabeceira havia a figura misteriosa de um leopardo das neves, e seus olhos brilhavam, e eram representados por safiras. As paredes eram esbranquiçadas, e a cerâmica do chão era igualmente branca. Apenas o teto era dourado, visto que era fabricado de metal. Apesar dos sons abafados de tiros que vinham do campo ao lado da cozinha, apenas ouviam-se o farfalhar das árvores e o vento a assoviar e entrar no quarto dele. Logo, gotículas de chuva caíam, revelando que a tempestade logo chegaria. Robert fechou a janela, saindo lentamente de seu quarto. Passaram-se alguns dias desde que os jovens previstos por Salazar haviam chegado ao forte, e a chuva predominava nos céus.

Robert atravessou rapidamente o longo corredor, e ao final dele, entrou em uma porta que levava ao jardim. Apesar de aparentar ser pequeno, o forte era grande, pois ainda não apresentei metade dos cômodos. No jardim havia flores de todas as cores, árvores de todos os portes e animais pequenos espalhados por todo o lugar. Robert andava levemente por entre as flores, e logo chegou à frente de uma porta de vidro, onde se avistavam máquinas espalhadas por um salão grande. Elas se movimentavam freneticamente, produzindo peças e unindo-as a outras. Após as peças passarem pela última máquina, estavam formadas como um robô grande, em formas animalescas diversas e com armas espalhadas por todo o corpo da máquina. Robert entrou rapidamente na sala, andando em direção à Nahomi, que estava sentada em uma cadeira rodeada por um balcão repleto de computadores, que estariam controlando as máquinas para a fabricação dos Animacs, como eram chamados. Robert observou atentamente ao trabalho de Nahomi, sem dizer uma única palavra, e andou até uma das máquinas, onde funcionários as monitoravam. Saori estava andando de um lado para o outro observando o trabalho das máquinas. Praticamente todos trabalhavam, exceto Ayra e Axal, que cuidavam do jardim, Maya, que ajudava em algumas coisas na cozinha, e Thaty, que observava atentamente aos homens em seu treino no campo. Chad apenas observava o trabalho de Nahomi, repassando algumas informações que Saori dera a ele para que dissesse à Nahomi. Robert estava conturbado, pois na noite passada teve um sonho estranho no qual, safiras choviam dos céus. E essa não era a primeira vez. Saori percebeu o estranho comportamento do irmão, e, aproximando-se dele, disse:

- Algo de errado ocorreu, Bob? – perguntou

- Não... Apenas não dormi direito... – respondeu Robert

- Pode ser que Salazar esteja próximo de voltar a visitar-nos... – comentou Saori, voltando a andar até as máquinas.

- Pode ser... – disse Robert, saindo da sala e indo ao jardim, vendo Ayra e Axal cultivando as plantas. O jardim era mais uma estufa, com o telhado e paredes de vidro.

Ayra e Axal brincavam, jogando lama uma na outra. Robert as observava, com o pensamento distante. Ele estava recordando-se de sua infância com Saori, mas chacoalhou a cabeça e continuou a andar. Saindo pela porta, atravessou o corredor mais uma vez, desta vez indo à sala de reuniões. Sentou-se na cadeira que ficava na mesa repleta de computadores, e verificou algumas coisas rápidas, como o número de Animacs já fabricados, os aviões e jatos mais próximos e se haviam mísseis ou alguma coisa parecida vindo em direção ao forte. Ao perceber que nada seria preocupante, seguiu em direção à cozinha. Maya e Meme preparavam rapidamente diversos sanduíches e os colocavam em bandejas, e por vez as colocando nas mesas que havia na cozinha. Meme encarou Robert, que por um instante quase caía em cima da uma das mesas, por leve distração. Maya segurou uma risada, e Meme disse:

- Bob, em breve os sanduíches estarão prontos para você chamar seus homens...

- Obrigado, Meme. – respondeu Robert, voltando a andar, passando pela porta que ficava após a cozinha.

Viu Thaty sentada na calçada olhando os homens manusearem armas. Robert surpreendeu-se com a maneira com a qual Thaty observava, e às vezes, prendia a respiração. Robert rira por alguns instantes e sentou-se ao lado da garota, que encarou-o com uma expressão entusiasmada. Robert virou-se para os soldados, e disse:

- Ei, você, tenente Gil!

O homem que fora chamado aproximou-se, encarando Robert. Ele levantou-se e disse:

- Entregue sua arma para a garota – referindo-se à garota que estava sentada.

- M- Mas senhor! – questionou o homem, que relutante, entregou a arma para Thaty.

- Mas o que quer que eu faça com isso? – perguntou Thaty, dando um passo para traz, por causa do peso da arma.

- Use-a! – disse Robert.

Calmamente, Robert a ensinou como manusear, e ela atirou em um dos alvos, mesmo que errando o centro. O homem, que se chamava Gil, assustou-se pelo tiro passar perto de seu rosto, e logo pegou sua arma de volta.

- A sensação é incrível... – comentou Thaty, enquanto sentava-se novamente à calçada.

- Sim... Mas o nervosismo no momento de acertar alguém é mais incrível ainda... – disse Robert, enquanto sentava-se ao lado da mesma.

- Sabe... Eu tinha um irmãozinho... Sinto falta dele. – comentou Thaty, pegando um graveto e desenhando na terra, que estava meio molhada por causa da chuva, que estava caindo do céu.

- Sinto falta de minha família... E de meu irmão mais velho. – disse Robert – A Saori não sabe, mas antes que ela nascesse, tive um irmão, chamado Brian. Ele tinha doze anos, e vivia reclamando das guerras. Apesar de eu ter menos de quatro, entendia o que ele falava, e logo comecei a me irritar com a guerra também... Ele morreu. E eu decidi cumprir o que ele planejava. Fazer uma organização para por um ponto nisso tudo... Mas mal imaginava eu que haveria fantasia nisso tudo... – dizendo isto, levantou-se, enxugou algumas lágrimas e riu. Thaty o encarou, e disse:

- Brian... Era o nome do meu pai.

- Bom saber... – disse Robert, entrando pela porta da cozinha.

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Em fileiras, pelas duas portas da cozinha, do campo e do corredor, entravam homens e sentavam-se às mesas espalhadas na cozinha. Ayra e Axal foram impedidas de entrar na cozinha por Meme, que recebeu um olhar sem expressão de Ayra. Ela, delicadamente, disse:

- Não entrem, não vão querer perder a fome vendo a nojeira que eles vão fazer... – disse Meme, voltando a entrar na cozinha rapidamente.

- Nossa... Tou faminta e sendo impedida de comer! – disse Ayra, enquanto as duas voltavam pelo corredor para o jardim.

- Acalme-se! Meme deve ter preparado algo para nós. – disse Axal, saindo pelo corredor e entrando no outro, que levava ao jardim.

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Thaty, nem mesmo com os homens na cozinha, saiu do campo. Ela andava de um lado para o outro, analisando os alvos. Ela recordava-se da primeira vez que Nino — seu irmão mais novo, falecido — falara. Ele dissera “Tati-Tati”, e estavam assistindo um filme de tiroteios. Deixou uma lágrima escorrer por seus olhos, mas logo chacoalhou a cabeça e enxugou os olhos. As armas dos homens estavam lançadas no chão. Thaty pegou uma, mesmo que com dificuldade, e atirou para o alvo, mesmo que errasse. Ela assustou-se com si mesma, e correu em direção à porta, abrindo-a. Antes mesmo que pudesse entrar, homens com fardas e sujos voltavam para o campo. Eles arrotavam e davam gargalhadas altas. Thaty conteve sua repulsa, e após os homens saírem, entrou na cozinha. Maya e Meme limpavam a cozinha, e Maya estava pálida.

- É melhor ir se acostumando, eles fazem essas porcarias todos os dias. – comentava Meme para Maya.

- Será que têm algo que eu possa comer que não me lembre o mau-cheiro de sanduíche? – questionou Thaty, enquanto se aproximava de Meme.

- Tem, mas espere nós limparmos a cozinha. Por enquanto ajude-nos a recolher as bandejas. – respondeu Maya, dando um leve suspiro.

Thaty assentiu, recolhendo as bandejas espalhadas pelas mesas e lavando-as. Após alguns minutos, Ayra e Axal, seguidas por Saori, Nahomi e Chad entraram na cozinha, que já estava limpa.

- Vou levar essa fatia de pizza e comer no meu quarto. Ao ver vocês me lembro dos homens porcalhões... – disse Maya, resmungando e saindo da cozinha. Logo todos se sentaram nas cadeiras, devorando algumas fatias de pizza.

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Maya entrou rapidamente em seu quarto, sentando-se em uma escrivaninha que ficava ao lado da cama, empurrando os livros que ficavam em cima dela e pondo o prato e o copo, que trouxera da cozinha. Ela começou a comer a pizza, tomando um gole do suco que ela mesma fizera – não tomava refrigerante. Olhou para a parede, onde tinham figuras de golfinhos, e até um aquário com alguns peixes. Maya não gostava de peixes, mas adorava golfinhos. Ela já tentara convencer sua mãe a conseguir um golfinho para ela, sem sucesso, visto que no Sul nevava demasiado. Por um breve momento, ela teve a sensação de estar sendo observada. Olhou em volta, em baixo da escrivaninha, pela janela, abriu a porta e a fechou novamente e até dentro do guarda-roupa, mas não encontrara ninguém – ou coisa alguma. Sentou-se novamente, mas sua pizza havia desaparecido. Assustou-se, e saiu do quarto, indo à cozinha e entrando, com uma expressão assustada. Mas ninguém a notou, e logo voltou para seu quarto. “Será que a Esther voltou para puxar as minhas pernas?” – questinova-se.

Notas finais
Bom... O 7 sai em breve ;-;