Solitude
26 Temporal
Notas iniciais
O céu coberto de nuvens escuras se parece agora com um espelho que reflete o meu estado de espírito, a chuva incessante castiga a minha janela tão intensamente quanto as lágrimas rebeldes lutam para tentar escapar e se deixarem rolar por toda a minha face, me fazendo coçar os olhos tentando, em vão, mantê-las presas dentro de mim.
Se me perguntassem eu não saberia dizer o motivo de tanta angústia, mágoa e tristeza… talvez seja um pouco de tudo, talvez seja um tanto de nada, talvez uma hora eu melhore, talvez só uma trepanação me ajudaria a aliviar essa tensão que crescente dentro de mim.
A questão é que esse temporal parece nunca passar e eu tenho medo, medo de me encontrar frágil e desprotegida, medo de ser arrastada por essa torrente de sentimentos embargados que nunca para de crescer, medo de não suportar sozinha, medo de ser tarde demais para pedir ajuda, medo…
Agora, ilhada em minha própria alma, só me resta orar a Deus ou ao Diabo, ao primeiro para que me salve dessa tormenta, e ao segundo para que me condene de vez, pois nada pode ser pior do que esse limbo que se tornou a minha vida.
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