Solitude
28 As Luzes
Notas iniciais
Eu posso dizer muitas coisas sobre a forma como me sinto, só não posso dizer que nunca fui feliz. Mesmo agora, vivendo a minha pior fase, posso enumerar pequenos momentos em que fui feliz, o problema é que esses picos de felicidade não são capazes de iluminar muito mais que uma candeia pendurada no alto de uma parede: enquanto o pequeno pedaço de chão a sua volta se ilumina, todo o resto se torna um breu.
Durante muito tempo eu tentei ignorar toda a escuridão que me cercava, por acreditar ser impossível ficar triste logo depois de me sentir bem e alegre. Eu tinha medo, tinha medo porque aquele lugar desalumindo representava todos os sentimentos que eu não me permitia sentir por receio de ser taxada de louca, estranha e sentimental, mas uma hora a candeia se apaga e só o que sobra é o frio cortante do medo e o impulso de correr em busca do próximo foco de luz.
Com o tempo eu descobri que a vida é um grande labirinto escuro, iluminado apenas pelas mínimas luzes de milhares de candeeiros, e que o meu propósito é encontrar a saída, rumo a felicidade eterna, sem nada a temer.
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