Solaris
1 Prólogo
Magnus tentou o seu melhor para erguer aquela porta, mas não conseguiu. Estava presa, provavelmente por algum destroço que havia caído do outro lado. As chamas estavam se espalhando rápido demais, a fumaça irritava seus olhos, forçando-o a deixá-los cerrados o máximo de tempo que conseguia. Berrou pela criança mais uma vez, berrou o nome de seu filho. Conseguiu ouvir um grito mais baixo em resposta. O menino estava lá, preso no próprio quarto, seu corpo prestes a se transformar em cinzas.
Magnus tentou mais ainda, batendo seu ombro contra a porta. Nada. Nada estava funcionando. Por que aquilo estava acontecendo com eles? A casa havia de incendiado praticamente sozinha, não havia nada ligado que pudesse gerar o incêndio. Sua esposa, Lisa, estava segura no quintal, mas desesperada pela vida do pequeno Amadeus. Ele morreria com o pai tentando salvá-lo. Ou não.
Amadeus olhou pela janela de seu quarto, estraçalhada, infelizmente não seria possível pular — era alto demais, ele com certeza iria cair como um saco de arroz. O menino viu a forte luz da Lua, cheia e amarelada. Amarelada. A Lua estava muito grande, que estranho. Amadeus tentou não focar naquela estranha sensação que estava tomando seu corpo. Ouviu mais berros de seu pai e o menino berrou de volta. Na frente da porta, havia um pedaço do telhado. Amadeus já havia tentado levantar aquele enorme destroço, mas seus finos braços não conseguiram mover absolutamente nada.
Um som estridentes correu por seus ouvidos. Seus dedos começaram a formigar intensamente. Os olhos castanhos claros do garoto se arregalaram e, quase como se tivessem sido forçados, encararam a Lua mais uma vez. Aquilo não é a Lua.
Fale com o autor