Solares
60 Capítulo 60
Notas iniciais
BELLA......
Final do capítulo anterior.
Um tempo depois.
Paramos em frente o prédio da Ângela e o olhei.
—Eu me diverti muito e tudo estava ótimo, obrigado.
—Eu também me diverti princesa.
—Estou com sono. Falei sorrindo.
—Eu também. Foi o trabalho que nos sugou e dançamos bastante essa noite.
—Foi sim. Falei sorrindo e dei um beijo na bochecha dele. –Bom dia.
—Para você também. Disse ele beijando a minha bochecha e me abraçou.
—Até e vai com Deus.
—Até.
Saí do carro e fui à direção do portão, escutei o carro do William se afastar rapidamente e ao mesmo tempo uma buzina que não era a mesma do automóvel do William soou por duas vezes. Olhei para trás vendo que o carro preto acabava de parar na calçada e William já estava longe, indecisa eu resolvi parar de andar e Edward saiu do carro. Fiz menção de entrar correndo, mas.....
—Isabella, espere.
—O que você quer? Perguntei me virando para ele.
—Vamos conversar como um homem e uma mulher civilizados, e sem brigas.
—Desembucha logo então. Eu estou sem tempo.
—Viu como você é tosca também? Perguntou ele de forma calma.
—Não posso convidá-lo para entrar, Ângela não iria gostar.
—Ela está dormindo.
—Eu estou sozinha, mas isso não vem ao caso. Eu respeito o espaço dela e isso é o que importa.
—Não quero entrar, apenas venha comigo. Eu estou hospedado aqui perto e podemos nos falar numa boa.
—Você não tem amor próprio Edward. Acabou de me ver saindo com outro homem, mas mesmo assim não desiste!
—Já me falarão isso, mas eu sou o culpado. Se não fosse tudo que passamos talvez fosse diferente agora.
—O que quer falar comigo? Não quero ouvir a mesma coisa de sempre.
—Não confia em mim a ponto de ficar em um local menos tumultuado e frio?
—Você joga sujo e da última vez acabou me dopando. Estou chateada com você e era para eu nunca mais olhá-lo na cara!
—Juro pela a minha família que nada de mal eu irei fazer com você, depois eu te deixo aqui.
—Está achando que é fácil me dobrar e me enganar? Perguntei me aproximando dele sorrateiramente. –Acha que eu sou uma mulher que se deixa ser seduzida facilmente?
—Não precisa me bater, eu sei que meus atos no sábado passado não foram dignos. Desculpe-me por aquilo e não tornará acontecer mais. Eu lhe prometo bella.
—Não prometa em vão.
—Não estou não. Disse ele olhando nos meus olhos e a friagem nos envolvia com furor.
Respirei fundo e olhei para o lado, depois eu o olhei.
—O que tem para falar de tão importante?
—Quero conversar somente, eu juro.
Após ele dizer isso eu fiquei pensativa, eu não sabia se eu aceitava ir com ele. Olhei a hora em meu celular e marcava 05:19min. Eu estava indecisa, mas se ele jurou, eu resolvi acreditar. Eu poderia estar cometendo um erro, mas resolvi dar um crédito à pessoa errada.
—Tudo bem. Com tanto que cumpra a sua promessa de não aprontar.
—Não irá se arrepender.
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Caminhei já me arrependendo até o carro e ele abriu a porta para eu entrar. Sentei-me no banco sentindo-me um pouco desconfortável com essa situação.A porta foi fechada causando-me um leve baque em meu corpo pela tamanha apreensão, Edward deu a volta e entrou comigo o olhando. Cruzei os meus braços e ele me olhou.
—Não vou fazer nada de mal com você, eu juro pela a nossa filha.
—Você já me disse isso. De quem é esse carro Edward? Perguntei olhando a minha volta e tornei a olhá-lo sentindo o perfume delicioso do Edward no ambiente.
—É alugado. Não gostou dele?
—É sofisticado do jeito que você gosta e bem a sua cara mesmo. Falei olhando para o lado de fora, eu pensava no momento que eu não devia ter cedido a vir.
—É..........o carro me agrada sim. Não sou aquele cara que eu fiz você acreditar ser, no fundo eu sou um homem sem frescuras. Não vou mentir e dizer que eu não gosto do bom e do melhor, por isso eu estou aqui hoje.
Após ele dizer isso eu fiquei quieta, eu percebi o que ele quis dizer e essas coisas mexiam comigo. Eu não iria ficar falando o meu ponto de vista e não revidei, achei melhor assim e fiquei na minha calada. Edward dirigia de forma tranquila pela cidade e parecia conhecer tudo perfeitamente bem, mas logo chegamos no hotel muito do requintado e ele estacionou o carro. Desci do mesmo estando nervosa quando ele abriu a porta para mim e entramos, tive que mostrar a minha carteira de identidade para poder subir e preenchi uma ficha. Entramos no elevador e eu fechei os meus olhos, eu não deveria estar ali, mas agora já era tarde. Eu não podia me portar como uma criança e sim como uma adulta. Isso da mesma forma que eu me portava em meu trabalho e capaz de resolver as questões que me eram passadas.
Chegamos no sétimo andar e saímos do elevador, caminhamos pelo longo corredor e eu andava de forma decidida e elegante. Edward abriu a porta com um cartão e me deu um frio na barriga, eu poderia ter sugerido outro lugar.
—Mas onde? Eu me perguntava mentalmente a todo o momento.
Nós entramos no quarto que estava com o cheiro do perfume dele e a primeira coisa que eu fiz foi colocar a minha bolsa pendurada na cadeira e avaliei o local. A cama era grande como ele gostava, e coberta de lençóis na cor azul escuro. Um janelão dando a vista para a cidade de New work com cortina clara era encantador e fazia toda a diferença na decoração espetacular. O sofá era confortável e bonito. Havia uma mesa, uma tv de plasma grande na parede de cor branca e o lustre de cristais. O mesmo me chamou a atenção. Era um quarto na cor clara que eu apreciaria ter e confortável demais. Nisso eu escutei o leve baque que a porta fez ao ser fechada e foi como levar um baque em meu coração também. Fechei os meus olhos e tornei a abri-los e...
—Eu trouxe umas besteirinhas para comer, você sabe que eu não vivo sem.
—É eu sei sim. Vou me sentar no sofá agora. Falei olhando para a cama e desviei o meu olhar.
—Quer beber algo?
—Não, não quero beber nada. Não! De jeito nenhum.
—Está achando que eu irei colocar algo em seu alimento? Eu já disse que não e jurei pela a nossa filha bella.
—Ta, e tudo bem. Eu estou com sede.
—Vou pedir algo então.
—Ok.
Edward foi até o telefone e pediu água, refrigerante e uma sobremesa para nós. Fiquei sentada o olhando fechar o laptop e eu fiquei muda, era inacreditável estar com ele nesse momento. Eu me sentia um pouco sonolenta milagrosamente e ele se sentou ao meu lado me olhando.
—Não faz sentindo você ter vindo para New York Edward.
—Tive os meus motivos.
—Quais são eles?
—Primeiro que eu não queria tirar a menina de você assim diretamente e como você deve estar pensando. Eu só quis fazer com que você deixasse o outro lá. Nós nos casamos Isabella e tivemos uma filha linda, no fundo eu pensei que você optaria por ela e não o contrário. Por mais que tudo tenha sido forçado, coisa que eu me arrependo e muito, eu passei a gostar da nossa vida de casado e da sua companhia. Eu já repeti isso milhares de vezes, mas eu a levei a sério e seria dessa forma até ficarmos velhinhos. Mesmo com o meu jeito, eu passei a querê-la ao meu lado para sempre. A minha moda torta eu cuidava de você, mas nem isso você percebeu. Os defeitos do ser humano muitas vezes se sobressaem e esquecemos as boas ações também.
—Não quero falar a respeito disso. Falei me levantando e ele me fez sentar de forma gentil.
—Calma, eu não estou mentindo. Apenas deixe-me desabafar, eu preciso.
—Você não me deixava respirar Edward. O seu ciúme é o seu pior inimigo e me magoou muito.
—Eu sei disso e não imagina o quanto eu lamento, mas não suporto vê-la com outro homem bella. Não consigo me acostumar com essa realidade e piora porque fui eu quem causou tudo isso.
—Você não suporta, mas estava dando bola para outra mulher há pouco tempo atrás! Que amor é esse que você diz sentir por mim?
—Isso a incomoda?
—Nem um pouco. Menti. — Eu sou a primeira a pedir para você seguir a sua vida, mas parece que você não quer ouvir o meu conselho.
—Nada acontece da noite para o dia como aconteceu para você. Sua falta de sentimento para com a minha pessoa a facilitou.
—Você acha?
—Sim. E eu não queria o dinheiro e as joias de volta Isabella, eu os dei para você.
—Eu preferi devolvê-los, só assim não iriam pensar o pior de mim. A Marie está pequena e não gasta trinta e cinco mil dólares em um mês.
—Eu queria o bem de vocês e o conforto das duas. Você sabe que nada lhe faltava, mas nem o dinheiro que eu deixava na nossa casa você mexeu.
—Mexer pra quê se ele não era meu?
—Só corrigindo, agora aquela casa é sua por direito e você sabe disso.
—Não gosto de mexer nas coisas dos outros.
—Mas me lembro que você queimou as minhas roupas e gastou o meu dinheiro me comprando outras.
—É eu estava me lembrando disso ontem. Falei pensativa. –Me lembrei dos whiskys também, pois eu joguei tudo fora na pia do banheiro social. Não me arrependo porque foi preciso na época e achei que você estava exagerando.
—Estava se lembrando de mim então?
—Isso não importa agora. Falei voltando para realidade e me envergonhei.
—Eu sou um carrasco para você não é?
—Eu virei à página, agora você é apenas o pai da Marie. Acha que eu irei viver a minha vida inteira me atormentando Edward? Não é justo estar sozinha nesse mundo sem fim e ainda viver me recordando de coisas desagradáveis. Eu sofro com isso, mas vir para cá é como deixar tudo para trás.
—Você tem razão.
—É eu tenho.
—Você faz bem, mas eu a amo. Não posso me fazer de indiferente, não é assim que as coisas se passam em meu coração. Volte para mim e vamos tentar de outra forma novamente. Pediu ele acariciando o meu rosto e fechei os meus olhos brevemente, mas me esquivei ao voltar à realidade.
—Você não me deixa ir.
—Eu sei que banco o egoísta nessa parte, mas você também tem a mim e a minha família que sente carinho por você.
—Seus tios não vão com a minha cara e jogam indiretas quando cismam. Quem eles pensam que são? Por educação eu sempre faço por menos, mas bem que eles merecem levar umas patadas por me provocar. Devem estar metidos nisso também e não se enxergam ao apontarem o dedo sujo para mim!
—Eles não têm nada haver com nós dois, sou eu que quero você. Os outros não importam bella pelo amor de Deus!
—Não Edward.
—Minha avó me ligou por esses dias e perguntou como você estava. Para ela eu tinha contato com você por causa da nossa filha, mas não estava sendo assim. Eu disse que você estava bem, mas não parece ser assim a olhando com olheiras. Estão disfarçadas, mas eu as percebo.
—É assim sim. Eu estou trabalhando na empresa do William e estou ganhando o meu dinheiro de forma honesta. Estou vivendo como você está vendo, mas não me deixa respirar.
—Me diz tudo que você sente em relação a minha pessoa, seja bom ou ruim.
—Está obcecado por mim.
—Estou apaixonado, é diferente. Obsessão é uma coisa e estar amando é outra. Algo bem lá no fundo me faz ter esperanças, mas não sei o porquê.
—Você não se importa com o que eu penso ou acho, simplesmente tem que ser a sua maneira. Joga sujo demais e não é assim que as coisas funcionam. Não se conquista ninguém jogando sujo e burlando as vontades alheias.
—Eu sou capaz de mudar nesse aspecto para tê-la ao meu lado, eu faço tudo que você quiser.
—Fala isso da boca para fora no calor do momento, mas não sei se acredito.
—Pode acreditar, tudo que eu mais desejo é tê-la ao meu lado e para sempre na minha vida. Nunca pensei que um dia eu fosse am.....
A campainha tocou e era o nosso pedido. Edward agradeceu o garçom e deu uma gorjeta a ele, se sentindo satisfeito o homem se retirou. A bandeja foi posta na mesa e ele abriu a garrafa de água, ele a colocou no copo para mim e me entregou. Ele preferiu beber refrigerante e se sentou ao meu lado. Sem jeito eu bebi a minha água e peguei um dos dois potinhos que estava ali de torta na taça. Comecei a comê-la numa boa apreciando o chantilly e me lembrei da minha filha, eu não podia desabar naquele momento e me segurei bravamente. Fiquei olhando a paisagem pensativa e fui interrompida por ele.
—A Marie está bem, mas sente a sua falta. Ela chora muito às vezes e acredito ser por isso.
—Eu posso imaginar.
—Mesmo assim se afastou. Afastou-se por causa de mim e quem mais sente é ela.
—Não iremos falar a esse respeito, por favor.
—Por que decidiu deixar Diamantina?
—Eu vou vender aquela casa. Está à venda já e eu não pretendo voltar nunca mais para a Flórida. Tenho outra vida aqui agora e pretendo ficar por aqui. Estou segura aqui e isso é o que importa. Não tenho estrutura mais para viver a base de maus tratos sendo causados por um grupo rival dos meus pais. Prefiro a morte a ser maltratada novamente.
—Não está falando sério?
—Estou sim e é a mais pura verdade. Sou uma Swan como você me amedrontou, por isso eu não irei voltar nunca mais e nem colocarei a Marie em perigo. Eu morreria se fizessem algo com ela e me dói só de imaginar isso. Levou muito tempo para essa ficha cair, mas graças a você eu fiquei atenta. Não irei mais voltar Edward, eu não irei.
—Eu jamais deixaria que algo lhes acontecesse e não é assim. Ninguém sabe a seu respeito porque eu evitei na época que isso acontecesse e pelo menos os seus pais souberam escondê-la.
—Mas fez questão de me colocar medo.
—Tudo isso para você não me abandonar bella.
—Não quero mais falar a respeito disso e de nós. O meu sobrenome me condena e suja o meu caráter. Aqui em New York eu não tenho essa bagagem, é vida nova sem recordações.
Ficamos em silêncio e eu terminei a sobremesa quase lambendo os meus dedos, já Edward pegou a garrafa de whisky na mala e encheu o copo.
—Não é isso que vai aliviar as coisas Edward. Falei o olhando.
Ele bebeu um gole permanecendo calado e eu de forma natural peguei a minha bolsa e fui ao banheiro me assear. Fechei a porta e me olhei no espelho, uma chuva de sentimentos caia sobre a minha cabeça e sequei a lágrima que rolou do meu olho direito. Lavei bem as minhas mãos com o sabão e fui me aliviar.
.
9min depois.
Ajeitei-me e retoquei o meu batom. Olhando-me no espelho mais uma vez, eu constatei que eu estava pronta para sair do banheiro. Eu me demorei tanto ali dentro e essa atitude não era normal, por fim eu abri a porta e vi um montinho de manta rosa sobre a cama. Edward se encontrava em pé olhando para o lado de fora da janela e vi o montinho se mover levemente. Fechei os meus olhos sabendo quem era ali tão bem enroladinha e prendi as minhas lágrimas apoiando as minhas costas na parede ao lado da porta do banheiro. Eu estava fazendo tanta força que eu mal raciocinava e conseguia andar direito, eram robóticos demais os meus movimentos. Era uma mistura de saudade, amor de mãe e sorri ao me aproximar da cama. Eu não sabia como Edward a deixou bem escondida, pois ele estava fora todo esse tempo e eu me deitei bem ao lado da minha filha. Eu a abracei cheia de carinho e a olhava, nisso ela se mexeu fazendo sons de bebê. Pois o seu soninho estava leve talvez por Edward tê-la pegado onde quer que ela estivesse. Eu a beijei de forma demorada em sua cabeça sobre a touca e não me dei conta do batom vermelho, tanto que eu a marquei e não me importei pela saudade ter me movido de forma tão impensada. Foi tão natural por vê-la e a acariciei estando cheia de carinho.
—Ô minha bebê. Eu falei mal me aguentando por não conseguir segurar as minhas lágrimas. –Eu senti tanto a sua falta minha filha e não imagina o quanto. Eu mal conseguia dormir estando longe de você. Eu sussurrava para ela. –Sem dúvidas você é tudo para mim e não me arrependo de tê-la em minha vida. É tão linda. Falei olhando para o rostinho dela e sua boquinha minúscula era linda. Sem resistir eu a acariciei novamente.
Por estar com o sono leve ela abriu os olhinhos e chorou. Sorri ao olhar a forma dengosa que ela chorava e eu a peguei no colo. Edward se aproximou e sentou-se ao meu lado, de forma carinhosa ele segurou a mãozinha dela e ela foi parando de chorar conforme eu a ninava.
—Marie está dengosa demais. Disse Edward a olhando.
—Eu pensei isso agora. Falei sentindo as minhas lágrimas rolarem como cascata e eu me sentia um pouco culpada.
—Está tão claro.
Sorri para ela que me olhava tanto e seus olhinhos verdes expressivos me sondavam. Era inocente a sua forma de me olhar e seus olhinhos começaram a fechar segundos depois. Ao niná-la novamente ela abriu os olhinhos rapidamente e tornou a fechá-los, ela estava sonolenta e não parecia com fome.
—Ela já mamou?
—Sim. A Mary deu a mamadeira a ela ainda pouco. O hotel de forma gentil está cooperando pela Marie não estar mamando no peito. Nem eu e a Mary temos o que ela gosta, então temos que improvisar. Podemos contar com a ajuda do chefe de cozinha a qualquer momento e Mary vai até lá com as coisas da neném. Trouxemos tudo e não os incomodamos para nada.
—Onde a Mary está?
—No quarto ao lado.
—Ah! Entendi. Como ela está?
—A Mary está bem.
—Que bom. Falei pensativa olhando para ele e as duas bilhas verdes me olhavam sem piscar. Reparei que ele havia cortado o cabelo e estava muito bem. De qualquer forma ele ficava bonito.
Olhei a roupinha da neném e ela estava com um macacão vermelho. Havia bonecas estampadas e ela estava linda bem agasalhadinha. Eu estava matando a minha saudade e ajeitei o meu cabelo.
—Ele está enorme.
—É ele cresceu rápido.
—Gosto dele assim.
—É?
—Sim. Não parece que você teve uma filha, a propósito.
—Por quê?
—Está muito bem e bonita de verdade. Pude ver alguns marmanjos a observando lá no barzinho e faltavam babar.
Sorri levemente e olhei para a minha filha, ela dormia em seu mundo inocente.
—Coisinha fofa da mamãe. Eu falei olhando para ela.
—Me perdoe por ser o causador das suas lágrimas bella. Falou ele e eu o olhei.
—Não viva no passado Edward, eu não estou vivendo no momento, tanto que eu aceitei a vir pra cá com você.
—Não fica pensando mal de mim o tempo todo?
—Não. Por mais que a Ângela o odeie e me diz para eu es............. por mais que ela te deteste, eu não fico remoendo as coisas passada. Falei agitada, por pouco eu não falo demais e Edward me olhava.
—Por que se interrompeu?
—Não é nada demais Edward, nada para se preocupar.
—Gostou da surpresa?
—Como não? Perguntei o olhando e cheirei a minha filha, ela tinha o cheirinho que eu adorava.
—Está amanhecendo. Disse ele olhando para a janela.
—Está claro. Falei bocejando e triste ao mesmo tempo.
—Eu amo você demais bella.
Eu o olhei por uns segundos e deitei a neném na cama com cuidado.
—Ela vai ficar mais confortável estando na cama.
—Vejo o quanto você não guarda rancor Isabella, do contrário não estaria realmente aqui. Eu tenho certeza que outra em seu lugar já teria aprontado uma há muito tempo. Já teria se vingado e você não é assim. Acho que a sua forma de ser e digo o conjunto é o que não me deixa ir. É raro encontrar pessoas tão nobres hoje em dia e tudo que é bom às outras pessoas também querem.
—Você não se esforça para isso acontecer Edward.
—Não há duas ou três Isabela por aí. Sei que não liga para o que eu tenho, sempre agiu com simplicidade e não parecia pertencer uma família tão endinheirada como a minha é. Sempre tratou bem os empregados e não é em toda casa que isso acontece, mas nós os Cullens os reconhecemos e são como da família.
—Ninguém é substituível e não ligo para status. Sei que vocês são condescendentes e o cardápio era o mesmo para os funcionários, passei por isso quando cheguei a sua casa.
—Com certeza não meu amor. Ninguém é substituível, isso é impossível.
Resolvi não reprová-lo em sua forma de falar comigo, ele parecia sensível no momento e eu também estava.
—Fica despreocupado, não corremos mais o risco de termos outro bebê.
—Não me preocupei, seria bem vindo para mim caso acontecesse. Eu ficaria feliz de verdade em termos outro bebê.
—Não diga bobagens Edward.
—Não é bobagem bella, é verdade. Meu sonho é ter três filhos e com você se possível.
—Quando irá embora? Perguntei desconversando, eu no fundo tinha esse mesmo desejo.
—Amanhã por volta do meio dia. Vou passear pela cidade com a minha filha e você está convidada. Isso se quiser.
—Eu não sei. Ângela....
—O que tem ela? Ela e os meus tios não têm nada a ver com a nossa vida, pois eles não podem vivê-la por nós.
—Ela só quer o meu bem.
—E eu também bella, eu também. Quero o seu bem e que seja feliz.
—Vou acreditar que sim.
—E é desta forma. É sincero e só fiz tudo isso por amor. Troquei os pés pelas mãos e não me dava conta que isso só me afastava ainda mais de você.
Resolvi ficar na minha e tirei a minha sandália sob o olhar dele, depois eu me deitei ao lado da minha filha e a abracei. Edward se levantou da cama e foi se deitar no sofá, isso eu o filmava na minha. Estava fria a manhã de hoje e ele cerrou as cortinas, depois se levantou e pegou o edredom extra. Não me sentindo a vontade eu fiquei como eu estava e com o passar dos minutos eu fui sentindo as minhas pálpebras pesarem de forma violenta, fazia dias que eu não dormia direito e acabei me rendendo ao sono sem sentir.
.
.
Às 13:20min.
Fui despertando aos poucos com o chorinho de bebê e vi Edward vestido com outra roupa. Ele estava de banho tomado já e seu cabelo curto estava molhado. Ele dava a mamadeira para a neném que parecia faminta e reclamava muito ao mamar. Acho que estava saindo pouco líquido e sorri ao afastar a coberta que deve ter sido posta sobre mim por ele. Ao me levantar.......
—Boa tarde. Disse ele ao me perceber.
—Para você também. Por que ela está braba?
—Acho que está com pressa para mamar.
—O bico está bem furado?
—Você acha que pode ser isso?
—Acredito que sim.
—Vou ver, essa mamadeira é nova e a Mary quis trazê-la.
—Olhe.
Vimos que o problema era esse mesmo e eu dei um jeito, logo o bico foi lavado com água mineral no banheiro e escutei o choro de fome da Marie. Eu voltei para o quarto imediatamente para pegá-la e sorri, dei a mamadeira a ela e na mesma hora o problema foi resolvido.
—As mães sentem o que se passa com os seus filhos.
—Dizem que as intuições de mãe não falham.
—Não mesmo. Disse Edward mexendo na mãozinha da neném e ela o olhou.
O meu celular tocou e eu olhei para a minha bolsa, dei a Marie para o Edward e fui pegar o meu celular. Vi ser a Ângela e a atendi.
—Amiga, eu cheguei aqui no apartamento ainda pouco e não te vi.
—É eu dei uma saidinha.
—Como foi a sua saída ontem à noite?
—Ótima, eu me diverti muito.
—Sério?
—Sim.
—Eu acabei dormindo no apartamento do meu namorado depois do jantar na casa dos pais dele e vim pra casa agora. Não te vi e queria saber se estava tudo bem.
—Está sim.
—William está com você?
—Não, eu quis dar uma volta e é isso.
—Tudo bem. Eu iria te chamar para ir à casa de uma amiga minha do curso, passaremos a tarde juntas e iremos jantar depois.
—Pode ir tranquila amiga.
—Não está se isolando não é?
—Claro que não.
—Tudo bem, então até mais tarde.
—Até.
—Não se perca na cidade hein!
—Tenho o endereço de co já.
—Tudo bem.
Encerrei a ligação e olhei para Edward, a neném estava mamando quietinha e já estava para baixo da metade o mingau. Sem falar nada eu peguei a minha bolsa e fui para o banheiro, estava sobre a pia esse kit de hotel para higiene bucal e escovei meus dentes, logo após eu me asseei e me senti bem. Saí do banheiro me sentindo outra e Marie já havia acabado de mamar, Edward estava com ela no colo e me olhou.
—O café da manhã já está vindo, até eu estou com fome.
—Tudo bem.
Peguei a neném no colo e fiquei brincando com ela, era fofa a forma que ela conversava comigo em seu linguaja infantil e sorria. Eu também sorria para ela e brincava de forma descontraída sem balançá-la.
—Está frio aqui.
—Está sim. New York é congelante às vezes.
—Suas roupas.......
—Por sorte eu trouxe o meu casaco. Falei o interrompendo sem ser grosseira, eu sabia das suas observações se tratando da minha roupa.
—É sim.
—Preciso ir ao apartamento e tomar banho.
—Eu te levo lá após o café da manhã. Aliás, após o da tarde.
—Já esta tarde mesmo.
—É sim e acabamos dormindo. Estou feliz que esteja aqui bella.
—Sinto-me feliz também Edward, mas não da forma que você está pensando.
—Para mim já está de bom tamanho.
—Ok.
Ficamos em silêncio e vez ou outra eu o pegava me olhando, mas não falava nada e o nosso café da manhã chegou. O mesmo estava farto e com panquecas, coisa que eu adorava e coloquei a Marie deitada na cama, ela acabou dormindo em meu colo. As uvas estavam docinhas, pois foi a primeira coisa que eu comi e aprovei. Bebi o meu chocolate quente me deliciando e tudo estava saboroso demais, nisso eu vi que Edward me olhava novamente.
—Está bom mesmo não é? Perguntei o olhando.
—Sim. O chocolate quente está uma delícia.
—Está sim. O clima frio ajuda, pois se fosse em Ourinhos ou em Diamantina, essa bebida iria nos deixar com mais calor. Aqui o ar condicionado é natural.
—É sim. Disse ele sorrindo. –Desculpe por matá-la de frio às vezes, mas sou calorento demais.
—Não era tão ruim assim dormir com o ar ligado, pois aquela área é bem quente.
—Se é. Falou ele e colocou um pão de queijo na boca.
—E os seus pais como estão?
—Bem e ainda não voltaram de viagem, parece que estão gostando de ficar fora só pode. Eu estou sobrecarregado na empresa e sei que o meu pai fez de propósito.
—Viajar é bom. New York está me fazendo bem também.
—Você pode voltar, não há nada para amedrontá-la.
—Não sei Edward. Agora eu tenho um trabalho aqui e me comprometi com pessoas sérias e idôneas. Logo eu terei um lar só para mim e viverei dignamente com o meu trabalho.
—Sabe que não precisa trabalhar se depender de mim.
—Preciso sim Edward, me faz bem. É dinheiro honesto e isso vale à pena. Quero tirar essa mancha que os meus pais deixaram em mim e.....
—Não precisa mostrar isso para ninguém bella. Sei o quanto honesta você é e tive provas disso ao longo dos meses. Não precisa provar isso para mim e para ninguém.
—Eu provo isso para mim mesma Edward.
—Não há nada para se envergonhar.
—Sei disso, mas.......
—Agora coma e não se atormente.
—Edward, porque não os entregou a polícia ao invés de, de.....?
—Não era só eu quem os procurava bella e fiz um grande favor a você. Poderia ter entrado em uma cilada ainda pior e acabar como a minha querida............. Como a minha querida irmã. Disse ele com pesar. -Cedo ou tarde isso aconteceria e você poderia estar junto. Nunca pensou nisso?
—Sim e eu lamento pela Brenda. Falei o olhando. –Sabe que a vida continua.
—É eu sei.
—Eu não desejava a ausência deles, estou sozinha agora. Não me sinto protegida quando estou sozinha e isso é carência de afeto familiar.
—Você tem a sua filha, querendo ou não a mim e os seus amigos. Os meus pais a consideram e a tem como uma filha.
—Sua mãe estava chateada comigo antes de viajar.
—Bem ou mal a traição é algo que abominamos em nossa família e levamos o casamento a sério. Resolvemos os problemas sem por outras pessoas no meio, mas....
—Não me arrependo e não quero falar em algo que já ficou no passado.
—Hoje ele é o seu namorado e eu me machuco por causa disso sim. É horrível ver o amor da sua vida desfilando com outro pra lá e pra cá e me sinto impotente. É algo insuperável de tolerar enquanto eu não estiver curado desse amor não correspondido. A dor da rejeição é a pior delas.
—Tive os meus motivos para sair com o William naquela época Edward. Eu não banquei a mulher infiel à toa se estávamos vivendo uma mentira.
—O que te levou a sair com ele então?
—São coisas inexplicáveis que acontecem quando nós menos esperamos.
—Isso aconteceu comigo, mas de uma forma diferente que a sua. Não sei os seus motivos, mas eu acabei me apaixonando. Não foi preciso fazer força para isso acontecer. O seu jeito impetuoso, a sua teimosia, a sua beleza interior e o carinho verdadeiro para com os meus pais me fizeram amá-la. Tudo em relação a você começou a me atrair e por isso eu detesto as suas roupas provocantes. Isso na minha cabeça, pois não se dar conta de como fica linda com elas e de batom vermelho. É o conjunto que me deixa de queixo caído e não vou negar que fazer amor com você é viciante. Sinto falta de amá-la e por causa disso eu cometi aquela loucura em seu aniversário. Sinto-me o homem mais feliz quando estamos fazendo amor.
—Edward.....
—É a mais pura verdade bella. É difícil ficar ao seu lado e não poder beijá-la, tocá-la com carinho e poder abraçá-la. Não sou uma pedra de gelo bella, eu sei amar uma mulher de verdade e ser para ela aquilo que ela merece ter.
—Não duvido disso Edward. Falei sentindo vontade de chorar e coloquei a mão em meus olhos por uns segundos. -Acho que caiu algo em meu olho, preciso ir ao banheiro. Falei me levantando sem olhá-lo.
Caminhei até o banheiro e fechei a porta, chorei sentida, era dessa forma que o meu eu queria e me deixei levar. “Não sou uma pedra de gelo bella” essas foram às palavras dele e eu sabia disso, ele me mostrou um pouco o seu eu vez ou outra e isso me deixava desolada. As drogas me brecavam e a morte dos meus pais também, eu tinha que superar isso ainda. Hoje em dia eu conhecia o verdadeiro eu dele e meses atrás eu não imaginava que ele era assim.
—Eu o amo tanto meu Deus. Falei para mim mesma estando de frente para a parede. –Por que eu não consigo tirá-lo da minha cabeça?
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4min depois.
Tentei me recompor e......
—Isabella, está tudo bem? Perguntou ele do outro lado da porta e eu toquei a mesma ao me aproximar.
—Está sim Edward. Já estou saindo.
—Tudo bem.
Lavei o meu rosto bem com o sabão e o sequei com a toalha, pois não havia como disfarçar os meus olhos e daria uma desculpa. Saí do banheiro e tornei a me sentar ao lado dele para terminar o café da manhã, nisso ele me olhou.
—Falei algo que a chateou? Perguntou ele preocupado.
—Fique tranquilo Edward, não é nada demais.
—Estava chorando, eu não entendo.
—Vamos acabar o café da manhã....... é melhor. Falei baixo.
—Tudo bem.
Terminamos de comer um tempo depois e Edward segurou a minha mão. Ficamos em silêncio um olhando para o outro e tantas coisas se passavam em minha mente.
—Preciso de um banho e trocar de roupa. Vou para o apartamento de táxi e não se incomode comigo.
—Eu te trouxe, eu te levo. O que acha de passearmos com a nossa filha?
—Acho que não é uma boa ideia. Isso não por ela.
—Somos os pais dela, podemos conviver numa boa. Se sente ameaçada aqui? Eu a tratei mal?
—Não, você não me tratou mal.
—Fiz algo que a desrespeitou?
—Não Edward, não.
—Então é um simples passeio antes de irmos embora. Sei que você está trabalhando e se isso te deixa contente, eu não irei me meter. A Marie será para sempre de nós dois e sei como um bebê pode interferir na carreira de quem está começando. Eu a impus a maternidade precoce e ela será para sempre nossa como eu já deixei claro. Essas horas juntos sem brigas me mostraram ainda mais tanta coisa e sem eu perceber o meu amor se tornou incondicional Isabella. Ficar com você por essas horas me fez bem e por isso eu peguei a bebê para você vê-la. Essa ação minha era justa com você. Não posso e não quero ser mais egoísta ao colocar vendas em meus olhos. Foram tantas desgraças e juro que a partir de agora eu não serei mais um empecilho ou uma pedra em sua vida. A partir desse momento estará livre da minha presença para ser feliz com quem você desejar de verdade e poderá ir vê-la quando quiser. Não sei se eu vou conseguir amar alguém além de você, mas eu prometo que irei tentar.
—Eu, eu..... Falei deixando as minhas lágrimas rolarem. –Eu não estou a abandonando Edward e nem a abandonei quando vim pra cá.
—Não se preocupe. A maior prova de amor eu compreendo agora, essa que foi deixá-la viver dentro de você e tratá-la bem sem aqueles olhos que condenam algo. Ela é apenas uma bebê.
—Ela é apenas uma bebê Edward. Falei secando os meus olhos e solucei. –Ela é linda.
—Vem aqui. Falou ele se levantando e me abraçou.
—Eu a amo de verdade e não foi por ela ser a sua filha que eu vim pra cá sozinha.
—Sh, sh, isso já passou. O que importa é que ela está bem. Eu sou a única pessoa no mundo que não posso levantar a voz ou apontar o meu dedo para você. Eu destruí a sua vida e os seus sonhos bella e mesmo você não querendo, vai poder sempre contar comigo. Vou saber respeitá-la e não virei vigiá-la ou lhe incomodar mais. Eu a amo tanto, mas não tenho o direito de ser o homem da sua vida.
—Eu tam....................eu agradeço.
—É duro estar tão próximo e não me sentir digno da sua presença e de suas palavras dirigidas a mim. Esse é o efeito da culpa que causa em nós seres humanos.
—Alivie esse peso para ser um homem melhor e feliz.
—Você deseja a minha felicidade? Perguntou ele secando as lágrimas.
—Sim, eu desejo a sua felicidade e a da sua família. Seus pais foram muito bons comigo. Não me tacaram pedras como eu merecia por ser filha dos Swans e souberam me respeitar. Cuidaram de mim quando eu precisei, pois eu passei por aquele problema de descolamento de placenta e não foi fácil para eu passar tantos dias trancafiada dentro daquele quarto.
—Eu me lembro.
—Eu os agradeço por me deixar desfrutar do bom e do melhor e eu só tenho a agradecer.
—Sei disso.
—É isso Edward. Agora você entende por eu sempre tratá-los bem e nunca golpeá-los materialmente. Não fazem parte de mim essas atitudes mundanas. Eu jamais mataria alguém, e muito menos gente da sua família. Eu tenho certeza que eu morreria pela a minha filha. Eu morreria por ela se algo a colocasse em perigo.
—Eu sei. Eu faria isso por você e por ela.
—Edward.
—É a mais pura verdade. Dou a minha vida pela a minha família, pois somos unidos e faria isso por você também.
—Preciso de um banho agora e trocar de roupa. Falei não o olhando, um nó em minha garganta se formou e eu extravasaria no choro se eu abrisse a minha boca neste momento.
—Aceita passear conosco? Eu, você, a neném e a Mary?
—Ta, eu aceito.
—Ótimo. Vou falar com a Mary para se arrumar e vou arrumar a neném.
—Eu quero fazer isso.
—Então vamos lá no quarto ao lado.
Balancei a minha cabeça que sim para evitar falar e fui calçar a minha sandália, eu me sentia tão em paz com a nossa conversa. Fui lavar as minhas mãos e voltei, eu a peguei no colo e saímos do quarto. Edward tocou a campainha no quarto ao lado e logo a porta se abriu, Mary ao me ver ali sorriu como se visse o sol pela primeira vez.
—Bella, que saudade amiga.
—Eu também estava. Falei indo abraçá-la.
—Mary.
—O que deseja patrãozinho?
—Se arrume, vamos sair nós quatro.
—Estou com um pouco de dor de cabeça patrão, o senhor se incomoda de eu ficar?
—Peço um remédio se tiver no hotel ou lhe compro um.
—Eu já o tomei, é sério.
—Vamos Mary, iremos passear.
—Não serei um estorvo?
—Claro que não.
—Então ta. Disse ela sorrindo e eu sorri.
—Vim pegar a banheira e as coisas para ela tomar banho, te dará privacidade pra se arrumar.
—Tudo bem. Esse hotel é um máximo! Disse ela sorrindo abertamente e eu sorri também, Mary era demais mesmo e me deu remorso em não ter tido mais contato com ela que me ajudou tanto.
Edward pegou as coisas da Marie e voltamos para o quarto. Ele foi encher a banheira de água e eu despi a neném no banheiro com cuidado. Ela chorou um pouco e berrou quando eu a coloquei na banheira, Edward me ajudou a banhá-la e parecendo notar o carinho ela se acalmou. Ela ficou limpinha e a tirei da água para secá-la, eu senti saudades de cuidar dela e ela conversava comigo em sua linguagem infantil. Passei pomada em suas áreas sensíveis e talquinho no pescoço, por último eu a vesti e coloquei duas meias para aquecê-la bem. O macacão escondia os seus pezinhos e coloquei a touquinha rosa em sua cabeça, ela estava linda e sorri quando ela bocejou. Sem contar as luvinhas que eram uma graça. Edward se arrumou e dizer que gato era pouco, se ele quisesse teria a mulher que escolhesse para si. Desviei o meu olhar e ajeitei a minha filha, eu o amava tanto que chegava a doer em mim. Mal ele sabia que o meu corpo também desejava ser abraçado e acariciado por ele. Mal ele sabia que eu só consegui dormi hoje por vê-los e estar na presença deles, era amor demais em meu coração e......
—Podemos ir, acredito que a Mary já esteja pronta.
—Tudo bem.
Edward pegou a bolsa da neném e saímos do quarto, Mary já nos aguardava e descemos. Ela me olhava e sorria, sei que ela sentia saudades de mim por sermos cúmplices. Fomos para o carro e Mary fez questão de levar a neném no banco de trás, já eu fui no banco do carona.
—Como é viver nessa cidade patroinha?
—Pare com isso Maryyy. Falei sorrindo. –Viver aqui é uma correria só. A cidade é congelante e comecei a trabalhar.
—Está gostando?
—Sim.
Ela me olhou sorrindo levemente e olhou para a neném, nisso eu olhei para o lado de fora e fiquei pensativa.
—Conhece muito essa cidade?
—Me viro bem. Falou ele me olhando brevemente e voltou a prestar atenção na rua. –Não conhece bem ainda?
—Ainda não. Qualquer coisa eu pergunto por ter o endereço da minha amiga gravado na memória.
—Isso é bom. Falou ele mudando a marcha. –Não é conveniente ficar perdida nessa cidade e em lugar nenhum hoje em dia.
—Sei disso.
—Que bom. Disse ele pondo a mão direita dele sobre a minha no vão do carro e percebi que a Mary prestou atenção nisso.
—É sim.
Edward notando o gesto retirou a mão dele de forma discreta, nisso ficamos em silêncio.
.
Um tempinho depois ele parou em frente o apartamento de Ângela e Mary se pronunciou.
—Está morando aqui amiga?
—É eu estou sim. Falei sorrindo, pois eu sabia que o prédio era chique demais e só morava ali quem tinha grana. –Volto em meia hora.
—Tudo bem. Falaram eles e eu saí do carro.
Fui caminhando rápido pela calçada e o porteiro ao me ver liberou a minha entrada. Eu o saudei e subi, abri a porta e notei a quietude do local. Fui para o quarto e escolhi algo para eu colocar, depois eu fui tomar o meu banho e relaxei um pouco mais. Lavei-me da cabeça aos pés e saí para me secar, na verdade eu ainda não acreditava no que estava acontecendo. Fiz uma maquiagem leve, porém bonita. Sequei um pouco o meu cabelo com o secador e hidratei o meu corpo logo após. Vesti-me com o que eu havia comprado no shopping que era um vestido de lã na cor vinho de manga cumprida, meia calça grossa preta e calcei minha bota preta de salto alto fino. me perfumei de leve, só sei que o look ficou bom e soltei o meu cabelo.
Coloquei o que eu precisaria em outra bolsa bem maior e arrumei a bagunça que eu fiz correndo. Estando tudo arrumado, eu saí do apartamento e o tranquei. Desci pensando na conversa que eu tive com o Edward e o meu celular tocou, era o William.
—Oi querido.
—Boa tarde princesa.
—Boa tarde. Falei saindo do elevador.
—Descansou bem?
—Sim, eu descansei bem. E você?
—Acordei ainda pouco, caí feito pedra na cama.
—Faço ideia. Falei andando devagar.
—Liguei pra saber de você.
—Obrigado e estou bem.
—Mais tarde eu te ligo.
—Tudo bem. Beijos.
—Beijo.
Encerrei a ligação saindo na portaria e caminhei na direção do carro, ao me aproximar Edward abriu a porta para mim e eu entrei.
—Está uma gata bella.
—Obrigada Mary, saiba que você também. Falei sorrindo.
—É ela está mesmo linda. Falou Edward me olhando e Mary perdeu o riso surpresa. Ela ficou mesmo surpresa com as palavras do patrão e voltou a sorrir abertamente quando eu a olhei.
Edward ligou o carro e saímos dali, cruzei as minhas pernas e fiquei olhando para o lado de fora. Estava frio em New York hoje e olhei para o Edward, acho que ele percebeu que eu o olhava e me olhou.
—Algum problema?
—Nenhum Edward, eu só estou pensando.
—Em quê?
—Estamos sabendo nos comportar e isso é bom.
—É sim. Sabe o que eu penso e sinto.
—É eu sei.
—Eu não estava maduro o suficiente no momento que eu lhe dei o divórcio e não vou falar que estou cem por cento porque é mentira, mas farei um esforço por nós três.
—Estou confiando em você. Será mesmo que eu posso fazer isso?
—Já comecei te provando hoje. Não jogarei sujo, pode apostar.
—Ok.
Eu fiquei na minha e ele também, já a Mary não deu um pio e devia estar se passando milhares de coisas na cabeça dela. Logo chegamos no shopping e Edward abriu a porta do carro para mim e para a Mary descer. Eu fiz questão de pegar a neném no colo e a Mary pegou a bolsa dela, Edward ativou o alarme do carro e nos afastamos do mesmo. Entramos no shopping e o mesmo estava movimentado, a neném começou a ficar enjoadinha e constatei que eu teria que trocá-la. Fomos no fraldário do shopping e eu a troquei, logo ela ficou cheirosinha e coloquei uma fralda limpa nela. Ajeitei sua roupinha e fui lavar as minhas mãos, dessa vez Mary quis segurá-la e saímos do banheiro. Edward pegou a bolsa da neném para levá-la e fomos olhando as novidades. Eu me sentia estranha em estarmos ali juntos, mas antes a paz do que vivendo no inferno. Havia tantas coisas bonitas e vi o vestido que eu estava usando na vitrine, eu havia o comprado naquela mesma loja e continuei andando. Eu já estava me sentindo só antes mesmo deles partirem amanhã e olhei para a Marie, era duro ficar longe dela. New York não era uma cidade barata e muito menos seria fácil criá-la estando sozinha e trabalhando. Não era fácil arranjar alguém de confiança da noite para o dia pra ficar com ela, já a Vanda tomava conta de outras crianças também. Não era egoísmo, mas eu precisava ser alguém na vida e para ela. Eu não queria que ela quando crescesse tivesse vergonha de mim ou soubesse do meu passado, muito menos se sentir culpada por ter sido gerada por causa de um estupro. Estando nós ali, eu apreciava os casais que circulavam pelo shopping. Eu me sentia deslocada por estarmos juntos e separados ao mesmo tempo, era ruim por ele ter vindo e derrubado os meus muros de proteções. Por outro lado foi bom por termos conversado e não ficar aquele clima ruim entre nós desde que eu vim pra cá. Resolvi desencanar e curtir o momento, Edward se mostrava bem atencioso. Seu cuidado para comigo era exagerado e recusei milhares de vezes a sua vontade de querer me comprar coisas. Estávamos agora mesmo olhando a vitrine e havia tanta coisa bonita. Mary, por exemplo, havia se encantado por uma blusa.
—Eu lhe compro ela Mary. Ofereci.
—Obrigado patroinha de coração. Eu recebo na casa dos Cullens e mal gasto o meu dinheiro.
—Eu faço questão de lhe comprar, você se mostrou sempre a minha verdadeira amiga. Eu sou grata a você por cuidar bem da minha filha.
—Não é esforço algum, a Marie é como uma filha para mim.
—Que bom. Falei sorrindo.
—Pode deixar que eu pago. Falou Edward. –Mary me ajuda e muito, eu só posso dar atenção para a minha filha após às 20h. Eu já chego a encontrando dormindo e Mary com suas mãos abençoadas sempre mantendo a casa impecável e a comida deliciosa.
—Isso é verdade. Apesar de nova a Mary é excelente. Afirmei e ela sorriu.
—Vamos entrar na loja e você escolhe. Falou Edward.
—Tudo bem. Falou Mary sem jeito.
Entramos na loja e eu segurei a Marie para a Mary ir experimentar a blusa. Quando ela voltou....
—E aí, gostou?
—Gostei sim. Disse ela sorrindo.
Edward pagou o presente dela e saímos da loja. Continuamos a passear pelo shopping e entramos em uma loja infantil, eu havia gostado das roupinhas. Eu escolhi algumas e Edward pegou um edredom rosa na prateleira, o mesmo era lindo e parecia um veludo de tão macio. Na hora de pagar eu quis pagar algumas, era um presente meu para a minha pequena.
Continuamos a andar pelo shopping e Edward comprou umas coisinhas para ele, Mary não ficou atrás e aproveitaram. Passamos em frente de várias vitrines atrativas e um vestido vermelho era o destaque. Ele era lindo e o admirei na minha por vários segundos.
—Esperem-me aqui. Pediu Edward de forma gentil.
—Tudo bem.
Ele se afastou e entrou na loja, vi a vendedora pegar o mesmo vestido e não acreditei. Edward iria comprar o vestido e Mary chamou a minha atenção.
—O patrãozinho quer lhe presentear, apenas aceite.
—Não irei falar nada já que ele quer comprar.
—Está na cara que ele está apaixonado por você. Antes eu tive dúvidas, mas hoje eu tenho a total certeza disso. Ele a olha diferente agora, é amor que eu vejo no olhar do patrãozinho como nunca antes. O que está rolando amiga? Percebi que você também o olha vez ou outra e estou em dúvida amiga. Estou confusa demais e antes não era assim. Ta lembrada?
—Dúvidas por quê?
—Está gostando do patrãozinho? Não é impossível que isso tenha acontecido, ele tem os momentos dele. Posso dizer que mesmo ele não me confessando nada, mas eu percebi que ele sente a sua falta. Ele ficou mal durante essa semana e planejou a nossa viagem na quarta feira estando bem agitado. Viemos no jato menor da família e posso dizer que a neném sente a sua falta amiga. Às vezes do nada ela chora e para consolá-la é um custo, já o patrãozinho tem toda a paciência do mundo para acalmá-la.
—Eu também senti falta dela. Eu só consegui dormir hoje ao lado dela. Está sendo difícil para mim também me manter longe, mas é preciso.
—Eu acredito. Volte amiga, não fique aqui. Não há mais graça com a sua distância e o lugar da mãe é ao lado do filho. Não tem ninguém para eu conversar e sinto a sua falta também.
—Não posso Mary. Eu sinto a sua falta também e me desculpe pela ausência, tudo me faz lembrar el............
—E porque não? Perguntou ela me sondando após eu me calar.
—Há coisas em meu coração que devem ser evitadas.
Ela ficou me olhando, me olhando e Edward voltou com a bolsa da loja na mão.
—Isso é pra você. Disse ele a entregando para mim.
—Está gastando dinheiro comigo.
—Não tem problema e sei que dá em você.
—Obrigado.
—Podemos ir almoçar agora?
—Eu estou cheia de fome patrãozinho. Falou Mary e eu sorri.
—Podemos sim. Falei os olhando.
—Confesso que eu também estou com fome.
Depois disso, nós fomos para a praça de alimentação e entramos em um restaurante. Escolhemos o que comer individualmente e aguardamos a comida vir estando a Marie em meu colo. Edward estava distraído e Mary olhava o cardápio do restaurante, já eu olhava vez ou outra para ele.
—Então está gostando do hotel Mary?
—É eu estou adorando. Faz tempo que eu não me hospedo em um e chique demais. Disse ela sorrindo. –Relaxei na banheira enquanto a neném dormia e tudo hummmm!!!! Disse ela e nós sorrimos.
—Ai Mary, você é única.
—É verdade, por isso eu sinto a sua falta amiga lá para conversar comigo. A Marie é encantadora e se nós estamos nos sentindo só, nós devemos nos juntar.
—Eu sei disso, mas.....
—Não se sinta obrigada. Disse ela.
—Não é isso, pois eu sinto falta sim. Falei os olhando.
—Mary, a Isabella não está mais só, ela está namorando.
—Namorando?
—É eu estou. Menti.
—Hum!
—Não é o fim do mundo e logo o seu patrão terá outra.
—Não, não é a mesma coisa e desculpe me meter amiga. Para a outra eu serei uma empregadinha, já nós somos amigas. Podemos uma contar com a outra.
—Não somos substituíveis minha cara. Falei sorrindo e acariciando a mão dela.
—Sei disso.
—Agora não é o momento para ficarmos tristes e sim bem.
—Tem razão, estamos reunidos. Disse Mary e Edward me olhava. –O futuro só a Deus pertence.
—É verdade. Falou ele nos olhando. –Ela sabe o quanto eu a amo. Disse ele e Mary sorriu, talvez não acreditando no que ouviu.
—É eu percebi. Disse ela e eu os olhei.
A comida chegou minutos depois e comemos, a mesma estava muito boa. Vez ou outra Mary sorria do nada sozinha e eu a olhava.
—O que foi amiga? Perguntei sorrindo levemente.
—Não é nada.
—Não sei se acredito.
—O patrãozinho disse, disse que a ama.
—O que tem?
—Eu estou sem palavras e feliz, desculpe se isso a incomoda.
—É a pura verdade. Eu a pedi para me dar uma nova chance e deixar eu ser quem ela merece ter, mas ela não quer.
—Eu, eu. Falou Mary me olhando.
—Seremos compreensíveis um com o outro, isso já basta para sermos felizes. Falei os olhando.
—Isso é. Disse ela pensativa.
—Não é o fim do mundo.
—Sinto a sua falta amiga. Desculpe dizer isso, mas é dessa forma.
—Eu mais ainda. Disse Edward pensativo.
Ficamos quietos depois disso, mas com o passar dos minutos durante a refeição nós tornamos a conversar. Nada que nos envolvêssemos e sim assuntos corriqueiros. Mary estava bem feliz de estar viajando e deixava isso claro vez ou outra, era engraçado. O almoço estava sendo agradável e a sobremesa foi pedida, era pavê de bombom ao leite com chocolate branco. Eu comi me deliciando e Marie começou a ficar enjoadinha, eu a ninei, mas nada. Peguei a chuquinha de água dela e ela mamou numa boa quietinha.
15segundos depois.
Parecendo não ser água que ela queria, ela continuou chorando. Edward pagou a conta e saímos do restaurante, por eu estar de vestido, tivemos que ir ao carro. Mary esperou do lado de fora e eu me sentei no banco de trás, tive que suspender o meu vestido e ajeitei a neném em meu colo. Ela continuou chorando, mas no momento que eu ofereci o meu seio, ela o sugou na mesma hora. Ela mamava cheia de vontade e eu senti falta disso, pois os meus seios estavam cheios. Edward estava do lado de fora e me deu privacidade, só sei que a neném vez ou outra conversava em sua linguagem infantil ao parar de mamar. Eu sentia que ela estava feliz e isso me emocionou, tanto que eu a acariciei por diversas vezes e a abracei. Continuei dando de mamar a ela em outro seio agora e ela se saciou, a levantei e ela logo arrotou. Ajeitei o meu vestido e abri a porta, Edward a pegou no colo e eu saí do automóvel. Ajeitei melhor o meu vestido e ele me olhou.
—Vamos passear por aí?
—Vamos. Falei ajeitando a manta da neném e o olhei. –Aqui no shopping mesmo?
—Podemos passear por aí, New York tem muitos lugares.
—Tem sim, ainda mais hoje sábado.
—Então vamos. Disse ele e beijou a cabecinha da neném sobre a touca, depois ele sorriu para ela.
—Ok.
—Dê-me essa boneca aqui. Falou Mary pegando a neném do colo de Edward sorrindo e entrou no carro.
—Está confortável? Perguntou ele me olhando.
—É eu estou sim. Falei me afastando bem lentamente, a nossa aproximidade era perigosa demais e dei com as minhas costas na lateral do veículo.
—Gostou do vestido que eu te dei?
—Sim, ele é muito bonito.
—Fico feliz que você gostou.
—É.
Edward se afastou me olhando e abriu a porta do carona, sem pensar muito eu entrei. A porta foi fechada e ele deu a volta, após ele entrar logo saímos do estacionamento do shopping. Passeamos pela cidade e a noite foi caindo, só sei que andamos bastante e nos divertimos. Mary havia comprado muita coisa para si e eu também, mas a metade foi Edward quem me deu sem me deixar protestar. Para eu não ficar mal comprei algo para ele, mas só lhe daria depois. Eu não queria parecer usurpadora estando nós separados. Eu não podia negar que nos divertimos na medida do possível e Edward soube se comportar. Eu também colaborei e Mary parecia maravilhada com a cidade. Marie quis mamar mais uma vez e dei o meu jeito, só sei que ela mamou bastante e aliviou o meu seio esquerdo. Logo após ela caiu em um sono profundo por já estar em sua hora de dormir e nós entramos em um restaurante para poder jantar estando ela enrolada em um edredom infantil trago por Edward de Ourinhos. Conversamos bastante e a música ao fundo era agradável, o guisado estava bom demais e nos deliciamos. Resolvemos ir embora uma hora e meia depois, já passava das 21:50min da noite. Estando eu no carro agora o meu celular tocou, mas por estar no modo silencioso eu preferi deixá-lo tocar.
—Você quer que eu te deixe em frente o apartamento da sua amiga agora?
—Não, eu quero ficar mais um pouco com a minha filha. Amanhã eu volto de táxi.
—Não se importa de voltarmos para o hotel?
—Não. Está frio para ficar com ela no sereno.
—Eu também estou achando. Vamos?
—Vamos sim.
Edward ligou o carro e saímos dali, a sonolência foi me atacando também e eu sem querer acabei dormindo.
.
.
—Bella.
—Hum?
—Já chegamos. Disse Edward.
—Tudo bem.
Saí do carro e pegamos as nossas bolsas, Mary segurava a neném e entramos no hotel. Subimos para o quarto e colocamos as nossas coisas sobre o sofá, Edward pegou a neném no colo e Mary pegou as bolsas dela.
—Bem, boa noite gente.
—Boa noite. Falei a olhando e caminhamos as duas até a porta.
—Vem, volte conosco amiga.
—Estou empregada.
—Está renunciando a sua filha?
—Não, eu não estou não.
—O patrãozinho trabalha bella e a pequena tem a minha atenção, mas não é a mesma coisa que a atenção de mãe. Tenha pena dela e se lembre a falta que a sua mãe deve lhe fazer. Às vezes eu tenho que passar roupa, limpar pesado o apartamento e mal posso dar atenção a ela. Edward confia em mim, por isso estou lá no apartamento dele.
—Eu sei disso.
—Ela é pequena e chora tão sentida tadinha às vezes. Volte amiga, o patrãozinho está tão mudado e..... por sua causa eu vejo agora. Ele a quer de verdade e pude enxergar hoje durante o nosso passeio o quanto ele a ama. Durante esse tempo todo que eu trabalho para a família, eu nunca o vi assim com os quatro pneus arriados por uma mulher. Eu sei que você sofreu, eu também sofri a olhando sofrer, mas pelo menos volte por sua filha.
—Eu....
—Apenas pense.
—Estou segura aqui Mary, eu tenho medo de alguém reconhecer o meu sobrenome e fazer algo de ruim comigo ou com a minha filha. Edward não é o homem mais indicado para mim mesmo que aparente isso.
—Quem disse que não?
—Há muitos erros.
—Erros que podem ser consertados. Disse ela abrindo a porta do quarto dela e entramos, logo a seguir ela a fechou. –Seja sincera amiga, vejo algo oculto em seu olhar. O que está pegando hein? É verdade que está namorando?
—Não estou namorando coisa nenhuma, essa é a verdade.
—O patrãozinho fala que está namorando.
—Mas eu menti para ele. Edward confessou me amar antes mesmo de nos divorciar Mary e tive que mentir agora para ele me deixar em paz.
—Então está escrito todo aquele abatimento dele.
—Ele ficou tão mal assim após o divórcio?
—Sim. Ele saía aos finais de semana com os amigos, mas não era a mesma coisa. Ele sentiu a sua falta de verdade. Eu não posso induzi-la a ficar com ele depois do que passou, mas lá no fundo eu queria que desse certo por saber que ambos são pessoas boas. O patrãozinho se transformou, mas ele mudou a tempo, eu acho. Você estará segura de todas as formas ao lado dele e os patrõezinhos pais dele a adora, você sabe disso. Não acredito que vai abrir mão de ficar com a sua filha tão facilmente. Há centenas a fim de ocupar o seu lugar, mas se humilhando perante a sua rejeita ele está aqui. Estarei do seu lado sempre, então pense.
—Não estou abrindo mão dela e posso imaginar.
—Como não? Iremos embora amanhã e você vai ficar aqui. Veja como os seus seios estão enormes de tanto leite, eu sei que isso a faz sofrer.
—Edward.....
—Não tem explicação. Como pode colocar o seu trabalho em primeiro lugar e a sua filha em segundo plano?
—Ela não está em segundo plano Mary, eu juro.
—Você está jogando fora uma oportunidade de criar a sua filha. Quero ver o dia que lhe bater o arrependimento e você descobrir que outra está fazendo o papel de mãe da Marie. Saiba que mãe de verdade é aquela que cuida com carinho, que vela o soninho e está presente em cada fase importante da criança. Não precisa voltar com o patrãozinho, pois você sabe que nada irá lhes faltar.
—Não quero depender dele e de uma pensão, eu posso mais que isso Mary.
—Não seja teimosa amiga e eu sei que você pode sim. Não parece que o problema é só esse, você foge dele e isso eu pude perceber hoje. O que está havendo e se passando em seu coração?
—Eu, eu.... Falei deixando as minhas lágrimas rolarem e fui olhar da janela, eu me sentia envergonhada.
—Eu o quê? Perguntou ela se aproximando de mim.
—Eu estou ficando louca e sem juízo. Falei olhando para o céu e fechei os meus olhos.
—Por que você diz isso?
—Estou apaixonada por ele. Falei com raiva de mim mesma me virando para ela.
—Eu já imaginava. Disse ela me olhando sem piscar. –Está tão na cara que qualquer um nota. Eu tenho certeza que o patrãozinho não por ter aprontado demais com você. Ele deve pensar o contrário.
—Não sei o que fazer Mary com tanto amor sufocado em meu peito. Não imagina como tem sido as minhas noites após o divórcio. Eu sinto tanta falta de nos tocarmos, de beijá-lo, dói demais essa angustia. Eu sou uma mulher e não estou morta.
—O que a afasta tanto dele fora os maus tratos? Sei o quanto isso pesa e.....
—Para ser sincera os maus tratos não pesam mais Mary. O que pesa é a morte dos meus pais e....
—Ele está superando e passou por cima da vingança para se permitir amá-la. Mesmo que não, os seus pais causaram uma desgraça na família dele. A pobre Brenda pelo o que eu soube, se ela sobrevivesse não poderia mais gerar filhos. Acabaram com o sexo da bichinha e tão novinha ficaria cheia de marcas horríveis pelo corpo. Já a dona Esme ficou cega e o resto você já sabe. Mesmo com toda a raiva, ele passou por cima do ódio todo e isso é digno perante Deus bella. Os seus pais vão ser para sempre os seus pais, mas você poderia estar numa pior por causa deles. Apenas pense. Nada nessa vida é à toa e muitas vezes uma tragédia nos liberta e nos leva a algo novo.
—Você é uma pessoa amiga de verdade e fiel, eu tenho um segredo que me atormenta e não posso contar porque não é meu.
—Fica com ele e não me conte, mas às vezes somos capazes de mudar o que está errado. Dizem que o amor destrói, constrói, conserta e nos faz perdoar. Isso se valer mesmo à pena. E se valer à pena porque nos enganarmos ou deixarmos o tempo passar?
—Tem razão.
—Não estou te instigando a nada, mas zele pela menina. Ela é a sua filha bella e....pelo amor de Deus!
Comecei a chorar e Mary me abraçou.
.
—Eu o amo tanto Mary.
—Estou percebendo. Nunca imaginei que o amor pelo patrãozinho fosse brotar em seu coração, pois eu sei que ele não foi fácil.
—Isso não pesa tanto mais e eu te juro. O amor em meu coração está inundando todos os maus tratos, eu sinto isso e não consigo frear esse avanço para o meu próprio bem. Os meus pais são a exceção e outras coisas a mais. Edward muda constantemente de comportamento e me tarjou como a única mulher no mundo.
—O vendo hoje, não sei não. Ele sabe que já lhe perdeu, é diferente. Teremos tempo para conversar um outro dia, agora vai porque ele vai estranhar a sua demora.
—Tudo bem. Falei com ela secando as minhas lágrimas de forma carinhosa. -Você é uma irmãzona Mary. Obrigado por existir e me perdoe mais uma vez pelo o meu afastamento. Eu fiz isso para não ter qualquer tipo de contato, pois até você me faz lembra dele.
—Não é vergonha amar quem nós devemos odiar, simplesmente acontece. Pra você ver como tudo nessa vida é possível, mas não abandone a neném. Você mesma um dia pode se arrepender de não ter visto ela crescer e florescer para a vida. A primeira palavra, o seu andar vagaroso e....... Vai ser você a evitar que ela caia ou a outra?
Recompus-me com dificuldade por causa das palavras dela e a abracei.
—Boa noite.
—Ta vendo como não é tão mal, até estão numa boa. Acredito que milagres acontecem e pelo visto aconteceu né.
—É. Agora me deixa ir, você me confunde.
—Tomara mesmo.
—Tchau Mary.
—Tchau.
Nos abraçamos mais uma vez e eu saí do quarto, respirei fundo e empurrei a porta ao lado. Ao entrar no quarto eu vi que a Marie estava de roupa trocada e Edward acabava de pegar a fralda usada e as coisas de banho dela. Marie dormia e ele foi bem rápido ao banhá-la. O quarto estava quentinho por causa do aquecedor e eu me aproximei da cama após trancar a porta, tirei a minha bota e os meus pés agradeceram. Peguei o meu celular na bolsa e mandei uma mensagem para o William, eu disse que amanhã nos falaríamos e dei uma desculpa por não ter atendido o telefone antes. Edward me olhou ao futucar o celular e permaneceu na dele, quando eu terminei o guardei.
—Ela está bem agasalhadinha.
—Está sim bella. Bem, eu irei tomar um banho agora e fica a vontade. Pede o que quiser ao hotel, o menu está ali sobre a mesa.
—Ok.
—Se quiser se banhar há roupões e não se preocupe comigo.
—Não estou pensando nisso. Você me deu a sua palavra e eu estou confiando. Eu coloquei coisas para mim na bolsa, como um pijama quente para o frio. Eu sabia que não resistiria a passar mais tempo com a minha baixinha.
—Então ta.
Ele entrou no banheiro levando a roupa dele e eu liguei a televisão, fiquei a assistindo e não resisti a ir olhar a cidade da janela. Fiquei ali admirando a vista e saí da janela, fui até a minha bolsa e peguei um prendedor de cabelo. Eu o prendi e peguei o meu pijama, tirei o meu nécessaire da bolsa e aguardei ele sair.
.
10min depois.
Edward saiu do banheiro e vestia a calça comprida do pijama, já à parte de cima era um casaco grosso e ele se sentou no sofá.
—Vou lá tomar banho agora.
—Tudo bem.
Peguei as minhas coisas e entrei no banheiro, me despi rapidamente e me lembrei da Ângela. Enrolei-me na toalha e abri a porta, peguei o meu celular na bolsa ganhando o olhar do Edward e voltei para o banheiro. Mandei uma mensagem para ela dizendo que eu me encontrava em um hotel para espairecer e disse que eu estava bem. Pedi para ela não se preocupar e mandei beijos. Terminei de me despir e entrei no Box, tomei um banho relaxante e me senti limpa. Saí para me secar e me vesti, passei um pouco de colônia e soltei o meu cabelo. Meu pijama era bonito na cor vinho escuro e saí do banheiro, Edward se encontrava deitado no sofá coberto e eu coloquei a minha roupa estirada de jeito que ela não amarrotasse.
—Se quiser pode dormir na cama, eu não mordo.
—Sei disso. Disse ele me olhando.
—Eu comprei algo para você.
—Você me comprou um presente?
—Sim. Vou pegá-lo.
—Ok.
Fui até as minhas bolsas e peguei o embrulho, depois fui até ele e me sentei no sofá estando próximo dele.
—Espero que goste.
—Vou gostar. Disse ele se sentando e pegou o embrulho da minha mão estando surpreso.
Edward o abriu e viu ser uma blusa de manga curta, a mesma era fina e daria para ele ir trabalhar na quentura de Ourinhos. Ele sorriu ao olhá-la e pegou o embrulho menor, ao abri-lo, ele abriu a caixa menor. Era uma caneta dourada e não me foi barata, mas se comparando ao valor do vestido que ele me comprou não era nada.
—Gostou dos presentes? Perguntei o olhando. –Dará para usá-las em seu trabalho.
—Vou usar com toda certeza e com carinho. Obrigado. Disse ele me abraçando e eu fiquei sem jeito.
—De nada. Falei sentindo o cheirinho dele e ele cheirou o meu pescoço também, mas de forma suave e discreta –Bem, é isso.
—Eu adorei bella e obrigado.
—De nada. Você gostou mesmo?
—Sim. Você quer comer algo?
—Não, apenas abraçar a minha bebê e dormir. Vou escovar meus dentes e você pode descansar na cama, esse sofá é desconfortável para dormir. Esse hotel não é barato para se dormir no sofá.
—Isso é. Não quero incomodá-la e perturbar o seu sono. Eu me contento em dormir aqui.
—Pode dormir lá Edward.
—Ok.
Saí de perto dele e fui escovar meus dentes, acabei me aliviando depois e lavei as minhas mãos. Eu as sequei e saí do banheiro, Edward já estava deitado na cama e o espaço para eu me deitar perto da minha filha estava desocupado. Fui engatinhando devagar pela cama e me deitei no meio, Edward puxou a coberta e eu me cobri melhor. Aproximei a neném de mim um pouco mais e Edward desligou o abajur, só ficou mesmo a televisão iluminando o quarto. O frio lá fora estava imenso e a quenturinha agradável do quarto nos acalentava de forma gostosa.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!—Qual desculpa você deu para o seu namorado já que hoje é sábado e você está aqui?
—Ele não é o meu namorado, somos amigos. Falei me virando para olhá-lo.
—Sério? Você o beijou........ e cheios de intimidade na praia.
—Somos amigos, apenas isso. Eu sugeri que fossemos apenas bons amigos ao vir pra cá e estamos nos conhecendo ainda.
—Sei. Disse ele me olhando.
—Está tudo tão tumultuado Edward e não é o momento certo para eu me envolver com alguém. Eu sei que ele me quer, como eu quero o bem dele, mas deixarei o tempo passar.
—Isso significa que ele tem chances?
—Não sei o que pensar no momento. Comecei a trabalhar numa empresa de engenheiros e arquitetos, eu estou adorando essa novidade na minha vida. Estou fazendo coisas que eu nunca fiz antes e ganhando o meu dinheiro. Eu pego de manhã lá e saio às 16h. Estou adorando e o William me pega as 06:30min da manhã. Vamos juntos pela empresa ser do pai dele e ele está fazendo faculdade de engenharia civil. Ele é brilhante no trabalho e me trata mais que bem, vejo que ele pode me ajudar a ser alguém na vida. Ele me dar forças e confia em mim e na minha dedicação, tanto que confia deixar a chave da porta do escritório dele comigo. É incrível trabalhar lá e sinto-me feliz por ele acreditar em mim, senti falta disso. Não perdi as esperanças, tanto que eu quero muito isso que eu estou vivendo. Novidade é sempre bom.
—Sei que você merece ser tratada bem.
—Falei essas coisas, mas não para diminuí-lo por tudo que me fez. Estou deixando você saber como é a minha vida agora longe de Miami.
—Sei disso bella.
—Só quis deixar claro para você não ficar botando defeitos em uma pessoa que não merece. Muitas pessoas não têm a oportunidade que eu estou tendo. Sempre na hora da precisão eu encontrei pessoas para me levantar, isso é uma prova que Deus existe.
—Eu fui o único que a derrubou não é?
—Não penso mais nisso, estou me recuperando. Falei o olhando. -Quando vai parar de se culpar o tempo todo?
—Sempre que eu olhá-la, eu vou me lembrar de tudo que eu lhe fiz. Só a morte me trará o alívio bella.
—Sou eu quem não quer que se lembre. Promete-me isso?
—Como eu não a conheci antes?
—Morávamos longe.
—Então eu teria uma chance?
—Não é tão ruim assim lá no fundo, mas isso não muda nada.
—Como pode me dizer isso com as mald.......
—Shhh Edward.
—Tudo bem. Cada vez mais eu vejo que não a mereço.
—Pare de se torturar. Quer ser infeliz para o resto da vida? O que ganharíamos ao nos torturar ainda mais?
—A minha felicidade é você bella. Ao meu lado, ao lado da nossa filha e é isso. Todo esse dia sozinho eu a desejei do meu lado. Acordar todas as manhãs e abraçá-la, isso é um sonho distante.
—Eu imagino como é isso.
—Não me deixe ir, sem um dia eu saber que você me perdoou.
Ficamos nos olhando estando a televisão baixinha e interrompi o nosso contato ao olhar para a minha filha atrás de mim. Tantas coisas se passavam em minha cabeça e abracei a neném após me virar. Fiquei na minha pensando, pensando e senti a cama se mover, era ele quem se ajeitava para dormir.
—Pode desligar a televisão se quiser. Sugeri.
—Não quer assistir?
—Não.
Edward pegou o controle e a desligou, já o quarto ficou sendo iluminado pela rara luz que vinha de fora. Fechei os meus olhos e fiquei na minha, eu sentia o meu coração bater acelerado e beijei a cabecinha da minha filha.
.
Aos poucos o sono estava vindo com o passar do tempo de forma gostosa e bocejei, movi-me de leve e bati nele sem querer. Ele permaneceu imóvel e coloquei o travesseiro do outro lado para proteger a neném que pouco se movia durante o sono e virei para o outro lado. Edward estava imóvel e parece que ele já dormia, ajeitei a almofada sob a minha cabeça e fiquei sentindo a respiração tranquila dele se chocar em mim. Eu o desejava tanto, eu pensava e fechei os meus olhos.
.
.
....................................................................................
Madrugada de domingo, 19 de Setembro.
Às 04:53min.
Acordei com o choro da neném e afastei a coberta, precisei ficar com o meu corpo atravessado sobre o do Edward e acendi o abajur. Ele abriu os olhos e....
—Desculpe-me, mas foi preciso para acender o abajur.
—Tudo bem, eu acabei acordando.
Ajeitei-me na cama e peguei a neném no colo, eu imediatamente arriei a blusa do meu pijama e dei de mamar a ela. Marie mamava quietinha e seus olhinhos abriam e fechava, nisso eu senti o meu outro seio vazando e a troquei de seio. Ela reclamou atraindo a atenção de Edward, mas logo ficou quietinha e acabou dormindo estando o meu seio em sua boca ainda. Tirei o meu seio da boca dela e o guardei, a deixei em pé em meu ombro e aguardei um tempinho. Escutei o seu arroto vir e continuei sentada com ela, momento depois eu a deitei com cuidado e ela moveu os bracinhos e as perninhas, mas logo ficou quietinha e eu a cobri melhor. Precisei ir ao banheiro me aliviar e lavei as minhas mãos depois, eu estava com sede e peguei um pouco da água do Edward para eu beber.
—Fica despreocupada que não tem nada na garrafa d´água.
Balancei a minha cabeça que não o olhando ao beber a água e voltei para a cama, me ajeitei e fiquei o olhando. Edward apagou a luz e se deitou, ficamos tão próximos um do outro porque ele quis assim ao se ajeitar na cama depois. Movi-me de leve sentindo o borbulhar em meu corpo e fechei os meus olhos para aturá-lo me consumindo inteira. Amá-lo desmedidamente me fazia desejá-lo da mesma forma e eu me perguntava se aquilo que eu estava sentindo era normal. Talvez fosse o final da menstruação que estava me deixando daquela forma ou porque ele era realmente bom. Eu estava incomodada e passei a mão em minha testa, a mesma soava um pouco agora.
—Algum problema? Perguntou-me ele ao notar que eu me mexia bastante.
—Estou com calor.
—O aquecedor está ligado. Quer que eu o diminua?
—Não precisa.
—Tem certeza?
—Tenho.
Edward se ajeitou e eu fechei os meus olhos, pois a minha vontade era de beijá-lo. Eu me aproximei bem mais dele e notando o meu ato, ele acendeu a luz novamente.
—Algum problema?
—Não nenhum. Falei me deitando novamente e vi o quanto eu era fraca, Ângela tinha mesmo razão.
Ficamos calados e aos poucos o sono foi me consumindo. Tornei a ficar consciente quando ele se moveu bem próximo de mim e me aproximei, eu não estava aguentando e o beijei mesmo que me arrependesse depois.
—Bella é melhor não. Disse ele se afastando e eu chorei ao me sentar na cama.
—Por que está me dizendo isso agora?
—Sei que vai se arrepender e, quem voltará sozinho logo mais serei eu. Vejo o quanto está decidida a ficar aqui e será ainda mais difícil para mim depois disso. Entende?
—Quero, quero. Falei baixinho e tampei o meu rosto com as minhas mãos.
Interrompi a fala e chorei ainda mais, Edward me abraçou e ficamos assim.
—O que ia me dizer bella?
—Você. Falei em meio o choro baixinho.
—Ta. Mas o que tem eu?
—Você não é bobo.
—Está me deixando confuso. Disse ele me fazendo deitar de forma carinhosa. –O que você quer? Perguntou ele secando as minhas lágrimas.
—Está tão na cara.
—Quer ficar comigo essa noite? Perguntou ele e sua forma de perguntar causou-me um pouco de vergonha.
—É melhor dormimos mesmo. Falei sentida e soluçando a ponto de mover de leve a minha cabeça a todo o momento. Era um dilema o que eu estava vivendo e rejeitá-lo o amando era difícil demais.
—Está tão sentida, olhe para você.
—É, eu, eu, sei.
Edward se aproximou de mim e ele beijou os meus lábios de forma suave, eu entendia o que se passava com ele. Ele evitou o contato para não se machucar também, era sincero o seu amor para comigo, mas mesmo assim ele cedeu. Ele cedeu mesmo se magoando depois e nos beijamos nesse momento de forma tão apaixonada, que incendiaríamos a cama se funcionasse assim. Nossas línguas se moviam uma com a outra vagarosamente e eu o puxava para mim. Eu queria explorar o beijo dele e ter tudo que ele pudesse me dar através dele. Eu suspirava quando nos afastávamos para respirar e Edward beijou o meu pescoço do jeito que eu gostava.
—Adoro o seu cheiro. Disse ele me olhando.
—Eu também. Falei o olhando e ele sorriu a sua forma torta, talvez não acreditando no que eu lhe confessei.
—É?
—É. Falei afirmando com a cabeça.
—Isso é um bom sinal então.
—Pode ser.
Ele se aproximou de mim e me beijou ainda mais suave e lento, corri a minha mão pelas costas dele e Edward me olhou.
—Isso me deixa empolgado e é melhor parar sem querer ser grosseiro. Disse ele baixinho e me deu um beijo na bochecha.
—Fica excitado com o deslizar das minhas mãos em seu corpo? Perguntei mais baixo ainda sem me sentir envergonhada.
—Sim. Você é a mulher que eu amo e tudo que você me faz em relação a esse tipo de carinho, me deixa excitado. Não vou avançar o sinal, mas eu sou homem.
—E isso é bom.
Voltamos a nos beijar e o puxei para mim, Edward ficou sobre mim e continuamos a nos beijar de forma entregue. Eu acabei me empolgando e o acariciava de forma natural e sem culpa. Éramos apenas nós e o nosso amor, pois eu sentia em seus atos o quanto ele me amava. Edward também me acariciava e o nosso carinho não era em nossas partes intimam, era em nosso rosto, braços, entrelaçávamos os nossos dedos e nos beijávamos muito. Eu estava tão excitada e o mover natural de Edward sobre mim ao me beijar estava me fazendo quase explodir. Nesse momento que ele beijou o meu pescoço bem devagarzinho e voltou a me beijar cheio de paixão, com o mover do seu corpo isso foi o suficiente para me fazer trazê-lo contra mim e gozei de forma entregue estando o meu coração aos saltos. Nós estávamos vestidos e foram beijos e carinhos apenas. Ao me ver gozar de forma deliciosa e estando visivelmente extasiada, ele me olhou sem entender nada.
—Eu mal a toquei bella.
—Não tenho culpa por desejá-lo demais. Falei de olhos fechados sem pensar e os abri após falar, nisso ele ficou me olhando.
—Você me deseja também? Perguntou ele e selou os nossos lábios demoradamente, mas depois ele tornou a me olhar.
—Muito, essa é a mais pura verdade.
—Então volte comigo hoje.
—Eu não sei Edward. Preciso ficar só no momento e não é fácil ao me lembrar das coisas ilícitas e dos meus pais.
—Não quero falar a respeito. Disse ele me olhando e se afastou deitando-se ao meu lado.
—Não vou falar. Falei me ajeitando na cama e me cobri.
—Vamos dormir, logo amanhecerá. Falou ele numa boa. -Qualquer um deseja um sexo bom, mas da minha parte é amor.
—Ta. Falei sentida e ele nos cobriu. –De qualquer forma não poderíamos fazê-lo. Falei baixo quase que pra mim mesma e fechei os meus olhos.
Fiquei na minha e ele me abraçou cinco ou seis minutos depois, com isso acabamos dormindo desta forma.
.
Às 9h em ponto.
Acordei com o choro da neném e Edward arrumava as malas estando com ela no colo, a mamadeira estava sobre a mesa e ele a pegou.
—Deixa que eu dê mamar a ela. Falei o olhando e me bateu uma tristeza.
—Tudo bem. Bom dia.
—Bom dia. O saudei e ele veio até a mim.
—Às 11h em ponto deixaremos o hotel e voltaremos, o trabalho me chama amanhã.
—Tudo bem.
Peguei a neném e tirei o meu seio para fora, ela imediatamente começou a mamar. Vi Edward pegando as coisas dele e da nossa filha, reparei que as malas já estavam bem dizer arrumadas agora e ele entrou no banheiro levando roupas de sair. Olhei para a minha filha e lembrei das palavras de Mary, mas ao mesmo tempo eu precisava desse espaço.
—Como eu posso ser cúmplice de coisas ilícitas? Eu me perguntava.
Eu não sabia se eles continuavam com essas coisas, mas Edward sempre mudava de assunto se tratando disso. Ele sempre pedia para não falarmos a respeito e eu tinha certeza que ele não abriria a mão da neném caso eu pedisse. Eu tinha certeza disso estando eu aqui e o meu caráter era o que contava mediante essa questão das drogas. Eu não queria voltar, eu queria ser alguém e em Ourinhos eu não teria a oportunidade que eu estava tendo aqui. Eu estava tão confusa e um tempo depois a Marie se saciou, ela logo largou o meu seio e eu a coloquei em pé em meu colo. O William confiou em mim, já o Edward não me convidaria para ajudá-lo em sua empresa, até porque ele não era a favor antes de eu trabalhar.
.
Edward saiu do banheiro estando bem arrumado e o casaco era chique demais. A cor marrom da roupa destacava os olhos verdes dele e estava gato demais. Ele veio até a mim e pegou a Marie.
—Fico com ela enquanto você se ajeita.
—Tudo bem.
Levantei da cama e entrei no banheiro levando as minhas coisas, me arrumei rápido após escovar meus dentes e passei batom. Penteei o meu cabelo e saí do banheiro, calcei a bota e arrumei as minhas coisas dentro da minha bolsa.
—O café da manhã deve estar quase chegando.
—Tudo bem.
—Vai continuar aqui não é?
—Eu, eu............ pensei um pouco e o olhei. –É, eu vou sim. É o melhor Edward.
—Isso é o que você diz.
—Não quero brigar com você, passamos por ótimos momentos.
—Eu concordo. Bem, é a sua vontade que vale daqui para a frente.
—Não estou os abandonando.
—Eu já estou me sentindo assim faz tempo bella, mas não podemos ter tudo que queremos. Estou ciente disso agora e............é isso.
—Não sei o que dizer em relação a minha filha.
—Você está começando a trabalhar, curta isso e se arranje na vida como você quer tanto. Ao meu lado você teria tudo, mas não vamos tocar mais nessa tecla. Sabe onde a Marie mora.
—É, eu sei. Eu amo a minha filha Edward.
—Viva a sua vida numa boa e eu farei o mesmo. Não quero que se sinta dividida e sim decidida em qualquer ação sua. Não sou o seu inimigo bella e quando os meus pais voltarem, marcarei o batizado. Entrarei em contato quando for o momento, e até lá viva a sua vida como vem fazendo. Perdoe-me por ter vindo aqui.
Escutamos a campainha tocar e era o nosso café da manhã, o mesmo veio farto e sentamos para comer. Marie ficou quietinha estando deitada na cama e eu e Edward conversamos um pouco mais. Minutos depois ficamos em silêncio e terminamos de comer.
—Bem, está na hora de irmos Isabella.
—Ok. Falei secando a lágrima que rolou.
Edward chamou a Mary e ela me abraçou, eu a envolvi com os meus braços e ficamos assim.
—Você vai se arrepender, eu tenho certeza.
—Se cuida você também Mary.
Edward ligou para a recepção e pediu a conta dos dois quartos. Fomos liberados para descer e o funcionário do hotel veio buscar as malar deles com uma espécie de carrinho.
Chegamos na recepção e Edward pagou a conta com o cartão, tudo ficou pago e ele devolveu a chave do carro alugado à recepção.
—Os táxis já estão chegando Senhor Cullen e foi um prazer recebê-los. Espero que tenham gostado e façam uma boa viagem. Falou a recepcionista elegantemente uniformizada.
—Obrigado e tudo estava excelente.
—Que bom! Nós do hotel agradecemos a preferência.
—Ok.
Ficamos no hall do hotel e logo os táxis chegou, um dos mesmos era grande e caberiam as malas numa boa. O outro era para mim e Edward colocou mil dólares em minha mão deixando-me surpresa.
—Vai ajudar no que for preciso no momento. Pague o táxi.
—Mas...
—Fique com ele.
—Estou bem e ficarei com cinqüenta dólares apenas, é o suficiente para o táxi. Falei devolvendo o dinheiro e sorri. –Obrigado e não fique chateado, eu apreciei a boa vontade.
—Tudo bem.
—Se cuida. Disse Mary me abraçando novamente.
—Você também. Falei sorrindo forçadamente e nos afastamos.
—Adeus bella. Disse Edward e me deu um beijo na testa, a seguir ele pôs o óculo escuro.
—Até Edward. Falei o olhando. –Vem cá minha bonequinha. Falei pegando a neném no colo e a beijei. –Já estou com saudades de você meu bem e se eu pudesse ficaria com você...........Eu te amo.
—Está na hora. Disse Edward a pegando sem ser grosseiro e me olhou. –Espero que seja feliz.
—Você também. Falei me fazendo de forte.
Mary me olhou tendo lágrimas nos olhos e se afastou para Edward se sentar. A porta foi fechada na mesma hora que uma lágrima rolou pelo o meu rosto e eles se foram, na mesma hora me veio flashes em meus pensamentos dos momentos bons que tivemos e me abracei sentindo os últimos resquícios do perfume dele no ar.
—Senhorita, quando estiver pronta podemos ir. Falou o taxista e eu o olhei mal o enxergando por causa das lágrimas.
—Eu acho que estou. Falei pondo a mão em meu coração.
—A garotinha é linda. Disse ele me olhando.
—Ela é minha filha.
—Então, parabéns.
—Obrigado.
Entrei no táxi e ajeitei as minhas bolsas, a seguir falei o endereço de Ângela. Saímos ali do local comigo aos prantos e o taxista vez ou outra me olhava, mas discreto não falou nada e me ofereceu um lenço de papel. Estava sendo tão difícil meu Deus e as palavras da Mary ecoavam em minha cabeça. Edward foi embora bem abalado e eu estava pior ainda, o que doía mais era a minha filha. Parecia maldade minha, mas não era. Eu precisava ter estruturas e eu sabia que ela ao lado do pai teria de tudo.
.
O táxi parou em frente o prédio da Ângela e eu paguei a minha viagem, após pegar o troco eu desci do carro. Ao me ver aproximando, o porteiro liberou a minha entrada e eu o cumprimentei estando bem tristonha, na verdade eu não sabia como iria superar e conseguir trabalhar essa semana. Caminhei pela portaria e entrei no elevador, apertei o número correspondente do andar da Ângela e aguardei.
Saí no andar dela e abri a porta devagar, mas me enganei quanto à quietude e vi Ângela sentada no sofá com uma xícara de café na mão.
—Bom dia. Falei a olhando e ela fez o mesmo.
—Bom dia. Disse ela me avaliando. –Está bonita.
—Obrigado.
—Acabei me preocupando ontem.
—Eu sei, mas estou bem.
—Ok. Disse ela voltando a olhar para a televisão. –Ah, a galera vai vir almoçar aqui hoje, logo estarão chegando.
—Tudo bem. Vou tomar um banho, descansar e depois eu me junto a vocês.
—Tudo bem.
Saí da sala e fui para o quarto, guardei as roupas novas e me despi. Fui para o banheiro tomar banho e me demorei bastante, eu chorei tudo que eu pude para depois não dar bandeira. Sei que a Ângela encheria o meu saco se ficasse sabendo que eu estive com Edward e esse era um momento muito delicado para tal coisa.
.
30min depois.
Saí para me secar e nesse momento Edward não estava mais em solo Nova-iorquino. Sequei a lágrima que rolou e me sequei, escolhi um conjunto de frio para vestir e fiquei bem. Penteei o meu cabelo molhado e o sequei, não tendo mais nada para fazer eu fui me deitar.
Estava frio em New York e me cobri, eu só precisava dormir e fechei os meus olhos doloridos de tanto chorar. Doía me lembrar da minha filha, da Mary e do Edward, eu estava aos frangalhos e bateram na porta do quarto.
—Entra. Falei me recompondo e permaneci deitada, eu não estava com forças para mentir o meu real estado nesse momento.
—Sou eu. Disse William entrando no quarto e encostou a porta. –Vim para o almoço e vê-la senhorita Isabella Marie.
—Você é sempre bem vindo chefinho. Falei sorrindo me sentando e ele me abraçou.
—Eu quis vir vê-la. Está com saudade para estar chorando? Seu rosto está bem vermelho. Disse ele preocupado.
—Muita saudade, você não tem noção.
—Tem certeza de que é nessa cidade a qual você quer ficar bella?
—Sim e não. Sinto saudades da minha filha demais. Falei soluçando e eu me sentia sufocada por causa da imensa vontade de chorar.
—Eu tenho certeza que você não vai conseguir superar isso. Disse ele acariciando o meu rosto sem apelo algum.
—Por mais que eu tente, eu não consigo. Não tenho forças William, mas me comprometi com você em ser a sua assistente. O trabalho é show e sinto-me realizada em estar trabalhando dignamente.
—Não é justo o que você está fazendo bella, ainda mais com uma bebê.
—Eu sei disso. Falei colocando a mão em meus olhos.
—Sei que o seu coração é de ouro e não perverso por se manter afastada dela. Ficar aqui a fará infeliz e não seja cabeça dura. Eu não sou egoísta e não irei competir com uma bebê indefesa que precisa da mãe.
—Sei o quanto você é nobre e homens assim está escasso. Você é nota dez. falei o abraçando e ficamos assim. –Outro em seu lugar me julgaria, mas ninguém melhor do que eu sei o que se passa em meu coração. Há tanto para se pensar, há tanto para se perdoar, mas a saudade que eu tenho dos meus pais e me sentir protegida por pessoas do meu sangue é imensa. Tenho medo de errar William, tenho medo de fracassar e tropeçar ainda pior e não ter em quê me apoiar depois. Estou aqui tendo uma oportunidade de ouro e uma escolha errada vai me fazer se arrepender mais tarde. Acho-me uma chata no momento e estou chateando os meus amigos com os meus problemas, eles são tão jovens para isso.
—Você também é jovem. Uma jovem de 19 anos.
—Acho que envelheci durante esses meses.
—Claro que não e você é uma mulher linda.
—Obrigado pelo carinho.
—Apesar de tudo eu sou o seu amigo, alguém que você pode confiar caso precise de qualquer suporte. Por que você não vai e resolve os seus problemas? Se você decidir voltar algum dia, de alguma forma um emprego não vai lhe faltar. Eu lhe garanto por saber que você gosta de trabalha.
—Eu......
—Apenas pense.
Ficamos calados e ele permaneceu ali comigo. Nós conversamos bastante a respeito de assuntos corriqueiros e falamos a respeito do nosso trabalho. Eu pedi até sexta feira para me decidir e o William me deu toda a força do mundo, eu iria pensar bem. Essa semana seria tumultuada e pelo favor que ele me fez, eu queria retribuir. Isso a contra gosto do mesmo e ele me mandou decidir até quarta feira momentos depois, pois ele mesmo me daria à passagem de presente. Eu estava tão confusa e não sabia o que pensar.
Animando-me mais um pouco, ele me fez trocar de roupa e me ajeitei. Ângela receberia a amiga do curso e viria o namorado dela também para o almoço. Ficaríamos em seis, então eu não iria aparecer com cara de chorona e saímos do quarto.
O namorado de Ângela já havia chegado e veio me cumprimentar, ele era bacana demais e faríamos uma carne recheada para o almoço. Eu disfarcei bastante e sugeri fazer um arroz de forno com vegetais, ficaria bom. O vinho foi trazido por Thiago e continuamos no preparo. A campainha tocou e Ângela foi atender, vi uma moça loira a abraçar e um rapaz moreno entrar. Eles se cumprimentaram, incluindo o Thiago e o William.
—Isabella, essa é a Rachel, minha amiga.
—Olá Rachel e é um prazer.
—O prazer é todo meu. Falou à moça de cabelo cumprido que não tinha mais de vinte anos e nos cumprimentamos com dois beijos na bochecha.
—Olá, eu sou Josef.
—Josef é o meu namorado. Disse a moça loura sorrindo e eu sorri.
—Prazer em conhecê-los.
—É todo nosso. Disse ela sorrindo. -E o rango Ângela, sai ou não sai? Perguntou ela e eu sorri, apesar de portar ouro pelo corpo ela parecia ser simpática.
—Estamos nos aventurando já.
—Eu trouxe a sobremesa.
—O que trouxe de bom para nós?
—Bolo trufado de chocolate com nozes.
—Hum! Parece bom. Falei olhando para aquela delícia.
—E está. Disse ela sorrindo. –A minha babá é a melhor do mundo.
—Sei. Falei achando graça, pois ela era uma moça e falar dessa forma só podia ser mimada. –Que bom.
—É sim.
Fomos para cozinha e os rapazes ficaram bebendo na sala, o papo estava animado e continuamos a preparar o almoço. Teve momentos que eu fiquei calada ao preparar e a amiga de Ângela era bem espoleta, ela me fazia rir e nem isso acalentava o meu coração no momento. Eu só pensava na minha filha e o meu coração foi com eles, era como se estivesse um vazio em meu peito. Vê-los foi maravilhoso, ótimo, mas a partida deles doeu ainda mais, pois de certa forma eu me senti preenchida. Ângela foi o meu suporte por várias vezes, mas o vínculo familiar o qual eu vivi e tive, sem eu perceber na época era forte de alguma forma. Acho que o vínculo se formou com o nascimento da neném, ela era metade minha e podia ser isso. Eu não apoiava o que eles deviam fazer por trás, mas a convivência que tive me fazia ter saudades hoje. Alice com o seu jeito impetuoso e sempre presente hoje me fazia recordar. Nossa amizade estava meio abalada por causa da traição e sem contar a Esme, essa foi uma mãezona para mim. A pobre não sabia das trapaças e eu achava isso ruim, quanta saudade eu estava sentindo. Até do Carlisle que se mostrou sempre preocupado e por duas vezes me ofereceu uma quantia de dinheiro enorme, mas eu não quis. Eu estava me sentindo tão carente que até falta do mar de Ourinhos eu estava sentindo. Eu não queria ser fraca, mas era mais forte que eu.
—Amiga, terra chamando. Falou Ângela balançando a mão na frente do meu rosto.
—Estou aqui. Falei a olhando. –Eu estava pensativa.
—Já está tudo pronto.
—Ok.
—Aceita uma taça de vinho? Perguntou Thiago a mim quando entrou na cozinha sorrindo.
—Aceito sim, está frio e vai esquentar.
—Ok.
Peguei uma taça no armário para vinho e passei uma água nela, logo após o Thiago a encheu e eu o agradeci. O vinho era delicioso mesmo e fomos para a sala, sentei-me ao lado de William e ficamos conversando.
Na hora do almoço nós nos deliciamos e a comida estava muito boa, tanto que eles repetiram e eu me contentei em comer pouco, eu estava sem apetite. A sobremesa foi servida e comi me deliciando, a mesma estava mesmo boa.
—Realmente a sua babá tem mãos de ouro. Eu conheço uma moça que não fica atrás.
—Quem é ela?
—Uma amiga minha, ela cozinha muito bem.
—Hum. Fez ela me olhando e sorriu.
A louça foi lavada pelos homens e as meninas sorriram, logo após eles a secaram. Estando tudo limpo, fomos para a sala e passamos a tarde inteira conversando, estava frio demais e o aquecedor foi ligado.
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Às 19:25min.
O pessoal decidiu ir embora e os acompanhamos até a garagem. Despedi-me de Rachel e de Josef com um abraço e eles entraram no carro dele, o mesmo era uma super máquina e lembrava o carro do jake. Depois o namorado de Ângela nos cumprimentou e os dois foram para o carro dele, já eu e o William nos olhamos.
—Passo aqui e te pego amanhã no mesmo horário.
—Ok.
—Até amanhã princesa.
—Até. Falei o abraçando e me senti acalentada por ele, William me fazia lembrar do jake em sua forma carinhosa de ser.
Ele me deu um beijo na bochecha e entrou no carro, acenei sorrindo e ele se foi. Entrei no elevador e subi, abri a porta do apartamento da Ângela e entrei. Tornei a fechá-la e fui beber um pouco de água, eu estava com sede e bebi dois copos. Decidi ir para o quarto e decidi tomar um banho quente para esquentar, por sorte eu estava me libertando da regra por já ter dias e eu estava comemorando literalmente. Fiquei sob a água do chuveiro pensando e pensando, há essa hora eles já deviam ter chegado em casa. A Marie já devia estar dormindo e fiquei pensando, eu não queria me arrepender por tê-lo beijado daquela forma tão entregue.
—Ai meu Deus! Falei pondo a mão em meus olhos e respirei fundo. -Ele disse que não havia perigo, ele me disse que eu não devia ter medo, mas no fundo eu tinha. Ele falou tão seguro ao me amedrontar que eu acabei temendo pra valer. Falei em voz baixa.
Terminei de me lavar e me enxaguei bem, saí para me secar e me vesti. Arrumei a minha roupa para o trabalho amanhã e coloquei algumas roupas minhas para lavar, elas já ficariam quase secas após a máquina acabar de centrifugar. Fiquei ali enrolando e um tempo depois eu as estendi, elas estavam limpinhas e cheirosas.
Não tendo mais nada para eu fazer, eu voltei para o quarto e me deitei. Peguei o meu celular e liguei para o jake, chamou duas vezes e ele atendeu.
—Até que fim se lembrou dos pobres. Falou ele sorrindo.
—Eu estava com saudades já. Você está bem?
—Eu estou sim bella. E você?
—Eu estou me adaptando a New York.
—É eu estou sabendo. Eu falei com a Ângela ontem e por pouco eu não dei um pulo aí em New York hoje com a minha mina. Ela nos convidou para o almoço entre amigos.
—Foi bem descontraído.
—Como você está?
—Mal, eu estou mal, mas levando a minha vida. Sinto saudades da minha filha, mas não vamos falar disso.
—Ok.
—E Solares?
—Chovendo um pouco.
—E a sua família?
—Eles estão bem.
—Fico feliz. Agora eu tenho que desligar e tenha uma boa noite jake. Eu queria saber como você estava e que bom que você está bem.
—Você também e se cuida.
—Pode deixar. Beijos.
—Beijo.
Encerrei a ligação e coloquei o meu celular sobre o criado mudo, foi bom ter falado com o jake e saber que tudo está bem. Encolhi-me na cama e fechei os meus olhos, hoje eu estava exausta e acabaria dormindo eu acho.
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Segunda feira, 20 de Setembro.
05:50 da manhã.
O meu celular despertou e eu apertei o botão, pouco eu havia dormido essa noite. Sentindo-me um pouco indisposta e com uma dor de cabeça terrível, eu me levantei. Olhei para o lado de fora e vi o nevoeiro por causa da friagem, eu iria me agasalhar bem. Fui para o banheiro e escovei meus dentes, estando limpa eu me arrumei e fiquei bonita com aquela roupa social de frio elegante. A maquiagem estava na medida certa e peguei a minha bolsa, saí do quarto e fui para a cozinha. Fiz o café e depois eu preparei um café com leite para mim, eu estava sem fome e meu desjejum foi apenas líquido. Peguei um pacote de biscoito no armário e o coloquei em minha bolsa, eu iria comê-lo caso me desse fome no trabalho.
Chegou à hora de descer e saí do apartamento, faltavam três minutos para às 06:30min. Esperei o elevador e o mesmo veio vazio, entrei imediatamente e desejei que o dia passasse logo. O meu emocional estava abalado demais e eu precisava me concentrar no trabalho, então pedia a Deus para me ajudar. Cheguei na portaria e cumprimentei o porteiro, William já me aguardava e me apressei.
—Bom dia. Saudou-me ele.
—Bom dia. Falei o abraçando.
A porta do carro foi aberta por ele e entrei, após sentar-me eu ajeitei a minha bolsa. William entrou no carro e o ligou, sem demora nós saímos dali.
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Chegamos à empresa e desci do carro, sorri para William e ele ativou o alarme do veículo. Fomos para o elevador e subimos. Ao sairmos do mesmo nós cumprimentamos o pessoal conforme íamos passando. Abrimos a porta e liguei o computador, depois deixei tudo em ordem e interfonei para a copa. Pedi café para nós dois e quando o mesmo chegou, eu o levei para o William. Ele estava ao telefone e se tratava de um assunto sério, ao me ver ele sorriu e continuou falando ao telefone. Deixei o café dele na pequena bandeja sobre a mesa e me retirei, na mesma hora que eu saía da sala dele o telefone tocou. Fui atendê-lo e a partir desse momento havia começado a minha jornada de trabalho hoje.
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Às 16h.
Dando à hora de ir embora eu relaxei mais, hoje o dia foi puxado e fiquei sozinha no escritório após as dez horas da manhã. William havia saído para acompanhar uma obra com um engenheiro já formado e fiquei responsável ali sozinha atenta às ligações e aos recados. Nós nos encontramos somente na hora do almoço lá no restaurante que costumávamos ir e passei para ele todos os recados pra lá de importantes. Ele estava tão satisfeito com o meu trabalho e sorriu ao me abraçar. Hoje eu iria com ele e deixamos tudo organizado para amanhã. Trancamos a sala e saímos, caminhamos pelo longo corredor e a moça de nome Viviam ficou nos olhando aos nos aproximar. Ela segurava um papel branco e cruzou os braços, eu sentia que ela era a fim de William e o mesmo a cumprimentou de forma simpática.
—Até amanhã Viviam.
—Até. Disse ela o olhando e sorriu. –Até amanhã Isabella.
—Até amanhã. Falei a olhando e sorri levemente.
—Bom descanso. Disse ela olhando para o William.
—Pra você também.
Fomos na direção do elevador e ele estava ali em cima, entramos e eu apertei o botão que nos levaria para a garagem. Eu estava um pouco incomodada, os meus seios por terem sido estimulados estavam bem cheios e me causando dor, então eu não via a hora de chegar logo no apartamento de Ângela.
Entramos no carro e nós saímos logo, eu estava me sentindo exausta por não ter dormido direito também e me encostei melhor no banco do carro. Durante o trajeto eu fique pensando na minha filha, ela estava tão fofa e fechei os meus olhos para me recordar do rostinho dela em meus pensamentos. Para o meu bem eu achei melhor não pensar no pai dela e muito menos na fraqueza que eu tive estando junto com ele, eu me achava realmente fraca e nessa parte a Ângela tinha razão. Eu não podia com Edward Cullen de várias formas e ficar perto dele não era conveniente.
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Paramos em frente ao prédio de Ângela e desci após me despedi de William, ele precisava ir embora e não nos demoramos na conversa. Cumprimentei o porteiro ao passar em frente à cabine e fui para o elevador, apertei o botão e as portas se fecharam. Cheguei no andar e saí do elevador, fui andando rápido e abri a porta do apartamento. Percebi que Ângela já estava em casa pelo fato da luz da sala estar acesa, mas ela não estava por ali e fechei a porta. Eu a tranquei e caminhei sentido o quarto olhando em volta, ao passar em frente à porta do quarto da minha amiga, eu a vi estudando.
—Olá.
—Oi bella. Disse ela sorrindo.
—Reparei que o apartamento sofreu algumas mudanças.
—É. A minha empregada veio hoje e fez uma faxininha. O apartamento não estava muito sujo e pedi que as cortinas e as roupas de cama fossem trocadas. Suas roupas estão passadas já, você as deixou secando.
—Sim, eu as lavei. Obrigado.
—De nada.
—Vou deixá-la estudar.
—Pois é, eu tenho que estudar bastante.
—Ok. Eu faço a comida.
—Não precisa.
—Há preciso sim, apenas estude.
—Obrigado. Disse ela sorrindo.
Fui para o quarto e fechei a porta, coloquei a minha bolsa no closet e escolhi o que vestir. Entrei no banheiro e me despi, aliviei os meus seios um pouco com a bombinha e tomei o meu banho. Por sorte eu estava livre daqueles dias e saí para me secar, vesti-me depois e penteei o meu cabelo. Fui me deitar e o meu pensamento girava em torno da minha filha, eu estava com tanta saudade dela já e fechei os meus olhos.
Fiquei ali deitada descansando um pouco e os minutos foram se passando.
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40min depois.
Levantei-me da cama e fui para a cozinha, fiz a janta estando bastante pensativa e por último eu preparei o suco. Fui até o quarto de Ângela e bati na porta.
—Entre bella.
—Não quero incomodá-la, eu vim te chamar para jantar.
—Já estou indo.
—Tudo bem, eu vou aguardá-la.
—Ta.
Voltei para a cozinha e me sentei na cadeira da bancada, fiquei voando, voando em meus pensamentos e me lembrei da conversa que eu tive com a Mary.....
—Está longe. Disse Ângela e tomei um susto.
—Um pouco.
—Está com ele em seus pensamentos?
—Por quê? Perguntei um pouco chateada mesmo não tendo razão para estar.
—É só curiosidade.
—Na verdade eu estou com muita saudade da minha filha. Falei ficando mais tranqüila, eu não podia ser indelicada com ela que me ajudou tanto.
—Falar nisso, eu consegui marcar a nossa consulta para quinta feira às 16:30min. Esse é o horário da minha consulta, já a sua é às 17h. Sei que você sai às 16h e dará tempo de chegar, fica no meio do caminho ou peça o seu patrão para te liberar um pouquinho mais cedo. A doutora irá passar um remédio para você e dará adeus ao seu leite. Aproveita e pede um contraceptivo, nunca se sabe, mas você não dará esse mole.
—Claro que não.
—Eu te digo o endereço e você pega um táxi.
—É sim. Falei sentindo um aperto em meu coração, pois a Marie adorava mamar e a maioria das vezes ela acabava dormindo satisfeita depois. –Não sei se isso é a coisa certa a se fazer Ângela, eu me sinto mal e é como se eu estivesse cometendo um crime tendo uma bebê tão novinha. Falei com pesar na voz.
—Eu a entendo, mas se escolheu viver aqui, ficar com os seios cheios de leite não é o mais indicado. Isso pode lhe trazer consequências desagradáveis bella.
—É eu sei. Vamos comer, esse assunto é necessário, mas me magoa muito.
—Pela Marie sim eu sinto muito, mas pelo o seu ex-canalha não.
—Você tem o direito de pensar e achar o que quiser Ângela. E eu sei o quanto ele foi canalha comigo, mas isso no momento não está pesando mais. Por favor, esqueça isso você também e eu não vivo no passado.
—Ta você já me disse isso. É uma pena eu não conseguir esquecer assim tão fácil igual a você! Esqueceu fácil porque está o amando, mas uma mulher que quer dar realmente à volta por cima jamais iria perdoá-lo! Ele a estuprou, lhe desrespeitou, chantageou e a afastou de seus verdadeiros amigos e da sua filha! Ele te humilhou e te batia bella sem dó, pelo amor de Deus! O que quer que eu pense a respeito dele? Que ele é bonzinho? Que eu esqueça e dê bom dia com um sorriso no rosto? Ao olhá-la assim aos frangalhos por causa dele me deixa mal. Está sofrendo por culpa dele e perdendo uma oportunidade por culpa do mesmo!
—Estou sofrendo por causa da minha filha.
—Tudo bem bella, não vamos brigar amiga. Sei que falar dele lhe magoa por amá-lo, mas sou sincera e estou abrindo os seus olhos.
—Sei disso e a agradeço por me acolher aqui em seu apartamento.
—Não me agradeça, amigos são para isso.
—Não tenho culpa de ter me apaixonado Ângela. Não temos domínio dos nossos sentimentos e quem mais sente sou eu.
—Você está certa em não termos domínio do nosso próprio coração, mas o nosso valor é muito mais que isso.
—Pra você eu não devo amá-lo?
—Desculpe, mas não. Você merece muito mais, alguém que realmente valha à pena. Você pode recomeçar outra vez e não necessariamente com o William, mas se fosse com ele eu ficaria imensamente feliz. Ele não é um pé rapado como você mesma sabe.
—É eu sei, mas isso não é o mais importante.
—Claro que não, mas eu sei que você seria amada com toda certeza e teria um suporte na vida. Você estaria segura com ele e sei que os pais dele iriam adorá-la como nora. É difícil não gostar de você amiga e futuramente você poderia dar um irmãozinho ou uma irmãzinha para a Marie. Disse ela me abraçando e eu fiquei pensativa.
—Sei disso.
—Bem, vamos jantar.
—Vamos sim.
Fomos tirar a comida e nos sentamos para comer. Eu estava tão indecisa com as palavras dela e da Mary, pois elas eram tão contraditórias e respirei fundo. Tomar esse remédio seria o mesmo que tirar o sustento da boca da minha filha, mas aqui estava eu....em New York. Tive que empurrar a comida e ao terminarmos de comer, ela lavou a louça e a secou. Demos boa noite uma à outra e fomos para o quarto, escovei os meus dentes e me aliviei.
Fui me deitar e meus pensamentos estavam em Ourinhos, eu não queria ficar pensando, mas o que eu estava prestes a fazer me deixava inquieta. O William pediu para eu me decidir até quarta feira e....... tudo estava tão embaralhado dentro de mim. Eu no momento não me sentia sonolenta e fiquei olhando para o teto, já passa das 21h. Tendo uma ideia sem haver chances de me recusar, eu peguei o meu celular e fiquei olhando a foto da minha filha. Sem titubear eu liguei para o celular da Mary e chamou quatro vezes..
—Alô.
—Sou eu Mary, a bella.
—Oi amiga! Como você está?
—Eu estou indo. E você?
—Eu estou bem.
—E a minha filha? Perguntei com pesar.
—O patrãozinho está cuidando dela no momento, a pobrezinha amanheceu com um pouco de tosse. Aí é frio demais e aqui está calor, foi o suficiente para resfriá-la. O choque térmico foi tamanho e na parte da tarde hoje ela teve febre.
—Mas ela melhorou e o Edward....? Perguntei preocupada
—Ele a levou na médica por volta das 18h. Ele teve que vir para casa e deixou a empresa um pouco mais cedo, isso o deixou nervoso por não poder se ausentar com tanta responsabilidade, mas deu o jeito dele junto da secretária.
—Entendo.
—Ele é o pai, é o mais indicado para levá-la a uma consulta de emergência. A neném estava bem enjoadinha e o patrão ficou bem preocupado quando o informei por telefone.
—Mas ela melhorou? Perguntei pela segunda vez estando pra lá de preocupada.
—Eles chegaram da clínica por volta das 20:40min. O patrãozinho deu a mamadeira a ela tendo dificuldade e a trocou, em seguida ela dormiu. O patrãozinho deu a ela o que a pediatra indicou e vamos ver amanhã. Coloquei o termômetro nela ainda pouco na presença do patrãozinho e a febre baixou mais.
—Estou preocupada com ela agora.
—Ela está sob os cuidados do pai e não se preocupe. Ela ficou resfriada com o choque térmico e o patrãozinho ficou bem chateado, pois aí está um gelo.
—Está sim. Ai! A minha filha Mary.
—Ela está melhorando, amanhã é que iremos saber. Não queremos que ela tenha uma pneumonia, ela é nova demais e....
—Não, nem me fale Mary. Falei secando as minhas lágrimas.
—Não se chateie bebês também adoecem.
—Não tem como não me sentir preocupada, ela é novinha.
—Isso é, mas fica calma que ela já foi medicada.
—Tudo bem, eu preciso desligar ou os meus créditos irão se esvair. Boa noite Mary.
—Boa noite bella.
—Me liga até mesmo de madrugada hoje se ela tiver alguma reação, não consigo dormir e depois disso eu não irei mesmo. Ela está no quarto do pai?
—Está sim. Pedi a ele para me chamar caso precise.
—Tudo bem Mary e obrigado por cuidar dela.
—Tudo bem. Tchau bella.
—Tchau.
Encerrei a ligação e chorei ali sentida, eu estava tão preocupada. Sentei-me na cama e coloquei os meus pés sobre o meu chinelo no chão, olhei para a janela e fiquei pensativa. Algo doía em mim e eu sabia ser o meu coração, tanto que essa dor que era na alma e focalizada ali me incomodava. Tentei relaxar e tornei a me deitar, peguei o meu celular novamente e liguei para o William, mas estava dando fora de área ou desligado. Respirei fundo e apaguei a luz, como eu sabia que não iria dormir mesmo eu me despreocupei em tentar.
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Madrugada de terça feira, 21 de Setembro.
Às 02:13min.
O meu celular tocou e era a Mary, meu coração já acelerou e o atendi falando um pouco exasperada.
—O que houve Mary?
—A neném pouco dormiu, agora está chorando muito e acredito ser a garganta que está a incomodando. Ela pouco mamou por causa disso e patrãozinho veio me chamar. Ele pouco entende e por eu ser mulher, nós mulheres já temos o instinto materno.
—Isso é.
—Vou lá vê-la.
—Me liga depois.
—Tudo bem.
Encerrei a ligação e me levantei, fiquei andando pra lá e pra cá preocupada e fui pegar minhas malas. Coloquei todas as minhas roupas ali por não serem muitas ainda e tudo que me pertencia, peguei a minha bolsa e vi que os meus documentos estavam todos ali. Fiz uma carta para a Ângela e disse que eu precisava me ausentar, falei o motivo e o mesmo era por causa da minha filha. Desculpei-me por sair à surdina ou à francesa, mas era necessário e por saber que ela estava na fase dos testes no curso. Fui me arrumar rápido e vesti roupas de frio. Penteei o meu cabelo e não liguei para por maquiagem, apenas passei batom e fiquei bem. Mary me retornou e disse que Edward levaria a neném ao médico novamente naquele momento e eu me preocupei ainda mais ao desligar. As horas já estavam bem avançadas e saí do quarto puxando as malas, eu havia deixado tudo arrumado e coloquei a carta sobre a bancada da cozinha junto das chaves do escritório de William. Por estar sem fome ou sede por causa da preocupação, eu procurei não me demorar e saí do apartamento. Eu tranquei a porta e fui para o elevador, o mesmo veio rápido e desci.
Pedi ao porteiro para chamar um táxi e fiquei aguardando, enviei uma mensagem bem longa para o William e expliquei o motivo da minha ausência. Falei que me ausentaria por força maior e que nos falaríamos o mais breve possível.
Vinte minutos depois o táxi chegou e eu pedi que ele me deixasse no aeroporto, eu só pensava na minha filha e no meu trabalho. Eu adorei o meu trabalho, mas eu não podia fazer muito, era a minha filha quem precisava de mim.
CONTINUA..........
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