Solares

48 Capítulo 48


BELLA.....

Final do capítulo anterior.

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MUITO TEMPO DEPOIS.

—Chegamos no bairro. Falou Pedro me olhando e eu olhei em volta.

Havia crianças brincando na rua, as casas eram lindinhas e não muito grande. Algumas sim e havia para todos os gostos. Fui olhando tudo e era um local agradável como ele mesmo me falou lá na imobiliária. Não havia quase gente na rua, apenas três crianças quando passamos por elas. Amei logo de cara e ali havia pessoas com boas situações sim, muitas não ligavam em morar em bairros muito chiques. Ali ficava no meio termo pelas casas ser lindas, porem pequenas.

—Aqui é bem calmo.

—Como eu te falei. A dona adora esse local, mas a filha ganhou bebê e ela quis ir morar perto dela. A mesma disse que era pra eu vender a casa para uma pessoa especial e aqui está ela.

—Obrigado. Falei sorrindo e ele parou o carro em frente ao portão da casa.

Reparei que havia muito verde em volta e Pedro veio abrir a porta do carro para mim, o agradeci e desci do carro segurando na mão dele. Ele travou o carro com o alarme e me olhou, sorri levemente e olhei mais uma vez em volta.

—O que está achando?

—Estou amando. Eu não tenho carro e nem sei dirigir ainda, há condução aqui perto?

—Descendo essa rua aqui, em cinco minutos estará na rua principal. O local é calmo e o índice de roubo é remoto, há patrulhas que vigia o local. Como você bem observou, aqui há pessoas com rendas ótimas por aqui e há as pessoas simples também.

—Não me importo com isso.

—Então vamos entrar.

—É, vamos.

Pedro colocou a chave na fechadura e a girou, o pequeno jardim na frente da casa estava muito bem conservadinho e ele trancou o portão. Caminhamos pelo quintal e chegamos na porta principal, após abri-la.

—Essa é a sala.

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A sala era perfeita, havia uma televisão de trinta e duas polegadas ali, um rádio, dvd e só. A estante era até bonita e através da janela eu observei o muro do lado de fora como era alto. A sala era fofa e Pedro chamou a minha atenção.

—O que achou?

—É bem confortável. Falei olhando tudo minuciosamente e o olhei.

—Vamos conhecer o banheiro.

—Vamos.

Caminhamos pelo corredor que era um pouco longo e Pedro abriu a porta do banheiro.

—Gostei. Falei olhando para a pequena banheira. Cheira a novo e o mesmo estava vazio.

—A dona reformou o banheiro todinho e a banheira é nova.

—Ótimo. Adoro banheira, mesmo que não seja grande.

—Sem querer parecer ousado, eu também adoro. Relaxa nos dias mais estressantes.

—Isso é.

—Esse é o quarto.

—Interessante, estou gostando de tudo.

—Que bom. Olhe o closet, ele é bem espaçoso.

—Ok.

Caminhei até a porta do canto e olhei o cômodo, o mesmo era grande e o armário era todo em madeira escura também.

—Vamos olhar o outro quarto.

—Ta bom.

Olhei o outro quarto e era igualzinho o outro, ambos confortáveis e saímos, tudo cheirava bem e constatei que a antiga dona era cuidadosa.

—Conheceremos a cozinha agora.

—Estou curiosa.

—Aprecie então.

—Nossa que maravilha! Falei sorrindo, a cozinha era bem espaçosa. O maior cômodo da casa, reparei.

Olhamos a área de serviço na parte externa da casa e havia uma máquina antiga, porém conservada. Havia um tanque e um pequeno armário pra poder guardar as coisas. O quintal era até espaçoso na parte de trás e aprovei o lugar.

—Isso é tudo. O que achou?

—A quero.

—Tem certeza?

—Absoluta. Quando eu posso entrar e morar?

—Os papéis estão ok, é só assinar. Antes eu preciso entrar em contato com a dona e assinarão os papéis juntas. As contas passarão para o seu nome.

—Há contas pendentes a serem pagas?

—Está tudo quitado, é entrar e morar.

—Beleza! Então é essa que eu quero.

—Tenho certeza que não irá se arrepender. A vizinhança é tranquila, você terá paz.

—É disso que eu preciso.

—Falarei com a dona ainda hoje e dependendo da disponibilidade dela, amanhã você já pode assinar os papéis. Será a vista?

—Sim. Depositarei a quantia na conta dela quando tudo estiver ok. Anote o número do meu celular.

—Ok.

Dei o número do meu celular a ele e entramos. Ele trancou a porta da cozinha e eu como era curiosa abri as portas do armário, o mesmo estava em perfeito estado. Olhei o fogão, o forno e a geladeira. Havia uma lavadora de louça interna e gostei do que eu estava vendo. Saímos da cozinha e caminhamos pelo corredor, saímos na sala e fomos para o quintal da frente.

—Poderei colocar flores aqui.

—Poderá fazer o que você quiser.

—É sim. O mar fica distante, não é?

—A praia do pontal é há uma hora daqui.

—Pontal?

—Sim. O que tem essa praia?

—Eu a conheço.

—É bem movimentada e os restaurantes daquela área são bem frequentados.

—Eu sei, já fui em um lá e adorei.

Pedro trancou a porta da sala e saímos da residência, entramos no carro e fomos pelo caminho que eu teria que fazer até o ponto do ônibus. Era um trajeto rápido.

Senti o meu seio esquerdo vazando novamente e lembrei da minha filha, mas tentei esquecer sendo bem difícil. Encostei-me no banco e me permitir relaxar, mas eu não sei se eu teria força para encarar o Edward hoje e pedi um favor ao Pedro.

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Eu estava pensativa e fechei os meus olhos.

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Horas depois.

Como eu havia pedido, o Pedro parou o carro no começo da rampa que me levaria até a mansão da colina.

—Obrigado por hoje. O agradeci pela gentileza.

—Disponha. Saberei guardar o seu segredo.

—Mesmo que lhe implorem caso desconfiem de algo, minta. Eu preciso viver em paz.

—Tem a minha palavra.

—Obrigado.

—Entro em contato com você amanhã.

—Ficarei aguardando. Boa noite.

—Boa noite. Ele saudou me olhando e saí do carro.

Subi a rampa devagar e já cansava de ser noite. Eu já não aguentava mais andar e continuei subindo, subindo e subindo. Olhei a vista lá em baixo ao chegar no topo e apertei a campainha, olhei para a câmera para os seguranças verem que era eu e o portão foi aberto momentos depois.

—Boa noite. Saudei o segurança.

—Boa noite senhora.

Caminhei pelo quintal e fui na direção da porta, abri a mesma e entrei. Acendi a luz da sala e abri as proteções, a vista era perfeita. Fui para a cozinha e acendi a luz da mesma, peguei uma comida pré-pronta e a coloquei no microondas para preparar. Enquanto a mesma era preparada, eu fui para o quarto e entrei no banheiro. Despi-me, me aliviei e asseei-me, a seguir eu entrei no Box. Liguei o chuveiro e me lavaria da cabeça aos pés, foi isso mesmo que eu fiz.

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Saí para me secar e fui até a minha bolsa que estava sobre a cama no quarto. Peguei um absorvente no saco e fui para o closet me vestir. Optei por uma camisola verde musgo e vesti o robe dela, depois saí do closet e entrei no banheiro. Penteei o meu cabelo e já estava bom, dando uma ideia louca eu tirei o meu seio para fora e comecei a espremer o bico, por estar cheio e dolorido saiu bastante leite de cada um. Saí dali arrasada e guardei a minha bolsa no closet estando com os meus olhos marejados, eu mal enxergava o chão. Tornei a descer e caminhei até a cozinha, a comida já estava no ponto e a peguei. Caminhei até o armário e peguei um prato, me servi e fui para a sala comer e assistir televisão. Ao me sentar no sofá o telefone tocou, o segurança já devia ter me dedurado e fui atendê-lo, eu não poderia fugir.

—Alô.

—Então foi para aí.

—É eu vim pra cá. Se caso alguém ficou preocupado, diga que eu estou bem. Boa noite Edward. Após eu falar, encerrei a ligação.

O mesmo não tocou novamente e tive que empurrar a comida, eu havia perdido o apetite. Assim que eu acabei de comer com muito custo, eu apertei o botão do controle e ativei as proteções. Caminhei para a cozinha levando o meu prato e o lavei, a seguir eu abri a geladeira e peguei uma garrafa de água. Bebi dois copos de água e só com a caminhada que eu fiz hoje, já seria ótimo para eu emagrecer mais.

Apaguei a luz e fiz o mesmo com a da sala, desliguei a televisão e subi. Estando no banheiro do quarto eu escovei os meus dentes e me aliviei bem, a seguir me asseei e lavei as minhas mãos. Sequei bem mais o meu cabelo e o deixei enrolado na toalha, estava frio e me deitei na cama. Liguei a televisão para tentar me entreter com algo, mas estava difícil e me entreguei às lágrimas. Eu pedi perdão a Deus por abandonar a minha filha, ele era o único que conhecia a fundo a minha dor. Eu não poderia ficar refém do que eu estava sentindo, não quando a pessoa se tratava de Edward Cullen e, o mesmo me tratava com tanto desrespeito. Acho que eu chorei todas as lágrimas que o meu corpo era capaz de produzir. Decidi desligar a televisão e fechei os meus olhos, eu só consegui dormir duas horas depois.

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Madrugada de sexta feira, 09 de julho.

Às 03:20 da manhã.

Eu acordei do nada e olhei a hora no relógio, passei a mão em Minha cabeça e fiquei olhando para o escuro do quarto. Não suportei e acendi a luz do abajur, tornei a me deitar direito de lado e fiquei pensando na minha bebê. Passei a mão em minha barriga ao me lembrar que semanas atrás ela ainda estava dentro de mim e eu chorei, era uma dor muito grande, sem igual e difícil descrever. Acabei dormindo novamente com lágrimas em meus olhos.

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Às 09:15min.

Despertei aos poucos e me espreguicei, levantei da cama e fui para o banheiro. Após fazer a minha higiene eu caminhei até o closet sentindo-me a pior das mulheres e peguei a minha bolsa, liguei o meu celular e escolhi algo normal para eu vestir.

Estando novamente no banheiro, eu penteei o meu cabelo e o prendi em um rabo de cavalo. Saí do recinto e arrumei a cama, a seguir eu desci. A casa estava em um silêncio absoluto e fui para a cozinha, coloquei o celular em um local seguro e fiz um pouco de café para mim. Peguei um biscoito de água e sal e adocei o café que eu havia posto na xícara depois de pronto. Peguei o meu celular e fui para a sala, peguei o controle e retirei as proteções. Fui me sentar na cadeira próximo da piscina e tomei o café da manhã ali apreciando a vista sem estar muito empolgada.

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Às 11:13min.

Meu celular tocou e vi o número, por ser desconhecido eu atendi.

—Alô.

—Sou eu o Pedro. Bom dia.

—Bom dia Pedro. Tudo bem com você?

—Tudo ótimo, melhor agora com uma boa notícia.

—Qual é?

—Eu só consegui falar com a dona hoje e ela está disponível para vir assinar os papéis.

—Quando?

—Hoje ainda se você quiser.

—Ótimo. Que horas?

—Pode ser às 13:30min, ela mora próximo daqui.

—Então eu irei me aprontar e o encontro aí na imobiliária.

—Fechado. Até daqui a pouco.

—Até Pedro.

Encerrei a ligação

Fui para dentro e ativei as proteções, subi para o quarto e entrei no banheiro para tomar um rápido banho. Saí para me secar e me maquiei, fui para o closet me vestir e escolhi um macacão bem solto no corpo na cor vinho. A sandália da vez era baixa e da mesma cor. Peguei a minha bolsa, a seguir saí da casa e a tranquei. Eu pedi ao segurança para abrir o portão para mim e saí sem olhar para trás. Desci aquela ladeira até rápido e ao chegar lá em baixo eu peguei um táxi, pedi que me deixasse na mansão, pois eu precisava dos meus documentos. Os mesmos estavam escondidos lá.

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1h depois.

—Chegamos. Falou ele parando em frente ao portão da mansão.

—Fica aqui, por favor, eu já volto e pedirei ao senhor que me leve até outro endereço.

—Tudo bem senhora.

Saí do táxi e os seguranças já haviam se manifestado, os saudei e entrei. Caminhei pelo gramado apressada e cheguei na porta da cozinha, apenas a Mary era quem estava ali.

—Amiga! Disse ela demonstrando preocupação.

—Olá Mary. Falei a olhando.

—Você desapareceu.

—Pois é. Preciso subir.

Saí da cozinha sob o olhar surpreso dela e caminhei pelo corredor, percebi que a televisão da sala estava ligada e cheguei na porta vendo Esme ali. Preferi me retirar e subi a escada, eu me sentia mal por não falar nada e deixaria para depois.

Entrei no quarto o vendo todo arrumado e fui para o closet, olhei no meio das minhas coisas e achei a pasta que estava bem guardada. A abri e vi todos os meus documentos ali, menos mal e a coloquei dentro da minha bolsa que cabia o mundo dentro dela. Fui até o banheiro me aliviar rápido e lavei as minhas mãos ao terminar, saí do quarto e desci devagar para não fazer muito barulho. Caminhei pelo corredor vendo Victória entrar na cozinha segurando um balde e continuei andando de cabeça erguida, ao passar por ela eu a olhei estando bem séria por ela ter me dedurado. Não sei se ela pensou que tiraria algum proveito disso e passei direto para a porta, acho que ela travou ao me ver ali e ficou sem palavras. Caminhei pelo quintal e pedi ao segurança que abrisse a porta para mim, a seguir entrei no táxi e fomos embora. Falei o endereço ao motorista do táxi e relaxei no banco.

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UM TEMPO DEPOIS.

Cheguei na imobiliária e paguei o taxista, o mesmo me agradeceu e desci do carro. Caminhei até a imobiliária e entrei, saudei a secretária dele e a mesma anunciou ao Pedro através do telefone que eu já havia chegado.

—Ele a aguarda, pode entrar.

—Obrigado. Falei sorrindo.

Caminhei pelo corredor e bati na porta, a mesma foi aberta segundos depois e sorri para ele.

—Boa tarde Pedro.

—Boa tarde. Falou ele e olhou para o lado. –Essa é a Sra. Constança, a dona da casa.

—Olá e prazer... Falou à moça que estava sentada no sofá aparentando os seus cinquenta e poucos anos. Quase sessenta eu acho.

—Chamo-me Isabella Cullen, e o prazer é todo meu senhora. Falei indo cumprimentá-la.

—Soube através do Pedro que gostou do meu lar.

—Sim, eu adorei o local e a quietude.

—É, lá é sempre assim.

—Que bom!

—Vamos agitar tudo.

—É vamos.

Pedro começou a dar início no processo burocrático e assinamos alguns papéis os quais me dariam o direito da casa. Vi a escritura da mesma e li tudo que era conveniente sob a supervisão de Pedro. Concordando com o que li, eu assinei o último documento. Dizendo Pedro tudo ficaria pronto dentro de alguns dias para serem entregues a mim e que a casa já era minha dentro da lei. Sorrindo a dona Constança confiava em Pedro e em mim para poder assinar antes de pagar, então eu iria até o meu banco e peguei a número da conta dela. Agencia e tudo que tinha direito. A cumprimentei com um abraço simpático e a mesma pediu que cuidasse dela com muito carinho, pois a mesma morou muitos anos lá e viu o seu casal de filhos crescendo ali também. Sorrindo eu falei um simples....

—Pode deixar.

—A senhora Cullen é uma jovem cuidadosa, já fizemos negócios antes. Disse Pedro de forma gentil.

—Você me foi muito bem recomendado, confio em você jovem.

—Obrigado pela confiança.

—Bem senhora, eu irei até o meu banco agora. Foi um prazer conhecê-la.

—Digo o mesmo.

—Assim que depositar o dinheiro, você pode retornar aqui porque as chaves já são sua Isabella.

—Obrigado. Falei sorrindo. –Obrigado mais uma vez Pedro. Volto logo.

—Ok.

Saí da imobiliária e fui para o ponto de ônibus, pedi informação a uma moça e aguardei o ônibus vir.

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10min depois.

Fiz sinal para o ônibus e entrei no mesmo, pedi o motorista para me deixar na rua do banco e o mesmo disse que tudo bem. Sentei-me na frente após pagar a passagem e fiquei pensando em mil e uma coisas.

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Após agradecer o motorista eu desci do ônibus e caminhei até o banco. Fui até o gerente e conversei com ele, pedi a transferência de um valor altíssimo para a conta que eu o mostrei e o acompanhei. Estando sentada a sua frente.

—É para a conta de Constança Martins?

—Isso mesmo. Falei o olhando e tudo foi resolvido minutos depois. –Obrigado pela atenção.

—Disponha Sra.Cullen.

Saí do banco guardando o comprovante em minha bolsa e resolvi pegar um táxi até a imobiliária novamente.

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Minutos depois.

Parei em frente à imobiliária e paguei o taxista, saí do táxi e caminhei pela calçada distraída. Entrei na imobiliária e Pedro se encontrava conversando com a secretária dele e sorriu ao me ver entrar.

—Tudo resolvido. Falei mostrando o comprovante do depósito. Uma xerox foi tirada e Pedro fez de jeito que não haveria dúvidas que eu paguei, era uma segurança futura para eu ter um comprovante. Ele ligou para a dona Constança e disse que o depósito havia sido efetuado com sucesso e que era para ela conferir assim que desse. A chave foi autorizada a ser dada a mim e sorri ao segurá-la.

—É sua.

—Valeu. Falei sorrindo e o abracei. –Obrigado por me ajudar com tanta boa vontade.

—Agilizei por vocês serem de confiança.

—Obrigado.

—As contas serão transferidas para o seu nome. Será rápido e que bom que há uma linha telefônica em sua casa, ficará mais fácil. Quando a escritura estiver pronta, eu entro em contato com você.

—Ficará sim.

—Se arrepende?

—Não.

—Então irá se divorciar em tão pouco tempo de casamento?

—Eu tenho que ver isso com o Edward depois.

—Espero que tudo dê certo.

—Não dará, estamos no limite.

—E a sua filha?

—Como eu deixei claro ela ficará com o pai.

—Não sentirá saudades?

—Muito. É uma dor indescritível Pedro.

—Para chegar ao local do seu novo lar é só pegar uma condução lá na principal que leva até a mansão de vocês. O ônibus é o chamado Diamantina. Irei escrever em um papel o nome do ônibus e o número dele para você não esquecer. Farei o mesmo com o número da casa e a rua da sua nova residência também. O número do telefone de lá é esse.

—Tudo bem, mas já está tudo gravado em minha mente em relação ao local. Fique com o número da minha residência caso precise.

—Ok. Peça ajuda aos vizinhos, pergunte onde é o centro de Diamantina e lá há de tudo. Não é tão longe dali.

—Pode deixar que eu me virarei bem.

—Está tudo escrito aqui, guarde.

—Obrigado de verdade. Irei comer algo agora, estou faminta. Falei sentindo dor em meus seios, os mesmos estavam sensíveis e estourando por estarem cheios.

—Podemos ir se você quiser em algum lugar almoçar. O que você acha?

—Não quero atrapalhá-lo.

—Imagina. Disse ele me olhando.

—Tudo bem, eu não estou com pique para voltar agora mesmo para a mansão.

—Então vamos.

—Ok.

Saímos da imobiliária sob o olhar da secretária dele e entramos no carro, o mesmo foi ligado e saímos. Fiquei pensando em minha filha o tempo todo e Pedro chamou a minha atenção ao pararmos no sinal.

—Está longe.

—Estou pensando em minha filha.

—É normal.

—Sinto saudades dela.

—Você é mãe, sabe a imensidão do que está sentindo.

—Pois é. Sinto que é como facadas em meu coração, nem o cachorro abandona os seus filhotes. Falei secando as lágrimas que rolaram. –Faço isso para ela crescer em um ambiente de paz. –Não quero que ela me odeie futuramente.

—Por que diz isso?

—É complicado Pedro, vai além do que eu posso falar. Eu me sentiria mal e deixe no passado que é melhor.

—É algo que a faz se sentir suja?

—Eu não era uma prostituta, antes fosse isso, mas não, é bem pior Pedro. Eu e Edward brigamos demais, aí já viu.

—Bem, eu aconselho a você esquecer essas coisas ruins. Disse ele acelerando o carro quando o sinal ficou verde. –Reviver o passado fará com que você se sinta pior.

—Sei que sim. Falei o olhando, mas ele não sabia que envolvia mortes de entes queridos no meio.

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Chegamos no restaurante e desci do carro com a ajuda dele, olhei em volta o movimento enquanto ele acionava o alarme do caro e entramos.

—Hoje você é a minha convidada.

—Eu quero pagar o que eu consumir.

—Nada disso. Disse ele me olhando.

—Ok. Falei sorrindo levemente.

Sentei-me na cadeira com a ajuda dele e ele fez o mesmo depois ficando de frente para mim. O meu celular tocou e ao pegá-lo na bolsa eu vi ser Alice. Pensei em não a atender, mas decidi fazê-lo.

—Alô. Falei olhando para o Pedro e o mesmo olhava para o menu do lugar.

—Bella o que foi que você aprontou?

—Você já sabe Alice do que se trata, não quero tocar no assunto no momento. Eu tenho milhares de motivos.

—Sua filha está aqui comigo e ela está bem.

—Eu já imaginava que sim. Sei que você é capaz de tratá-la muito bem. Por que está me ligando apenas hoje para falar dela?

—Edward me impediu de falar com você por estar bem raivoso, não gosto de me intrometer no meio de vocês, sabe disso. Estou sem palavras para lidar com vocês.

—Bem Alice, eu preciso desligar.

—Tudo bem bella. Não irá perguntar por ela?

—Eu já sei como ela está.

—Não sente falta dela?

—Já falamos demais. Adeus Alice.

Encerrei a ligação e coloquei o meu celular na bolsa, fechei os meus olhos sentindo os meus lábios trêmulos pela imensa vontade de chorar e coloquei a minha mão sobre os mesmos. Pedro ficou me olhando e segurou em minha mão.

—Está sendo complicado, desculpe causar-lhe constrangimento.

—Shhhhh, vai ser melhor assim. Disse ele acariciando a minha mão com carinho e eu apenas afirmei com a minha cabeça.

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Depois de 3min de silêncio.

—Já escolheu? Perguntei o olhando.

—Estou vendo, mas podemos nos servi no bufê. O que acha?

—Podemos sim.

—Ok.

Eu fui me servir primeiro e depois ele se serviu. Os garçons vieram nos servir de diversos tipos de carne e comemos conversando a respeito de assuntos corriqueiros.

—Qual é o barzinho mais badalado por aqui Pedro? Onde frequenta a nata da sociedade.

—Há vários. Uns no centro, outros em pontal que é muito bom e bem frequentado. Os do centro de Ourinhos é bem badalado também. Há um lá que o seu marido gosta de ir, inclusive eu já o encontrei lá por diversas vezes com os amigos. Já esteve por lá com ele?

—Não. Onde fica exatamente?

Pedro me falou qual era e onde ficava, achei até bom saber onde ele costumava frequentar, mas isso já não importava mais para mim. A comida estava uma delícia e fui me servir mais um pouco. Bebemos um drink e o meu não era alcoólico, mas mesmo assim nele continha morango e estava uma delícia. Continuamos a comer e o celular de Pedro tocou, era assuntos profissionais e assim que ele desligou, novamente o mesmo tocou. Um tempo depois de falar a respeito de negócios com o cliente, ele encerrou a ligação.

—Preciso estar de volta daqui há uma hora.

—Obrigado. Você já fez por demais por mim.

—Não se sentirá só naquela casa?

—Irei arrumar um emprego. Preciso ocupar o meu tempo com algo e o dinheiro acaba. Não sou rica, nunca me considerei dessa forma.

—O seu marido é um milionário, ele está entre os primeiros aqui em toda Miami. Não poderá reclamar, pode ser que tenha direito a uma pensão se ficar com a sua filha.

—Não quero o dinheiro dele Pedro.

—Tem direito, é esposa dele.

—Eu não dependerei deles. Pode ter certeza disso.

—Você é quem sabe. Sei que é uma moça nobre e sem olho nas coisas dos outros.

—Eu nunca fui assim, nem com o meu ex-namorado que é muito bem de vida também.

—Sei. Disse ele me olhando.

—Vou perambular por aí.

—Pode ir para sua casa nova.

—Tem razão, mas antes eu quero resolver algumas coisas.

—Ok. Sabe que para qualquer coisa você pode contar comigo. Se eu souber de algum trabalho eu te falo.

—Faça isso e obrigado.

Terminamos de comer e eu recusei a sobremesa, eu já estava satisfeita. Pedi ao Pedro licença, pois eu precisava ir ao banheiro.

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Após lavar as minhas mãos, eu ajeitei o meu cabelo e saí do recinto. Fui caminhando a passos largos pelo restaurante e ao parar em frente à mesa que Pedro estava, ele acabava de pagar a conta. Peguei a minha bolsa e o olhei.

—Podemos ir, não quero atrasá-lo.

—Tudo bem.

Saímos do restaurante e fomos para o carro, Pedro abriu a porta para mim e entrei. Quando ele fez o mesmo, nós deixamos o local.

—Onde quer que eu a deixe?

—Em um local onde eu possa pegar um ônibus que me deixa lá na principal. De lá eu me viro para ir até a mansão.

—Posso deixá-la lá, irei rapidinho.

—Não precisa Pedro, por favor. Eu irei numa boa e é bom que eu vou apreciando a paisagem.

—Tudo bem. Eu ligo para você.

—Tudo bem. Deixa-me onde passe o ônibus. Explique-me como eu devo fazer.

—Ok.

Pedro explicou qual ônibus eu devia pegar e pediu para eu ficar em alerta ao chegar na principal. Ali seria só eu olhar, pois eu conhecia aquele pedaço bem. O agradeci quando ele me deixou no ponto de ônibus e o cumprimentei com dois beijos na bochecha, a seguir ele beijou a minha mão.

—Até Sra. Cullen.

—Até Pedro e bons negócios!

—Obrigado.

Saí do carro estando em frente o ponto de ônibus ganhando o olhar de algumas pessoas, pois o carro de Pedro chamava mesmo a atenção. Acenei para ele e ele se foi.

Peguei o dinheiro em minha bolsa e fiquei aguardando o ônibus, por sorte ele logo veio e estava vazio. Paguei a minha passagem e fui me sentar. Eu não sabia como eu faria para tirar as minhas coisas das mansões, eu daria um jeito. Eu tinha medo do Edward não facilitar a minha vida, pois ainda me lembro que ele falou que não me daria de bandeja para os outros, pura besteira. Era puro capricho da parte dele e eu era o seu brinquedinho, o que mais me doía era a facilidade que ele tinha em me chamar de vadia. De uma coisa eu tinha certeza, eu daria a volta por cima.

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Um tempo depois o ônibus dobrou a direita e havíamos chegado na principal, fui olhando com atenção, mas faltava um pedaço para eu poder descer. Sem querer eu me encontrei pensando em Edward e chutei esse pensamento da minha cabeça, eu não queria pensar nele, apenas na nossa filha que era a inocente no meio disso tudo.

Finalmente chegou a hora de descer e puxei a cigarra, quando o ônibus parou desci olhando em volta. Atravessei a rua com cuidado e senti o jato de leite saindo do meu seio esquerdo, tentei não pensar a respeito e atravessei a outra pista. Pensei no caminho longo que eu tinha pela frente e entrei na estradinha. Nesse momento o meu relógio de pulso marcava 16:58min, logo escureceria e não me importei de andar devagar mesmo estando longe da mansão. Eu estava cansada e por sorte a sandália era baixa.

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Às 17:23min.

A um certo ponto da estradinha eu podia sentir a brisa do mar chocando-se em minha pele e sabia que eu já estava próximo da mansão. Continuei andando e nesse momento eu estava sentindo muita sede, eu só desejava chegar para saciar a minha sede e tomar um banho. Com essa situação toda por um lado eu estava um pouco envergonhada em ter que me sentar à mesa com os pais dele, mas se eu bebi foi por causa dele e de tudo que eu passei.

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15min depois.

Eu me sentia cansada e dobrei a esquerda, pude ver mais ao fundo os portões da mansão e andei mais rápido, depois de alguns minutos eu parei em frente a ele e toquei a campainha. Não demorou muito o Lima abriu o portão para mim e o saudei com uma boa tarde, fui respondida normalmente e me afastei. Caminhei pelo gramado do jardim e cheguei na porta da cozinha.

—Oi, oi. Falei ao passar pela porta, estava a Mary e a Victória preparando o jantar.

—Oi amiga. Disse ela me olhando.

—Oi senhora.

—Eu não sei se eu deveria respondê-la. Não depois que você me dedurou para o Edward e me pergunto se você achou que tiraria algum proveito disso!

—Mais é claro que não, não pense isso de mim.

—Não tenho tanta certeza da sua sinceridade Victória, eu agradeço por você ter olhado a minha filha, mas não lido bem com cobras. Pode ter feito muito bem com segundas intenções!

—Desse jeito me ofende senhora, eu, eu não fiz por mal. Eu e a Mary não sabíamos o que fazer, vai que a senhora passasse mal e não saberíamos o que fazer.

—Tem certeza que é só isso?

—Absoluta. Falou ela me olhando e secou uma lágrima que rolou.

—Algum problema aqui na cozinha? Perguntou Lima presenciando toda a cena.

—Não há nada que se preocupar. Falei o olhando e desviei o meu olhar. –Seja como for Victória, o estrago já está feito!

—Eu lamento.

—Não lamente, pode ser que não seja verdadeiro!

Afastei-me delas estando Mary passada e peguei a bombinha dentro do armário. Bebi bastante água e saí da cozinha após lavar o copo. Caminhei pelo corredor e entrei na sala, a mesma estava vazia e subi. Tuquinha começou a latir e brinquei com ela um pouco, decidi entrar no quarto e coloquei a minha bolsa sobre a cama. Fui até o closet pegar uma roupa para eu por após o banho, escolhi uma saia jeans até muito bonita desfiada e uma blusa branca com babados. Peguei um conjunto de lingerie verde musgo e fui para o banheiro tomar um banho.

Lavei-me da cabeça aos pés, os mesmos estavam doloridos de tanto que eu andei e esfreguei bem o meu cabelo. Após me enxaguar, eu passei o condicionador com um cheirinho incrível de morango e o desembaracei com o pente. Tornei a enxaguá-lo e saí para me secar.

Depois de estar completamente seca eu me vesti, penteei o meu cabelo após passar creme e vi que o meu braço e o meu rosto estavam levemente rosados por causa do mormaço e do sol. Passei um pouco de colônia e calcei a minha rasteirinha branca, a mesma continha algumas flores brancas adornando e estava mais do que bom. Saí do banheiro e peguei a bombinha na caixa, ao voltar para o mesmo eu a liguei e encaixei o compartimento em um dos meus seios. O esvaziei bem e fiz o mesmo no outro, eles estavam tão doloridos. Limpei a pia e desceria para lavar a bombinha, até aliviou mais após esvaziá-los.

Saí do quarto e desci a escada devagar, caminhei pelo corredor e entrei na cozinha sentindo o cheirinho bom de comida.

Estavam as duas ali na cozinha e fui até a pia lavar os compartimentos da bombinha, a seguir eu bebi dois copos de água e enxuguei o que eu havia lavado. Guardei tudo na caixa e a coloquei no armário, peguei uma banana na fruteira para eu comer e a descasquei, a seguir joguei a casca no lixo.

—Mary, a Esme se encontra em casa?

—Está no quarto assistindo televisão, ela acabou de lanchar.

—Ok.

Saí da cozinha e passei pelo corredor, subi a escada e tuquinha veio atrás de mim ao caminhar até a porta do quarto de Esme. Dei três toques na porta.

—Quem é?

—Sou eu.

—Entre.

Abri a porta e fiquei em pé ali mesmo, Esme se encontrava deitada de barriga pra cima e se sentou.

—Vim dizer que eu estou aqui.

—Tudo bem. Como você está?

—Levando Esme, mas nada com o que se preocupar.

—Meu filho disse que você esteve na empresa ontem. Como descobriu o endereço, já esteve lá antes?

—Eu nunca estive lá e eu não estava presente no dia em que os meus pais os roubaram.

—Eu não quis dizer isso.

—Foi o que soou para mim e não tente disfarçar Esme.

—Não filha e....

—Se quiser saber a verdade.........ontem eu estive no escritório lá em baixo após o café e peguei uma conta da empresa após procurar bastante. Não se preocupe porque não me interessava ler nada que havia ali dentro, não sou sem educação e xereta nesse ponto e tão pouco ladra. Eu só queria saber da minha filha, mas Edward me ignorou no celular e me deixou esperando do lado de fora como uma qualquer. Pode ser que se passou um alerta pela cabeça dele se tratando de uma Swan, mas eu não faço questão do dinheiro de vocês e nunca será o contrário por ter duas mãos e duas pernas para eu poder trabalhar. Eu nunca farei questão de ficar com algo e caso um dia eu vá embora, eu deixarei tudo que me deram para trás!

—Não leve para esse lado filha.

—Eu levo sim Esme, não é outra coisa. Não há mais o que pensar.

—Ele está bem zangado.

—Eu muito mais, mas não pense que eu não pensei na minha filha, o que eu quis dizer com esse meu ato impensado é que eu já estou cansada de tudo. De tudo que venho passando ao longo de todos esses meses. Estou cansada de tudo mesmo e nada que há aqui é meu. Sempre pensarei assim.

—Tem seus motivos se tratando de nós.

—Sim e são vários! O que mais me magoa é a facilidade que o seu filho tem em me chamar de vadia, mas deixa pra lá.

—Eu já conversei a respeito com ele, mas a morte da irmã o estragou.

—Já eu posso dizer que a atitude dos meus pais acabou com a minha vida e a minha alegria de viver. Não a culpo Esme, eu irei para o quarto.

—Não se importa com a Marie por ela ser filha do Edward? Diga a verdade para mim.

—É por me importar que eu tive que aturar tudo até hoje Esme. Com licença. Falei me retirando, mas parei na porta. – Nenhum de vocês tem o direito de falar o contrário. Jamais poderão falar ou pensar mal de mim se tratando disso.

—Tem toda filha. Disse ela pensativa.

Saí do quarto e fechei a porta, caminhei rapidamente até o quarto de Edward e olhei para a janela vendo o início da noite. Fui até o closet pegar os edredons, liguei o ar após fechar a janela e me deitei na cama. Eu estava esgotada fisicamente, moralmente e psicologicamente. Um tempo depois eu acabei dormindo.

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Às 22h.

Acordei do nada estando apertada para fazer xixi e acendi a luz do abajur, o quarto estava como eu havia deixado antes de dormir e me levantei. Fui até o banheiro me aliviar e me asseei, após me trocar eu fui lavar as minhas mãos. Saí do quarto e desci, eu estava faminta e escutei vozes na sala, fiquei escondida deduzindo e era apenas a Esme e o Carlisle que estavam ali. Caminhei pelo corredor e entrei na cozinha, nem Mary e nem a Victória estavam mais ali trabalhando. Peguei um prato e peguei as panelas no forno, me servi e coloquei no microondas para esquentar. Lavei os talheres que eu usei para pegar a comida nas panelas e os coloquei para secar.

Quando o microondas apitou, eu peguei o meu prato e fui me sentar à mesa ali na cozinha mesmo para eu comer. Estando no meio da comida eu me levantei e peguei um copo, fui até a geladeira e peguei a garrafa de guaraná. Me servi e tornei a colocá-la na geladeira, depois fui me sentar novamente e terminei de comer. Bebi o guaraná todinho e fiquei satisfeita, levantei da cadeira e caminhei até a pia para lavar o que eu sujei. Enchi o copo com a água do filtro e a bebi, tornei a pegar a bombinha e fui para o banheiro social, lá eu esvaziei novamente os meus dois seios.

Voltei à cozinha e lavei os compartimentos da bombinha, depois que eu sequei tudo tornei a guardá-la na caixa. Após eu colocá-la no armário eu subi. Entrei no quarto e fechei a porta, fui escovar os meus dentes e me aliviei. Lavei as minhas mãos e fui para o closet, lá eu coloquei uma camisola azul marinho e tornei a me deitar. Liguei a televisão e fiquei a assistindo, pelo visto o Edward chegaria tarde e procurei não me importar mesmo que tendo que admitir que eu me importava lá no fundo. Nisso as horas voaram e acabei dormindo pensando nele e na minha filha.

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Madrugada de sábado, 10 de julho.

Às 03:39min.

Acordei do nada e vi que a televisão estava ligada, eu a desliguei e fui até o banheiro me aliviar. Após lavar as minhas mãos eu tornei a me deitar e deixei o abajur aceso. O espaço ao meu lado estava vazio e isso era sinal que Edward não havia dormido em casa, tentando não pensar a respeito eu fechei os meus olhos sentindo que ambos estavam bem marejados contra a minha vontade. Tentei relaxar após me lamentar bastante, um tempo depois eu dormi.

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Às 10:20min.

Despertei aos poucos e abri bem os meus olhos, olhei tudo em volta vendo o quarto vazio e a cama intocada ao meu lado. Dando-me um ataque eu comecei a chorar e me sentei na cama. Olhei em volta mais uma vez e chorei, chorei e chorei até não aguentar mais. Por fim me levantei da cama e fui até o closet, peguei uma mala e coloquei as poucas roupas minhas que havia ali que vieram de Solares. A maioria estava na outra mansão e peguei as que eu comprei com o meu cartão. As joias de ouro compradas por Alice ficaram todas na gaveta e as que eu levaria era somente as minhas de antigamente. Até os óculos de marca comprados por eles ficariam todos e peguei os três que eram meus mesmo. Todos dados por jake e Edward nem fazia ideia, eu tinha certeza que ele os quebraria de propósito. As joias que Carlisle me deu eu as deixaria para trás também e deixaria todos os calçados que os Cullen compraram para mim. Os meus antigos estavam na outra mansão, eles sim eu iria levar. Troquei de roupa correndo e lembrei das minhas camisolas, eu imediatamente as peguei e lembrei do carregador do celular. Deixei o quarto arrumado e sai do mesmo após avaliar bem mentalmente se eu não estava esquecendo nada, por fim eu saí do quarto e desci a escada normalmente. Caminhei pelo corredor, por sorte os meus documentos estavam em minha bolsa e tudo que me pertencia estava indo comigo. Cheguei na cozinha e Mary ficou me olhando.

—Aonde vai com essa mala bella?

—Para a outra mansão, preciso arrumar essas roupas lá.

—O patrãozinho sabe que está indo pra lá?

—Sim, ele sabe. Menti. –Até mais tarde Mary.

—Até patroinha. Disse ela me olhando.

Caminhei rápido pelo quintal e pedi o segurança para abrir o portão.

—Volto mais tarde.

—Tudo bem patroa. Falou Lima me olhando.

Saí da mansão sem olhar para trás e caminhei rápido demais por estar de chinelo mesmo a mala estando pesada. As minhas lágrimas escorriam e evitei secá-las por causa das câmeras, só sei que eu puxava a minha mala e segurava a minha bolsa enquanto andava bem rápido pela estradinha mais que conhecida por mim.

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25min depois.

Cheguei na rua principal e atravessei a rua, esperei um táxi passar e fiz sinal para o mesmo quando vinha um. O táxi parou e eu entrei, falei onde eu queria ficar e o motorista acelerou o carro.

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Um tempo depois.

Paramos em frente à mansão e pedi ao motorista para me esperar, eu precisava fazer tudo direitinho por saber que os seguranças vigiavam os meus passos. Saí do táxi e toquei a campainha, o portão foi aberto e cumprimentei o segurança com uma boa tarde. Abri a mansão e entrei, ao olhar através do vidro da porta eu vi o segurança falando no rádio e bingo, cambados de dedo duro. Subi a escada após ativar a proteção da porta e fui para o quarto, entrei no closet e peguei uma outra mala ainda maior. Coloquei tudo que me pertenceu em Solares e deu muita coisa dentro dela, tive que pegar outra mala e coloquei o restante. Peguei um edredom que foi meu em Solares e o coloquei dentro de uma bolsa escura após pegá-la na área de serviço. Ficaria algumas coisas para trás, mas não me fariam tanta falta assim. Inclusive eu peguei todos os meus calçados e eram muitos, a maioria dado por jake e o meu pai que na época vez ou outra me mimava. Eu não levaria nada que não era meu, na verdade eu nunca me senti totalmente dona das coisas que havia ali, inclusive dessa casa. Nada ali era meu de verdade, existia um certo tabu de me sentir completamente dona, isso por Edward ter repetido milhares de vezes que eu tinha olho nas coisas deles. É difícil raciocinar depois de tantos momentos calmos que tivemos, mas todos eles envolviam sexo e não sentimentos de verdade. Eu estava tão confusa e decidida a partir ao mesmo tempo. Marie sim era a minha joia mais valiosa, eu morreria por ela se fosse preciso, mas estava na minha hora de ir.

Estando tudo guardado eu peguei uma folha e uma caneta, fui me sentar à mesa na sala com lágrimas me cegando e aos prantos eu escrevi tudo que eu achei necessário e que estava entalado em meu coração.

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12min depois.

Eu desabafei naquela carta, coisa que nunca tivemos a oportunidade de fazer de forma civilizada com palavras. Peguei a carta e a dobrei sentindo as minhas mãos tremendo, subi a escada e fui para o quarto. Olhei tudo em volta e o meu olhar se prendeu na cama, cada momento de intimidade vivido ali por nós eu me lembraria e caminhei até ela, sem fazer mais demora coloquei a carta sobre a cama no momento que uma lágrima escorreu e caiu sobre a colcha. Saí imediatamente do quarto e caminhei pelo corredor, desci a escada e desativei a proteção, abri a porta e saí arrastando as malas com dificuldade e segurando o edredom que estava camuflado dentro da bolsa. O segurança ao me ver.

—Quer que eu lhe ajude senhora?

—Por favor, eu só vim trazer algumas roupas e estou levando as que eu quero lá. Avise a Mary por rádio que eu estou levando algumas peças para poder lavar. É só para deixá-la de sobreaviso.

—Pode deixar, darei o recado.

Caminhamos até o portão e o taxista estava ainda ali me aguardando, ao me ver com as malas ele abriu o porta mala do carro e as guardou para mim. Após ele fechar a mala eu olhei para o segurança controlando a minha vontade de chorar, era a hora de deixar tudo para trás.

—Entregue essas chaves para o seu patrão, ele virá pra cá que eu sei. Estou indo para casa agora.

—Pode deixar. Falou o segurança pegando as chaves e puxei a minha mão rapidamente para ele não notar a minha leve tremedeira.

Afastei-me dele e entrei no táxi, o taxista fechou a porta para mim e deu a volta no automóvel. Saímos dali e pedi ao motorista que me deixasse em um determinado ponto daquela avenida principal. Era um pouco longe onde eu iria soltar e de lá eu pegaria uma condução até o meu mais novo bairro pra dichavar, pois nunca se sabe.

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Minutos depois.

As lágrimas agora se faziam presente, eu só pensava em minha filha agora e imagens de seu rostinho angelical me vinha à mente. O taxista me olhou através do retrovisor e não liguei, sendo gentil ele me ofereceu um lenço de papel.

—Obrigado. Falei mal conseguindo pronunciar.

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Cheguei em meu destino e paguei o motorista, saímos do carro e ele tirou as minhas coisas do porta mala. O agradeci e ele fechou o mesmo, depois deu a volta no carro e entrou no veículo. O taxista saiu com o carro e foi na direção do retorno, a seguir quando houve uma oportunidade ele acelerou o carro e se foi. Caminhei até o ponto de ônibus tendo um pouco de dificuldade por causa das minhas coisas e olhei em volta para ver se eu estava sendo seguida, mas não havia nenhum carro. Fiquei aguardando um outro táxi e quando o mesmo passou, eu fiz sinal e ele parou. Guardamos as minhas coisas e entramos no carro, peguei o papel dentro de minha bolsa e falei o meu destino que seria o meu novo lar.

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1h e ½ depois.

O taxista foi devagar pelo bairro e paramos em frente à minha nova casa, o paguei ficando com pouquíssimo dinheiro e tiramos as minhas coisas do porta mala. Por ser fim de semana havia mais pessoas na rua e ficaram olhando para a novidade que era eu, mas eu não olhei para os lados e abri o portão. O taxista sendo gentil colocou as minhas coisas no pequeno jardim e o agradeci, a seguir ele foi embora. Tranquei o portão e precisei respirar fundo, senti os meus seios vazando e isso seria mais um problema que eu teria que resolver, mas não sabia como no momento. Toquei os meus seios estando entupidos de leite e chorei, tive que me apoiar no portão por ter perdido as minhas forças nesse momento de tanta tristeza e fechei os meus olhos. Eu queria gritar pela dor sufocante, era dor na alma e em minha consciência.

—A minha bebê. Falei baixinho e coloquei a mão em meus olhos.

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5min depois.

O mundo estava desabando sobre a minha cabeça e com muito custo eu voltei à realidade, meu celular tocou em minha bolsa e o ignorei. Chorando ainda eu me levantei e fui abrir a porta da sala, coloquei as minhas coisas sentindo as lágrimas escorrendo e o meu celular não parava de tocar. Abri a minha bolsa com muito custo, pois as lágrimas me cegavam e vi as ligações da mansão a qual a Esme morava. Olhei a hora e marcava 17:45min. O meu celular tornou a tocar e o desliguei.

—Eu não quero saber de nada, eu não quero. Falei para mim mesma lamentando tanto e sequei as minhas lágrimas.

Eu precisava checar a cozinha, fui olhar o fogão e havia um botijão de gás, mas o mesmo estava vazio. Olhei a geladeira e a mesma estava desligada, então eu a liguei após passar um pano úmido em toda ela. Eu precisava comprar gás e outras coisas para a casa, então eu peguei a minha bolsa e saí, tranquei a porta e caminhei até o portão. O abri e olhei em volta, fui até duas moças que conversavam no portão ao lado e....

—Boa tarde, bem, mas é bem dizer noite. Falei sem jeito por não as conhecer.

—Olá. Você é a nova moradora não é mesmo?

—Sim, sou eu mesma. Falei sorrindo levemente, estava escrito a tristeza em meu rosto.

—Chamo-me Cristina. Disse a moça aparentando seus trinta e poucos anos.

—Eu me chamo Estefani. Disse a moça aparentando os seus vinte e poucos anos, ambas eram casadas por usarem alianças.

—Eu me chamo Isabella. Eu gostaria de saber onde eu consigo gás por aqui.

—Se você quiser, eu te dou o telefone, tem um depósito aqui perto que funciona até às 19h. É só ligar que eles vêm entregar. Falou a moça chamada Estefani.

—Eu agradeço a sua gentileza.

—Já volto. Falou ela se retirando e entrou no portão, ela morava ao lado da minha casa.

—Você sabe onde tem um mercado por aqui? Estou sem nada em casa e sabe como é mudança.

—Fica há 20min daqui e o centro é logo ali. Falou Cristina. -Você é casada? Perguntou Cristina olhando para a minha grossa aliança e eu meio que escondi a minha mão em minhas costas, foi involuntário.

—Eu era.

—Poxa! Eu sinto muito Isabella.

—Tudo bem.

—Se quiser companhia, a Estefani irá ao mercado daqui a pouco.

—Poxa! Que sorte a minha então.

—Pois é. Disse ela sorrindo, parecia ser bem gentil.

—Está aqui o telefone. Falou Estefani sorrindo e me entregou o imã de geladeira que continha o telefone do depósito de gás.

—Eu comentei com a nova vizinha que você irá até o mercado, ela está precisando de alguém para guiá-la, pois não conhece o bairro ainda.

—Podemos ir juntas. Pegarei o carro do meu marido quando ele chegar com o meu filho daqui a pouco.

—Eu não quero incomodar, imagina.

—Não há de que, vizinhos são para essas coisas.

—Obrigado de verdade. Falei sorrindo. –Eu preciso comprar o gás, vou lá dentro.

—Eu te chamo quando o meu marido chegar.

—Tudo bem e mais uma vez obrigado.

—De nada. Disse ela me olhando.

Voltei para dentro e liguei o meu celular, o mesmo estava cheio de mensagens e apaguei todas elas sem ler, do contrário eu não conseguiria sair mais de casa. Liguei para o depósito de gás e pedi um, perguntei se eles aceitavam cartão ao me lembrar que eu estava com pouco dinheiro e o mesmo disse que sim. Dei o número da casa e nome da rua, o rapaz falou que em poucos minutos me entregaria o gás. Encerrei a ligação e fui até a cozinha, peguei o botijão de gás vazio e fui o empurrando com cuidado até o portão. Voltei para a sala e peguei o cartão em minha bolsa, o deixei sobre a mesa e levei as malas para o meu quarto. Arrumei as coisas no closet e para minha surpresa a campainha tocou, imaginei ser o homem do gás e fui atender portando o meu cartão de débito em mãos.

Abri o portão.

—Boa noite senhora, está aqui o seu gás.

—Boa noite. Falei sorrindo levemente. –O botijão vazio está aqui.

O rapaz colocou o gás na porta da sala e lembrei que eu não sabia o instalar.

—Você pode fazer um pequeno favor para mim?

—Qual senhora?

—Eu não sei colocar o gás.

—Eu posso te ensinar. Falou ele me olhando. –É fácil.

Ele foi até o portão pedir um momento para o motorista e depois me acompanhou até a cozinha levando o botijão cheio. Ele o instalou para mim rapidinho e prestei bem atenção como se fazia, o agradeci e entreguei o meu cartão a ele. Falei que era débito e fomos até o carro, lá ele pegou a maquininha e o gás foi pago.

—Vizinha. Chamou-me Estefani.

—Oi.

—Eu já estou disponível, o meu marido já chegou com o meu filho. Vamos juntas ao mercado?

—Vamos sim, irei só pegar a minha bolsa e trancar a casa.

—Te aguardo. Falou ela me olhando.

—Ok.

Estefani era uma moça loira e de olhos azuis, era uma moça bem bonita e servida de corpo. Ela tinha mais ou menos a minha altura. Entrei rapidinho e peguei a minha bolsa, por eu ter deixado o meu celular ligado ao ligar para o depósito de gás, o mesmo estava tocando e era Alice. Fiquei em dúvida se eu a atendia, talvez mais tarde eu falaria com ela. Tranquei a casa e saí, eu sentia muita dor em meus seios por estarem cheios.

—Já estou aqui. Falei a olhando.

Estefani segurava a bolsa e a chave do carro. Havia um homem alto branco dos cabelos pretos e olhos castanhos clarinho, eram expressivos e bonitos. No colo do mesmo estava um bebê aparentando os seus seis meses de idade e de cabelos loirinhos igual aos da mãe.

—Isabella, esse é o meu marido Raul e esse é Robert, o meu filho de sete meses.

—Prazer Raul, eu me chamo Isabella.

—O prazer é todo meu. Cumprimentou-me ele com um aperto de mão e sorriu.

—Vocês têm um bebê lindo, parabéns.

—Obrigado. Disse ela sorrindo e lembrei da minha filha, meus olhos chegaram a marejar, mas me controlei. –Vamos, o mercado fecha às 21h.

—Vamos sim.

O carro deles era vermelho e até muito bonito, pude reparar e fui interrompida com o toque do meu celular. O ignorei após constatar que era a Alice novamente e entrei no carro. Fechei a porta sem batê-la, Estefani fez o mesmo e ligou o carro. Por ser jovem demais igual a mim, ela ligou o rádio e colocou um hip hop. Não deixando a música muito alta ela me olhou.

—Então decidiu morar aqui em Diamantina?

—Sim, eu decidi.

—Pelo visto deve ser casada.

—É eu sou.

—Sem ser intransigente.

—Pode perguntar.

—Cadê o seu esposo?

—Estamos nos separando.

—Você tem filhos?

—Uma menina. Falei secando uma lágrima que rolou e ela desligou o rádio na hora.

—Uma menina?

—Sim, ela tem duas semanas.

—Oh minha nossa! Disse ela me olhando. –E a bebê?

—Minha filha eu a deixei com o pai, ele sim pode cuidar dela.

—Eu sinto muito Isabella. Disse ela demonstrando compaixão. –Perdi a fala, é tão delicada a sua situação. O que precisar poder contar comigo.

—Irei me lembrar disso Estefani.

—Você está amamentando?

—Eu estava, os meus seios estão doloridos de tão cheios.

—Precisa se cuidar, pode empedrar.

—Sei disso, verei o que eu faço o mais rápido possível.

—Não há chance de voltar com o seu esposo e serem felizes juntos?

—Não. Falei a olhando.

—Não o ama mais?

—É complicado.

—Não o ama mais ou vice e versa?

—Eu gosto dele sim, essa é a pior parte.

—Gostar não é amar Isabella. Eu por exemplo amo o meu marido e o meu filho, não sei se eu conseguiria viver sem eles.

—É eu o amo também. Falei a olhando pensativa e fui sincera com ela e comigo mesma, já era a hora de aceitar essa verdade. –Não está sendo fácil para mim também, mas não pude evitar, o pior de tudo é ficar longe da minha filha. Ela é tão pequenina meu Deus.

—É normal. Disse ela cheia de compaixão. –Se quiser conversar a respeito, mesmo não a conhecendo eu gostei de você.

—Eu também, você é bem simpática, tanto que ofereceu carona a uma estranha.

—Tem razão, mas estou confiando na minha mais nova vizinha. Você parece ser bem nova.

—Tenho dezoito anos.

—Caramba! Disse ela sorrindo. –Eu tenho vinte e quatro e o meu marido tem vinte e seis.

—Ele tem a idade do meu marido.

—Que coincidência.

—Pois é.

Ela ficou quieta e eu fui prestando atenção em tudo à nossa volta. O local era bem pitoresco e logo chegamos no mercado, o mesmo era bem grande e desci do carro após ela estacionar. Sequei os meus olhos por estarem bem marejados e novamente o meu celular tocou, era o número da Mary. Não pensei muito e a atendi.

—Alô. Falei sentindo os meus olhos marejarem e controlei a minha voz.

—Amiga, onde é que você se meteu? Perguntou ela baixinho e deduzi que ela estava ligando escondida.

—É o fim da linha do trem Mary, eu não irei voltar mais para a casa dos Cullens. Eu pulei fora.

—O patrãozinho.....

—Eu não quero saber mais dele! Falei secando uma lágrima que rolou.

—Mesmo assim amiga, ele trouxe a neném para casa e chegou ainda pouco. Ele perguntou por você e eu falei que você havia dormido aqui. A seguir ele perguntou se você estava e eu disse que não né. Não faça isso, volte para a sua filha e para a sua família.

—A menina é deles Mary, eu não passo de uma intrusa e uma sombra ruim do passado assombrando eles. Eu só a coloquei no mundo para eles, a tia do Edward ela.......

—Não diga besteiras!

—Não irei voltar para ser uma mulher infeliz, não suporto mais viver na mentira e na solidão. Não adianta me dizer que o seu patrãozinho tem ciúmes, que ele me ama, essas coisas impossíveis de se acreditar! Volte ao tempo e se lembre de tudo que eu passei. Isso fica vindo e voltando em mim, sei que não faz bem, mas eu também tenho sentimentos e não há como mascará-los, não servirei de piada mais. Não posso viver na ilusão, na mentira e enganando as pessoas e a mim.

—Você está aonde?

—Bem longe, onde ninguém pode me achar. Tire Solares de cogitação, não estou lá.

—Poxa amiga. Falou Mary chorando e eu fazia o mesmo, com isso a Estefani ficou me olhando. –Eu não me conformo com a sua partida, não mesmo. A sua filha é tão pequena tadinha.

—Pois é Mary, eu já deixei o troféu deles. Dói em mim também, mas pouparei a minha filha de crescer no meio das brigas. Tenho medo de ela me odiar pelo o meu passado.

—Você diz troféu e ele é a bebê?

—Sim, eu digo a bebê.

—Está cometendo um pecado.

—Sei que Deus não irá me perdoar, mas sei que ele tem compaixão depois de tudo que eu passei. Até outro dia Mary e obrigado por tudo que você fez por mim amiga.

—Bella. Falou ela chorando. -A dona Esme vai ficar desconsolada e ela perguntou por você.

—Eu entrarei em contato com você sempre após às 22:30min, deixe no vibracall para ninguém me descobrir. Quanto a Esme, ela tem a neném, o filho, o marido, e não sentirá falta de mim.

—Não diga inverdades bella, sabe que ela.....

—Não quero falar mais a respeito disso. A interrompi.

—Você irá deixar de ser a minha amiga também?

—Não, mas pretendo não ligar por um tempo, será a minha forma de superar. De alguma forma cuide da minha filha como der, a pobrezinha não tem culpa de nada.

—Tudo bem. Falou Mary arrasada.

—Ele deve ter dado falta de mim.

—Não sei dizer ainda. Você saiu daqui com uma mala e o segurança da outra mansão me deu o recado a seu pedido. Ele disse que você saiu com três malas e uma bolsa grande. Nas palavras dele, ele disse que parecia que você iria se mudar com tanta roupa que traria para cá. Dizendo o Sebastian ainda pouco, aquele segurança estranhou um pouco quando você entregou a chave da casa.

—Eu tirei as minhas antigas roupas, apenas as que a Alice comprou ficaram aí e na outra mansão. Deixei tudo que eles compraram para mim pra trás, só a que eu já tinha e comprei com o meu cartão vieram.

—Até as joias?

—Principalmente essas eu fiz questão de deixar, não quero o dinheiro deles para nada. Olha Mary, se cuida e finja que não falou comigo.

—Tudo bem.

—Se cuida.

—Você também.

Encerrei a ligação e Estefani não falou nada, continuamos andando e entramos no mercado comigo secando as minhas lágrimas. Era duro, aliás, estava sendo triste demais essa vida solitária.

.

.

Estefani estava fazendo compra para o mês e eu peguei tudo que julguei necessário. Carnes, mantimentos de limpeza e comestível, de tudo um pouco sem exageros. Fomos para o caixa abarrotadas de compras e o meu celular tocou, vi ser o Edward e batalhei para não o atender, por fim eu não o atendi. Peguei o meu cartão e paguei a minha compra, Estefani fez o mesmo e fomos para o carro. Ela colocou as compras dela no porta mala e eu coloquei as minhas no banco traseiro. O carro ficou lotado de compras e fomos embora. Estando distraída.

—É perceptível a sua dor Isabella, vejo que está sofrendo muito.

—Não tem ideia do quanto, o pior é pensar na minha filha.

—Por que não a trouxe com você?

—Eu não teria como cuidar dela e ter que trabalhar e estudar.

—Pelo o que me disse, você ainda está de resguardo.

—Sim, mas eu a tive normal. Marie é o nome dela.

—Marie é lindo.

—Foi o que o meu ex-marido também achou.

—Quem o escolheu?

—Fui eu.

—Teve bom gosto.

—Obrigado.

—Não há chances de vocês se acertarem mesmo? Pela sua filha e por você amá-lo?

—Eu me amo após amar a minha filha em primeiro lugar. Se quiser saber a verdade, eu só me casei por que eu estava grávida. Tenho apenas quatro meses de casada.

—Nossa! Isso é desastroso. Não irei abordar mais esse assunto porque lhe machuca e não quero parecer intrometida.

—Que nada, eu estou desabafando de uma certa forma.

—Bem, se for assim está bem. Não se preocupe porque ficará só entre nós.

—Eu a agradeço por isso.

Depois disso nós ficamos quieta e vi o quanto estava movimentado aquele bairro, era um lugar bom de se morar mesmo. Nós finalmente chegamos e ela parou o carro em frente o meu portão. Eu olhei em volta e desci do carro, fui abrir o portão e voltei para o carro, abri a porta de trás e comecei a tirar as minhas coisas. Estefani também me ajudou e o pequeno jardim ficou cheio de bolsas.

—Obrigado pela carona.

—De nada, qualquer coisa sabe onde eu moro.

—Quer que eu te ajude com as bolsas? Ofereci-me.

—Obrigado Isabella, eu irei colocar o carro na garagem e o meu marido irá me ajudar. Arrume as suas coisas e descanse um pouco.

—Vou seguir o seu conselho.

—Boa noite.

—Boa noite.

Acenei para ela e entrei, tranquei o portão que era de madeira e fui abrir a porta da sala. Levei as bolsas para a cozinha e guardei tudo com calma, inclusive os produtos de limpeza eu coloquei no armário da área de serviço do lado de fora. Estando tudo arrumado eu catei as bolsas de supermercado e as guardei. Peguei as panelas que havia ali e as lavei, escutei o meu celular tocando e fechei os meus olhos, tornei a abri-los sentindo uma lágrima rolar. Fui para o quarto, eu precisava me banhar urgentemente. Abri as minhas malas e peguei uma camisola, olhei na outra mala e peguei uma calcinha para mim. Peguei tudo que eu precisaria e fui para o banheiro, me despi e liguei o chuveiro. O jato potente de água morna caiu sobre mim estando eu bem pensativa. Banhei-me chorando, simplesmente eu não conseguia parar de chorar e comecei a lavar a minha cabeça. Aquela água estava bem relaxante e me enxaguei por inteira, ao me dar por satisfeita eu saí para me secar.

Vesti-me com calma e penteei o meu cabelo, fui obrigada e tirar leite do meu seio manualmente e os deixei bem doloridos. Eu estava nervosa ao cometer esse crime e minhas mãos tremiam, não aguentando mais eu saí do banheiro deixando a minha toalha pendurada. Fui para o quarto e arrumei as minhas coisas, já passava das 21:40min. Coloquei as minhas roupas no closet e as arrumei, ficou tudo organizado e notei que aquele bairro era um pouco frio. Peguei um casaco e fui verificar se eu havia trancado a porta da sala, percebi que não e a tranquei. Apaguei a luz da sala e fui para a cozinha, fiz um pouco de suco somente por eu estar sem apetite algum. A decepção me tirou a fome e bebi o suco com um pouco de dificuldade, a seguir eu lavei o copo e fui para o banheiro escovar meus dentes. Após eu sair dali eu fui até a sala e peguei o meu celular na bolsa, a seguir eu fui para o quarto arrasada.

Peguei o meu edredom e afastei a colcha até muito bonita que a dona havia deixado, estava tudo limpinho e perfumado. Deitei-me sentindo uma exaustão tremenda em meu corpo e fechei os meus olhos, foi impossível eu não me lembrar dos momentos que eu tive estando ao lado dele e abri os meus olhos estando marejados. Evitei ficar pensando nas coisas ruins e lembrei da vez que ele disse que gostava do meu cheiro, da vez que me chamou de bella, mas ao mesmo tempo eu me lembrava das vezes que ele disse que eu era sem graça. Lembro-me de todos os momentos e houve vezes me lembrando bem agora, que ele foi até suave. Sem contar que as suas atitudes egoístas iam e vinham em minha cabeça a todo o momento e tudo mais que me magoou. O pior de tudo era nas reuniões de família ver os casais tão unidos e viver na mentira com o Edward. Ele era difícil demais de se lidar e muitas vezes eu não podia com ele. Eu só desejava esquecer tudo, mas ao pensar no divórcio me fazia lembrar das vezes que o Edward disse que não iria me dar. Sei que ele não me facilitaria caso nos falássemos, isso algum dia teria que acontecer, pois não poderíamos permanecer casados. O que mais doía era estar apaixonada por alguém que não me merecia. Não é por me dar do bom e do melhor que eu me venderia, as atitudes valem muito mais que os bens materiais e me deixar esperando do lado de fora da empresa me marcou como um nada. Como pode ele me amar? Eu me perguntava, era pura obsessão e capricho. Estava arriscado ele zombar de mim caso eu contasse o que estava aflorando em meu coração sem eu conseguir pisar no freio. Esse foi o meu medo.

A partir desse momento, eu pensei, eu tentaria esquecer tudo que aconteceu. Eu seria infeliz e bem ou mal, o primeiro passo eu já havia dado que era sair de lá. O que aconteceu comigo eu iria enterrar, da mesma forma eu faria com esse sentimento que estava borbulhando em mim em relação a ele e só podia ser algum tipo de piada. A partir de hoje eu seria uma outra Isabella e quando eu estivesse pronta, eu o procuraria para conversar a respeito do divórcio. Por um lado, eu sentia um pouco de medo por causa das atitudes dele, mas eu não poderia temê-lo para sempre.

—Está uma confusão em minha cabeça meu Deus, faça com que essa dor profunda acabe algum dia. Pedi de olhos fechados. –Será possível? Perguntei secando a lágrima que rolou.

De uma coisa eu tinha certeza, cedo ou tarde as nuvens dissipariam e eu apagaria o meu passado com uma borracha. Aos poucos eu fui sentindo o sono me dominar, ele me faria esquecer por algumas horas. Seria o meu alívio imediato, isso eu pensava e me entreguei com tudo a ele.

—E amanhã, como seria?

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Domingo, 11 de julho.

CONTINUA............