Solares

13 Capítulo 13


Final do capítulo anterior.

—Nossa! Ele é bem lindinho.

—Ele é fofo e meigo.

—Não teve clima mais?

—Por minha parte sim, mas eu viajo às vezes e ele começou a sair com uma moça. Dizendo essa amiga minha é só um fogo de palha.

—Você é tão bonita, será que o cara está cego?

—Nosso tempo não batia, foi uma loucura de uma noite só.

—Ahh! Já entendi o que rolou. Falei sorrindo, foi apenas sexo sem compromisso deduzi.

—Ééé isso aí e rolou na casa dele mesmo depois que chegamos do barzinho. Foi uma loucura e acho que eu o assustei. Falou ela se acabando de rir.

—Como assim?

—Eu senti que a química rolou a solto e eu apenas me soltei, parecia que nos conhecíamos muito mais tempo do que era na verdade.

—Acredito que alguns homens se assustam quando a mulher é muito independente. Eles gostam das fogosas e raramente dizem que não.

—Gostar ele gostou, chegamos a marcar para sairmos, mas tive um compromisso e desmarcamos. Da segunda vez em que marcamos foi à mesma coisa e acho que ele desistiu de mim. Nos falamos numa boa e nos cumprimentamos, mas ele está enrolado.

—Poxa! Falei terminando de comer a comida e bebi o suco.

—E você era muito namoradeira?

—Não, eu era careta e namorado mesmo foi apenas um, o Jacob.

—E aí?

—E aí que ele suou a camisa para ficar comigo, éramos amigos com benefícios e meses atrás começamos a namorar mesmo com tudo que tem direito.

—Você fala a respeito de se entregar pra valer?

—Sim. Ele fez uma mega festa de aniversário pra mim no dia treze de setembro e fizemos amor pela primeira vez nessa noite. Foi bom, ele teve paciência e eu adorei. Fiquei querendo mais até e antes eu fugia da lábia dele, jake tem um corpo maravilhoso e sabe trabalhar bem com ele. Sorrimos pra valer após eu dizer isso.

—Esses homens nos levam a loucura! Falou ela ainda sorrindo.

—Não pratiquei muito Alice, mas não faço feio não. Não ligo para o que o seu primo diz a respeito do sexo meia boca que tem comigo, pelo menos o Jacob dizia que era muito bom e fizemos pouquíssimas vezes. Ele foi um cachorro comigo! Não demorou muito depois disso e, deu no que deu.

—É. Eu to sabendo.

—Não me arrependo de ter perdido a minha virgindade com ele e foi até bom, do contrário seria a minha ruína.

—Já entendi o que você quis dizer, mas agora mocinha coma a sobremesa e me diga o que achou.

—Pode deixar. Falei dando a primeira colherada e aprovei. –Muito bom! Falei sorrindo.

—Isso é bom!

—Quantos anos você tem Alice?

—26 anos.

—Que legal.

—Sou mais velha que Edward com um ano de diferença. Ele tem 25 anos e você dezoito.

—Sim. Bem que ele podia arranjar alguém para esquecer de mim e me deixar em paz Alice.

—Meu primo é fogo, se tratando de mulher ele é enjoado como diz a minha tia. Olha que chove é mulher em cima dele e na verdade Edward é um homem bonito.

—Ele faz questão de me falar isso. Ele diz que não precisa ir atrás delas, são elas que vem até ele.

—Mas é a pura verdade, mas nem todas têm o privilégio. Num grupo de dez, apenas uma ou duas serão selecionadas. Edward é reservado nessa parte.

—Reservado e lhe contou que o meu sexo é meia boca. Como é isso então?

—Reservado eu digo porque ele não pega qualquer tipo de mulher e fiquei surpresa quando soube que você estava grávida dele. Não estou lhe diminuindo entenda bem, eu digo no sentido dele falar com tanta raiva de você e ter cometido o ato desprevenido.

—Na primeira vez que aconteceu eu estava tentando fugir, mas deu errado a minha fuga. Eu estava nua no meio da floresta...

—Nua? Interrompeu-me ela.

—Sim. Ele me manteve presa em uma outra casa e lá na mata tinha uma cachoeira congelante.

—Sei aonde é, Edward falou que te deixou lá também.

—Isso mesmo e tentei fugir, mas eu me escondi em uma gruta e os morcegos saíram voando, foi o suficiente para ele descobrir onde eu estava. Tentei fugir carregando correntes pesadas, mas elas caíram e eu continuei correndo. Com uma puxada certeira que ele deu na corrente presa em meus braços, eu caí e ele veio louco, aí você pode imaginar. Acredito que o bebê tenha sido feito nesse dia.

—Você tem o corpo bonito Isabella, deve ter sido por isso que ele não resistiu.

—Estupradores e assassinos nem sempre ligam para isso Alice. Não vê como ele me esculacha?

—Aiii! Eu não sei o que pensar, mas de uma coisa eu tenho certeza.

—O que é?

—Esse bebê vai ser o meu afilhadinho ou afilhadinha.

—Calma Alice.

—Não aceito não como resposta. Meu primo vai ficar uma arara quando souber que eu me ofereci para ser madrinha do filhote da raposa. Ela sorriu e eu fiquei séria.

—Não tem graça, eu não sou falsa Alice.

—Calma Isabella, eu estou brincando, mas fiquei chateada quando ele a chamou disso mais cedo.

—Ele passa dos limites isso sim!

—Eu sei disso, mas tente dobrá-lo.

—Eu não quero! Que ele arranje uma mulher e que vá dobrá-lo pra lá!

—Sei que gostava quando ele a pegava.

—Ele abusava de mim, é diferente e não tente limpar a barra dele agora!

—Não estou não, eu juro pra você. Por mim você estaria na sua casa e vivendo a sua vida, mas minha tia gosta tanto de você que a vejo como uma excelente companhia para ela. Você não tem ninguém e aqui tem tudo.

—Não estou interessada no dinheiro de vocês, pouco me importo para o que o Edward fala, mas me importo por aqueles que tiveram consideração comigo. Não posso magoá-la fugindo Alice, sei que esse bebê é muito importante para ela.

—Não só ele, ela tem carinho por você o que já é bem o contrário com a Tânia. Somos amigas de infância e ela é apaixonadinha pelo o meu primo, mas se diverte com outros homens também. Por isso Edward não a quer, quando estamos comprometidos muda um pouquinho, mas ela não quis mudar o ritmo dela e perdeu. Sei que ele às vezes a procura e vice e versa. Mas deram um tempo agora e o meu primo está sozinho, sabe como é homem, sempre tem o seu lanchinho.

—Nossa! Alice.

—É a realidade.

—É eu sei. Falei terminando de comer a sobremesa.

—Irei dormir agora, o dia foi puxado com o susto que você nos deu.

—Foi puxado mesmo e tenha uma boa noite Alice.

—Você também. Falou ela pegando a bandeja e saiu do quarto sorrindo.

Gostei de ter conversado com a Alice e fui até o banheiro fazer uma rápida higiene. Voltei para o quarto e fiquei assistindo filme, sendo que esse eu conhecia e gostava.

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23:09min da noite.

O sono já estava chegando e desliguei a televisão, nisso o quarto ficou todo no escuro e me virei de lado dando as costas para a porta do quarto.

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23:50min da noite.

Eu estava com o meu sono leve e senti a cama afundar, abri os meus olhos estando no escuro do quarto e não me movi. Eu já sabia quem era.

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Senti a coberta ser levantada e ele se acomodou sob ela pelo quarto estar bastante frio. O ar condicionado estava deixando o cômodo muito gelado e o abajur foi ligado, nisso eu tive que fechar os meus olhos correndo sem ele perceber.

Só escutei o barulhinho do controle do ar sendo pressionado uma vez e ele deve ter ajustado para ficar em uma temperatura mais amena, depois disso a luz do abajur foi apagada novamente. Senti a aproximação dele atrás de mim e não pude me afastar, ele perceberia que eu estava acordada e poderia falar coisas que eu não queria ouvir.

Ele era bem intrometido por vim ficar aqui me vigiando e mais uma vez ele ficou a centímetros de mim de propósito, era possível sentir a respiração dele em meu pescoço e me irritei por causa disso.

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33min depois.

Tentei relevar, o cheiro do corpo dele preenchia as minhas narinas e me movi, fiquei de barriga pra cima e o meu corpo esbarrou no dele, não suportando mais aquela situação eu peguei o travesseiro e me deitei ao contrário na cama.

—Não gosto que venha me importunar! Porque não fica no seu quarto?

Ele não me respondeu e fui acender o abajur, ele estava dormindo profundamente e pelo visto havia bebido mais do que a conta, a garrafa estava vazia sobre o criado mudo e ele quem olhasse diria que estava morto.

Acabei tornando a me deitar da forma correta na cama e tentei relaxar sentindo a respiração dele se chocar em mim. O empurrei um pouco e ele resmungou permanecendo no mesmo lugar, mas a lombeira da bebida era tanta que ele resmungou sem abrir os olhos. E quem disse que eu entendi o que ele falou?

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Segunda feira, 23 de dezembro.

09:32min da manhã.

Despertei de um sono gostoso e me espreguicei, sem querer meu corpo bateu em algo e olhei para trás vendo Edward ainda dormindo ali. Eu não sabia se ele iria trabalhar hoje, mas pouco me importei e deixei ele dormir. Levantei para escovar os meus dentes e me aliviei demoradamente por ter bebido dois copos de água ontem à noite.

Voltei para o quarto e ele ainda dormia, mas ao lembrar do meu cartão quebrado a minha vontade era realmente de matá-lo vendo-o ali vulnerável. Peguei o travesseiro e me deitei de forma que os meus pés ficassem na direção da cabeceira.

Fiquei pensando em minha vida e o senti se mexendo na cama, da forma que ele se mexia parecia que havia acabado de acordar e olhei pra baixo na direção dele.

—Por que não me acordou? Perguntou ele de forma bruta passando a mão nos cabelos.

—Não sou relógio e tão pouco a sua esposa!

—Não vê que eu perdi a droga hora?

—Coloque um despertado da próxima vez e eu não quero que você fique aqui me importunando. Tira a minha privacidade!

—Só lamento Isabella, você sabe que eu não sigo as suas vontades, preciso me arrumar e estou cansado das suas malditas reclamações! Falou ele se levantando. –VOCÊ é quem precisa me deixar em PAZ! Após dizer isso ele foi para o quarto dele.

Respirei fundo para não levar em consideração as palavras dele e acabei pegando no sono novamente.

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10:30min da manhã.

—Bom diaaa. Falou Alice me acordando.

—Bom dia. Falei sorrindo levemente.

—Chega de tomar o remédio de forma incorreta, tem tomado em horário diferentes.

—Eu sei, é sem querer.

—Tome o seu café e o seu remédio.

—Ok, ok.

Durante a manhã Alice me fez companhia, eu soube que Esme estava sem vontade de sair do quarto e que estava com um pouco de dor de cabeça. Alice me disse que era por causa do marido e como eles se falaram ontem, ela estava mal. Eu não quis entrar em detalhes para não ser indelicada e lamentei por não poder ir até lá para conversar um pouco com ela. Mas respeitaria o seu momento, algumas mulheres preferem ficar sozinha ao sentirem dor de amor.

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Às 14h da tarde.

Almoçamos no quarto ocupado por mim, eu, Alice e Esme que por milagre saiu do quarto dela. Alice insistiu e falou que eu queria a companhia dela, só assim ela resolveu aparecer. Procuramos falar de coisas alegres para deixá-la para cima e Alice depois que almoçamos a levou no salão após eu insistir muito para que ela fosse, amanhã era véspera de Natal e queríamos levantar o alto estima dela. Que bom que conseguimos dobrá-la.

Fiquei ali no quarto sozinha e lendo algumas revistas enquanto elas permaneceram fora se produzindo.

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Às 17:03min da tarde.

Elas voltaram e Alice trouxe a tia para eu ver, suas unhas estavam pintadas de vermelho, seus cabelos estavam brilhantes, ela era uma outra mulher após passar pelo salão. Suas unhas eram grandes e com o esmalte vermelho ficaram lindas.

—Está fantástica Esme! Falei sorrindo.

—Eu falei para ela Isabella. Minha titia ficou maravilhosa e para dormir tomaremos cuidado com o nosso cabelo.

—É com certeza! Ou pode acabar estragando.

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Às 17:25min da tarde.

Lanchamos ali no quarto mesmo e conversamos bastante, o nosso apoio estava ajudando e muito a avó do meu bebê e ela sorria com as histórias loucas que Alice contava. Até eu me acabava de rir com suas aventuras constantes, ela era serelepe demais e empolgada demais, ela era feliz.

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Às 19h da noite.

Esme e Alice foram tomar o banho delas e eu fui para o banheiro tomar o meu. Alice antes de sair do quarto com a tia escolheu uma camisola para eu vestir e já a deixou no banheiro para mim.

Lavei todo o meu corpo, me asseei com o presto barba sob a água do chuveiro e tornei a me ensaboar. Enxaguei-me e saí para me secar.

Penteei o meu cabelo estando nua em frente ao imenso espelho e olhei para minha barriga, aquilo era tão novo para mim e passei a toalha nela para secar a trilha que a água fez ao escorrer de meus cabelos. Vesti a calcinha e fiz o mesmo com a camisola.

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Às 19:35min da noite.

Saí do banheiro e o segurança acabava de entrar trazendo a minha janta na bandeja, eu não esperava e tomei um leve susto por estar com roupas impróprias na frente dele. Mas já aconteceu tanta coisa comigo estando ali com todos eles que deixei passar essa. No dia do meu sequestro por eu estar de vestido e cair no chão, um deles viu o que era pra estar escondido. Eu não gostava nem de me recordar desse dia, foi horrível. Mesmo assim me senti um pouco acanhada por causa da minha roupa de dormir.

—Trouxe a sua janta, Mary está um pouco ocupada na cozinha. Falou ele normalmente e mal reparando a minha camisola, ele olhava diretamente nos meus olhos.

—Tudo bem e.... Interrompi a minha fala ao ver Edward entrando no quarto, ele olhou pra mim e para o segurança sem esboçar algum tipo de reação.

—Bem está aí a sua comida. Com licença falou o cara saindo do quarto.

—Tem toda. Falou Edward olhando para mim. Sentei-me na cama e comecei a comer o ignorando, mas fui interrompida por ele na segunda garfada e fiquei olhando para a cara dele. –Eu. Não. Autorizo. Esse. Tipo. De. Coisa. Aqui. Na. Minha. Casa!

—Do que está falando? Perguntei colocando o garfo de comida na boca outra vez.

—Olhe a sua veste! O que estavam fazendo? Diz-me a verdade!

—Não é nada meu Edward e se eu quiser ficar até de calcinha e sutiã desfilando para lá e para cá eu posso! Falei para provocá-lo. -Se liga cara e, eu não devo explicações a você ta!

—Não aqui na minha casa! Está proibida de ficar assim na frente dos outros! Não quero essa pouca vergonha AQUI! Disse ele se referindo ao segurança jovem e de boa pinta que veio trazer a comida para mim.

—Saiba que eu não estou não e dê o fora! Quem é você para falar de vergonha comigo?

—Posso falar o que eu quiser! Agora irei mesmo, antes que eu perca a minha cabeça! Duvide de mim. Falou ele apontando o dedo para mim. -E irei rasgar o que for indecente que trouxeram para você sem que eu aprovasse. Só eu posso ver, tocar e me divertir a hora que eu quiser. Torno afirmar que tudo que está sob o meu domínio me pertence!

—Se iluda e vá se iludindo em vão. Até que tem uns seguranças bem charmosos por aqui e homens por aí. Nem todos os homens são iguais, uns são melhores que os outros e tem um monte por aí bem melhor que você Edward Cullen! Bem melhores!

—Nenhum deles é para o seu bico Swan, todos se assustariam com a sua linhagem. Abaixe o fogo ou se arrependerá! Não duvide porque sabe do que eu sou muito bem capaz! Ainda não viu nada e saiba que se não fosse por esse filhote aí na sua barriga que a minha mãe tanto idolatra, piorou agora com os cuidados exagerados de Alice, você iria ver e me pagar!

—Preciso comer em paz, acho melhor você sair!

—Ei,ei,ei!!! Falou Alice entrando no quarto. –Edward! Dê um tempo! Não vê o estado delicado dela e bem ou mal ela é a mãe do seu filho!

—Eu já estava de saída mesmo e pare de me dizer isso! Você e a minha mãe perderam a cabeça, só pode!

—Estou descendo para comer, vamos logo! Falou ela o puxando e olhou para mim. –Boa noite.

—Para você também Alice. E eles saíram do quarto.

Estava difícil aturar ele a cada dia que se passava e continuei empurrando a comida, eu tinha perdido a fome, mas mesmo assim eu fui comendo devagar. Bebi o suquinho de maracujá que colocaram na bandeja para mim e ignorei a fruta que estava ali. Encostei-me melhor no travesseiro e cruzei os meus braços após colocar a bandeja ao meu lado, nesse momento me lembrei do meu apartamento e do porteiro que por sorte me ajudou. Faltou pouco para eu ter vendido o meu apartamento e sumido.

Eu estava inconformada com as palavras de Edward, ele imaginou que eu estivesse jogando conversa fora com o segurança por estar de camisola. Onde já se viu? Estava mais do que provado para mim que para ele eu era o pior ser do mundo e que portava todos os defeitos possíveis.

Hoje foi a gota d`água, eu não queria que ele viesse dormir mais aqui no quarto e pra piorar perto de mim. Eu o ignoraria e não discutiria mais, ele poderia me chamar de tudo que ele quisesse que eu não iria ligar e o deixaria falando sozinho. O ignoraria mesmo que tirasse ele do sério, morrer de desgosto por causa dele é que eu não iria mesmo.

Amanhã era véspera de Natal e era uma data onde as famílias passavam unidas, mas eu não passaria com a minha nunca mais. Tentei não deixar as lágrimas virem e abanei os meus olhos em um meio de evitá-las, mas estava muito difícil para mim suportá-las e as deixei cair. O pior de tudo era ter que ficar plantada nessa cama, eu estava detestando isso e quase enlouquecendo de verdade dentro desse bendito quarto. Eu só não fugiria por causa de Esme, do contrário eu moveria céu e terra para desaparecer do mapa. Eu só não tinha a certeza que ele nunca mais me acharia, conhecendo-o bem, ele só descansaria enquanto não colocasse a mão em mim e no meu bebê.

Resolvi me levantar pra ir até o banheiro escovar o meu dente e parei no meio do caminho pra olhar a vista lá fora. As luzes estavam acesas pelo extenso quintal, o mar mais ao fundo estava na escuridão, mas era possível ver as luzes dos cruzeiros passando bem mais ao longe e alguns barcos também. Isso vez ou outra.

Coloquei a minha mão no vidro fechando-a em punho por me sentir tão vulnerável e incapaz. Piorava ainda mais por estar sem os meus pertences e sem poder andar muito. Fechei os meus olhos e as lágrimas contidas neles desceram, as enxuguei e fui para o banheiro fazer a minha higiene bocal.

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Às 20:25 da noite.

Eu estava deitada assistindo televisão e Mary havia entrado no quarto. Dizendo ela todos estavam na sala conversando a respeito de amanhã e escutou Edward falando que não era para eu descer, pois não ficaria bem. Dizendo ela, Esme protestou com filho e disse que já que ele teria companhia amanhã que era pra me deixar em paz. Insistindo ele mais uma vez, não ficaria bem eu descer e ficar no meio da família. Ninguém me conhecia e perguntaria quem eu era.

—O que vocês vão falar que ela é nossa? Uma prima distante ou uma amiga intima? Poupe-me! Ervas daninhas não pertencem a nossa família. Essas foram às palavras dele contando ela inconformada.

Disse que Alice ficou quieta só ouvindo, mas pelas suas feições desaprovava a atitude do primo. Se ele soubesse como eu não fazia questão de descer.

—Nem esquento Mary, eu não estou a fim de descer mais. Estou tão sem graça, com as unhas mal feitas, meu cabelo precisando retocar a raiz. Não irei descer não.

—Dona Esme faz questão pelo o que eu percebi.

—Mas terei que desapontá-la, não quero receber olhares desaprovadores sobre mim. Já é sufocante a minha situação!

—Não sei não, mas elas querem que você desça e fique lá com elas.

—Estou ridícula.

—Engano seu. Disse ela sorrindo. –Vou descer, eles podem precisar de mim e se você quiser, eu posso dar um trato nas suas unhas rapidinho.

—Está cansada Mary, não irei explorá-la.

—Se eu fosse você, colocaria ele no lugar através do desprezo.

—Ta eu faço isso e ele me castiga de verdade.

—Agora você é protegida pela mãe e prima dele, querendo ou não ele não pode desobedecer.

—Você sabe que ele a desobedece por minha causa, ele me destrata em qualquer lugar.

—Ele é bem genioso e anda bebendo igual água. Deixa-me fazer as suas unhas? Sei que não pode se curvar muito.

—Pra quê?

—Para o natal.

—Já que você insiste vou aceitar. Mas como faremos?

—Eu venho assim que acabar lá em baixo. Tenho alguns esmaltes.

—Alice trouxe uns para mim e tem tudo que precisaremos.

—Ta eu subo depois, não esqueça.

—Vou te espera.

Mary saiu do quarto levando a bandeja e eu continuei vendo televisão.

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Às 22h da noite.

Alice veio me dar boa noite junto de Esme e se foram. Eu continuei esperando Mary subir e ela entrou no quarto já de banho tomado e vestia pijamas de blusa curta e short cumprido.

—Cadê as coisas que a Alice comprou para você?

—Dizendo ela está na última gaveta do armário sob a pia.

—Vou pegar.

Mary trouxe uma vasilhinha e quando voltou do banheiro ela estava cheia de água. Ela trouxe a pequena maleta e ao abrir vi que tinha um alicate, dez tipos de esmalte, algodão, removedor de esmalte, bem, ali havia de tudo.

Sentei-me na cama e as primeiras que foram feitas foram às unhas dos meus pés, depois foi as das minhas mãos e escolhi a cor rosa.

23:15min da noite marcava o relógio quando ela terminou.

—Poxa Mary, valeu mesmo por quebrar esse galhão. Falei olhando para as minhas unhas que estavam outras. -Adorei!

—Dei o meu jeito, agora eu vou descer para dormir.

—Tenha uma boa noite e eu não tenho dinheiro pra lhe pagar. Um dia eu lhe pago.

—Deixe de bobeira, fiz porque gosto muito de você.

—Eu também Mary. Tenha um bom descanso.

—Terei. Falou ela sorrindo e se levantou, foi no banheiro jogar a água que usou para deixar as minhas unhas de molho e voltou.

—Tchau.

—Tchau. Falou ela abrindo a porta e saiu.

Com cuidado eu me recostei na cabeceira da cama e esperei o Esmalte secar de tudo. Já estava bem tarde quando eles ficaram totalmente secos e me levantei para ir fazer xixi, fiz o que tinha que fazer no banheiro e voltei para o quarto.

Desliguei a televisão e o abajur, finalmente eu comecei a sentir o sono me invadindo e dormi livre da presença de Edward nessa noite.

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Terça feira, 24 de Dezembro.

10:20min da manhã.

—Acorda dorminhocaaa. Falou Alice me sacudindo de leve e abri os meus olhos. –Bom dia.

—Para você também Alice. Ai que cansaço!

—Trouxe o seu café e o seu remédio.

—É verdade, já tinha me esquecido. Falei me sentando.

—Dormiu bem?

—Ótimo eu diria, isso pelo o seu primo estar longe daqui.

—Sei. Agora coma.

—Está tão cheiroso que me deu água na boca de imediato.

—É tudo para você, se delicie. Após ela falar sorrimos. –Vejo que está produzida.

—É, Mary deu um trato nas minhas unhas pra mim e ficou muito bonito. Quanto tempo eu não as vejo assim.

—Estou vendo. Irá se juntar a nós mais tarde.

—Desculpe Alice, mas eu não vou não e não me leve a mal.

—Contamos com você, já é da família e tem um bebê que é o meu primo e afilhado dentro da sua barriga.

—Não exagera Alice, você sabe que Edward não irá assumi-lo. Para ele o bebê é do Jacob.

—Cedo ou mais tarde cairá à ficha.

—Não irei descer, vocês estarão com visita e Edward com a companhia dele. Não irei me sentir bem entende?

—Eu estarei lá com você e tem roupas, sapatos, tudo que você precisa para estar se sentindo bem.

—Eu agradeço a sua gentileza, mas não.

—Minha tia conta com você, poxa! Ela gosta tanto de nós.

—Estou triste por ter que desapontá-la, mas estou aqui todos os dias mesmo.

—Está sendo uma ingrata! Mais não irei insistir e parecer uma chata. Preciso ir ajudar Mary na cozinha.

—Sinto muito por não poder ajudar.

—Não tem problemas. Falou ela se levantando. –Volto para pegar a bandeja depois.

—Não fica chateada.

—Infelizmente eu fiquei, não vejo o porquê se esconder nesse quarto. Já não basta ter que ficar dentro dele o dia inteiro e obrigada a isso?

—Não fui eu quem procurou por isso Alice.

Ela saiu do quarto e senti que ficou muito chateada, mas ela tinha que entender a minha situação também. Eu não estava gostando de ter que desapontá-las, o pior era o primo dela que poderia ficar me chateando na frente dos outros. Isso é que não!

Mary disse para mim encará-lo, mas eu tentava de verdade e nos argumentos com ofensas ele acabava me vencendo deixando-me mal. De alguma forma eu teria que superar e fazer como ela falou, impor limite. Mas como?

Peguei uma revista e fiquei lendo, era o melhor a se fazer.

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Às 12:40min do dia.

Eu continuava lendo uma outra revista quando escutei um falatório do lado de fora. Não era briga e sim uma quantidade de gente falando junto, diria que conversavam de forma descontraída.

Reconheci a voz de Esme e de Alice, mas havia duas vozes desconhecidas por mim de um homem e uma mulher. Fiquei ouvindo e prestando atenção.

—Meu irmão tem vindo aqui? Perguntou o homem.

—Por milagre nos falamos por telefone, mas acho melhor não tocarmos no assunto. Irei ver se a pessoa que falei a respeito estar acordada. Ela é um doce de pessoa apesar daquilo que contei para vocês.

—É um pouco estranho para nós saber disso. A filha do traf..

—Bernadete,menos.

—Não é isso que está pensando Esme, é que é estranho. Só isso.

—É estranho, mas ela não tem culpa de nada.

—Edward diz o contrário.

Eu escutei um pedaço da conversa e imediatamente eu coloquei a revista de lado. Deitei-me na cama e fechei os meus olhos na hora que a porta abriu. Eu fingiria que estava dormindo e o meu coração estava acelerado nesse momento. Escutei os passos deles vindo até próximo de mim e tentei ficar o mais imóvel possível.

—Então é essa a mocinha de quem nos falou?

—Sim Bernadete.

—Veja só ela amor, é uma moça bem jovem. Uma menina moça ainda, nossa! Falou a mulher.

—É uma mulher amor, já está até grávida. Eu escutava tudo de olhos fechados.

—Sim do meu filho.

—Minha mãe insiste nessa loucura tia, mas o bebê é do ex-namorado dela.

—Tem certeza disso filho? Perguntou ela a Edward que provavelmente acabava de entrar no quarto.

—Sim. Ela namorava um engomadinho mauricinho antes.

—Então porque vocês a mantém aqui já que o bebê não é dele?

—Ele sabe que é e eu tenho os meus motivos para falar que sim. Ele só não aprova porque Isabela é....

—Filha de marginais. Completou o homem e aquilo me deixou mal, apesar de que era a mais pura verdade.

—Diria que pessoas fora da lei. Não a culpo por não saber de nada.

—Isso foi o que ela contou para minha mãe e ela acreditou. Como é que uma pessoa que não vem de berço de ouro vive num prédio de luxo? Anda pra cima e pra baixo com roupas caras e para completar ela estudava em um colégio caríssimo só pra filho de bacanas. Como é que ela não sabia de nada?

—Eles mentiam para ela.

—Não acredito! Falou Edward simplesmente.

—Não sei o que falar, é uma situação embaraçosa tê-la dentro da casa de vocês. Pode haver pessoas do bando dos pais dela e virem atrás de vocês.

—Isabella está sozinha e ela teve a chance de prejudicar o meu filho ao fugir, mas não fez. Foi o meu filho quem a capturou de volta e é isso. Isabella é uma jovem muito simpática e autentica, fala o que dar na telha. Não vejo a hora do meu neto nascer.

—Como tem tanta convicção de que ele é o seu neto? Perguntou a mulher.

—Edward a est......

—Vamos esquecer esse assunto mãe? Não vamos continuar com isso! Falou ele chateado.

—Não quer que eu fale a verdade?

—Que verdade? Perguntou a mulher curiosa.

—Deixa pra lá, hoje é Natal e eu não quero estragar o dia. Falou Esme.

—Também acho! Todos concordaram.

—Ela é uma jovem bonita. Falou a mulher.

—Sim ela é. Afirmou Esme. –Mesmo não enxergando, Isabella é uma pessoa linda de sentimentos e tem palavras de conforto nos momentos que eu mais preciso. Não a conhecem mesmo!

—Vamos sair do quarto, não iremos ser indelicados por expiar o sono da moça.

—Concordo. Falou o homem.

Todos saíram do quarto e a porta foi fechada, imediatamente eu abri os meus olhos e dei de cara com a última pessoa que eu queria ver ali, Edward.

—O que está fazendo aqui ainda? Perguntei demonstrado raiva.

—Então estava fingindo? Perguntou ele de forma cínica. –Sempre soube que você fingia bem e estou certo quando falo que você é uma mulher astuta.

—Eu estava fingindo mesmo, foi necessário pra evitar passar vergonha por sua causa!

—Por minha causa? Conta outra! Falou ele vindo até a mim e ficou ao lado da cama em pé. –Pro seu governo eu não quero que desça mais tarde!

—Pro seu governo eu não faço questão!

—Eu acho isso bom! Poupe-nos de constrangimentos.

—Eu que fico constrangida com a sua presença quando me toca a força e saiba que tudo isso me dá asco!

—Digo o mesmo garota enxerida!

—Se sou tão enxerida, porque você vem dormir aqui e até tentou me beijar a força?

—Como eu já disse, eu faço o que eu quero.

—Nunca se passou pela sua cabeça que eu sou uma mulher bonita, tenho um belo corpo e que você pode realmente gostar quando faz?

—Só pode estar louca mesmo. Os homens gostam de se divertir um pouco e você me deixa quase saciado, mas tenho em mente que não é o bastante. É fraquinha e precisa aprender muito ainda.

—Para você eu faço questão de ser. Você não é tão bom assim e sinto nojo de verdade.

—Diga o que quiser, sei que não é verdade. Mastiga-me quando estou em você e tenta disfarça, sei quando a mulher estar gostando e só não lhe dou uma boa lição agora por causa do seu filhote sensível aí na sua barriga. Tenho pena dele por ter uma mãe....

—Esse filhote também é seu!

—Blasfêmias Swan! E poupe-me, por favor! Não te quero e nada que seja com você!

—Isso me deixa bastante aliviada. Agora saia do quarto!

—Quando me der vontade eu saio, não sou cachorro para ser enxotado.

—Os cachorros são puros e inocentes, bem ao contrário de você!

—Obrigado pelo elogio, vindo de uma raposa me sinto até lisonjeado.

Respirei por duas vezes fundo e me sentei na cama, levantei devagar e fui para o banheiro batendo a porta audivelmente. Lembrei-me de trancá-la e fiquei em frente ao espelho olhando-me por um bom tempo.

—Ele não vai conseguir me tirar do sério. Esse foi o mantra que eu repeti por várias vezes e lavei o meu rosto ausente de lágrimas.

Fiz xixi e lavei as minhas mãos, ao sair do banheiro ele não estava mais ali. Dei graças a Deus.

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Às 13:10min da tarde.

Alice trouxe o meu almoço e me contou que os pais dela já haviam chegado. Disse também que estavam todos lá em baixo conversando e que a mãe dela estava a ajudando nos preparos também.

Demonstrei empolgação pra não desagradar e ela se foi prometendo voltar pra buscar a bandeja. Comecei a comer pensativa, Edward estava doido para me ver pelas costas, mas pela primeira vez eu o desafiaria. Eu percebi que ele não quis contar a respeito de que havia me estuprado por diversas vezes para os tios, talvez por vergonha. Sendo que já estava feito e eu muito bem grávida dele.

Pensei seriamente em descer, isso lhe mataria de raiva, mas eu desceria. Acho não, eu tinha certeza que o melhor seria ficar repousando, mas eu daria uma pequena amostra a ele que eu também era capaz de enfrentá-lo.

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Alice veio buscar a bandeja e eu fique assistindo televisão até uma certa hora da tarde. Fui até o banheiro lavar somente a minha cabeça e a sequei. Passei creme e penteei os meus cabelos bem. Voltei pro quarto e quando senti os meus cabelos úmidos, eu dei um jeito neles igual a minha cara enrolando-os com o meu dedo e colocando grampos para prender.

Tranquei a porta do quarto e fiquei deitada durante o restante da tarde.

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Às 19h da noite.

—Isabella. Chamou-me Alice do outro lado da porta.

—O que foi Alice?

—Não vai mesmo descer?

—Não.

—Estão todos se aprontando, ficou tão legal.

—Divirta-se Alice.

—Ok. Falou ela desanimada e se afastou.

Sorri no meu íntimo e fui para o banheiro tomar o meu banho.

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19:35min da noite.

Saí do banho e fui fazer a minha maquiagem. A mesma era marcante em tom esfumaçado para valorizar os meus olhos. Finalizei com batom vermelho. Passei creme no corpo e me perfumei, por último foi soltar o meu cabelo e ficaram jeitosinhos até. Eles estavam com cachos grossos até o meu ombro e um pouco volumosos, muito bonitos eu aprovei o visual. Fui para o closet e escutei Edward sorrindo ao longe.

—Falso! Falei para mim mesma.

Escolhi o que vestir, era uma peça elegante que ia até o meu tornozelo. O sapato de salto vermelho de bico fino era meigo, diria que foi uma combinação perfeita, ambos na cor vermelho.

Eu estava realmente arrasando, minha barriga estava pouco saliente e meus seios parecendo que iriam estourar e pular para fora do vestido. Sorri ao me olhar no espelho e passei um pouco do perfume que Alice havia comprado para mim. Eu não tinha joias para usar como antigamente, isso porque as minhas não estavam ali e corajosa eu saí do closet. Arrumei a cama e abri a porta do quarto, eu não estava sentindo dor alguma, mas estava abusando com toda a certeza. O corredor estava vazio e fechei a porta do quarto.

Na medida que eu fui caminhando eu fui escutando a conversa no andar de baixo. Estavam conversando de forma descontraída e desci o primeiro degrau, depois o outro e assim sucessivamente devagar com elegância. O bar em frente à escada estava iluminado por hoje haver festa e entrei de uma vez na sala sorrindo. O ambiente estava todo arrumadinho para o Natal, a mesa estava muito linda e farta, mas estava sem música que pela minha dedução ser o primeiro Natal de luto. Eu também estava de luto, mas não deixaria a minha bola cair, eu tinha um propósito ali em baixo.

Os olhares na minha direção eram impagáveis, sendo que Esme estava boiando por não poder enxergar. Entrei causando surpresa para a Alice que ao me ver sorriu abertamente e constatei que eu estava realmente bem. Edward estava ao lado de uma moça que usava um vestido longo azul de alça fina e sapatos branco. Muito bonito todo o conjunto, inclusive ela.

Ele me olhou por uns segundos e fechou a cara para mim, até a moça que estava ao lado dele demonstrou surpresa com a minha pessoa e sorri levemente, devia estar se perguntando quem eu era. Eu não tinha nada contra ela desde que me respeitasse claro.

Bernadete era uma mulher muito bonita e Alice era a cópia da mãe. O pai era um homem alto e me lembrava muito Carlisle, apenas seus olhos que eram de um castanho bem claro. Ambos me olhavam muito e a mulher olhou pra Alice.

—Por que o silêncio? Perguntou Esme que estava linda em um vestido floral.

—Eu resolvi descer. Falei pela primeira vez e ela sorriu pra valer.

—Não acredito. Falou ela sorrindo e fui até ela lhe dar um abraço, os outros ficaram me olhando por fazer isso e ela aceitar numa boa. Diria que os senti incomodados com esse ato meu.

—Não quis fazer uma desfeita Esme, mas não posso abusar por causa da gravidez.

—Mas é claro que não. Disse ela acariciando a minha barriga após tatear-me e sorriu. –Essa é Isabella.

—Olá. Falei sorrindo e o homem me cumprimentou com um aperto de mão, já a mulher me deu dois beijos na bochecha e ambos olhares eram curiosos e especulador sobre mim. Eles não tinham culpa por agir assim, era apenas zelo com os parentes.

—Espero não estar atrapalhando. Falei sorrindo levemente e olhei pra Edward. –Isso serve para você também. Ele olhou para mim de forma séria e continuou conversando com a moça ignorando-me, sendo que a mesma ainda continuava olhando para mim.

—Então finalmente conhecemos a Isabella Swan? Perguntou o homem bebendo um pouco de sua bebida.

—Em pessoa e lamento por tudo. Acho que não me cansarei de repetir isso para todos vocês, mas não aceitarei que me julguem sem me conhecer.

—Ninguém fará isso filha. Agora se sente.

—Tudo bem Esme.

—Quer beber algo?

—Eu aceito sim.

—Traga algo para ela filho. Pediu Esme a Edward.

—Não tenho a obrigação mãe.

—Deixe Esme, eu mesma posso ir.

—Mas...

—Relaxe, eu estou bem.

—Não é certo filha.

—Volto já.

Levantei-me devagar e fui caminhando de forma sutil pela sala tendo como destino a cozinha, mas estando no meio do corredor já eu fui puxada por Edward e obrigada a entrar no escritório da casa a força.

—Me solta seu bruto! Ai me solte Edward!

—Eu avisei que não era pra você descer! Falou ele entre os dentes e me olhando de forma a me desafiar.

—Quem te disse que lhe devo obediência?

—Está sob o meu teto, na minha casa e se intrometendo no meio da minha família!

—Vamos simplificar, me deixe livre de uma vez e fim de assunto!

—Claro! É o seu sonho voltar correndo para aquele almofadinha engomado!

—E se fosse? Perguntei o desafiando. -Ele pelo menos gostava de trepar comigo e não me diminuía na frente dos outros, me dava joias e roupas bem caras por sinal. Esqueceu de quem eu sou filha? Você mesmo vive me jogando isso na cara que resolvi aceitar essa realidade seu estúpido!

—Então se vendia em troca de luxo?

—Não exatamente, ele era o meu namorado lembra?

—Como iria me esquecer? Disse ele me empurrando contra a parede e me manteve presa ali, juro que fiquei serena com os atos e ofensas dele. –Desceu a fim de me provocar não foi?

—Se eu dissesse que sim, hum?

—Vai voltar para o quarto agora da mesma forma que você veio! E tire essa roupa um tanto vulgar!

—Não irá me dominar Edward Cullen! Eu já suportei você demais. Está incomodado com a minha presença? Está vendo o quanto eu sou bonita e desejada por muitos fora desse lugar? Perguntei sorrindo e ele olhou para os meus lábios com batom vermelho sangue. –Você não tem coragem de contar que eu fui estuprada por você para os titios? Tem vergonha? O provoquei.

—Certas pessoas não precisam saber de tudo que se passa em nossas vidas!

—Eu diria que tem vergonha desse ato pecaminoso por você ser o queridinho deles, mas já foi cometido seu imprestável!

—Fique bem calada já que a sua intenção é me provocar! Ou irá se ver comigo!

—Fará o que? Me matará carregando um filho seu? Estando eu gerando uma vida na barriga?

—Sou capaz de muitas coisas! Você me tira do sério e rouba toda a minha paciência!

—Não acredito. Agora me solte de uma vez!

—E se eu não quiser? Perguntou ele colando o corpo dele contra o meu.

—Mas vai! Agora desencoste de mim! Tentei empurrá-lo.

—Não irei não! Falou ele me prendendo com uma mão e com a outra ele acariciou o meu seio sobre o vestido. –É uma puta até que deliciosa algumas vezes, mas só algumas vezes já que é sem graça. Falou ele descendo a mão pelo o meu corpo e entrou com ela sob a minha roupa. Sem pudor ele me acariciou lá me causando milhares de faíscas naquele ponto e tentei a todo custo ignorar as sensações olhando para ele bem séria.

—Se convença de que é sempre. Falei entrando no maldito jogo dele e levei a minha mão até os seus ombros. Puxei os seus cabelos de leve e me aproximei deixando o meu corpo se encostar mais ao dele. Sentindo raiva eu distribuí beijos pelo pescoço dele e ele se afastou de mim me olhando com ódio. –Que foi? Perguntei indo até ele novamente e o empurrei no sofá, imediatamente ele caiu sentado me olhando surpreso e me sentei sobre ele rapidamente. –Está tão ruim assim para você? Perguntei falando diretamente no ouvido dele e movi o meu corpo no dele lentamente. Ele não estava resistindo a minha lábia, mas mesmo o seu rosto demonstrando raiva consigo mesmo e comigo, ele não estava resistindo e apertou a minha cintura. Beijei o outro lado do pescoço dele e corri com os meus dedos pelo peito, barriga e ameaçando a colocar a mão lá, mas eu estava brincando com a cara dele e mal ele sabia. Eu o sentia muito excitado e a ponto de furar as próprias calças, mas para dar o bote final vendo a sua rendição eu me aproximei do rosto dele. Eu iria beijá-lo, mas me afastei sorrindo pra valer e me levantei. Seu ódio era mortal comigo e seu olhar me fez temer.

—Viu como eu sou capaz de enlouquecer até as piores criaturas? Cuspi as palavras com amargura.

—É uma vadia astuta!

—A qual comeria agora mesmo se eu quisesse, mas tem outra lá fora te esperando. Após eu dizer isso ele me estapeou em cheio no rosto e eu sorri mesmo morrendo de raiva dele.

—Não confunda as pessoas com você! Falou ele se levantando e me segurando pelo pescoço

—Pode me bater, sei que de alguma forma eu mexo com você Edward Cullen.

—Trepar não significar ter sentimentos por alguém!

—É mesmo? Perguntei colocando a mão no fecho da calça dele e a abri, ele olhava para mim e o toquei intimamente mesmo me detestando por fazer isso após ele me xingar de forma tão cruel. Ele não resistia mesmo estando dominado pela raiva e cheguei a molhar os meus dedos na excitação dele. Sem eu esperar ele me colocou sentada sobre a mesa e rasgou a minha calcinha, assustada eu cheguei a me esquivar e ele ficou no meio de minhas pernas.

—Continuei me provocando sua bruxa! Sei que não presta!

—Me solte! Falei sentindo sua excitação em mim. –Eu não posso ter relações com ninguém, já esqueceu seu monstro? Solte-me!

—Não me esqueci não! Aprenda a me respeitar garotinha! Falou ele apertando o meu pescoço causando-me agonia e saiu de perto de mim. –Agora dê o fora e suba de uma vez! Disse ele me soltando e tossi pelo enforque dele.

Sai das garras dele o recriminando com o meu olhar e saí do escritório segurando a minha calcinha. Fui até o banheiro social e me ajeitei em frente ao espelho. Eu havia brincado com fogo e me queimei, eu nunca mais iria fazer isso outra vez, não desta forma que por pouco ele me penetraria mesmo eu não tendo condições ou até me enforcaria como chegou a fazer. Por fim eu me ajeitei e fui até a cozinha pegar o que beber, mas a mesma estava vazia naquele momento e não demorou segundos Mary apareceu.

—Está linda!

—Obrigado. Falei sorrindo, mas o meu humor estava péssimo.

—Parece outra arrumada dessa maneira. Tornou a ser madame? Perguntou ela sorrindo.

—Estou mais para a plebeia Mary.

—Está com fome?

—Um pouco.

—Não devia estar andando Isabella. Não que eu queira me meter na sua vida, mas não abuse para o seu bem. Você viu o que aconteceu!

—É eu sei. Não irei me demorar.

—Está com cara de quem andou aprontando. E o que é isso no seu pescoço?

—O quê?

—Está muito vermelha aí.

—Não é nada, acho que é uma alergia.

—Sei. Falou ela me olhando e foi arrumar as coisas.

—Vim beber algo. Estou com sede.

—Tem suco, cerveja que não é para você, tem vinho idem e drink suave. Esse você pode por não ser alcoólico.

—Prefiro o drink mesmo.

—Ok. Falou ela indo até a geladeira e me serviu em uma taça. –O patrãozinho já te viu aqui em baixo?

—Sim.

—E?

—E que ele detestou e me mandou subir.

—Na frente dos outros isso?

—Não, ele me barrou ao vir para a cozinha.

—Ah! Agora eu entendi. Ele a machucou, por isso está vermelha no pescoço.

—Está muito visível?

—Um pouco por você ser bem branca. Mas você está uma gata e ele a trata dessa forma?

—Sou filha de traficantes os quais os prejudicaram. Lembra-se?

—Claro que sim.

—Isso foi o que a minha cunhada me falou. Disse a mãe de Alice entrando no cômodo e Mary se afastou na hora para continuar trabalhando.

—É a mais pura verdade.

—Sua presença aqui não oferece perigo a eles?

—Claro que não, seu sobrinho já se livrou de todos eles.

—Estou por fora de certos detalhes, mas curiosa por Esme afirmar que você espera um filho de Edward. Claro que a Juju, digo Julieta não sabe por sermos discretos

—Sim, é a mais pura verdade e esse bebê é mesmo dele. Do contrário eu já estaria longe e não enganaria a cunhada do seu marido.

—Compreendo. O que aconteceu com a nossa família foi trágico demais.

—Sei perfeitamente e o que está acontecendo comigo também é! Sou apenas uma adolescente grávida e indefesa, apenas isso. Falei segurando a minha taça e passei por ela.

Voltei pra sala e ganhei uma olhada assassina de Edward. Fingi não ver e me sentei ao lado de Esme.

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Às 22h da noite.

Estávamos todos sentados conversando, digo, eu, Esme, Alice e o pai dela que da mesma forma continuava apreensivo com a minha presença ali. O mesmo estava à esposa dele.

Edward conversava com a tal Julieta empolgado e vez ou outra ela colocava a mão dela na dele. Vice e versa eu diria, era como se tivesse pintando um clima. Eu olhava enojada para essa situação e Alice me olhava.

—Gostei de tudo! Como arrumou o cabelo?

—Tenho os meus meios. Segredos de mulher. Falei sorrindo levemente e o olhar dela varreu o meu pescoço, mas foi discreta em não comentar.

—Sente-se bem?

—Sim, perfeitamente Alice.

—Tire o calçado e se aconchegue melhor no sofá, vai fazer bem para você.

—Ok, Ok. Falei numa boa e me ajeitei de forma a ficar mais confortável, do outro lado Edward prestou a atenção em nós e continuou conversando com a moça.

—Melhor assim não acha? Perguntou ela por eu estar a bem dizer deitada no sofá.

—Está sim.

—Quer comer algo? Tem bastante coisa na mesa.

—Aceito uma rabanada somente.

—Vou trazer.

Alice se afastou e eu continuei filmando o casal que conversava de maneira tão descontraída. Sem me dar conta eu comecei a acariciar a minha barriga e Alice me trouxe um pratinho de sobremesa contendo três rabanadas grandes.

—É muito Alice!

—Coma, o meu priminho irá gostar. Falou ela sorrindo. –Está uma delícia.

—Acho melhor não provocar o seu primo.

—O Deixe pra lá, ele está tão entretido com a Julieta que daqui a pouco a pobre coitada acabará na cama dele.

—Ela gosta dele?

—Somos amigas em comum e desconfio que eles tiveram um lance, não ando sempre com o Edward e nem com ela. Sabe como é homem.

—Sei perfeitamente. Falei começando a comer a rabanada e estava mesmo deliciosa. –Está muito boa. Eu disse sorrindo levemente e olhei para o pai do bebê que estava em minha barriga.

—Algum problema? Perguntou Alice me olhando.

—Não, nenhum. Disse disfarçando colocando a rabanada na boca e procurei não olhar mais naquela direção. Era curioso vê-lo tão diferente conversando com as outras pessoas.

Era ruim essa situação porque eu sempre almejei ter filhos estando muito bem casada com um homem que me amasse de verdade. Que o filho chegasse encontrando um ambiente de paz onde os pais fossem muito bem unido, mas Edward não me suportava e eu vivia constantemente magoada com ele.

Agora ali eu vendo os dois conversando de forma tão sadia, como duas pessoas civilizadas eu via a diferença que era quando na minha vez. Está certo que os meus pais causaram grandes danos, mas eu não sabia o que exatamente eles roubaram deles para provocar muita fúria nos reais donos. Dizendo Esme, eles transportavam coisas de valores e devia ser isso.

Terminei de comer sentindo que as lágrimas queriam vir, mas as prendi de forma heroica. Eu não queria que me vissem chorando e agora eu percebia que o quanto eu fiquei sensível com a gravidez. Eu estava insuportando as reações dela em mim e me sentia fraca. Edward envolveu o pescoço da moça e falou algo no ouvido dela que a fez sorrir pra valer, eles continuaram conversando numa boa e bem entrosados um com o outro. Havia certa intimidade ali.

Bebi um pouco de água e comi as outras besteirinhas que Alice pegou pra mim. Não esperando, aliás, ninguém esperava e Carlisle chegou dando boa noite a todo aparentemente bem abatido. Ao me ver ali ele olhou para o filho com um sinal de interrogação, mas ficou quieto e foi até a esposa falar com ela. Esme não estava esperando e acho que nem ele ao ver a Esposa ali tão bonita conversando com os demais tão à vontade. Antes ela não saia do quarto e vivia chorando com razão, mas encontrou pessoas em quem se apoiar sentimentalmente.

Ela o cumprimentou sem haver beijo na boca, afinal ela estava magoada com ele e com muita razão. Mas ambos estavam deflorados com a própria sorte e resolveriam isso de uma forma que fosse melhor para os dois estando a sós. Ela o amava e eu não sabia nada a respeito dele, pouco nos falamos. Não o julgaria sem saber suas reais razões, mas não foi correto o que ele fez de qualquer jeito e estava fazendo com a Esme.

Por fim ele se sentou ao lado dela e continuaram conversando, pobre mulher eu a observada e peguei o olhar de Edward na minha direção, não pude evitar e abaixei a minha cabeça por me sentir em parte culpada de tudo que acontecia ali.

—Alice, eu irei subir agora. Sinto que as minhas energias foram todas gastas.

—Mas nem jantamos ainda.

—Eu sei Alice, mas já me esforcei por vocês vindo um pouco aqui em baixo.

—Tudo bem. Falou ela sorrindo levemente. –Levarei a comida para você depois.

—Eu agradeço essa gentileza.

—Ok. Pedirei que o segurança a leve, vá descalça mesmo para ficar mais à vontade.

—Ele irá me levar no colo?

—Algum problema nisso? Você já aprontou demais e me sentirei culpada se você passar mal depois.

—Tudo bem Alice.

Ela se levantou e foi até o segurança que costumava levar comida para mim. Ela falou com ele e ele veio até a mim atraindo a atenção de todos. Que vergonha eu senti nesse momento.

—A senhorita Alice pediu para mim subi-la.

—Sou um pouco pesada. Falei sorrindo levemente, ele não era tão antipático como tinha uns ali.

—Não irei deixá-la cair.

—Tudo bem. Falei olhando para ele e olhei para os outros. –Desculpem-me e tenham uma boa noite. Preciso me ausentar e com licença. Após eu falar o segurança me pegou com cuidado no colo e cheguei a pensar que era exagero da Alice.

—Boa noite. Falaram eles, menos Edward que olhava toda a cena calado.

Carlisle ficou me olhando perdido em pensamentos e talvez não devia saber da minha gravidez. O rapaz me carregou com uma facilidade e subimos as escadas comigo olhando para a frente e não para trás a fim de ver a reação deles.

Chegamos no quarto e ele de forma gentil me colocou na cama.

—Soube que está grávida e que está com um pequeno problema. É verdade?

—É sim. Falei normalmente mediante a simpatia do rapaz. –Tive um leve descolamento de placenta.

—Nossa!

—Pois é! Falei me recostando na cabeceira da cama.

—Imagino que para você deva ser bem ruim ficar aqui presa.

—Já me acostumei por causa da Esme, mas não nego que sinto saudades dos meus amigos.

—Imagino. Tenho que descer e tenha de alguma forma uma boa noite de Natal.

—Para você também e obrigado por me trazer.

—É o meu trabalho. Irei deixar o seu sapato aqui ao lado da cama.

—Tudo bem.

Ele saiu do quarto e eu fiquei no silêncio sentada na cama. Lembrar dos meus amigos me trouxe as lágrimas e as deixei cair.

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45min depois.

Eu olhava os minutos do relógio se passando e escutei uma batida leve na porta.

—Sou eu filha.

—Está aberta Esme. Falei secando as minhas lágrimas.

O segurança abriu a porta pra ela e a trouxe até a cama.

—Obrigado querido. Falou ela de forma gentil e se sentou ao meu lado.

—Quando quiser descer eu estarei do lado de fora.

—Tudo bem. Ele saiu do quarto e ficamos a sós em silêncio.

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4min depois.

—Que bom que o seu marido veio para passar o Natal em família.

—Estamos bem dizer como amigos, isso por eu escolher assim. Ele me abandonou bella.

—Eu a entendo perfeitamente. Ficamos magoadas com facilidade.

—Sim é verdade. Logo, logo comeremos e Alice disse que virá trazer a sua comida.

—É ela me falou. Carlisle comentou alguma coisa ao meu respeito?

—Meu marido é reservado, acredito que quando estivermos a sós em alguma ocasião ele irá tocar no assunto.

—Está tarde para ir embora há essa hora.

—Ele dormirá aqui em um dos quartos de hospedes.

—Não há chance de perdoá-lo?

—Depois do que aconteceu ele ficou traumatizado e talvez com nojo de me tocar. Disse ela deixando as lágrimas rolarem.

—Mas ele veio ver vocês e o Natal é família reunida. Não passo a mão na cabeça dele pelo o que está fazendo ao se manter afastado, mas teve consideração em vir mesmo sendo difícil para ele. Acho que devem conversar como marido e mulher. É o melhor meio em se entenderem, sinto que mesmo traumatizado ele a ama. Sinto-me intrometida a me meter na intimidade de vocês, mas gostaria de vê-los reunidos outra vez como eu soube que era antes. Você é melhor que ninguém para saber se ele realmente a ama. Acha que acabou o amor?

—Ele diz que me ama por telefone, mas não suporta ver o que fizeram comigo.

—Talvez ele precise de um psicólogo e até o Edward mesmo.

—Ele vai se encrespar comigo, digo o meu filho e ele achará que eu estou chamando-o de maluco.

—Diga a ele que psicólogo é diferente de psiquiatra.

—Edward é um pouco intenso, sabe bem como ele é.

—Sei sim. Mas mesmo assim converse com o seu marido e diga que sente saudades dele. Diga que sente falta da companhia dele como esposa e como mulher. Todas nós precisamos ser amadas.

—E você mais que ninguém também merece. Irei conversar com ele, pessoalmente tudo é melhor.

—Eu concordo. Desculpe o estrago que os meus pais fizeram na sua família Esme. Falei a abraçando e fui retribuída. –Hoje é mais um dia que estou pra lá de sensível e precisando de um colo. O destino nos prega cada peça. Falei secando as minhas lágrimas e sorri levemente.

—Eu sei disso. Mas não quero que fique triste.

—Vou tentar.

—O segurança pode descê-la outra vez se quiser.

—Não Esme e obrigado de verdade. Estou bem aqui.

—Só não quero que se sinta excluída minha querida, independente do que o meu filho te fale, saiba que para mim você é da família. Não podemos concertar um erro com um outro.

—É por isso que eu te adoro. Falei a abraçando ainda mais. –Obrigado.

—Vou dar atenção aos outros e não sabe como a minha cunhada está curiosa a seu respeito.

—Ela tem medo, mas eu não tenho ninguém. Todos já estão mortos mesmo.

—Depois eu venho com a minha sobrinha.

—Ta bom.

Esme chamou o segurança e se foi, já eu aproveitei para ir ao banheiro tomar um banho e tirar toda a maquiagem do rosto. Lavei-me sem molhar os meus cabelos e me sequei. Vesti a camisola pendurada em um dos cabides do closet e penteei o meu cabelo com o pente a fim de prendê-los.

Voltei para o quarto e me deitei para assistir televisão, o sono queria me pegar a toda maneira e me mantive firme olhando para a tv. Alguns canais passavam filmes natalinos e fiquei assistindo um chamado “Um Natal muito louco” era até engraçado. Olhei para o relógio e faltava vinte para a meia noite agora.

Alice entrou no quarto trazendo a minha janta e fora outras besteirinhas de sobremesa.

—Como prometi.

—Obrigado, por pouco eu não dormi.

—Eu iria te acordar, não duvide de mim! Falou ela brincando.

—Sei disso.

—Sua vitamina está aí e volto para falar com você depois.

—Ta bom.

Comecei a comer quando ela se foi e estava deliciosa a comida. Comi com uma rapidez enorme por estar faminta e acabei com todos os doces que ela colocou ali para mim. Por último bebi o refrigerante e encostei-me na cabeceira da cama satisfeita. Meu estômago estava estourando e deixei a bandeja de lado após limpar a minha boca.

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00:00h em ponto.

Era meia noite em ponto e preferi o silêncio estando sob as cobertas. Eu já tinha escovado os meus dentes e só aguardava mesmo o sono vir. Fechei os meus olhos me lembrando dos meus pais e abracei o travesseiro.

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5min depois.

Alice, Esme, Carlisle e o outro casal vieram me cumprimentar. O casal estava escabreado, mas me trataram normalmente e acho que por educação.

Recebi os cumprimento de bom grado estando sentada na cama e com a coberta até o meio de minha cintura por causa da roupa imprópria. Depois Alice se retirou do quarto com os pais e ficamos nós três somente.

—Pra mim o meu filho já tinha parado com essa loucura. Falou o pai dele olhando para mim.

—Não se trata dele agora, eu estou dando e recebendo a ajuda da Esme, é uma troca. Não digo isso no sentido material.

—E tem me feito muito bem. Falou ela sorrindo e Carlisle olhou para a esposa que acabava de se sentar ao meu lado.

—A considero como uma grande amiga que está me dando uma grande força nesse momento. Falei segurando na mão dela.

—Esme me contou que está grávida do meu filho. Sinceramente eu estou abalado e chocado com essa notícia, caiu-me como uma bomba. Isso era algo que eu não esperava acontecer, é chocante na minha situação de pai.

—É a mais pura verdade senhor. Se caiu como uma bomba para o senhor imagina para mim.

—Pode me chamar de Carlisle apenas. Disse ele de forma simpática.

—Juro que eu não queria isso ou que premeditei algo, aconteceu de uma forma inaceitável pelos valores humanos!

—Ele a estuprou pelo amor de Deus! Disse ele exasperando e se acalmou novamente por eu estar olhando para ele assustada. –Eu não criei um monstro querida, pode acreditar nisso. Ele passou dos limites com você, sei que é uma inocente no meio dessa situação!

—Sim e acabei engravidando sem querer. Sou nova e ele acabou com a minha vida fazendo-me um bebê fora de hora. Olha a minha situação atual, estou desesperada sem saber o que esperar. Um filho é muita responsabilidade e eu mal despertei para a juventude. Falei deixando as lágrimas rolarem. –Eu pouco curti a minha juventude, estou perdida!

—Eu não concordo com esse tipo de coisa e terei uma conversa séria com o meu filho amanhã. Hoje ele está com a amiga ou sei lá o que, não gosto de me meter nos relacionamentos dele. Amanhã ele não me escapa quando estivermos a sós.

—Não! Deixe-o pra lá ou ele virá descontar a raiva em mim.

—Ele não vai não. Ordenarei que a deixe livre de uma vez!

—Ela não vai sair daqui! Falou Esme me abraçando como se me impedisse de fugir e deixou as lágrimas rolarem.

—Não podemos aprisioná-la Esme, estaríamos sendo injustos com a moça. Cada um deve ter a sua vida.

—É você tem razão. Falou ela se afastando e deixando as lágrimas rolarem mais ainda. –Não quero que fique aqui obrigada, mesmo tendo um neto nosso em sua barriga.

—Eu gostei daqui, eu juro. Falei entrelaçando os meus dedos nos dela. –Eu não tenho ninguém para olhar por mim no momento, mas não quero continuar sendo um estorvo no meio da família de vocês como eu venho me sentindo.

—Você sabe que não é assim filha e se quiser pode continuar aqui. Sabe que para mim você é como parte da família.

—Edward me maltrata e acha que sou culpada, ele não mudará nunca o pensamento em relação a mim Esme.

—Ele tem que consertar o erro que cometeu com você querida. Não posso permitir mais isso estando grávida e mesmo que não estivesse. Você não tem culpa! Esme me falou que está com complicações na gravidez.

—Mal posso andar e abusei para agradá-la ao descer um pouco hoje. É o mínimo que posso fazer pelo carinho dela para comigo, sei que ela teria toda a razão do mundo para me detestar. Digo todos vocês.

—Ela me contou que vocês se dão muito bem e que você a trata com respeito.

—É a mais pura verdade. Falei sorrindo. -Sem eu querer ser enxerida eu gostaria que fosse assim entre vocês também. Esme precisa de carinho e companheirismo da sua parte.

—Estou recebendo as suas palavras de bom grado. Disse ele sorrindo e coloquei a mão dela sobre a dele.

—É assim que deve ser. Falei ao ver ele segurando a mão da esposa e sorri. –O que aconteceu vai ficar marcado para sempre em nossos corações, mas quando o amor é verdadeiro ele supera o maior dos obstáculos. Tenham em mente isso e separados a tendência é piorar ainda mais. Formam uma família tão bonita. Não gosta mais da sua esposa?

—É claro que sim e deixo claro sempre que nos falamos. Está sendo difícil para mim.

—Então porque não fica ao lado dela?

—Por me sentir culpado e sinto que não a mereço por causa disso. Tenho os meus motivos.

—Os quais eu desconheço. Falou Esme acariciando a mão do marido e sorriu levemente.

—Dessa forma acabará os dois magoados, só tente fincar juntinhos um do outro. Não quero meter a colher suja, mas acho que a solução é vocês ficarem juntinhos um do outro mesmo. Esme sorriu secando uma lágrima e passou os dedos molhados no vestido floral muito lindo por sinal.

—Era de uma nora assim que precisamos. Falou Carlisle beijando a mão da esposa e eles sorriram.

—Tem razão, oro todos os dias para o meu filho mudar o jeito de ser. Não poderá viver para o resto da vida tomado de ódio e com desejo de vingança. Ele precisa de alguém.

—Ele tem a paquera dele, deixe-o viver como deseja. Nos odiamos pra valer e vocês sabem disso.

—Meu filho está igual cego em tiroteio. Falou Carlisle sorrindo e Esme o acompanhou. –Acho não, eu tenho certeza que ele precisa tomar uma direção na vida. Talvez sei o que fazer. Durma em paz querida e tome isso. Falou ele me entregando um cheque contendo cinco milhões de dólares. Era dinheiro demais e olhei para ele desacreditada, eu diria que bestificada pela quantidade ser gritante.

—Isso é para quê? Perguntei olhando aquela quantidade de zeros.

—É para você reconstruir a sua vida. Sei que é muito pouco mediante ao dano que o meu filho causou.

—Desculpe, mas eu não irei aceitar. Falei entregando o cheque de volta para ele.

—Não se acanhe é o mínimo que podemos fazer por você, nós podemos te dar mais se quiser. Alice nos contou que Edward quebrou o seu cartão e que você passou mal por causa disso. Sei que está sozinha no mundo também.

—Sim é verdade e se alguém me deve dinheiro é ele, mas posso reconstruir a minha vida trabalhando de forma honesta e sem ter que depender do dinheiro dos outros.

—Aceite o cheque, é seu. Insistiu ele colocando o papel de volta na minha mão.

—Muito obrigado, mas não. Falei rasgando o papel em mil pedacinhos sob o olhar surpreso dele e naquele momento eu tive certeza que ele me achou uma louca por desperdiçar tanto dinheiro. –Não se sinta mal por eu fazer isso e achei nobre a sua atitude, mas não......... Posso cuidar do meu filho com o meu esforço e não quero o dinheiro de vocês. Esse não é o meu propósito aqui e nunca será.

—Não haja com orgulho, uma criança gasta muito. Com quem você deixará o nosso neto quando precisar sair para trabalhar ou resolver assuntos? Por mais que ele tenha vindo de um ato grotesco, nós não iremos desamparar vocês.

—Eu darei o meu jeito, pode acreditar.

—Não pode confiar em qualquer um para olhar o seu filho e não admitirei que coloque a vida da criança em risco na mão de qualquer um. Meu filho irá consertar isso de qualquer maneira e eu exijo isso vocês querendo ou não! Isso está mais do que certo para mim agora.

—O que pretende fazer? Perguntou Esme surpresa.

—Deixe isso comigo querida. Amanhã eu faço questão que você tome café conosco na sala. Disse ele olhando para mim. –Pedirei o segurança que venha lhe buscar como fez hoje.

—O que fará senhor? Quero dizer Carlisle.

—O que é o certo a se fazer quando há inocentes envolvido. Agora durma querida e tenha uma boa noite de descanso.

—Você também.

—Boa noite Isabella.

—Para você também Esme. Após falar eu a abracei. –Peça a ajuda da Alice e coloque algo bonito para o seu marido, sua pele está outra e acredito que melhor do que antes. Cochichei no ouvido dela.

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—Acho que não dará em nada. Sabe da situação.

—Tente e amoleça-o de alguma forma. Falei sorrindo e acariciei o rosto dela, ela me retribuiu com o gesto.

Eles saíram do quarto e me deite. Fiquei matutando qual seria os planos de Carlisle até pegar no sono.

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Quarta feira, 25 de dezembro.

10h da manhã.

Despertei com tuquinha latindo ao lado da cama e sorri ao ver Alice pegando a cadelinha no colo.

—Que despertador inovador. Falei sorrindo e ela me acompanhou.

—Em trinta minutos estaremos todos reunidos lá em baixo.

—Vou só escovar os meus dentes e colocar uma roupa.

—Ta bom.

Levantei-me devagar por me sentir bem sonolenta ainda e fui para o banheiro, decidi tomar um banho para acordar de uma vez e escovei os meus dentes estando enrolada na toalha ainda.

Passei um pouco de maquiagem no rosto e por último eu passei o batom. Ao sair no quarto Alice já segurava uma roupa e uma sandália baixa para mim, pelo visto ela tomou a liberdade de escolhê-la.

—Já escolhi, se não se importa.

—Claro que não! Falei segurando a roupa e fui vesti-la no banheiro. Era uma saia florida curtinha e uma blusa com babadinhos branca.

Penteei o meu cabelo ainda úmido e voltei para o quarto. Dei um jeitinho na cama e tuquinha não saia de trás de mim, seu latido fino muitas vezes me divertia.

—Pode chamar o segurança, eu já estou pronta.

—Ok.

Alice foi até a porta e chamou o segurança, de imediato ele veio e me pegou no colo. Descemos as escadas e ele me colocou no chão já estando na sala.

—Obrigado. O agradeci.

—De nada. Falou ele se afastando.

Olhei na direção da mesa e todos estavam ali me olhando, me ajeitei e caminhei muito sem jeito até a mesa.

—Bom dia. Falei colocando a mão nas costas da cadeira desocupada.

—Bom dia, querida. Falou Carlisle.

—Bom dia filha. Falou Esme.

—Bom dia. Falou o casal.

—Bom dia. Falou Julieta que estava ao lado de Edward por pura educação e me sentei tendo o olhar de Edward sobre mim, ele não disfarçava. Tentei não levar a provocação dele já cedo em consideração e Alice se sentou ao meu lado.

—Não se sinta acanhada. Falou ela no meu ouvido e sorriu ao se afastar.

—Impossível Alice, mas irei tentar.

—Não se intimide por causa de Edward.

—Ok. Falei pensativa, mal ela sabia que eu me sentia acanhada não só por causa de Edward e também por causa dos pais dela.

—Vamos comer. Eu não estou grávida igual a você, mas estou faminta.

—Somos duas. Falei sorrindo e Mary veio me servir. –Bom dia Mary.

—Bom dia Isabella. Falou ela sorrindo levemente. –Está bom de leite?

—Está sim, sinto-me um pouco enjoada hoje.

—Está aqui o seu remédio. Disse ela tirando-o do bolso um suporte para cápsulas e me entregou.

—Ah! Obrigado. Falei pegando-o e tirei um dali para tomar. Tornei a lhe devolver o suporte.

Comi calada e nunca olhando na direção de Edward, mas era possível sentir vez ou outra o olhar dele sobre mim. Alice sempre simpática puxava assunto comigo e eu sorria para ela sempre que ela me provocava risos. Observei Esme conversando de forma descontraída com a cunhada e eu me perguntava se estava tudo bem entre ela e o marido. Um casal sentia saudades um do outro quando separados e digo no quesito sexual, afinal um completava o outro, mas eu jamais perguntaria algo dessa categoria a ela. Eu não seria tão enxerida assim e sorri levemente sozinha. Percebi que eu ganhei um olhar da companheira de Edward, ela devia estar se perguntando quem era eu. Pode ser que Edward tenha contado a ela em sua versão torta e deixei para lá, sei que ele não comentaria que o bebê era dele já que o negava veemente.

Passei uma pastinha feita com queijo gorgonzola na torrada e comi, mas o cheirinho acentuado do queijo mexeu com o meu estômago e parei de comer na mesma hora, tentei controlar de forma inútil o rebuliço que aquilo causou lá dentro e Alice me olhou.

—Sente-se mal?

—Só um enjoo terrível.

—Nós mulheres ficamos muito enjoadas na gravidez. Disse Bernadete para mim de forma simples. –Alice me causou muito isso e seu pai teve que ter muita paciência comigo. Não foi amor? Perguntou a moça até jovem ao marido.

—É verdade. Falou ele sorrindo e beijou a testa da esposa cheio de carinho.

—Isso tudo é novo para mim. Falei tímida. -Estou tentando superar essa má fase. Falei sorrindo levemente e todos ficaram calados depois das minhas palavras, já Julieta estava boiando perante o silêncio. –Mas estou me acostumando já.

—É assim mesmo, logo os enjoos melhoram. Disse Esme de forma simples.

—Eu concordo. Falou Carlisle segurando na mão da esposa e ela sorriu levemente.

—Tomara então.

Continuamos a comer e olhei na direção de Edward depois de muito tempo, ele conversava de forma carinhosa com a moça e ela comia a uva dada por ele. Essa devia ser melhor que a Tânia, o tratamento era bem diferente entre os dois e desviei a minha atenção quando a mãe de Alice falou comigo.

—O que você deseja que seja, menino ou menina?

—Qualquer um está bom. Que venha com saúde já está de bom tamanho para mim.

—Isso mesmo. Afirmou ela e olhou para o marido.

—Em breve tudo mudará. Eu irei tomar o meu caminho de volta e cuidarei do bebê em meu lar. Falei me lembrando das palavras de Carlisle sobre a minha liberdade e por um lado eu queria mostrar para o casal que a minha intenção não era se hospedar de forma interesseira na casa dos parentes deles.

—Sabe que não precisa se sentir dessa forma, é da família. Sabe do que eu estou falando. Disse Esme entendendo o meu ponto de vista.

—Andou sonhando? Perguntou Edward de forma simples, mas eu podia sentir o peso através do seu olhar.

—Ultimamente sim. O desafiei.

—Edward, depois precisamos conversar.

—Como quiser pai. Disse ele olhando para mim e tornei a olhar para o meu prato cheio de torradinhas.

—Está tudo bem querido? Perguntou Julieta a ele.

—Entre nós sim, mas não se preocupe. Após ele falar eu escutei somente o estalo de um selinho entre eles e nem liguei.

—Está do seu agrado? Perguntou Alice chamando a minha atenção.

—Tudo perfeito Alice.

Senti-me satisfeita e limpei a minha boca. Fiquei olhando para a paisagem do lado de fora que era linda e estava nublado ainda, o tempo não havia melhorado. O lugar era mesmo lindo e entrelacei os meus dedos sob a toalha sem ter o que fazer, mas ao me lembrar do bebê, eu levei a minha mão até a minha barriga e deixei ali o tempo em que me encontrava perdida em pensamentos. Lembrei-me que hoje era aniversário de Jacob e quantas épocas boas nós passamos juntos, ele foi um canalha comigo, mas ainda me lembro do quanto nos divertíamos. Peguei-me sorrindo sem querer mesmo tendo milhares motivos para chorar.

—O que foi? Perguntou Alice curiosa.

—Estou me lembrando dos meus amigos e principalmente que hoje é o aniversário do Jacob.

—É hoje o aniversário do seu ex — namorado?

—É sim e deve haver uma grande festa lá, eles são festeiros demais. Falei pensativa e senti olhares sobre mim.

—Quer ligar para ele?

—Se meta na sua vida Alice! Falou Edward se levantando e jogou o lenço de limpar a boca sobre a mesa demonstrando não estar nada satisfeito e fiquei sem jeito com essa atitude dele.

—Se meta na sua vida você! Falou ela mais alto que ele. –A conversa é entre nós e dê a devida atenção para a sua companheira! Não ligue para nós Julieta. Pediu ela.

—Não estou entendendo nada! Disse Julieta de forma simples.

—Não esquente com os caprichos de Edward. Falou Carlisle se metendo e a mãe de Alice ficou olhando para a filha.

—Acho que todos estão loucos! Tirando a Julieta claro!

—Você fala muito e iremos terminar o café na paz! Pode ser? Perguntou Carlisle sério olhando para o filho.

—Vamos Julieta, iremos dar uma volta. Disse Edward segurando na mão da moça e saiu da mesa.

—Não saia de casa Edward! Precisamos conversar!

—Estarei por aí e se lembre disso quando resolver abandonar a minha mãe aqui! Disse ele saindo da sala com a moça.

—Deixe-o Carlisle. Pediu Esme chateada. –Ele não sairá de casa.

—Seu filho é um moleque Esme!

—Ele por um lado tem razão não acha? Perguntou ela de forma triste e percebi que nada havia mudado ainda.

—Isso é verdade, mas entenda o meu lado.

—Entenda o meu também! Disse ela sem deixar as lágrimas rolarem, ela estava segura de si.

—Não briguem, por favor. Pediu Alice.

—Não era para se meter nisso Alice! Reprovou Bernadete.

—Não sou injusta! Retrucou Alice.

—Injusto foi o que aconteceu com essa família isso sim!

—Eu também concordo, mas a culpa não é dela!

Eu não dei um pio com medo de sobrar para mim e começarem as ofensas de que você é a culpada, tudo isso é por sua culpa. Essas coisas.

O ser humano era uma caixinha de surpresa e por parte de Carlisle, Esme e Alice eu sei que não, mas o que poderia vir do casal eu não sabia mesmo eles me tratando normalmente.

Eles continuaram impondo os seus pontos de vista, mas nunca me difamando. Eu me senti realmente mal com isso e me levantei para ir até o banheiro, o embrulho no meu estômago era tamanho e coloquei tudo que eu havia comido para fora ali curvada sobre o vaso. Senti olhares preocupados sobre mim e Alice veio me apoiar segurando os meus cabelos. Eu não conseguia falar, eu apenas colocava tudo para fora pelo tamanho rebuliço que estava em meu estômago. Toda essa discursão me fez mal.

—Vai ficar tudo bem bella. Falou ela de forma carinhosa.

—Eu mal con, consigo falar Alice e... Não consegui terminar a frase porque tive que colocar o restante que estava dentro do meu estômago para fora. –Isso é bem nojento, não precisam assistir isso. Falei olhando para os demais sem ser estúpida.

—Não se preocupe conosco e sim com você. Disse Esme encostada na parede.

—Ai Esme, eu não sei o que falar. Falei deixando as lágrimas vir e Alice me levantou.

—Não há o que se desculpar, agora vamos. Disse Alice dando descarga naquilo tudo e fui lavar a minha boca tendo o amparo dela.

—Acho que estou melhor. Falei secando a minha boca.

—Vamos subir, vai ser melhor para você.

—Tudo bem.

O segurança me levou para o quarto e me deitei. A pedido de Alice Mary trouxe uma bandeja com coisas leves do café da manhã para eu comer novamente. Querendo ou não eu me senti faminta novamente.

O restante saiu e ficou nós duas somente.

—Não fiz bem em ter falado a respeito do seu ex a mesa. Deu no que deu.

—Não se culpe Alice, antes de tudo isso acontecer eu tinha uma vida.

—Sei disso, mas Edward se irritou pra valer.

—Não esquento mais para os chiliques dele.

—Vou fingir que acredito. Sorri levemente e continuei comendo. Mas a porta foi aberta e Edward passou por ela estando sozinho.

—Precisamos conversar e a sós. Disse ele olhando pra Alice.

—Se veio ofendê-la, dê meia volta! Disse ela se levantando e foi encarar ele.

—Alice, eu estou te pedindo, nos deixe a sós!

—Não irei sair não! Veio com o intuito de maltratá-la, mas saiba que não irá não!

—Alice, por favor, pode ir tranquila. Intrometi-me.

—Ele veio descontar em você e eu não irei deixar.

—Pode ir tranquila, prometo me cuidar.

—Juro pra você que se agredi-la como deixou claro no pescoço dela ontem, irá se arrepender pro resto da sua vida! Se isso acontecer pode ir esquecendo que me tem como prima! Disse Alice saindo do quarto e bateu a porta pra valer.

—Está satisfeita agora? Perguntou ele vindo até a mim.

—Não estou, mas se veio me culpar perdeu o seu tempo!

—Você conseguiu embaraçá-los com a sua lábia! Mas saiba que não me engana nadinha!

—Se livrará de mim em breve Edward, não terá com que se preocupar mais!

—Do que você está falando? Perguntou ele bem perto de mim e me afastei.

—Vou embora daqui. Ele começou a rir.

—Sabe que não é verdade! Ficará aqui até eu decidir!

—Não ficará não! A deixe em paz de uma vez! Falou Carlisle após abrir a porta.

—Não se meta nisso pai, fui eu quem começou com isso!

—Faço questão de terminar!

—Não, não vai!

—Eu sou o seu pai ainda!

—Seja marido para minha mãe então!

—Edward não brigue, ele é o seu pai! Pedi a fim de evitar uma briga.

—Você não se meta! Disse ele apontando dedo para mim. -Tudo isso é culpa da sua linhagem!

—Mas não é dela Edward já basta! Você extrapolou ao violentá-la! No que se tornou?

—Na pior das criaturas ao abusarem da minha mãe e matarem a minha irmã!

—Não cometa o mesmo crime com essa moça! Ela está grávida de um filho seu!

—Não diga porque não é meu! É só dela e daquele almofadinha.

—Isso é o que você diz! Intrometi-me chateada. –Mas sabe muito bem que não é verdade!

—Você é astuta e peçonhenta garota!

—Aprendi com você Edward Cullen!

—Você arcará com as obrigações de pai, isso está decidido! Cuidará dessa moça como ela merece!

—Que loucura está falando? Perguntou ele olhando para o pai.

—Você vai consertar a desgraça que causou na vida dessa moça para o seu bem! Não se esqueça que acima de Nós há um Deus que nunca dorme! Não podemos descarregar o nosso rancor na pessoa errada!

—Ela pertence a eles!

—Os quais cansam de estarem mortos. Já não basta ou não consegue aceitar que mesmo perante as desgraças você conseguiu sentir afeto de alguma forma por ela?

—Só pode estar delirando pai. Isso. Nunca!

—Pois trate de se acostumar, irá fazer o contrário do que vem fazendo com ela.

—E vai me forçar a quê?

—Irá casar com ela!

Edward explodiu em gargalhadas e eu fiquei olhando para o Carlisle desacreditada, ele só podia estar brincando comigo.

CONTINUA...............