Solares

6 Capítulo 6


BELLA.....

Final do último capítulo.

Saímos do carro depois que nos ajeitamos e acenei para o pessoal do carro ao lado, eu não estava vendo-os, mas quando eu acenei o vidro foi arriado no lado do carona.

—Tchau cunhadinha. Falou Juana sorrindo e estava com a cara de quem andou levando uns bons amasso.

—Tchau. Falei acenando para os dois.

Jake foi comigo até o elevador e nos beijamos ali antes de eu entrar no mesmo.

—Bom descanso. Falou ele de forma carinhosa.

—Obrigado e vá direitinho para a sua casa.

—Pode deixar.

Demos um selinho e eu entrei no elevador, acenei antes das portas se fecharem e só aí é que eu fui deixar as minhas lágrimas rolarem de verdade.

Ao entrar em minha casa fui direto para o meu banheiro e me despi, na lateral da minha coxa estava com um vermelhão e meu rosto estava levemente vermelho, acho que um pouco de base ali disfarçaria, sorte foi os meus pulsos estarem levemente vermelhos, mas só eu perceberia.

Tomei o meu banho e fui até a cozinha tomar um analgésico, mesmo tendo tomado bebida alcoólica eu teria que tomar, aquele vândalo puxou os meus cabelos por demais. Acho que a aspirina me aliviaria.

Voltei para o meu quarto e liguei o ar, deitei em minha cama apenas de calcinha e sutiã. Cobri-me e deixei as lágrimas rolarem mais ainda, eu sentia que algo bem ruim estava para acontecer e as palavras daquele homem soavam bem verdadeiras. Se ele queria me assustar e me deixar com medo, ele havia conseguido.

Eu só sentia pelos meus amigos e pelo o meu namorado que pagaria o pato caso eu não me afastasse deles.

—Por que disso tudo? Eu me perguntava a todo o momento antes de eu pegar no sono.

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A minha inconsciência estava custando a vir com todas aquelas preocupações. O que quer que tenha acontecido com a irmã daquele rapaz, o meu pai e minha mãe tinham haver com isso. Eles contribuíram para que a sua vingança me incluísse.

Ele afirmou que eu sentiria o que a irmã dele passou, eu temia por minha vida e as dos meus pais, minhas lágrimas desceram em abundância e pedi a Deus para me ajudar, aquele monstro não sentiria piedade de nós.

Acabei pegando no sono envolvida nas preocupações.

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14h da tarde.

Acordei com alguém fazendo carinho em minha testa e ao abrir os meus olhos, eu me deparo com a minha mãe. Sorte era que eu estava deitada de lado e o leve vermelho em minha bochecha estava escondido no travesseiro.

—Boa tarde filha, eu estava aqui matando a saudade.

—Isso é bom. Falei sorrindo e uma vontade imensa de chorar me atingiu, mas me controlei o suficiente para não deixar isso acontecer.

—Dançou muito?

—Pra valer mãe, foi tão legal! Adorei ter ido a uma danceteria.

—Que bom filha! Disse ela beijando a minha bochecha boa. –A comida já está pronta a um tempão.

—Vou comer depois.

—Já é tarde filha, está sem fome?

—Um pouco.

—Ok. Disse ela beijando a minha bochecha novamente e saiu do quarto.

Minha cabeça estourava com a dor de cabeça e acariciei a minha bochecha, acho que nem tão cedo eu iria querer andar pela praia e pela rua, eu estava temerosa demais por causa daquele rapaz.

Com uma de minhas pernas dolorida por causa do tombo, eu me levantei e fui para o banheiro. Percebi que minha bochecha não estava tão afetada naquele momento e uma base ali não daria para notar, mas ao olhar a minha perna havia um hematoma na lateral de minha coxa.

Peguei a bolsinha de primeiros socorros e passei um pouco de pomada apropriada para hematomas, depois escovei os meus dentes e vesti a minha roupa. Passei um pouco de base na minha bochecha e vi que ficou perfeito. Eu estava tão arrasada naquele momento que aos pouquinhos eu fui abaixando e me sentei no chão do banheiro deixando as minhas lágrimas virem.

Naquele momento se passava tanta coisa na minha cabeça, uma delas era ter que me afastar definitivamente de jake. Eu não podia desacatar as ordens daquele rapaz, eu não queria que nada de mal acontecesse com ele, jake era tão legal comigo.

Ta certo que brigávamos às vezes, mas a maior parte do tempo nós nos dávamos bem. Aquele rapaz deixou claro que se vingaria e que a nossa morte era muito em breve. Eu agora sentia em cada poro do meu corpo que algo de muito ruim nos aconteceria, talvez o melhor fosse contar aos meus pais, mas aquele sujeito me deixou ciente do que ele seria capaz se eu falasse algo. Eu percebi a fúria que ele sentia, aliás, ódio para com os meus pais. Sei que ele seria capaz de atingir os meus amigos por minha causa e pelo o que fizeram com essa irmã dele, eu pagaria por causa dela. Eu senti pena dela mesmo não a conhecendo, talvez o que quer que tenha acontecido com eles, fosse merecido. Talvez fizeram com que isso acontecesse ou pode ser que não, eu estava perdidinha e com um pavor terrível me assolando. O pior medo era o de morrer e perder os meus pais. –O que será que eles aprontaram? Eu me perguntava a todo o momento.

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40min depois.

Chorei até não aguentar mais por sentir medo, muito medo por causa dos meus pais, eu só tinha eles e temia também por mim. Eu não me imaginava sem eles, mas alguma coisa os meus pais aprontaram, isso ficou claro durante os minutos em que fiquei ali me derramando em lágrimas.

Eu não teria coragem de perguntar o que era que o meu pai fazia, bicos simples não nos deixa no luxo eu matutava. Bicos simples renderiam apenas o suficiente para nos manter. Olhei em volta e fechei os meus olhos lembrando de todos os cômodos da minha casa, havia muito requinte e eu só precisava saber de toda a verdade. Eu descobriria de uma forma ou de outra se desse tempo, fugir não seria sábio, eu não teria para onde ir pela falta de parentes. Eu estava tão perdida que não sabia o que mais fazer. Acho que só esperar mesmo o pior.

Eu poderia ser egoísta demais e contar para os meus pais mesmo correndo perigo, mas outras vidas e inocentes estavam em risco, eu preferiria sofrer a impor isso a eles. Não mesmo, pensei e deixei mais lágrimas rolarem. Eu não conseguia parar de pensar nesse detalhe tão ofuscante em meus pensamentos. As frases daquele sujeito brilhavam em vermelho como um sinal de alerta em minha mente, elas me assombravam.

Madruga seria a minha solução e eu terminaria com jake amanhã mesmo, não deu tempo nem de eu dar algum conselho para ele parar com o que vinha fazendo. Sentia-me suja por outro homem que não era o jake ter tocado em mim e senti vontade naquele momento de estapear aquele sujeito por tudo que ele havia em mente contra nós.

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15min depois.

Levantei do chão do banheiro, lavei os meus olhos com cuidado para não retirar a base. Voltei para o meu quarto e passei uma mensagem para o jake dizendo que seria o Madruga a me levar amanhã. Ele me ligou na mesma hora e ignorei, minha voz sairia afetada por causa do choro, se fosse para desmanchar, eu começaria a partir daquele momento a ignorá-lo.

Ele não se contentou e ligou para a minha casa, pedi a minha mãe que avisasse que eu estava no banho e não entendendo nada ela fez o que eu pedi.

Avisei a ela que pedisse o Madruga para passar a me levar e trazer todos os dias, ao proferir essas palavras um nó enorme se formou em minha garganta e pedi que ela me deixasse sozinha no quarto. Minha mãe não entendeu nada e devia ter pensado que era mais uma briguinha sem importância entre mim e o meu namorado, melhor assim.

O restante da minha tarde foi dramático, eu me isolei em meu quarto e fiquei imaginando o dia de amanhã no colégio.

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Somente às 18h é que eu resolvi ir almoçar, aliás, jantar pela hora já estar vencida. Comi por comer na sala enquanto que minha mãe passava algumas roupas na área de serviço e o meu pai assistia um jogo qualquer na tv, vez ou outra ele falava um “ Chuta logo essa porra. Passa a bola. Vamos logo!”, essas coisas típicas de homens ao assistirem jogos de futebol e as vezes eu me assustava com a voz grave dele por estar absorta demais em pensamentos.

Após ter jantado eu voltei para o meu quarto e uma hora depois eu tomei um banho. Jake me ligou mais uma vez e como eu não atendi, ele desistiu.

O restante da minha noite foi pior ainda.

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Segunda feira.

O relógio despertou e me levantei péssima, tomei o meu banho, me arrumei e fui para a cozinha tomar o meu café. Eu estava tão dispersa que desci dez minutos atrasada para encontrar com Madruga. Ao sair na portaria eu vasculhei a área primeiro um pouco assustada e me aproximei do carro numa rapidez incrível.

—Bom dia senhorita. Disse ele me olhando minuciosamente.

—Bom dia Madruga, desculpe a minha demora, eu acabei me atrasando sem querer.

—Sem problemas, vamos.

—É, vamos sim. Falei olhando para a direção da rua.

Ele abriu a porta do carro para eu entrar e me sentei olhando para os lados, não havia perigo pelo que constatei e encostei-me no banco fechando os meus olhos. Imagens daquele estranho na danceteria me vieram à mente e abri os meus olhos novamente, eu queria ver tudo menos ele assombrando os meus pensamentos também.

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Cheguei no colégio e acenei para os meus amigos, jake não estava ali no meio deles ainda, não devia ter chegado. Fui para sala e cinco minutos depois jake entrou vindo se sentar ao meu lado.

—O que deu em você e porque não atendeu as minhas ligações ontem?

—Eu estava cansada jake, depois conversamos sobre isso.

—Você me ignora completamente e fica nessa tranquilidade?

—Desculpe, mas agora não é um bom momento para conversarmos.

—Tudo bem. Disse ele se ajeitando na cadeira e dei graças a Deus quando a aula começou.

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No intervalo procurei ignorá-lo mais uma vez, se fosse para me afastar eu teria que fazer direito mesmo sentindo o meu coração apertado por ter que maltratá-lo. Acho que seria mais fácil para não haver tentativas da parte dele.

Lanchei na minha e sorria vez ou outra quando os meus amigos falavam comigo, eu não estava bem. Jake me abraçou e eu pedi que ele não fizesse aquilo, alguns dos nossos amigos me escutaram falando isso para ele, mas ficaram quietos sem entender nada. Aliviada a sineta tocou outra vez, voltamos para a sala e decidi conversar com jake na hora da saída, de preferência fora daqui do colégio.

Durante as aulas finais senti jake um pouco distante e não era para menos, vez ou outra eu olhava para ele quando estava concentrado em fazer os trabalhos, eu sentia tanto.

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Quando a última aula terminou, deixei os alunos saírem primeiro e jake fez hora também, quando sozinhos...

—Então, vai me falar do que se trata?

—Prefiro que seja fora daqui.

—Não bella, me diga o que eu te fiz porque sinceramente eu não me lembro! Estávamos tão bem!

—Não me fez nada jake. O problema sou eu e eu não quero mais ser a sua namorada, seguiremos como amigos daqui por diante, ou até as horas que me restarem.

—Como assim? Não estou entendendo nada agora bella!

—Não há o que entender jake, não quero ser mais a sua namorada por não gostar de você da mesma forma que você gosta de mim. Agradeço-te por tudo que você vem fazendo por mim, amei cada momento. Se convença de que está tudo acabado entre nós, está tudo acabado de verdade.

—Está terminando comigo?

—Sim eu estou.

—Não posso e não quero ficar sem você bella.

—Você irá se acostumar. Falei um pouco seca. –Tchau jake e não precisa ir me buscar a partir de hoje. Entendeu?

—Não lhe obrigaria! Será como você deseja daqui para a frente. –Já está com outro?

—Estou gostando de outra pessoa. Menti sentindo-me péssima e com uma louca vontade de chorar. –Éramos amigos com benefícios e nunca foi amor.

—Diga por você! Acusou-me falando um pouco mais alto e cheguei a me assustar com isso, mas logo ele se recompôs. –Você quem não sentia, mas eu sim. Foi uma falsa a maior parte do tempo comigo e chegou a falar que me amava, mas vejo que é mentira sua! Parabéns por fingir tão bem e ser boa atriz. Falou ele saindo da sala e bateu a porta.

Voltei a me sentar na cadeira e deixei as lágrimas rolarem por ter magoado jake, ele que era tão bom comigo. Fiquei por um bom tempo até escutar o meu celular tocando, ao olhar o visor vi ser Madruga.

—Já estou indo, em cinco minutos chego aí. O informei.

—Tudo bem.

Desliguei.

Recompus-me e sai da sala, a maioria dos alunos já haviam ido embora pelo pátio estar vazio e saí de portão a fora dando de cara com Fred encostado no carro dele. Resolvi ir até ele e sinalizei com a minha mão um “espera” para o Madruga.

—O que faz ainda aqui? Perguntei encostando-me no carro dele.

—Eu quero falar com você.

—Sobre?

—Não é que eu queira me meter, mas.... Você brigou com o jake por aquilo que eu te contei?

—Não, não foi por esse fracasso da parte dele, apenas por não estar mais dando certo.

—Bella, eu custo acreditar nisso! Você se amarra na do cara e até foi vigiá-lo no racha por estar enciumada. Como pode isso? Perguntou-me ele desacreditado.

—Podendo Fred e acredite, não gosto mais dele. Menti.

—Notei você distante a maior parte do tempo hoje. Está com algum problema linda? Sabe que pode se abrir comigo.

—Não, nenhum amigão.

—Qualquer coisa pode contar comigo, fico chateado porque gosto de vocês.

—Obrigado. Falei abraçando-o.

—Vamos dar uma voltinha na praia? Sei que está precisando espairecer, te conheço irmãzona.

—Será ótimo e é uma boa ideia mesmo Fred.

—Dispense o seu motorista, venha comigo.

—Tudo bem, eu irei falar com ele.

Fui até o meu motorista.

—Pode ir tranquilo Madruga, irei com o meu amigo ali. Falei apontando pra Fred.

—Tem certeza?

—Tenho sim. Falei me arrependendo de ter aceitado o convite de Fred ao me lembrar daquele sujeito, mas eu precisava da brisa do mar, ela me renovava assim como a sua água milagrosa.

—Ok.

—Mas fique por perto. Falei um pouco preocupada, seja lá o que meu pai tanto temia e colocou Madruga como o meu motorista, mas na verdade ele devia ser o meu segurança disfarçado, eu começaria a levar a sério.

—Ficarei e manterei distância. Disse ele me olhando minuciosamente. –Para onde irão?

—Valeu e nós iremos à praia.

—Tudo bem.

—Obrigado Madruga.

—Não me agradeça. Disse ele estranho indo entrar no carro.

Fui ao encontro de Fred e ele abriu a porta do carro para eu entrar. Fomos conversando até chegarmos na praia e ficamos sentados no trailer do Duque. Fizemos um lanche e ficamos distraídos ao conversarmos, perdemos a noção do tempo falando a respeito dos pais dele e da minha falta de afeto pelo jake. Tive que mentir nessa parte porque eu gostava sim do meu ex-namorado.

Uma hora e meia depois decidimos tirar os nossos tênis e caminhamos até a água, estava quentinha hoje e havia pouquíssimas pessoas ali, era uma aqui e outra acolá. Com cuidado nos sentamos na areia ignorando que ficaríamos encharcados dela depois, mas nos limparíamos numa boa. Conversamos mais um pouco e Fred conseguiu me deixar mais relaxada até sermos interrompidos por um jake furioso. Assustei-me e fiquei surpresa ao mesmo tempo de ele aparecer ali.

—Então é por ele que está me deixando?

—Como assim jake? Perguntou Fred sem entender nada.

—Eu sempre soube que você tinha uma quedinha pela a minha namorada.

—Isso não é verdade jake! Falei desesperada, jake cuspia fogo.

—Cala a boca! Você é uma tremenda mentirosa, esqueceu que afirmou estar gostando de outro para mim? Deve ser ele!

—Mas não é o Fred!

—Mentira! Falou ele se aproximando de Fred. –Você é o amigo da onça! Tome por dar em cima da minha garota! Falou jake socando o amigo feio no rosto e Fred sem esperar pelo soco caiu na areia.

—Pare jake! Eu pedia gritando e tentei separá-los, já que Fred não revidava, eu sabia que ele gostava mesmo do amigo. –Isso não é verdade jake, pare! Olha o rosto dele! Fred já estava com o rosto afetado e resolveu revidar por ter se cansado de apanhar injustamente.

—Você é um otário jake! Eu e a bella não temos nada! Falou Fred o socando também, parecia briga de galo.

—Parem os dois! Gritei desesperada e fiz sinal para um rapaz que passava no calçadão vir me acudir, nem sinal de Madruga por ali.

O rapaz ao entender o meu pedido de socorro, veio correndo e separou o jake que estava enfurecido. A maioria ali em volta eram mulheres e onde estávamos, estava um pouco deserto. O posto era um pouco mais adiante e os salva vidas não devem ter sacado a briga.

Segurei Fred que era o mais tranquilo ali e se revidou foi porque apanhou feio na tentativa de não reagir, mas jake foi bruto ao bater nele. Ele estava com a raiva estampada no rosto ao socar o amigo e poderia até afetar o meu amigo Fred mais seriamente na face por causa dos socos contínuos. Eu sabia que homem com ciúme e com raiva perdia o controle, jake me mostrou isso e lamentei por não poder separá-los antes.

—Isso é pra você aprender, sempre soube que desejava a minha namorada! Falava jake tentando se soltar.

—Está louco jake, nunca que me insinuei para a sua mina!

—Isso é o que você diz seu traidor. São duas traíras!

—Isso não é verdade jake. Falei chorando.

—Falsa, mentirosa! Solte-me! Pediu jake enfurecido. –Não irei mais sujar as minhas mãos com essezinho.

—Tem certeza? Irei chamar a polícia! Ameaçou o homem dando uma chave de braço em jake, foi o único jeito de detê-lo.

—Me solte! Disse jake e o homem soltou empurrando-o de encontro a areia, jake mereceu por tentar agredi-lo ao tentar se soltar.

—Mais uma graça e chamarei a polícia. Ameaçou o cara desconhecido.

—Obrigado moço. Acredito que não haverá mais confusões. Falei olhando para o jake e secando as minhas lágrimas ao mesmo tempo.

—Tudo bem. Disse o homem se afastando e jake fez o mesmo sem dar espaço para conversarmos, ele nos ignorou.

—Jake. O chamei, mas foi em vão e deixei as minhas lágrimas mais uma vez rolarem.

—Eu sinto muito bella.

—Quem sente sou eu pelos dois, são amigos.

—Éramos, está claro que ele está com raiva de mim.

—Está doendo muito? Perguntei olhando a boca dele machucada e outras partes do rosto afetadas.

—Um pouco, jake foi duro comigo.

—Ele também ficou machucado. Quer ir para a minha casa? Lá eu poderei fazer um curativo.

—Não se preocupe comigo, estou bem linda. Vou te levar pra casa e de lá irei para a minha, caso jake nos siga não piore ainda mais a situação de vocês.

—O que ele fez com você não foi digno. Me importo por ele não ter deixado você se explicar e não há nada entre nós.

—É verdade. É uma pena!

—Pois é Fred e olha o seu rosto, desculpe amigo. Agora vamos até a minha casa, ficarei mais tranquila.

—É melhor não bella e não se preocupe comigo.

—Estou mesmo, é impossível não ficar. Falei chorando por sentir a pressão da culpa em meus ombros.

—Estou bem.

Nos abraçamos e sequei as minhas lágrimas. Decidimos ir embora e o trajeto até o carro despertou especulações alheias já que Fred estava com o rosto machucado. No carro.

—Tem kit de primeiros socorros aqui? Perguntei me lembrando, todos os carros deviam ter por lei.

—No porta luva.

—Darei um jeitinho.

—Não se preocupe bella.

—Sem mais uma palavra. Falei secando as minhas lágrimas.

—Ok.

Peguei o kit e dei um trato improvisado no rosto dele, ficou bem melhor. Depois ele me levou até o meu prédio e paramos em frente do mesmo.

—Desculpe. Falei abraçando ele novamente.

—Chega de desculpas bella, quem me deve é o jake.

—Eu sei, darei uma prensa nele.

—Não precisa.

—Darei mesmo assim. Preciso ir e até amanhã Fred.

—Se eu acordar com o meu rosto melhor eu irei, sei que vai inchar.

—Te passo as matérias depois então.

—Valeu. Não quero aparecer arrebentado no colégio, por sorte não estamos tendo prova, mas prometo que irei quarta.

—Ta bom. Tchau Fred.

—Tchau linda.

Nos abraçamos por um bom tempo e me deu uma sensação estranha no peito ao me afastar do meu amigo.

Saí do carro justamente na hora que o meu celular tocou e olhei para o visor, estava restrito, mas restrito quem só me ligava era o Madruga porque as ligações dos meus pais eram normais. Atendi pensando ser Madruga e fechei a porta do carro do meu amigo.

—Alô.

—Belo espetáculo. Falou a voz não muito estranha e sorriu. Fred tinha acabado de sair, reparei ao olhar para trás.

—Quem está falando?

—Não se lembra de mim? Ahhh isso é uma pena!

—Se fosse importante sim. Fui grosseira sem querer por estar estressada com a briga e pelo tom de cinismo na voz de quem quer que esteja falando.

—Oh! Além de putinha é malcriada? Só aí caiu a minha ficha. Mas como? Perguntei-me mentalmente.

—Como conseguiu o meu número?

—Você acha que os meus homens pegariam a sua bolsa apenas para ficar segurando? Seu celular foi bem válido.

—O que quer agora? Perguntei entrando na portaria rápido e olhando para os lados pra lá de assustada, as minhas pernas já tremiam.

—Não interessa o que eu quero. Eu só liguei para lhe dizer que adorei o espetáculo. Digamos que, na praiaaaa. Falou a última palavra de forma debochada. –Se desligar pode ser pior! Ameaçou-me ele com a voz para lá de raivosa.

—O que quer, pare de me atormentar seu maníaco! Gritei e o porteiro me olhou ao passar perto da cabine interna do prédio.

—Assassino é melhor, se enquadra mais no meu perfil.

—Assassino, maníaco e o que quer que você seja, me deixa em paz!

—Agora que a minha diversão está começando? Não mesmo! Disse ele sarcástico enquanto eu saia no meu andar e abri a minha porta de casa, tranquei-a a seguir com medo mesmo sabendo que a segurança do prédio era excelente.

—O que eu fiz pra você me atormentar dessa forma? Como ficou sabendo da briga na praia? Perguntei deixando as lágrimas rolarem e não fiz som algum durante o choro.

—É muita pergunta, sabe a resposta.

—Se eu soubesse não lhe perguntaria.

—Sou bem informado, mas quis apimentar um pouquinho por ficar melhor assim. Digamos que eu adoreiii.

—Vá pro inferno! Berrei e desliguei o telefone na cara dele.

O telefone da sala tocou, não podia ser ele e fui atender.

—Que mal educada! Falou ele com raiva. –Qual dos seus amiguinhos irá pagar por isso? Perguntou ele falando sério. –Tem direito na escolha.

—Foi você quem ligou para o jake? Perguntei tendo a absoluta certeza, em meu celular havia o número de todos eles.

—Dei uma forcinha, despedidas são tão emocionantes e essa foi perfeita!

—Por favor, não machuque os meus amigos, faça comigo porque eles não têm culpa de nada e nem eu.

—Claro que você tem, Swans malditos e que se ferrem todos vocês! Foi fácil descobri-los, mas nem o melhor dos planos é perfeito. Nem tudo é perfeito!

—Como sabe o meu sobrenome? Perguntei assustada.

—Hora, hora, foi fácil descobrir!

—O que deseja agora e qual o sentido em ficar me atormentando dessa forma?

—Me dá prazer o seu medo.

—É um doente mental!

—Guarde o elogio putinha.

—Não sou putinha!

—Para mim sim! E aviso uma coisa, começa a dar adeus ao seu papaizinho e mamãezinha.

—Irei até a polícia!

—É mesmo? Já esqueceu do que sou capaz? Acho que não seria bom para vocês terem a companhia da polícia. Ou já se esqueceu?

—Por que diz isso?

—Pare de teatro barato! Disse ele gritando e me assustei. –Cansa-me com ele!

—Tudo bem. Falei concordando por estar assustada.

—Melhor assim. Vamos dar uma voltinha juntinhos mais tarde? Eu e você, você e eu?

—De jeito nenhum! Falei apavorada.

—Então eu irei convidar a sua amiga Ângela, ela é bem gostosinha ao meu ver. Será bem pior ter que pagar por sua culpa ou não se importa com a sua amiguinha?

—É CLARO QUE SIM! Falei estressada.

—Fale baixo comigo! Não tem o direito e fique calada para ouvir, apenas me responda quando for a hora certa! Faça o que estou mandando ou amanhã mesmo a sua amiguinha não irá mais à escola! Alerte alguém e mais um pagará pela sua imprudência!

—Tudo bem, tudo bem. Diz-me aonde e que horas?

—Às 20h perto da praia. Está lembrada do dia em que você correu com o rabo entre as pernas por causa do medo? Era eu te vigiando. Cada passo seu......cada um deles. Disse ele de forma sinistra e me apavorei ainda mais.

—O que tem? Perguntei chorando audivelmente.

—Chore bastante, não sinto a menor piedade! Venha apresentável para eu suportar por breves minutos a sua cara, preferencialmente que seja vestido ou saia. Será bem interessante.

— Por que saia ou vestido?

—Sem mais perguntas!

—Estarei te esperando então. Falei apressadamente.

—Ótimo! Após dizer isso ele simplesmente desligou na minha cara.

Fui para o meu quarto e chorei em minha cama, eu seria capaz de morrer pelos os meus amigos e de alguma forma pelos os meus pais. Seja lá o que eles aprontaram, eu pagaria por não me imaginar sem eles.

Fiquei acabada por debulhar-me em lágrimas, eu simplesmente não conseguia parar de chorar, essas horas e minutos que se passavam poderia ser os últimos para mim.

Eu não queria ligar para ninguém e de forma oculta me despedir, mas eu deixaria uma frase em meu MSN. Peguei o meu laptop e o liguei, entrei em meu MSN e deixei escrito. “Amo os meus pais e os meus amigos, estaremos sempre juntos em mente e coração” desliguei o meu laptop depois disso e esperei as horas passarem deitada em minha cama, não fiz nem questão de trocar a minha roupa do colégio por estar exausta demais. Eu sentiria saudades de todos e chorei, chorei e chorei desconsolada.

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Horas mais tarde.

Fiz a janta e fui tomar o meu banho ao se aproximar da hora combinada. Eu tremia tanto ao me arrumar que mal conseguia segurar os objetos para me pintar. Optei por batom vermelho e penteei os fios dourados. Eu estava com medo de morrer assim tão nova, eu estava ferrada mesmo e escolhi algo apresentável da forma que aquele homem exigiu.

Olhei-me no espelho e ficaria contente por me sentir bem se fosse em outra ocasião, mas não nessa e calcei a minha sandália de salto azul. Eu estava sem fome e tentei empurrar um pouco de comida, mas estava difícil ao imaginar os meus pais terem que ir reconhecerem o meu corpo só Deus sabe aonde. Eu sentia-me impossibilitada, aliás, eu estava impossibilitada de muitas coisas. Eu pensava em meus amigos porque os meus pais estavam na lista dele, eu imploraria que fosse eu a pagar qualquer tipo de danos que eles lhe causaram. Eu tentaria isso e tomara que ele fosse capaz de me atender, sei que era zero% em um milhão em tentativas.

—O que mais eu poderia fazer? Perguntei-me já sabendo a resposta.

Estando arrumada eu andei pelos cômodos da minha casa e guardaria na lembrança os momentos vividos ali, minhas pernas tremiam tanto por imaginar as diversas formas cruéis que aquele sujeito poderia me submeter, eu não merecia tais atos.

Tendo uma erronia ideia eu fui até a cozinha, talvez se esse sujeito desaparecesse do mapa, os meus pais estariam a salvos, eu estaria salva e os meus amigos das perversidades dele também. Corajosa eu peguei uma faca pequena e pontiaguda demais, eu não era assassina, eu era covarde demais, mas seria a forma que eu me defenderia. Ele faria pior comigo mesmo.

Talvez não fosse uma boa ideia, eu pensava enquanto segurava a faca com muita força. Seria melhor não a levar, talvez pudesse haver diálogo ou não sei. Eu estava piradinha e as horas passavam durante a minha indecisão, eu chegaria atrasada e sai de casa deixando a faca sobre a pia, eu tinha desistido.

Desci pelas escadarias e saí de portaria a fora. O meu celular tocou e imaginei ser ele, mas era a minha mãe.

—Oi filha.

—Oi mãe. Falei deixando as lágrimas rolarem sem fazer som algum, ela desconfiaria.

—Hoje jantaremos juntas, em cinquenta minutos estaremos chegando e estou levando uma torta de morangos para sobremesa.

—Tudo bem e que delícia, amo morangos...... Eu te amo muito mesmo mãe e diga o mesmo para o meu pai.

—Iiiiiii filha, o que há com você? Está com uma vozinha tão caída bebê.

—Impressão sua mãe. Eu falava enquanto eu ia caminhando para o meu precipício em meio à brisa fria que o mar jogava todas as noites.

—Tem certeza?

—Absoluta mãe. E a comida já estar pronta para nós.

—Que bom, então até daqui a pouco.

—Até.

Desliguei o meu celular e logo ele tornou a tocar.

—Alô.

—Está atrasada! Falou a voz alterada do outro lado.

—Já estou indo.

—Venha logo! Falou ele encerrando a ligação na minha cara.

—Mal educado! Ignorante! Falei para o ar já que ele havia desligado.

Caminhei um pouco mais apressada, a rua não estava movimentada por ser noite e minutos depois cheguei na praia, havia um carro parado no acostamento e outro mais à frente. Ele não devia andar só e sim com os capangas dele, eu mal conseguia andar agora por causa do medo, tudo tremia em mim pelo pavor. O inesperado era apavorante às vezes, principalmente na minha situação.

Ao chegar mais perto reconheci o carro que me seguiu outro dia, sei que eram a mesma pessoa. Ele havia parado mais à frente e ao me aproximar, a pirua blazer prata toda filmada abriu a porta do carona. Cheguei a recuar quando um dos homens que o acompanhou na danceteria desceu do carro e como ali estava deserto, ele disfarçadamente sacava uma arma para mim ao se aproximar de mim.

—Não tente nenhuma gracinha! Está armada ou com algum objeto que ofereça perigo ao meu patrão?

—Não, eu não estou. Falei abrindo a minha bolsa que portava somente o meu celular. Nem sei para que eu a trouxe.

—Muito bem, já que está de vestido teremos que revistá-la, não se pode confiar em pessoas da sua laia.

—Eu faço, apenas aponte a arma, se ela tentar alguma gracinha não tenha pena, mate-a. Falou o rapaz que me perseguia após sair do carro dele, era o que estava parado mais à frente. Era ele e mais uma vez vestido de preto.

—Não vou tentar nada, eu prom.......

—Cale a boca! Ordenou-me o rapaz e me calei na mesma hora, o outro que portava a arma prateada sorriu.

Ele se aproximou de mim e seu cheiro conhecido chegou junto, ele me avaliou cheio de repulsa e olhou de cima a baixo, me sentiria pequena sob o olhar dele, mas eu sabia que eu não era aquilo que ele me fazia sentir, como um nada ou a última mulher que ele ficaria. Mesmo assim ele me empurrou contra a perua blazer e olhou mais uma vez para o meu corpo. Ele se aproximou colando o seu corpo propositalmente ao meu e sua mão correu espalmada da minha barriga até a minha cintura, desceram pelo meu quadril até o meio de minhas pernas e revistou ali minuciosamente em minhas partes íntima sobre a minha calcinha. Senti repulsa por outro homem estar tocando-me tão intimamente sem o meu consentimento. Eu não era vulgar e me senti mal com ele me examinando daquela forma desnecessária.

—Está gostando vadiazinha? Perguntou ele em meu ouvido.

—Não! Falei sentindo meu coração aos saltos em meu peito.

—Que ótimo saber disso! Falou ele pegando em minha trança e a puxou. –Não quis contar para o papai?

—Não. Falei negando com a minha cabeça. –Faça logo o que tem que ser feito, não preciso dos seus rodeios! Falei sentindo medo e raiva ao mesmo tempo dele. Senti que eu poderia matá-lo de verdade naquele momento por sentir tanta raiva.

—Ainda é abusada! Disse ele sorrindo de uma forma diferente, porém sarcástica. Pude observar por ele ter virado o meu rosto na direção dele com um pouco de força.

—Se vai me matar, não vejo o porquê lhe poupar através de palavras o que eu estou sentindo!

—Não me abalo com as suas palavras, são iguais titicas, eu as dou descarga em meu cérebro. Disse ele e os outros sorriram pra valer, pelo visto estavam ali os dois capangas dele. Um dentro do carro e o outro apontando a arma para mim. Ele tirou algo de dentro do bolso e vi ser algemas. De forma bruta ele tirou a bolsa da minha mão e eu permaneci quieta, só senti o clique da algema em meus pulsos, ali devia ser o princípio do meu fim e me mantive firme. Eu percebi que o meu sofrimento era o que lhe dava satisfação. Virando-me de frente novamente, eu recebi um tapa no rosto, aquilo doeu tanto que não teve como eu não choramingar e ir de joelhos ao chão com o baque em meu rosto. –Coloque-a em meu carro. Pediu ele ao que portava a arma apontada para mim, sendo que o rapaz que me agrediu pegou a arma da mão do homem e apontou ela para mim.

—Tem certeza patrão?

—Absoluta. Essa daí não fará nenhuma estupidez e amarre os pés dela também. Disse ele me empurrando e fiquei deitada de barriga pra cima, meus olhos já marejavam e minaram pelo tamanho medo em meu rosto.

Meus pés foram amarrados com uma corda que chegou a machucar o meu tornozelo e meus olhos foram vendados. Fui pega com facilidade por um dos brutamontes e colocada de qualquer jeito no porta mala do carro dele, lembrava o tratamento dos peões com os sacos de batatas. Naquele momento em que fui colocada no carro e ao cair no chão ainda pouco, a minha calcinha apareceu e o outro sujeito bruto pareceu nem se importar para esse detalhe.

A porta foi fechada e o baque oco atingiu os meus ouvidos bruscamente por ele ter feito de propósito. Caso os meus pais me ligassem não teria como eu atender por minha bolsa já não estar mais comigo, minhas mãos estarem algemadas e cega pela venda em meus olhos.

Escutei os homens falando do lado de fora e o leve mover do carro após ele ter entrado, eu não era boba e logo o carro foi ligado. Pensei em todos aqueles que eu amava, no colégio, em nossas farras e nas diversas vezes em que fiquei no refeitório ou no pátio com os meus amigos, mas principalmente nos meus pais que há essa hora já deviam estar em casa e preocupados sem saber por onde eu estava andando. Mal eles sabiam que eu estava a caminho da minha morte.

Fiquei sentindo o trepidar do carro por longos e longos minutos, na verdade eu tinha certeza que era por horas. Pelo pavor perdi a noção. Eu me sentia exausta por ter chorado por todo esse tempo, eu poderia ser punida se eu trouxesse a faca e ele me mataria com mais dor, para o meu bem desejei que fosse rápido.

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MUITO TEMPO DEPOIS.

Senti o carro diminuir a velocidade até parar depois de muito, mas muito tempo depois. Eu sabia que estava muito longe de casa e me apavorei quando o porta mala foi aberto. Tiraram-me dali com muita força, empregado até a brutalidade e me causando muita dor.

Fiquei quieta apenas sentindo o meu fim se aproximando ainda mais e soube ser o rapaz pelo cheiro. Ele me obrigou a andar estando vendada, ele até me ajudava, mas de forma bruta e cheguei a tropeçar em algo indo de joelhos ao chão por estar com os meus pés amarrados. Ele havia me largado de propósito.

—Deixe de ser lesada! Reclamou ele fazendo eu me erguer através de meus cabelos.

—Ai! Reclamei alto. –Por favor, não os puxe.

—Como?..... Assim? Perguntou ele os puxando ainda mais e gritei. -Calada sua vadia! Pode gritar porque aqui ninguém irá lhe escutar! Nem os bichos vão poder te ajudar!

—Mate-me logo, não me maltrate porque eu não mereço. Não mesmo! Falei chorando.

—E perder a diversão? Nunca! Mas os seus pais irão primeiro que você e isso eu te garanto!

—Não faça nada com eles! Implorei ao andar com dificuldade por causa da corda, ele fez de propósito. Era impossível andar com aquilo atado em meus tornozelos e cheguei a ir pulando, resultado, mais uma vez eu fui ao chão.

—Faço sim e se for boazinha, pensarei em uma melhor forma de lhe castigar, depois dessa de hoje é claro. Disse ele me puxando fortemente pelo braço.

Escutei uma porta sendo aberta e passamos por ela sentindo até um cheiro bom no lugar, depois uma outra foi aberta e demos alguns passos somente porque fui lançada em cima de algo que deduzi ser uma cama pela textura. Chegou a fazer barulho e pelo visto era de ferro pelo ranger do mesmo no chão.

—Espero que se divirta, assim como eu irei. Eu não o respondi. –O quê que é? ....O gato comeu a sua língua? Perguntou ele desamarrando a corda presa em meus pés e vindo ficar sobre mim, tentei me esquivar dele, mas acabei levando um tapa no rosto. –Fica quieta vagabunda!

—Por favor, não faça isso o que eu estou pensando, mate-me logo de uma vez. Por favor!

—Está implorando?

—Sim. Falei aos prantos.

—Sinto muito, mas como eu já te falei, eu não tenho pena e será na hora que eu quiser!

—Os meus pais devem estar preocupados.

—Duvido que eles vão chamar a polícia e mesmo assim eu conheço muitos dele, a maioria diria. O máximo que conseguiriam era ficar presos com as minhas informações. Eles precisam sentir o desespero e a impotência em não poderem te ajudar!

—O que eles te fizeram? Perguntei sentindo o peso dele sobre o meu corpo e suas mãos rasgando o tecido do meu lindo vestido.

—Não preciso dizer, só sei que a princesinha deles e eles pagarão por isso! Não quero mais perguntas. Disse ele me estapeando fortemente sem parar.

Era impossível ser surrada daquela forma e não retesar o meu corpo, meu rosto ardia e estava em brasa. Com uma velocidade incrível ele tirou o meu vestido e fiquei com os meus seios de fora, eu tentava me debater e acabava apanhando mais ainda. Ele gritava comigo mandando eu parar de me mexer, mas ao imaginá-lo me deflorando era desastroso demais e pavoroso. Eu não tinha muita opção por estar vendada, algemada e impossibilitada pela força dele. Ganhei um golpe e foi o suficiente para eu apagar de uma vez.

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9min depois.

Acordei com um cheiro muito forte e devia ser álcool que ele colocou em meu nariz, constatei também que ele havia prendido as minhas mãos no ferro da cama, eu estava com os braços abertos e presos ao lado de minha cabeça pelas algemas. Minha veia do braço direito ardia, na verdade a pele ali ardia e não entendi o porquê daquilo. Tentei mover os meus braços a fim de me livrar das algemas estando os meus olhos abertos sob a venda e...

—É impossível! Falou ele. –Podemos começar onde paramos, não teria graça com você desmaiada.

—Não faça isso, por favor.

Ele rasgou a minha calcinha rapidamente e escutei um barulho de plástico sendo rasgado. Vindo ficar sobre mim novamente, ali eu sabia que não haveria mais jeito e só senti quando ele me penetrou rápido causando-me muita dor, ele era bem maior que jake, eu não tinha dúvidas por parecer que eu havia perdido a minha virgindade novamente. Eu esperneava, eu chorava, tentava arrancar as algemas e o máximo que eu conseguia era machucar os meus pulsos e ele me maltratar com seus duplos golpes. Por fim ele saiu de dentro de mim e se afastou. Eu me sentia larga lá em baixo e dolorida.

Quando ele voltou a ficar sobre mim e que me penetrou novamente empregando a violência, ele colocou uma fita grossa em minha boca e começou a se mover rapidamente, seus impulsos eram intensos demais e estava me incomodando pra valer. Meus lamentos sob a faixa em minha boca eram constantes, meus seios foram apertados e seus movimentos faziam a cama ranger violentamente ao se chocarem no chão, eu estava acabada e não havia mais forças em mim, por fim parei de lutar ao sentir algo frio pressionando a minha cabeça, era uma arma. Deduzi ao escutar o clique da trava e me apavorei.

—Continue ou eu estouro os seus miolos agora mesmo! Falou ele entre os dentes e eu parei na mesma hora ficando imóvel, minha reação foi balançar a cabeça que não veemente.

Abrindo as minhas pernas até o limite e não satisfeito, ele causou-me desconforto por tentar passar do limite ao tentar abri-las ainda mais. Eu o sentia ir bem fundo e parava com os movimentos vez ou outra para me torturar com palavras chulas. Era indecente demais o seu vocabulário. Seus lábios perversos passavam pelo meu pescoço, em meus seios e sob a venda eu fechei os meus olhos até que em um certo momento ele se moveu com mais intensidade até gozar pressionando o seu corpo no meu. Eu sentia as fortes contrações do sexo dele por ter gozado e parecia que o meu sexo se expandiu para abrigá-lo completamente na marra dentro de mim.

Ao sair de cima de mim, minhas pernas estavam muito doloridas no meio delas e bambas. Minhas partes mais escondidas protestavam pela brutalidade e chorei fechando as minhas pernas bem devagar por estarem bastante afetadas. Escutei a porta bater com força e a chave foi passada talvez por precaução. Eu devia estar com meus joelhos seriamente ralados por causa dos tombos que tomei e eles também ardia. Meu coração estava acelerado e o que eu só podia fazer era chorar. Rezar adiantaria?

Eu sentia frio por estar nua, a temperatura naquele lugar estava baixa e corri as minhas pernas devagar por estarem livres na procura de algum cobertor, mas não havia nada, nada mesmo e era somente o lençol e os travesseiros na cama. Fora o cheiro caro dele em todo o meu corpo. Era viciante por ser tão bom, o perfume não tinha culpa.

Perdi a noção do tempo em que fiquei nua deitada ali na cama, escutei várias vezes passos do outro lado da porta e permaneci imóvel. Depois que o meu sangue esfriou a dor em meu corpo se intensificou, até dor de cabeça eu estava sentindo, fora à venda molhada em meus olhos pelas lágrimas que me incomodava. Eu comecei a sentir fome por não ter conseguido comer em casa direito e o meu estômago roncava por causa disso. Acabei dormindo sem querer, talvez fosse melhor assim.

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Terça feira.

Muitas horas depois. 08:05 da manhã.

Acordei quando me proferiram um tapa, choraminguei pelo incomodo e pelo susto.

—Hora do banho. Falou ele tirando a faixa adesiva da minha boca de forma precisa e aquilo doeu bastante.

—Ai! choraminguei. -Não vai tirar a minha venda? Perguntei fraca.

—Quando eu quiser elas sairão. Isso se eu quiser! Disse ele rudemente.

—Por que ainda não me matou?

—Não acha que já está falando demais? Perguntou ele de forma estúpida e eu afirmei com medo dele me bater. –Hoje será o último dia dos seus pais.

—Não! Por favor. Pedi gritando e ele apertou o meu pescoço.

—Isso implore vadia! Implore bastante, mas mesmo assim eu não irei lhe obedecer. Saiba que não! Eu não sou o único que anda insatisfeito com eles. Gangue de ladrõezinhos safados. Disse ele me lançando algo de encontro a minha perna e escutei o som da chicotada na mesma hora. Eu berrei por causa disso por vários minutos por ter doído horrores.......... –Mas não preciso sujar as minhas mãos, como eu te falei, tem muitos insatisfeitos e é uma pena que o time deles reduziu a zero assim tão rápido. Seus amiguinhos bandidinhos e assassinos foram para o saco. Os jornais dizem isso, não leu ou não percebeu a mamãezinha triste algum desses dias? Oh!! Isso é uma pena! Acho que você finge bem ao demonstrar que não sabe de nada. Que atriz! Cachorrinha safada. Seus pais não são tão bonzinhos assim . Sabia não é? Ahhh claro que sabia! Disse ele me maltratando ainda mais.

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—La. ladrões? Perguntei sem acreditar após viver minutos de horror, não fazia sentido.

—Não me faça rir, gostava da boa vida que os roubos, os furtos e as drogas vendidas davam! Eles roubaram o que não devia e aconteceu o que aconteceu!

—Não sabia. Falei chorando pra valer ainda mais.

—Não acredito e cale a boca! Seus choros me dão nos nervos! Disse ele alto. –Madruga foi bem eficiente, ou informava-me ou o filhinho dele que mora a algumas milhas sofreria a imprudência do papai. Mas sabe, quando se trabalha com pessoas competentes é difícil errar. Dizendo-me ele você não sabia, mas custo a acreditar nisso. Ele poderia estar querendo limpar a sua barra. Não se abalaram com os meus! Disse ele gritando e me assustei. -Até daqui a pouco. Falou ele colocando algo a força em meu nariz e eu desmaiei.

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1h depois.

Acordei sentindo os meus braços ao lado do meu corpo e portava uma corrente em um de meus pulsos, a venda ainda me segava e quando fui pra tirar aquilo dos meus olhos.

—Tire-a e leve uma bala na testa, ou melhor, você está mesmo implorando para morrer e....

—Não! Não me mate. Falei voltando atrás. O pavor a maioria das vezes nos tira do eixo quando se tem um cano de uma arma encostada na sua cabeça.

—Calada! Se ousar a me desobedecer, cada vez que isso acontecer um de seus amigos sofrerá. Falou ele me chantageando. — A primeira da lista é a Ângela, em segundo o queridinho Jake, em terceiro a irmãzinha dele e o Fred que parece ser seu grande amigo. Disse ele sarcástico. –Não adianta fala nos seus pais porque eles são um caso perdido!

—Não irei. Falei negando com a cabeça.

—Ótimo! Vou te levar para tomar banho quentinho. Disse ele sorrindo. -Espero que goste e aprecie.

—Preciso do meu vestido, eu estou nua ainda.

—Pra quê roupa, fica mais fácil quando eu quiser usá-la até me cansar.

Eu não falei nada para não o chatear, se ele quisesse que me usasse, mas nunca maltratar os que eu adorava e isso me fez lembrar dos meus pais, foi difícil não chorar.

—Levante! Ordenou-me de forma dura.

—Tudo bem.

—Poupe-me de sua voz, obedeça e pronto! Afirmei com a minha cabeça que sim. –Iremos andar por aí e sem gracinhas!

Afirmei mais uma vez com a minha cabeça e era horrível não poder enxergar, ele puxou a corrente e eu fui tateando com as minhas mãos o invisível, eu estava tão apavorada e muito envergonhada por estar totalmente nua.

Sem querer eu bati com a minha cabeça na parede e guardei o meu lamento para mim mesma. Fui na direção que ele me puxava e cai no degrau que julguei ser da porta principal, o som do canto de passarinhos era imenso e eu estava do lado de fora. O vento em minha pele desnuda confirmava isso e chorei em silêncio conforme eu me levantei escutando ele sorrir de mim. Fui andando mais atenta, colocava um pé de cada vez sentindo algo macio sob os meus pés e tateava o invisível a todo o momento. Um tempinho que julguei ser minutos caminhando, observei que era irregular e de terra agora. Bati em várias arvores, estávamos dentro do mato e o meu corpo começou a coçar com as folhas ao se chocarem em minha pele. Caí e levantei inúmeras vezes, a palma de minha mão já ardia por causa das quedas e minha vontade era de gritar por ajuda. Sendo que eu não podia e ele me maltrataria ainda mais.

—Por favor, vá mais devagar. Pedi por ele estar a uma boa distância de mim e puxava a corrente às vezes com força.

—Está lerda demais droga! Ande logo.

Tentei obedecer e cai mais uma vez, o escutei xingando ao longe e senti alguma coisa subindo pelo os meus braços, pelo visto formigas. Era formigas das que mordiam pra valer já que me morderam, tentei tirá-las imediatamente com pavor e custei a me livrar delas, só senti o puxão dele.

—As formigas estão me mordendo. Falei deixando mais lágrimas rolarem.

—Isso é por ser tola! Fiquei calada e andei tateando depois que me livrei das formigas, os meus braços pinicavam por causa das mordidas. Devíamos estar andando a uns dez minutos e comecei a escutar o som de água mais ao longe, devia ser ali o local do meu banho e andei sem cair dessa vez. Levei uma galhada no rosto e aquilo me machucou pra valer, cheguei a desequilibrar um pouco. Levei a minha mão livre até o mesmo acariciado a pele e tentando aplacar a dor. –Chegamos. Falou ele agora próximo de mim e dei um passo para trás. Eu escutava o som da água.

—Irei tomar banho em um rio?

—Por que não?

—Por, por nada.

—A água está uma delícia. Disse sarcástico. –Tome o sabonete, ainda estou sendo bonzinho. Já que vou me divertir ao menos tem que estar limpinha, sou enjoado se tratando de limpeza. Agora vá vadia! É só ir em frente.

—É fundo?

—Está com medo?

—Eu não sei nadar.

—Pro seu governo é fundo sim, agora se vira e ande! Disse ele colocando a arma na minha cabeça.

—Tudo bem, tudo bem. Falei tremendo e fui caminhando. –A venda?

—Pode tirá-la, não é necessária aqui, mas tire-a somente após entrar na água.

—Ok. Falei temerosa e muito receosa.

Fui caminhando devagar e senti a água estupidamente gelada bater em meus pés, dei um passo para trás sentindo a friagem brusca e me deu cãibra na mesma hora. Recuperada, eu fui andando um pouquinho mais e afundei soltando um grito de desespero. Ele soltou uma gargalhada maldosa e forçada por causa do meu pavor. Fiquei com a água em minha cintura a pouquíssimos passos, ele não estava brincando ao falar que era fundo.

—Pare de drama! Falou ele sério.

Tirei a venda dos meus olhos e a claridade os feriu fazendo com que se embaçassem de lágrimas, mesmo assim tive um breve vislumbre do lugar.

Chegou a lacrimejar por isso e mantive os meus olhos fechados sem ter a chance de olhar o meu corpo ou olhar para o meu agressor. O sol estava frio ainda, eu não sabia se estava florescendo o dia ou estava de tarde quase noite, mas sua claridade era tamanha ainda, apenas o mormaço que não era tamanho. Eu não sabia que lugar era aquele e tentei abrir os meus olhos mais uma vez, incomodou de novo e voltei a fechá-los banhando-os com a minha mão. Sem ter opção eu fiz xixi pedindo perdão à natureza. A água estava fria demais, parecia que a água tinha acabado de sair da geladeira.

Aos pouquinhos eu ia piscando para me acostumar e esfreguei o sabonete em meu corpo estando de olhos fechados ainda. O sabonete pinicava aonde eu fui mordida pelas formigas, em meus tornozelos machucados por causa da corda e em outras partes do meu corpo ralado por causa das quedas. Meu sexo ardia um pouco também e lamentei em silêncio. Era surreal o que eu estava passando, eu estava deflorada. Continuei me lavando e....só aí é que eu fui notar algo que deixei passar, os meus cabelos não balançavam como costumava a fazer e notei que estavam em meus ombros ao passar a minha mão.

—Visual novo, dá menos trabalho. Disse ele, devia estar olhando para mim por ter sido rápido na minha observação.

—Você cortou o meu cabelo? Perguntei chorando.

—Eu precisava de uma amostra para os seus pais e a entrega foi digamos, expressa. Até que o cheirinho de morangos os convenceu e não sabe como a mamãezinha chorava, isso dizendo os meus ajudantes. Na parte do show é com eles e a respeito de você é comigo. Estão desesperados e de mãos atadas, não passarão de hoje. Assim falou um traficante que tinha rixas com eles e quando soube aonde eles estavam, bingo. Disputa de área é fogo! Falou ele sorrindo. –Sou bem informado, por isso pago caro os melhores.

Fiquei calada e deixei as minhas lágrimas rolarem sem falar mais uma palavra, por fim abri os meus olhos e olhei para os meus braços cheios de escoriações, minhas pernas não ficavam atrás e a minha nudez causou-me vergonha mais uma vez. Olhei na direção dele e ele me olhava sem mostrar arrependimentos. Acima de tudo o malfeitor não era feio, muito pelo contrário, ele era muito bonito e seus olhos verdes me sondavam. –Meus cabelos. Eu falava mentalmente e repetia à medida que eu os ensaboava, meus cabelos ficariam horríveis se eu continuasse a lavá-los com sabonete.

Meu corpo estava muito dolorido e meu sexo também externamente, eu me sentia horrível e com muita fome, essa que chegava a doer o meu estômago. Eu estava vivendo um pesadelo e dei valor às mínimas coisas que antes eu não dava. Ao pensar em meus pais me bateu mais desespero ainda. Não havia nada que eu pudesse fazer para salvá-los, a solução não estava ao alcance de minhas mãos.

Aquele sujeito que me vigiava e segurava a corrente atada em meus braços, me olhava sem perder nada com a sua arma na mão. Talvez fosse melhor eu mesma dar cabo em minha vida para tirar esse gostinho dele. Após me ensaboar eu coloquei o sabonete dentro do porta sabonete, esse colocado ali por ele fora do meu alcance e voltei ensaboada pra dentro da água. Fiquei com a água até os meus seios e a friagem dela me fazia tremer os lábios. Com o coração na mão eu caminhei sentindo a areia ir cedendo sob os meus pés, pareciam farelos que se dispersavam com o sopro do vento conforme eu ia avançando e a água ia subindo cada vez mais.

—Se diz que não sabe nadar, é melhor parar. Ainda não chegou a sua vez de morrer. Alertou-me ele.

Ao escutar ele falando eu liguei o danasse em meus pensamentos e avancei, eu ficaria sem os meus pais e mesmo assim eu teria os meus amigos, mas não, não seria a mesma coisa. Eu estava chocada com a sujeira que me mantia no luxo, eu estava chocada em saber das drogas e em dúvida se eles também usavam, eu nunca desconfiei de nada. Era um mar de sujeira em que eu vivia e mesmo me sentindo uma tremenda covarde por pensar em minha própria morte, eu avancei não sentindo mais os meus pés no chão e afundei bastante, acredito que uns cinquenta centímetros da onde eu estava. Senti a pressão em meu corpo e prendi a respiração propositalmente por um tempo para ir me recordando dos meus amigos e dos meus pais, se fosse um adeus mesmo que em pensamento, eu os levaria na mente e no coração como eu mesma deixei escrito em meu MSN. Era mesmo o meu fim e abri a boca para deixar a água entrar no exato momento que escutei um estrondo na água e fui puxada por ele, tentei me soltar de seu agarre, eu precisava morrer e seria melhor assim. Ele era tão forte e eu não conseguia me soltar, suas mãos foram certeiras em meus braços.

—Me solta! Eu pedia me debatendo estando já imersa na água. -Eu preciso morrer! Falei gritando e atingi um tapa no rosto dele, travamos uma luta corporal feia dentro da água e cheguei a beber um pouco dela ao falar com ele. Fui tirada a força facilmente e me esperneava a todo instante que ele me retirava.

—Quieta! Amanhã mesmo a sua amiga dará adeus por sua imprudência, sou eu que estou no domínio e sou só eu que sei a sua hora!

—Pra que castigá-la se tem a mim? Perguntei quando ele me enforcou tendo seu braço em torno de meu pescoço, eu estava tão exposta. Meus seios subiam e desciam empinados e os bicos rosados estavam muito duros pela friagem da água. O meu corpo era bonito e eu tremia de frio.

—Até que não é uma má ideia, mas sua amiga irá sofrer por sua causa!

—Seja lá o que fizeram com os seus, por favor, não desconte em meus amigos. Faça comigo o que você quiser!

—Calada! Já falou demais e ficará sem comer em troca da sua amiga! Sei que eu posso fazer o que eu quiser, não precisa me lembrar.

—Que seja, mas com a minha amiga não, por favor.

Ele me jogou uma toalha ao se afastar de mim e me sequei sob o olhar dele. Jogando-me uma blusa esfarrapada de propósito, eu a vesti. O tecido continha tanto buracos e não estava mal cheiroso, pelo menos estava limpa e curta pelo o que eu percebi. Não tamparia bem dizer nada pelo meu traseiro estar todo de fora e me senti mal por isso. Sob o olhar dele eu tampei na frente com ambas de minhas mãos e ele sorriu por causa disso ao me jogar um chinelo velho.

—Está na hora, vamos embora!

Afirmei que sim com a minha cabeça e fui andando dessa vez na frente a mando dele, ele me guiava enquanto apontava a arma pra mim e por algumas vezes quase caí pelo terreno ser imperfeito e o chinelo ser escorregadio. Por minha culpa o meu agressor estava molhado e conforme eu ia andando eu ia reparando a imensidão verde do lugar e o canto dos passarinhos, nem isso foi o suficiente para me alegrar e deixei as minhas lágrimas rolarem.

A solidão me assolava, eu sentia tanta falta dos meus pais. Sei que eu mal ficava com eles, o tráfico e tudo mais devia tomar o tempo deles, as viagens devia ser a negócio sujo e uma profunda tristeza me abateu. Caminhei com a minha cabeça baixa e desviava dos galhos, meu corpo ardia e ignorei isso por ter menos importância entre todas as outras preocupações que me atingiam.

Andamos em linha reta, era muita vegetação em torno de nós e quem não conhecia se perderia com toda certeza, eu estava mesmo no meio do nada. Mais uma vez ele fez de propósito e ordenando-me de forma grosseira para virar à direita, caminhamos em meios os arbustos e demos em uma linda casa. Ela parecia ter sido tirada dos contos de fadas, o que não era o meu caso ali naquele momento.

Fiquei olhando para o lugar e ele me forçou a andar dando um toque bruto com a ponta dos dedos em minhas costas. Continuei andando e ele passou por mim apontando a arma ao nos aproximar da porta. Mas para a minha surpresa ele vendou os meus olhos ao tirar a faixa molhada do bolso e aquilo me incomodou por estar encharcado.

Entramos na casa e fui tateando, bati com o meu joelho na quina de algo e um objeto foi ao chão fazendo um barulho oco.

—Desculpe-me não foi a minha intenção. Falei me abaixando para tenta pegar o que quer que tenha caído, mas ele não deixou.

—Já está feito! Deixe pra lá.

—Tudo bem. Falei me levantando por estar engatinhada.

Esbarrando aqui e ali eu consegui passar pela porta que foi aberta por ele e fechada novamente assim que passamos. A corrente era grossa demais, era impossível escapar, logo o meu outro pulso foi atado também após ele obrigar-me na marra a me deitar na cama sem haver necessidades por eu estar rendida a vontades dele. Não havia como eu me mexer e fiquei deitada de barriga pra cima com meus braços aberto e só aí pensei na fome. Chorei por estar faminta e ele afirmou que eu ficaria sem comer, eu já não duvidava mais de nada vindo dele.

Ele tirou a venda dos meus olhos e saiu do quarto, era tudo branco e até a cama era branca, uma mínima janela ficava no alto da parede e uma porta pequena no fundo do quarto. Devia ser o banheiro ali e ele me castigou naquele rio congelante.

Olhei para a parede e a corrente estava atada em um gancho feito argola na própria, os mesmos estavam unidos através de um forte cadeado.

Escutei barulhos do lado de fora, devia ser ele ao se trocar ou sei lá. Momentos depois eu escutei vozes, mas não entendi o que eles estavam falando, barulhos de moveis sendo arrastados, devia ser aqueles homens mal-encarados e logo tudo ficou silencioso, parecia que não havia mais ninguém ali além de eu.

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Chorei como eu desejava, era um pouco alto por estar sufocada com tudo isso e gritei para desabafar, quem escutasse pensaria que eu estava louca, completamente louca e num quarto de sanatório amarrada. Eu puxava os meus braços por lembrar de tudo que aconteceu comigo, pela fome sentida e a porta foi aberta para a minha surpresa, era ele.

—Estou tentando dormir! Falou ele furioso.

—Desculpe, pensei não haver ninguém aqui. Disse medrosa demais e me encolhendo na cama.

—Calada então! Agora sabe que tem gente em casa! Mais que droga! Despertei com essa gritaria maluca sua!

—Estou com fome. Estou com muita fome.

—Isso não é problema meu, quem mandou aprontar lá no rio!

—Tudo bem. Falei fechando os meus olhos e suspirei derrotada.

A porta foi fechada com violência e acabei dormindo momentos depois com o meu estômago ainda vazio roncando loucamente.

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5h e ½ depois.

Acordei com o estrondo da porta sendo aberta e ele segurava um prato, estava cheio de comida e senti o cheiro bom quando ele colocou o prato perto de mim, estava sem talher e eu comeria com a mão mesmo. Ele deve ter voltado atrás, ele afirmou que eu não comeria.

No prato havia arroz, frango, salada, feijão e só, pelo menos ele não fez comigo igual nos filmes que era à base de pão e água. Eu surtaria mais ainda se fosse desse jeito.

Ele soltou uma de minhas mãos e pude sentar na cama, peguei o prato colocando-o em meu colo e comi como uma louca com ele me olhando, lágrimas rolavam de meus olhos ao comer e consegui virar de lado dando as costas para ele, sentia-me humilhada demais.

—Suas lágrimas não me comovem, por culpa dos seus as minhas e as dos meus pais descem ao lembrar da minha irmã que faleceu. Por culpa de vocês! Falou ele gritando na última frase e me encolhi deixando de comer pra olhar pra ele.

—Não sou culpada, estranho. Eu jamais desejaria a morte de alguém inocente, você não me conhece para falar isso.

—Faz parte do clã de ordinários, salafrários e ladrões! Isso já basta e não consigo acreditar, já que era à base das sujeiras que vocês viviam bem. Sei de tudo e não preciso dizer os detalhes! Você convivia com eles.

—Não pos......

—É melhor você ficar quieta, do contrário eu lhe tirarei a comida! Continuei comendo sem dar um pio, mas fui interrompida por ele. –Depois eu pegarei o prato!

Ele saiu do quarto e bateu a porta trancando-a, lembrei-me de jake e ele devia estar tão furioso comigo, as lágrimas vieram ao lembrar-me dele. Eu não conseguia parar de chorar e terminei de comer lambendo os meus dedos para limpá-los.

Meu braço ficou cheio de pintinhas vermelhas por causa das formigas, eu observava passando os meus dedos enquanto as minhas lágrimas escorriam e fiquei a maior parte do tempo chorosa. Quando ele entrou no quarto me deu uma garrafinha de água e bebi tudo por estar com sede.

—Preciso usar o banheiro, estou apertada e as correntes estão ajustadas para ficarem curtas.

—Vou aumentá-las, mas se tentar algo.....

—Juro que não, já estou tentando aceitar o que eu estou passando.

Sem falar mais uma palavra ele afrouxou a corrente e daria para andar pelo quarto inteiro, meus braços estavam tão doloridos.

—Por que ficou gritando naquela hora?

—Pelos os meus pais, pelo meu ex-namorado e saudades dos meus amigos. Principalmente por causa da minha escola, estou perdendo aula.

—Mereceu isso!

—Eu não mereci. Falei passando por ele e olhando aquele objeto perigoso em uma de suas mãos. Entrei no banheiro.

Reparei que era até decente ao invés de imundo e parei de olhar na direção do espelho por causa do meu cabelo curto, sorte que cresceria caso eu vivesse até lá. A corrente arrastava no chão fazendo barulho, olhei para o bidê ao lado e caminhei na direção do vaso limpíssimo por sinal. Aliviei-me sem sentar no vaso, mas ao olhar na direção da porta eu tomei um baita susto com ele parado ali me vigiando. Eu não esperava por isso.

—Não precisa ficar de frescuras, o vaso está mais limpo que o seu próprio sobrenome. O ignorei ao falar isso e continuei da mesma forma, eu já estava cansada das injúrias e do ódio dele, parecia que fazia de propósito e era de propósito. Asseei-me sob o olhar dele e lavei as minhas mãos o ignorando, pra que eu fiz isso. –Está surda? Perguntou ele me imprensando na pia.

—Você falou que não era pra eu falar muito.

—Está ficando adestrada. Falou ele segurando o meu braço e me levou novamente para o quarto soltando-me de forma bruta sobre a cama, depois disso ele voltou a reduzir a corrente novamente. –Mas quando eu falar, não é pra me ignorar!

—Com um banheiro no quarto não preciso tomar banho no rio estupidamente gelado. Após eu falar ele sorriu.

—Não veio para uma colônia de férias! Volto já para nos divertir mais um pouco. Disse ele saindo do quarto levando o prato e a garrafinha de água vazia, ele portava também a arma em uma das mãos.

Fiquei deitada na cama de barriga pra cima, exausta de tudo isso e acabei dormindo novamente.

.

.

.

3h depois.

Despertei com um movimento na cama e ao olhar na direção dos meus pés, ele subia na cama e veio ficar sobre mim. Desviei o meu olhar, mas ele me forçou a olhá-lo.

—Não gosto quando me ignora, não gosto de ser ignorado! Falou ele de maneira bruta. –Já esqueceu do que eu te falei?

—Não estou, apenas termine logo o que pretende.

—Começo e termino quando eu quiser, não precisa me dar ordens! -Aliás, faça um favor pra mim, abra a camisinha.

—Isso é d......

—Acha que é demais?

—Não. Falei voltando atrás e fiquei sem reação de como proceder, eu teria que tocá-lo e não era adequado, eu me senti mal por ter que fazer isso. Ele afrouxou a corrente e meus braços ficaram maleáveis. Tremendo eu peguei a embalagem dentro do bolso da bermuda preta dele e abri o preservativo sob o olhar fixo dele em mim.

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—Se mova! Falou ele e obediente fiz o que ele me mandou. Eu sabia o que era se mover na linguagem dele e eu teria que abrir a roupa dele. Envergonhada com a situação eu abri a bermuda dele desabotoando-a, desci o zíper e algo bem volumoso estava ali, fechando os meus olhos eu tirei o sexo dele pra fora e fui repreendida por isso. –Abra a porra dos olhos! Sabe como é isso, aliás, você não era mais virgem! Faça direito.

—É difícil para mim por não o conhecer. Não temos laços afetivos.

—Graças a Deus! Agora se cale e continue! Do contrário voltará a ficar vendada e terá castigos piores como dormi no sereno! Por aqui tem cobras. Disse ele sorrindo e eu neguei com medo daquilo.

De olhos abertos agora, eu fiz com que o véu do fingimento me cobrisse, agiria como se aquilo não me abalasse. O vesti com a camisinha e ele era bem grande para o meu tamanho. Eu diria avantajado e de pirraça me joguei para trás na cama e o baque foi audível. Abri as minhas pernas sentindo o meu peito apertar com aquilo e não deixei transparecer, subi a blusa esfarrapada bem mais e fiquei com os meus seios de fora. Apertando-os com intensidade ele se aproximou de mim e me penetrou de uma vez só, prendi o protesto em meus lábios enquanto que ele se movia feito louco em mim e abriu mais as minhas pernas. Tentei olhar para o lado por não querer olhá-lo e ele me forçou mais uma vez a fazer exatamente o que eu não queria. Repreendeu-me por isso com raiva, seu castigo foi uma investida bem mais intensa.

—ÔÔhhh! Soltei um gemido alto de protesto. –Não precisa me machucar.

—Isso é por ter sido desobediente! Falou ele rudemente. –Até que não é tão mal assim, dá para comer e ficar pouca coisa satisfeito. Falou ele em meu ouvido.

—Meu ex adorava. Eu disse de propósito. –Eu adorei as poucas vezes em que eu e ele ficamos juntos. Igual a ele existe bem poucos.

—Diz isso para me afetar, mas saiba que nem um pouco!

—Não é para lhe afetar, é a mais pura realidade.

—Que se danem os dois! Falou ele indo beijar os meus seios para me provocar.

Os bicos foram chupados e mordiscados por longos minutos. Suas mãos correram pelo o meu corpo e se movendo de uma maneira diferente da outra, algo incendiou em um determinado ponto dentro de mim, minha vontade era contrária a que dizia o meu corpo naquele momento. Meu pescoço, minhas orelhas foram acariciadas enquanto que suas investidas e seu toque em meus seios causavam-me loucuras. Eu sentia que o meu sexo se contraía com violência contra a minha vontade e me deixou chateada. Era devastador o fogaréu em meu corpo e eu estava impossibilitada de fechar as minhas pernas.

Nem o jake que era o meu namorado me fez sentir isso e o fogo do desejo parecia que comichava terrivelmente em meu sexo. Seus lábios foram parar em meus seios novamente e as investidas aumentaram roubando gemidos meus em minha mente. Eu não podia, eu não queria estar sentindo prazer com ele, eu não poderia, mas ele conseguiu me tirar da tormenta ali vivida enquanto que os meus olhos rolavam em órbita com ele brincando em meus seios e acariciando o meu sexo já há muito tempo a ponto de explodir de prazer. Foi o que aconteceu de forma surpreendente e nunca sentida antes, a ponto de dar para notar vergonhosamente que eu o mastigava com o meu sexo estando completamente trêmula contra a minha vontade. Percebi que ele também gozou por afundar o rosto no travesseiro ao lado e pressionar o corpo de forma precisa contra o meu alargando-me ainda mais. O sexo dele se contraia de forma violenta dentro de mim e deixei as minhas lágrimas rolarem secando-as logo para não o deixar com raiva.

—Não pode mais dizer o que acabou de afirmar para mim, ele não é o único que pode dar prazer a uma vadiazinha.

—Ele não me dava prazer por eu ser uma vadia e sim uma mulher digna. Eu tenho certeza que você também não é nada digno, então não jogue pedra no telhado dos outros se o seu também é feito de vidro! Falei socando-o por sentir a fúria em minhas veias e não pensei nas consequências, eu precisava machucá-lo e foi o que eu fiz enquanto eu pude, mas ele se afastou facilmente sorrindo por eu estar amarrada e ele não.

—Não tenho medo da sua rebeldia, sei que vai querer me atingir!

—Pense o que quiser! Virei para o lado chorando e meu sexo estava estupidamente úmido. Eu me condenei por aquilo, eu não me permitia sentir prazer com o homem que destruiu a minha felicidade e a minha vida. Não, eu jamais me permitiria sentir aquilo novamente e chorei mais ainda. Eu sentia que havia traído jake em meu coração com uma pessoa desprezível, o prazer com ele sim era por mim desejado, ele sim me amava.

—Pare de me chatear com esse choro!

—Choro por vários motivos. Pelos os meus pais, por faltar o colégio, por causa de jake, dos meus amigos e de não estar livre das suas crueldades! Por favor, me deixe ir.

—Já ouvi baboseiras demais e não permito que me encha com elas novamente! Disse ele disparando a arma e aquilo me assustou de verdade fazendo-me arregalar os meus olhos. Olhei para o meu corpo desesperada a procura do ferimento e ele sorria olhando para o canto da parede, foi ali que ele disparou e tornou a olhar para mim. –Calada! O próximo pode ser em você! Seus dias estão contados mesmo. Pra quê estudar?

Olhei para ele bestificada enquanto ele saia do quarto e fechou a porta. Fiquei calada e sem lágrimas rolando, ele era completamente maluco e disposto realmente a me torturar pelo o que eu reparei.

Eu estava no meio do nada, não sabia que lugar era aquele e que direção ir. Pior de tudo era ele torturar os inocentes, era uma pena que os meus pais não se enquadravam nessa minha observação. Era uma pena, mas mesmo assim eu os amava e pagava arduamente pelos erros deles. Acho que rezar não adiantaria estando presa por grossas correntes.

Mesmo estonteante na beleza, seu caráter deixava a desejar e jurei para mim mesma que eu tentaria fugir. Mas como?

CONTINUA..........